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  • Terra Pura

    Os Três Tipos de Mente (Sanjin)

    Dentro dos sutras da tradição da Terra Pura , a palavra sanjin é freqüentemente usada. A fundação deste termo vem de três termos encontrados nos textos em sânscrito que citam a Terra Pura: shraddha, prasada e adhimuktiShraddha foi traduzida para o chinês como Xin que significa fé, confiança. Prasada foi traduzida para o chinês como ch’eng-ching que significa pureza. Adhimukti foi traduzido como Hsin-Chieh, o que significa a fé através da compreensão

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    O Fio Da Aranha

    Trata-se de algo ocorrido um certo dia.

    O Buda Shakyamuni caminhava a esmo à beira do Lago de Lótus da Terra da Suprema Alegria. Todas as flores de lótus que floresciam no lago são como globos branquíssimos, de cujos estames dourados no centro, emanam um perfume indescritível que se espalha ininterruptamente.

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    Os Três Graus dos Praticantes

    Buda disse a Ananda, “Os seres sencientes nascidos nessa terra de Buda todos têm o Nirvana assegurado. Isto porque nessa terra não existem seres destinados a condições adversas ou com futuro incerto. “Todos os Budas, Tathagatas das dez direções, tão numerosos como as areias do Ganges, juntos louvam a inconcebível e sobrenatural virtude de Amitayus. Todos os seres sencientes que, ao ouvirem o Nome de Amitayus, rejubilem com fé, o recordem mesmo que apenas uma vez, e sinceramente transfiram o mérito das práticas virtuosas para essa terra, aspirando a nascer nela, vão consegui-lo e alcançarão o estado de não-retrocesso. Excluídos estão aqueles que tenham cometido as cinco graves ofensas e insultado o correto Dharma.”

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    A Escola da Terra Pura (parte final)

    No século XIII, após o falecimento de Shinran, formou uma tradição que acabou se denominando como o Templo do Voto Original (jap. Honganji) do Buddha Amitabha, construído inicialmente como uma espécie de mausoléu para abrigar as cinzas de Shinran. Seu abade era sempre um descendente direto de Shinran. A família recebeu a designação Ôtani ou “grande vale” pelo fato de este templo estar localizado numa região com este nome. No final do século XVI e início do século XVII, após um período de intensas guerras internas no Japão, o Shôgun Ieyasu Tokugawa doou terras em Kyôtô para que descendentes da família Ôtani construíssem seus templos. Uma grande gleba de terra foi oferecida ao irmão mais novo no lado oeste da cidade, dando origem ao Templo do Voto Original do Oeste (jap. Nishi Honganji). Outra gleba foi oferecia para o irmão mais velho no lado leste da cidade, originando o Templo do Voto Original do Leste (jap. Higashi Honganji). A partir daí, os dois templos se constituíram como ordens religiosas independentes.

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    A Escola da Terra Pura (parte 2)

    O ensinamento central de Shinran é a mente confiante (jap. shinjin), a entrega ao voto original de Amitabha e a negação do próprio poder. As práticas do próprio poder incluem todas as práticas diferentes da recitação do nome de Amitabha e até mesmo esta recitação, se for feita sem a entrega total ao voto original de Amitabha. Segundo Shinran, não é possível salvar os outros com o próprio poder; seria necessário confiar primeiro no poder de Amitabha e atingir a iluminação na Terra Pura. A mente confiante tem três aspectos (jap. sanshin): a mente pura (jap. junshin), que confia sinceramente; a mente única (jap. isshin), que confia só no Buddha Amitabha; a mente contínua (jap, sôkushin), cuja confiança é ininterrupta, mesmo quando outros pensamentos surgem.

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    A Água

    Vemos, nos sutras, que o Buda usa freqüentemente o exemplo da água. A água muda sua forma de acordo com o recipiente no qual é colocada, mas nunca muda sua essência ou sua natureza.

    Quando numa tigela redonda, a água torna-se redonda. A água não é teimosa, como alguns homens; ela se adapta às situações. Contudo, ao mesmo tempo, ela permanece água e nunca muda sai própria essência.

    A água é muito humilde. Ela sempre procura o nível mais baixo. Nunca tenta chegar ao topo para se exibir; sempre vai para o fundo. O nível mais baixo é o lugar mais seguro, natural e pacífico. A água é suave e submissa; no entanto, tem um imenso poder dinâmico que pode girar grandes rodas d`água e derrubar diques e paredões de concreto.A água devasta a aldeia como um dilúvio; corrói o granito à beira-mar; pingando de uma calha, pode fazer um buraco na pedra. Ainda assim, ela é suave e dócil.

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    A Escola da Terra Pura (parte 1)

    A escola Shin, ou Verdadeira Escola da Terra Pura (jap. Jôdo Shinshû), surgiu no Japão a partir dos ensinamentos de Shinran Shônin (ou Kenshin Daishi, 1173-1262), embora ele não tivesse fundado oficialmente uma escola. Shinran tinha uma grande admiração pelo seu mestre Hônen e usava a expressão japonesa Shin — verdadeira, correta, autêntica — para designar os ensinamentos recebidos de Hônen através de uma linhagem de patriarcas que vinha desde a Índia, passando pela China e chegando ao Japão sem nunca ter se quebrado.

    Como houve uma época em que a doutrina da recitação do nome de Amitabha foi proibida por um édito imperial, e como Hônen e Shinran foram exilados em províncias distantes, as escolas Jôdo e Jôdo Shin acabaram por se formar e se desenvolver de maneira independente.

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    Questionando o Ser Humano

    O Budismo, e particularmente o Shin, pode ser definido como a Religião do Encontro. Entretanto, isso não significa que apenas o Encontro seja importante. Eu acho muito mais importante a problemática que começa a se desenvolver a partir do Encontro. Este pode ser definido como sendo a experiência que nos faz tomar consciência de estarmos sempre a julgar os outros, o mundo e a nós mesmos a partir de padrões egocêntricos a definir o bem e o mal, o certo e o errado, o compreensível e o incompreensível, etc.

    Entretanto, logo no momento seguinte ao Encontro nós transformamos aquilo que encontramos numa meta. O budismo critica como uma forma negativa de soberba a atitude da pessoa se rebaixar e se auto depreciar. É um segundo eu que contempla meu eu de fora para dentro que me deprecia. O eu exterior julga o eu que é visto por ele. Julga-o a partir de um padrão de bem e mal. O eu que julga a partir de uma decisão sobre o que é bom e o que é ruim é sempre um eu que é um espectador externo. Quando ele acha que atingiu a meta, está de volta ao ponto de partida.