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  • Theravada

    O que a meditação não é

    O que a meditação não é

     

    Bhante Gunaratana, em seu livro Mindfulness in plain english (A vigilância em linguagem clara em tradução aproximada) apresenta no capítulo 2 da obra uma lista de erros comuns quando se fala da meditação vipassana (o sistema praticado e ensinado no sul e sudeste asiático, principalmente). Apresentarei em duas postagens as concepções errôneas listadas por ele.

    1. Meditação é somente uma técnica de relaxamento. O problema nessa frase é a palavra somente. Claro que relaxamento resulta da meditação, mas o escopo da prática é mais profundo. Relaxamento não é a meta da meditação.
    2. Meditação significa entrar em um transe. Outros sistemas que não o vipassana podem se apresentar dessa forma, mas no caso de vipassana tudo gira em torno de estar atento, consciente, ou seja, seria o oposto de um transe. O transe hipnótico deixa o sujeito aberto a influências externas, na concentração profunda o sujeito segue atento e não passivo diante de influências externas. E lembremos que a concentração profunda não é o objetivo da meditação, embora seja uma ferramenta fundamental da mesma.
    3. Meditação é uma prática misteriosa que não pode ser compreendida. Uma verdade em parte. De fato a meditação lida com coisas mais profundas do que o pensamento simbólico e muito dos dados não vão se encaixar em palavras. Isto não significa que não possa ser entendida. Devemos entender a meditação do mesmo modo que entendemos o processo de andar: aprendemos a andar andando, devemos aprender a meditar meditando, ou seja, experienciando a investigação de si mesmo proporcionada pela prática.
    4. O propósito da meditação é se tornar um super paranormal. Não. O propósito da meditação é desenvolver consciência. Ler mentes, levitar, atravessar paredes, nada disso é a meta, nada disso é a libertação. Tais fenômenos podem acontecer a alguns praticantes em determinado estágio de sua prática, mas não devemos dar a eles grande importância pois podem produzir apego e estagnação no caminho.
    5. A meditação é perigosa e pessoas prudentes deveriam evita-la. Atravessar a rua e tomar banho também são atividades arriscadas, podemos morrer atropelados ou escorregar e cair. Meditação pode aflorar coisas desagradáveis enterradas em nosso passado e isso pode ser doloroso, mas também muito benéfico. O benefício compensa o enfrentamento com nossos aspectos mais incômodos.

    CRÉDITOS DA FOTO: http://nikhelbig.com/art-blog/2009/10/24/meditation-painting/


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  • Theravada

    Perspectiva

    Muitas vezes sentimos como se estivéssemos estagnados em nossa “prática”, nada de novo acontece, a lua-de-mel acabou. Tudo parece tediosamente igual e nessas horas nos perguntamos coisas do tipo: o que estou fazendo aqui? Por que sento com as pernas cruzadas todo santo dia, ao invés de sentar na frente da tv e assistir o último episódio de fallen skies? Sou mesmo um praticante? Devo parar com todas essas coisas?

    Penso que é preciso aprender a olhar para esse tipo de situação de uma certa perspectiva, que considero ampla o suficiente para nos ajudar a superar os problemas e dúvidas internos. Devemos pensar nos três eixos ao redor dos quais gira a prática do dhamma expressa no nobre caminho óctuplo: moralidade, concentração, sabedoria. Tendemos a enfatizar apenas a meditação formal no ocidente como o todo da prática e muitas vezes esperamos fenômenos maravilhosos, luzes mágicas, levitações, aparições de devas, etc. Esquecemos que o caminho é gradual e que tem por objetivo o fim do sofrimento, não luzes, levitações ou aparições de seres maravilhosos. Não que isso não possa acontecer, mas não se medita no buddhismo para isso. O caminho é gradual como o desgaste sofrido por degraus esculpidos na rocha de uma montanha, não o percebemos, sabemos que acontece por comparação com outros casos semelhantes.

    Neste sentido é importante lembrar da moralidade. Não como mandamentos, mas como treinamentos e buscar manter na mente como éramos antes de começar a trilhar o caminho e como somos agora, que progressos fizemos no treinamento de sila. Se pararmos alguns momentos para lembrar do passado, passaremos a nos alegrar com nossa prática. Esta alegria alimenta a prática e nos leva não só a perseverar no caminho como a estágios mais elevados a partir dos quais a sabedoria pode florescer. Lembremos que sabedoria liga-se a compreensão correta e a intenção correta, ou seja, o conhecimento das nobres verdades não como informação, mas sim como culminância do caminho. Nos suttas este tipo de sabedoria é sinônimo de realizar a condição de arahant.

    Este olhar perspectivista pode nos ajudar a superar períodos de aridez na prática da meditação formal, na medida em que mantemos em mente que prática é sempre mais do que isso. Pode nos ajudar também a superar o sofrimento ligado a deslizes quanto aos preceitos que podem gerar em nós cobranças excessivas que por sua vez produzem angústia e sofrimento. De sofrimento basta o Samsara, e ele prospera sem nossa ajuda.

     

    Créditos da foto: http://www.myearthwallpapers.com/view/snow_on_mountain_top-800×600.html


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  • Theravada

    Persistência e paciência

    Sempre que estamos sobrecarregados ou passando por momentos turbulentos há uma tendência a mergulhar nos problemas e deixar a prática em segundo plano ou mesmo parar a mesma por completo. Estou passando por algo assim no trabalho essas últimas semanas e tenho percebido o abismo que existe entre os conselhos sábios recebidos de grandes professores e a aplicação destes conselhos na vida diária.

    Não vou mentir aqui e dizer que estou tirando de letra, fazendo tudo como manda o figurino. Tem dias que o cansaço é tão grande que simplesmente desmaio e só acordo no dia seguinte, tem dias que as dores nas costas devido ao peso dos livros carregados durante todo o dia atrapalham bastante a meditação, tornando-se por vezes o foco da atenção no lugar da respiração. Enfim, não é fácil e não sou santo.

    Se posso dar um conselho é: faça o que for possível sempre e se não for possível tente alguma coisa. Medite menos minutos se estiver com dores, leia algum sutta, faça recitações, lembre-se de cultivar a paciência diante das situações que estão te atrapalhando. O importante é poder olhar para si mesmo e dizer: não desisti de tentar. De tanto tentar acabamos conseguindo. Espero que este conselho seja bom e útil de verdade.

     

    crédito da foto:  http://www.clinicapsicologialisboa.pt/coaching/persistencia/

     

     

     

     

     

     

    Aracaju, 01 de agosto de 14


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