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Sobre Budismo : Budismo, meditação, sabedoria e compaixão para o cotidiano

Minha prática de meditação


By Jigme Wangchuck (Leonardo Ota)

Existem algumas técnicas de meditação no budismo, como Vipassana e Shamata. Eu pratico Shamata e vou contar para você um pouco sobre o que é, como eu faço, para que serve, o que eu sinto e se me faz bem.

Eu não sou nenhum mestre em meditação, sou apenas um iniciante e vivo rodopiando ao redor do meus problemas. Pratico meditação Shamata diariamente 30min ao acordar e 30min a noite e posso dizer que os resultados no dia-a-dia me fazem muito bem. Fico mais tranquilo durante o dia, sinto minha mente mais calma, mas não pense que meditação tem como objetivo o relaxamento ou algo parecido. Esses estados do corpo acontecem naturalmente devido a prática de sentar em silêncio com a respiração calma e tranquila, porém este não é o foco.

O que é meditação Shamata?

Essas são trechos escritos pelo meu mestre, Lama Padma Samten, sobre Shamata pura e impura:


Shamata impura

Interrompemos a operacionalidade comum do mundo, funcionando dentro de nós, e sentamos. Vamos praticar a liberdade de não precisar ficar respondendo a um fluxo. Então respiramos!

É a primeira forma de contermos nossos impulsos cármicos. Se não conseguirmos barrá-los, ficamos presos neste processo incessante da Roda da Vida, ficamos chamando esses impulsos de “eu mesmo”, ainda que estes impulsos sejam contraditórios. Procuramos focar a respiração, e ver nosso corpo se energizando pela própria respiração. Procurem localizar o que faz os olhos brilharem. Isso é a energia, o foco da meditação é esse.

De resto, procurar manter o corpo relaxado. Esta shamata é impura pois tem niroda [foco fechado]. Se mergulharem nessa meditação, talvez esqueçam do que ocorre no mundo ao redor. Se vemos uma coisa, deixamos de ver outra. Mas é uma meditação muito importante, é a primeira forma na qual vamos conter a ação de samsara. O mais importante não é teorizar sobre isso, mas praticar, experienciar.


Shamata pura

Fazemos o mesmo que em shamata impura, mantemos esse brilho no olho e no corpo, mas agora aproveitamos nossos olhos e ouvidos [e todos os outros sentidos] para vasculhar ao redor. Não buscamos isso, simplesmente nos mantemos abertos ao que ocorre no mundo externo e não respondemos.

Percebemos o que é a mente dependente dos sentidos: se a mente está ligada ao olhos, ela está presa a uma sala; se ela segue o sentido auditivo ela vai longe. Com os olhos, por exemplo, não vejo os carros, mas eu ouço, e minha mente vai atrás. Vamos ficar em silêncio, ouvir o que está ao redor, olhar o que surge internamente, os pensamentos, e contemplar a transitoriedade deles. São como riscos numa superfície de água, tão pronto eles vem, eles vão.

A essência da prática de Shamata é não responder.

Como eu pratico?

Eu pratico meditação Shamata no meu quarto, já tentei praticar em um parque, só que prefiro em casa, pois é mais tranquilo. A experiência que tive em locais públicos não foram tão legais quanto eu pensei. Olha a paisagem do parque que falei(Parque do Sabiá – Uberlândia – MG) e ainda sim eu prefiro o meu quarto bagunçado:

Parque do sabiá, onde pratiquei meditação shamata do budismo.

Nos dias em que fui meditar, um pessoal sentou-se ao meu lado e começou a conversar, cantar e pular, foi até engraçado. Por isso acho que no meu quarto não terá ninguém fazendo algazarra rsrs.

Almofada japonesa - Azfu

Com relação a postura, eu comprei um tapete para prática de ginástica e Yoga e uma almofada que se chama Zafu(ao lado direito) indicado pelo Gustavo Gitti(que é um grande amigo e me ensina sobre o Dharma) quando fui ao meu primeiro retiro no budismo sobre meditação da presença em São Paulo. O Zafu é uma almofada usada para a prática do Zazen, mencionado no início deste post. Ela é muito confortável e ajuda bastante quando se está começando a praticar, pois da uma levantadinha nos quadril e faz sua coluna encaixar dando mais conforto para a prática de meditação.

Em relação ao tempo que pratico, eu comecei com 2x 5min e 1 de descanso todos os dias. Ao passar do tempo e com força de vontade, pois existem algumas dores iniciais, eu comecei a ficar e suportar os pequenos desconfortos por mais tempo. Eu sempre pensei assim, faça chuva ou sol eu devo praticar, até doente eu tentei. Não é tão bom, mas achei necessário não dar desculpas para praticar. Hoje eu gosto muito de meditação e me sinto muito bem.

Nem tudo é maravilha, existem dias que eu não quero praticar, não da a mínima vontade, ai eu lembro sobre a motivação(irei criar um post para explicar melhor sobre a minha motivação e porque ela é importante), do porque eu pratico.





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