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Sobre Budismo : Budismo, meditação, sabedoria e compaixão para o cotidiano

Zazen ou Shūzen?


By Jigme Wangchuck (Leonardo Ota)

Caros amigos, na condição de curador deste espaço, além de propor reflexões já publicadas sobre ensinamentos de mestres, procurarei, sempre que possível, disponibilizá-lo aos professores. Esta semana, acompanharemos um texto da Isshin-sensei. Boa leitura!

“A grande maioria das pessoas vem para um centro de prática zen-budista porque está passando por algum tipo de crise na sua vida que está causando muito sofrimento. Estas pessoas começam a sua prática na esperança de encontrar alívio para a sua dor. Assim, o objetivo de sua prática pode ser “relaxar”, “corrigir defeitos”, “acumular méritos” – a lista é infinita.

Este tipo de prática com “metas” e “objetivos” é chamado shūzen (習禅, “aprender-zen”), que significa “zen para aprender algo”. A “mente de ganho” está presente nesta atividade. Quando sentamos e fazemos “meditação” como parte de uma prática com o objetivo de nos livrarmos do sofrimento que nos trouxe para um centro de zen, NÃO estamos verdadeiramente nos sentando em “zazen”, não estamos em “shikantaza”.

Mas, geralmente, é justamente o sofrimento e o desejo de aliviá-lo que levam uma pessoa ao zen. Isto é perfeitamente natural e não deve ser criticado. Então, como resolver esta questão?

A chave, a meu ver, está em fazer a transição, em algum momento, do shūzen para o zazen, a meditação sem objetivos ou metas – despertar a “mente do caminho” (bodaishin). Isto não significa que a prática em si, como um todo, pode ficar sem ter uma direção – a iluminação e o bem de todos os seres – e espera-se ver melhorias na qualidade de vida do praticante, mas quando sentamos em zazen precisamos abrir mão das nossas metas e objetivos, sentar zazen simplesmente por sentar zazen e mergulhar no shikantaza – o “simplesmente, justamente, exclusivamente sentar”.

Vamos descobrir o que é este shikantaza, o verdadeiro zazen ensinado pelo mestre Dōgen?”

Isshin-sensei, missionária internacional da Sōtōshū e orientadora da sangha Águas da Compaixão, escreveu este artigo com exclusividade para o site Sobre Budismo.

Imagem, Cris Duarte

Organização: Rodrigo Daien





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