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Terra Pura

Reavaliando meu modo de viver

– “Sabe, aquele seu antepassado de cinco gerações passadas? Ele está rogando praga em você!” Se alguém falar assim, a maioria levaria um grande susto. Mas, se falassem: ”Sua mãe falecida está lançando uma maldição”? A maioria das pessoas

responderia indignada:- “Minha mãe não é esse tipo de pessoa!” Ou seja, aceitar que o antepassado está em perdição, ou que está rogando alguma praga, demonstra que o nosso coração não conseguiu assumir a morte dessa pessoa. Assim, alguém aproveitando essa insegurança sugere maldiçoes e magias, cujo apaziguamento geralmente envolve dinheiro.

Quem morreu não porta mais emoções. Portanto não exigirá isso ou aquilo no altar; nem vai ameaçar dizendo que se você não fizer isso ou aquilo, vai te assombrar.

Mesmo assim, nós que estamos vivos, por conta própria pensamos que é necessário fazer alguma coisa pelo falecido e projetamos.

Sob determinado ângulo, isso parece valorização do falecido. No entanto o verdadeiro propósito pode estar no pedido de proteção para a própria vida ou proveniente do medo de chamar alguma maldição para si. Será que na maioria das vezes não é esse o caso?

Pois a popularização do exorcismo baseia-se nisso.

A pessoa que morreu, através da sua própria morte está transmitindo para nós que todo o ser vivente morrerá, um dia. E está questionando como queremos viver nossa existência limitada. Quanto mais próxima era a convivência com esse falecido, mais sentimos essa questão. Nós só conseguimos começar a pensar direito sobre a nossa própria vida, só quando defrontamos com a morte de alguém próximo.

Visitar o túmulo, participar de um rito memorial de um ente querido nada mais é do que uma oportunidade importante para através da vida passada dessa pessoa, poder reavaliar a nossa própria maneira de viver.

 

Rev. Prof. Makoto Ichiraku (Universidade Otani de Kyoto)


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