• Terra Pura

    As Flores do Equinócio

    Conhecida também como red spider lily, red magic lily, hurricane lily, floresce na época do Equinócio de outono no hemisfério norte. No Japão, onde é muito admirada é conhecida como Higanbana  彼岸花 (flor da “outra Margem”, ou do Equinócio). Muito usada em funerais e por isso também é conhecida como a flor do Gokuraku Jôdo 極楽浄土  (Sukhāvatī,  Terra Pura), ou como Manjushage 曼珠沙華. É uma flor sazonal que nasce livremente perto dos cemitérios (na verdade ela cresce em qualquer lugar desde que haja condições, dizer que só cresce perto de cemitérios é um mito, apenas ninguém se atreve a colher flores que “pertencem ao mortos”) e nesta época do Ohigan os japoneses costumam visitar os cemitérios para homenagear os entes já falecidos. 

    Nas traduções chinesas e japonesas do Sutra do Lótus é conhecida como uma flor sinistra que floresce no Inferno (Jigoku 地獄 em japonês, Niraya em páli e Naraka em sânscrito) e que é um guia para os mortos pelo Rio Sanzu 三途の川. Suas flores só surgem quando as folhas desaparecem e estas só ressurgem quando as flores já tiverem murchado. Por isso surgiu o nome Manjushage, nome de dois seres celestiais: Mañju 曼珠 , o Guardião da flor e Shage 沙華 o Guardião das folhas. Ambos apaixonaram-se e se rebelaram do destino de cuidar das folhas e da flor separadamente e ficaram juntos. Sentindo-se desafiada pela obstinação do casal, a Deusa Amaterasu impôs um terrível castigo: As flores de  Mañju nunca mais deveriam ver as folhas de Shage novamente. Quando Mañju e Shage morreram e reencontraram-se no Inferno, ambos prometeram que se reencontrariam quando renascessem novamente. Mas ambos não conseguiram cumprir a promessa. E em homenagem ao casal os nomes foram unidos para formar o nome da flor Manjushage.

    Reva. Sayuri Tyo-jun

  • Terra Pura

    A Essência do Sutra de Amida

    Há quase três mil anos, no norte da Índia, Buda Shakyamuni, fundador do budismo, residia em um belo bosque juntamente com seus discípulos. Dentre esses, haviam grandes discípulos já iluminados, pessoas simples do povo e até mesmo seres celestiais que vinham para ouvir os ensinamentos do Grande Mestre.

    Em certa ocasião, o Buda diz, voltando-se para um de seus discípulos, mas com a intenção de ensinar a todos os presentes, que se nos voltarmos para a direção oeste, passando por milhares de milhões de universos, encontraríamos uma Terra Búdica chamada “Bem-Aventurança”, ou “Terra Pura da Suprema Alegria”.  E ali habita um Buda chamado Amida, o Buda da Vida e Luz de Sabedoria Infinita que está constantemente proclamando os ensinamentos que levam os seres à libertação da ignorância e dos sofrimentos ligados ao nascimento, velhice, doença e morte.

    Disse o Buda que tal Terra Pura é chamada de Suprema Alegria, pois ali não existe o sofrimento e todos os seres alcançam a Iluminação.

    Lá há árvores enfeitadas com vários tipos de joias, assim como o chão que é feito de ouro; há também lagos adornado com sete tipos de pedras preciosas, cheios de água das Oito Virtudes (pureza, frescor, suavidade, doçura, hidratação, revigoramento, apaziguamento da sede e nutrição). Nesses lagos existem flores de lótus tão grandes quanto rodas de carruagens e cada uma emite uma luz brilhante conforme sua cor.

    Todos os dias, em seis ocasiões, cai uma leve chuva de pétalas de raras flores.

    Pela manhã, os seres que habitam essa Terra Pura, colhem essas pétalas de flores e visitam as Terras de outros Budas, para ouvirem seus ensinamentos e louvá-los, jogando sobre eles tais pétalas.

    A seguir, voltam para a Terra Pura onde desfrutam uma refeição e saem para um passeio pelos belos jardins, repletos de árvores de joias e lagos de lótus.

    Nessa Terra Pura da Suprema Alegria há também muitos pássaros raros, de belas plumagens tais como gansos brancos, pavões, papagaios e até mesmo aves míticas que cantam sons melodiosos.

    Esses cantos maravilhosos nos falam sobre as “Cinco Raízes do Bem”:

    (1)   a confiança nas Três Jóias: Buda, Dharma e Sangha,

    (2)    as Quatro Nobres Verdades que são: a constatação do sofrimento, a constatação da origem do sofrimento, a constatação da eliminação do sofrimento e o Nobre Caminho que conduz à libertação do sofrimento;

    (3)   o esforço para a prática da bondade;

    (4)   plena consciência do Dharma Verdadeiro pregado pelo Buda;

    (5)   concentração e discernimento da natureza verdadeira da realidade.

    Também nos falam sobre os “Cinco Poderes” que são obtidos com a prática das Cinco Raízes do Bem, também conhecidos como “Cinco Portões da Atenção Plena”:

    (1) Veneração

    (2) Louvor

    (3) Aspiração

    (4) Contemplação

    (5) Transferência de Méritos

    Bem como sobre as Sete Práticas que conduzem à Iluminação, que são:

    (1) a distinção do Dharma verdadeiro em oposição às opiniões falsas;

    (2) o esforço na prática do Dharma verdadeiro;

    (3) o regozijo no Dharma verdadeiro;

    (4) a eliminação da indolência e obtenção da tranquilidade e do repouso;

    (5) a prática da plena consciência para manter o equilíbrio da concentração e do discernimento da natureza verdadeira da realidade;

    (6) a prática da concentração

    (7) o desapego mental dos objetos externos e consequentemente estabelecimento de uma mente serena.

    Além de também nos falarem sobre o Nobre Caminho Óctuplo composto por:

    (1)   visão correta,

    (2)   pensamento correto,

    (3)   palavra correta,

    (4)   ação correta,

    (5)   modo de vida correto,

    (6)   esforço correto,

    (7)   concentração correta

    (8)   meditação correta.

    Todos os seres da Terra Pura ao ouvirem esses cantos, se tornam conscientes do Buda, do Dharma e do Sangha. Nessa Terra Pura não existe nenhum tipo de sofrimento e todos os seres gozam de perfeita felicidade. Várias vezes durante o dia e a noite, sopra uma brisa suave fazendo tilintar as joias das árvores, produzindo um som maravilhoso como a música celestial e que faz lembrar o Buda, do Dharma e do Sangha.

    O Buda Amida, Senhor dessa Terra Pura, é conhecido como o Buda da Vida e Luz Infinitas. Luz Infinita, pois seu corpo resplandece emitindo uma luz que brilha ilimitadamente e sem impedimentos por todos os mundos das dez direções, iluminando até mesmo os nossos corações. E, Vida Infinita, por que a sua vida prolonga-se por um período imensurável de tempo com o propósito de poder salvar a todos os seres sofredores, e vivificar a nossa existência.

    Todos os seres renascidos nessa Terra Pura estão, pelo poder do Voto Original do Buda Amida, no estado de não retrogressão, ou seja, não mais caem nos estados ilusórios e de ignorância que levam ao sofrimento, e se tornarão Budas plenamente realizados em muito pouco tempo.

    Não é pelo acúmulo apenas de boas ações ou estoque de méritos que os seres nascem nessa Terra Búdica, pois a capacidade dos seres viventes para isso é muito limitada. Mas sim, pelo poder do Voto Original do Buda Amida. Desse modo, qualquer pessoa que ouvir, guardar em seu coração e recitar o Sagrado Nome do Buda Amida, o Namu Amida Butsu, lá poderá renascer como seres iluminados.

    Todos os Budas das 6 direções: (1) leste, (2) sul, (3) oeste, (4) norte, (5) zênite e (6) nadir, tão numerosos quanto os grãos de areia do Rio Ganges, louvam as virtudes do Buda Amida e juram proteger os praticantes do Nembutsu (os que recitam o Namu Amida Butsu). Por isso o Buda Shakyamuni exorta a todos a aspirarem ao renascimento nessa Terra Pura.

    Shakyamuni declara que assim como ele também louva a virtude de todos os Budas, esses Budas também o louvam por ter atingido a Iluminação e pregado a Doutrina neste mundo das cinco corrupções: calamidades, opiniões errôneas, paixões mundanas, degeneração dos seres humanos e abreviação do tempo de vida.

    Tendo assim proferido seu ensinamento, o Buda entrou em profunda meditação e seus discípulos o saudaram com alegria e se retiraram para espalhar pelo mundo a sua mensagem de paz, alegria e esperança.

    Interpretação de Rev. Shaku Haku-Shin

  • Terra Pura

    Sobre o Amor Romântico

    Hoje, 12 de junho, convencionado como Dia dos Namorados, apropriadamente fui indagada sobre a visão budista do amor.

    Deixando as várias conceituações de lado, imagino que a questão envolve o chamado amor romântico, passional, aquele apregoado nos livros, música, cinema, no apelo do dia de hoje. Eu diria, pela ótica budista, de amor idealizado, consequentemente de amor ilusório.

    Afinal, o que todos nós pensamos sobre o amor? ou melhor, o que é que a mídia nos vende como amor? Simples: um sentimento ilusório. Somente pelo fato de ser um sentimento já é difícil de se definir. Afinal cada qual “sente” de acordo com sua bagagem emocional que carrega desde o nascimento.

    O problema (muitos pensarão que o amor não pode ser um problema, mas solução) não está no amor, na idealização, na ilusão, no romance ou na paixão, posto que são conceitos. A questão está no ente que vivencia, desenvolve e se ilude com estes conceitos. Este é  o ponto primordial da visão budista. O foco budista recai sobre o indivíduo que ama, e não no amor.

    Quando nos apaixonamos, a razão e a lógica são preteridas pela emoção e sentimentos e passamos a agir de modo a alimentar cada vez mais a ilusão do amor. E a partir daí o ente que ama e o ente objeto do amor passam a se confundir, envoltos pela neblina da entidade chamada amor.  Pois o ente que ama passa a enxergar apenas o seu objeto amado pela ótica de suas próprias projeções e idealizações. Muitas vezes o outro – o ente objeto, não consegue realmente manifestar-se adequadamente, sequer é consultado para confirmar sua adequação aos ensejos da contraparte. O amado é medido, modelado e formatado de acordo com as projeções e expectativas daquele que ama. Ou seja, nos apaixonamos por nossas próprias ilusões. O outro é ilusório, são nossas motivações egóicas que nos fizeram amar o outro.

    Construímos uma imagem ilusória perfeita do ideal amoroso, da relação romântica ideal, do encontro fabuloso, do sexo fantástico, do casamento, da festa, da igreja enfeitada, dos padrinhos, da viagem de lua-de-mel, da casa, da decoração, dos almoços de família, dos filhos, dos cachorros, do gato, do peixinho e do papagaio de estimação…

    Vivemos intoxicados  pelos sentimentos de êxtase, prazer, excitação, exaltação, desejo, a tudo que está relacionado ao amor apaixonado. E quando somos privados de paixão, caímos no inferno da abstinência, e buscamos desesperadamente uma nova dose, para então novamente repetirmos o processo – praticamente um Samsara sensual.

    Repito: o problema não está no amor, mas naquele que ama. E na maneira que ama. Pois se amamos uma ilusão, o que fazer quando nos desiludimos? neste caso, quando “caímos na real”? quando percebemos que o amado não se encaixa nos parâmetros desejados? quando percebe-se que o outro tem seus defeitos, suas manias, suas exigências, suas fraquezas,  suas necessidades, suas projeções – inclusive sobre aquele que o ama? e quando o amado perceber também os nossos defeitos, manias… ou seja perceber aquilo que você realmente é, e não  a ilusão que você tanto se esforçou em mostrar para fazê-lo apaixonar-se por você? e pior, e se o amado se decepcionar?

    Desta forma, qual a reflexão budista acerca do amor? A interligação entre dois conceitos básicos do Budismo: apego e ilusão. O apego às nossas ilusões, neste caso a nossa ilusão acerca do amor é que gera o sofrimento. E como o Buda já disse há cerca de mais de 3 mil anos atrás: “E qual é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento?

    É apenas a nobre Óctupla Senda: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta”.

     

    Portanto, desejo a todos um verdadeiro Amor Correto embasado na Óctupla Senda neste Dia dos Namorados 2014.

     

    Reva. Sayuri Tyojun

  • Terra Pura

    O Ignorante

    O que é Buda? (Desperto) É o ignorante. Ele sabe que é totalmente ignorante. Ele despertou para a própria ignorância.

    O que é um iludido? É aquele que está convicto de que sabe das coisas. É aquele que ainda não despertou para o fato de que não sabe nada. Mas se houver a experiência do despertar para a sua ignorância então um iludido se transformará facilmente em um Buda.

    Portanto, a distância que separa um Buda e um iludido é mínima. O primeiro é aquele que já despertou para a sua e o segundo é aquele que se considera ainda suficientemente sábio perante a vida.

    Um Buda é aquele que está sempre em busca do caminho. É aquele que se considera um eterno aprendiz da vida porque existe um reconhecimento de que é completamente incapaz de conhecer a verdade e assim sempre está à procura do caminho. Por outro lado, um iludido é aquele que não se esforça na busca do caminho e no aprendizado da vida porque seu espírito está possuído de uma natureza estática e sempre estacionado em algum lugar pensando que já possuiu ou adquiriu conhecimento suficiente sobre algo na vida.

    A força do Buda está no fato de seu espírito estar determinado na busca contínua do aprendizado e do verdadeiro caminho. Por outro lado, a vulnerabilidade do iludido está nele ser preguiçoso e negligente no buscar porque é condescendente , auto-suficiente “sábio”. Em suma a diferença entre os dois é aquele entre o buscador e o negligente.

    Um Buda vê a si próprio como um ignorante porque compreende plenamente que não é possuidor de um conhecimento perfeito em que se poderá apoiar como uma âncora. Ele não tem nenhuma idéia fixa sobre algo e muito menos apego às coisas. Se um ignorante acreditar firmemente que é possuidor de conhecimentos estará atado na própria sabedoria. Se o astuto despertar para a realidade da vida de que não sabe absolutamente de nada se tornará um ser plenamente livre no trato com as coisas do mundo.

    SHUICHI MAIDA (extraído do livro “Quem é o Mau? O Mau e Sua Salvação na Ótica do Budismo Shin”) 

  • Terra Pura

    Gassho

    O que é o “gasshô” (合掌 )?

    O gasshô é a mais alta forma de respeito simbolizando unidade. Ele é realizado juntando as palmas das mãos em frente ao seu peito. Uma palma representa o sujeito, a outra representa o objeto. O objeto pode ser o Buda, um mestre, mãe, esposa ou marido, ou qualquer outro. Simboliza a unidade de si próprio com outrem.

    No gasshô um ser mortal e o Buda Iluminado tornam-se unidade, o indivíduo e Buda são transcendidos à identidade.

    O gasshô é a mais alta expressão desta unidade. Quando isso é expresso em palavras é Namu Amida Butsu. Namu é inspirar respeito e tornar-se uno; Amida é vida imensurável e luz ilimitada que é a essência de todos os seres.
    Assim, quando alguém recita Namu Amida Butsu ele se torna uno com o Buda Amida transcendendo o insignificante ego.

    *Em sânscrito: Anjali.

     

    Rev. Wagner Haku-shin

     

  • Terra Pura

    O Luto

    O FUNERAL COMO UMA PARTE IMPORTANTE DO PROCESSO DE LUTO

    Morte – algo que não pode permanecer inquestionável

    Com relação ao trágico incidente do ataque à escola primária anexa à Universidade de Educação de Osaka no ano passado[1], o psicopatologista Dr. Hissao Nakai com base na afirmação: “a lembrança da tragédia não serve para desgastá-la, mas sim para purificá-la”, fez a seguinte declaração: “A purificação é um processo de trabalho do luto. É um processo que marca a relação entre nós, após a perda de uma pessoa querida, com a condição inexaurível de que esta pessoa já partiu para a eternidade, não nos sendo mais possível chamá-la de volta. No Budismo chamamos isso de Jôbutsu, tornar-se Buda, Iluminar-se. Penso que o Jôbutsu, na realidade é uma questão para o coração daqueles que sobreviveram – o que chamo de ‘desgaste da lembrança’ ”. (Extraído do livro Sei In Sei U, do Dr. Hissao Nakai).

    O coração daquele que perde para a morte uma pessoa importante, fica totalmente desnorteado. Por mais que se tente conformar-se com palavras como “destino”, não deixamos de indagar: “por que morrer desta forma?” O Mestre Rennyo[2] em uma de suas epístolas destinadas às famílias em luto escreveu: “isto é um fato real”[3] – Ofumi fascículo 4, epístola 9.

    Para as pessoas desorientadas perante o infortúnio da morte, e conseqüentemente, com o inevitável sofrimento, o Buda Shakyamuni ensinou-nos sobre o sofrimento advindo da morte e o sofrimento pela separação daqueles que amamos, através da necessidade de clarear e esclarecer[4], para então podermos aceitar e acolher esses conceitos. Em suma, o Dr. Nakai refere-se ao Jôbutsu, (Iluminar-se, tornar-se Buda), como equivalente ao fato de resignar-se e conformar-se com a morte.Isso não significa o mesmo que esquecer. A pessoa falecida “está morta”, porém, esta conjugação verbal não teria ao mesmo tempo o sentido de que o “morto está existindo” de alguma forma?[5]

     A respeito da possível conformação/compreensão

    Para se alcançar tal estado de esclarecimento, é necessário tempo. Assim como no episódio da saída pelos quatro portais do palácio, conforme ensina a tradição, onde o príncipe Gautama[6] depara-se com os quatro sofrimentos: nascimento, envelhecimento, doença e morte; não podemos pensar que este episódio serviu de pretexto imediato para o príncipe abandonar a vida mundana para dedicar-se ao caminho monástico. Passando por um longo e difícil período de ascetismo, para só então, posteriormente obter a Iluminação sob a árvore Bodhi, é que, a partir deste momento, pela primeira vez, o Buda, revendo seus motivos para abandonar o mundo e tomar o manto, foi tomado pela palavra sofrimento, percebendo o real sentido desta palavra. Penso que isso seria o mais próximo das verdadeiras circunstâncias.

    Em nossas mentes, sequer ousamos pensar em ascetismos tão severos quanto os do Buda, mesmo assim, tendo como guia os seus ensinamentos, vivenciando-se de corpo e alma o processo de luto, será que não podemos alcançar o Jôbutsu (tornar-se Buda, Iluminar-se) pela compreensão do sofrimento?

    A série de procedimentos para o funeral que se seguem logo após o falecimento de uma pessoa, são procedimentos que iniciam uma parte do processo de luto.

    Quando se transpõe o tempo/espaço do período incomum dos ritos fúnebres, de certa maneira, a pessoa morre para o mundo onde convivia com a pessoa que veio a falecer, acompanhando-a no processo do renascer para o mundo dos que estão mortos.

    Obviamente, quanto mais profunda a relação com a pessoa falecida, mais profundamente e mais vezes o rito fúnebre é revivido interiormente. Comemos o oferecimento de alimentos no altar, que a pessoa falecida não mais come e vomitamos boas e más recordações vividas com a aquela pessoa. Assim, repetindo esse processo, vamos compreendendo e aceitando a morte de uma pessoa que nos é querida.

    Quanto mais pungente o processo, quanto mais doloroso, mais forte é o encadeamento da conformação/compreensão possível com a conformação/resignação do próprio ciclo de nascimento e morte.

     

    O importante papel dos ritos fúnebres

    Conforme as palavras do Mestre Shinran[7]: “ao cerrar meus olhos para a vida, atirem-me ao rio Kamo[8] para servir de alimento aos peixes”, tem-se a impressão equivocada de que o Mestre desaprovava os ritos fúnebres. Entretanto, podemos considerar essa forma de funeral como um sepultamento por submersão. Penso que o Mestre deixou em testamento o pedido de jogá-lo ao rio porque este corre para o mar; o mar que o Mestre tanto apreciava. De qualquer maneira, pelo fato do Mestre Shinran celebrar todo mês um rito em memória de seu Mestre, Hônen[9], além do conteúdo de suas cartas, conjeturamos que é impensável que o Mestre Shinran desaprovasse os ritos fúnebres que se seguem após o falecimento. Claro que não se tratava de ritos com orações para os mortos ou por suas almas.

    Mas como e por que será que o Mestre Shinran se voltava para o Mestre Hônen, que estava morto? Afinal, será que não podemos dizer que era um processo pessoal de confirmação do Nembutsu[10]? Um processo de confirmação do Jôbutsu?

    Não podemos separar a cerimônia fúnebre em dois tipos de ritos: o rito em função do morto e um rito em função dos vivos. Mas, na atualidade, a maioria das pessoas pensa que se trata somente de rito em benefício do morto. Assim sendo, entre a classe intelectual, surgem aqueles que discutem sobre a desnecessidade dos ritos fúnebres, declarando que ao morrer não é necessária a realização do rito fúnebre. (Evidentemente isso significa desejar um funeral simples, mas realizado de todo coração. Mas, se o funeral fosse algo totalmente desnecessário, seria o mesmo que atualmente, em dias de coleta de lixo orgânico, enfiar o cadáver num saco plástico e jogá-lo para o lixeiro levar).

    Porém, para os que vivem, o funeral e a série de ritos que se seguem, são uma parte muito importante do processo de luto. É claro que não podemos desprezar os que são contra os funerais e que defendem sua opinião criticando o procedimento “for business” de muitos monges e empresas funerárias, com suas atitudes por demais impessoais, visando apenas o lucro.

    Para a família enlutada, o rito fúnebre deve ser algo fora do comum, pegando-o desprevenido. Assim, se monges e empresas funerárias forçarem a idéia de que seu trabalho é um trabalho cotidiano como outro qualquer, acabam quebrando o importante sentido cerimonioso que este possui.

    Sentimentos que não se consegue exprimir em palavras

    No ano passado, após as explosões simultâneas decorrentes do atentado terrorista em Nova York, todo dia 11 de cada mês, e também no 100º dia do atentado, transmitiu-se através da mídia, ao mundo todo, o estado de espírito da população nova-iorquina, nas aberturas das cerimônias em homenagem aos mortos, realizadas pelo comitê de serviço memorial, sempre se enfocando os familiares dos mortos.

    São pessoas que não possuem o costume de celebrar os ritos de 49 dias de falecimento, e nem de celebrar ritos mensais ou anuais em memória de seus mortos, mas para se tentar aceitar um fato tão irracional como a morte, surgiram novos processos de luto que se adequaram naturalmente às formas preestabelecidas pela tradição budista.

    Após o episódio ocorrido na escola primária de Ikeda, passamos a ouvir mais sobre a maior união de esforços em prol do movimento Children’s Kokoro no Kea (Children’s Care for the mind). Se fosse antigamente, também seria possível juntar as mãos silenciosamente diante de Jizô Bosatsu[11].

    Penso que também é importante, mesmo nas escolas públicas, a homenagem às crianças já falecidas, como o rito de plantio de árvores pelos estudantes, que em silêncio, suspiram palavras que calam bem fundo no coração.

    Ao se passar por todo esse processo, um dia, aquele sentimento impossível de se expressar em palavras poderá ser entendido como um pedido: “por favor, enxerguem com firmeza e determinação nossas vidas, posto que a vida deve ser vivida até o dia da morte”. Assim sendo, penso que chegará o dia em que poderemos nos conformar/ compreender a morte de nossos amigos.

    Rev. Ken Kadowaki (Professor da Universidade Otani – Kyoto – Japão) – traduzido pela Reva. Sayury Tyojun

    ____________________________________

    [1] O autor se refere ao ataque de um indivíduo desequilibrado, ocorrido em 8 de junho de 2001, numa escola primária em Ikeda, elegante subúrbio da cidade de Osaka, no Japão, que resultou na morte de 8 crianças de 6 a 8 anos de idade a facadas, ferindo outras, sendo que 15 foram internadas, e destas, 6 em estado grave. O assassino invadiu a escola escalando uma janela, por volta das 10h15 (23h15 de Brasília), armado com uma faca de cozinha de 15 cm de comprimento. Imediatamente começou a esfaquear aleatoriamente crianças e professores. No total, 23 pessoas, incluindo dois adultos, ficaram feridos, num ataque que durou 12 minutos. Identificado como Mamoru Takuma, de 37 anos, que quando preso, falava frases incoerentes, alegando ter tomado uma forte dose de tranqüilizantes, que já tentara suicídio duas vezes, e que queria ser preso para ser executado. Mais tarde, a polícia averiguou que o assassino já havia passado por tratamento em hospital psiquiátrico e em três oportunidades foi tratado por crises de esquizofrenia.

    [2] Rennyo-Shônin: VIII Patriarca da transmissão e reformador do Budismo Shin no Japão.

    [3] Referência à morte como a única certeza após o nascimento.

    [4] O autor, no texto original em japonês, faz uso de um jogo de palavras com os verbos akirameru, foneticamente iguais e de flexões muito parecidas, que tanto pode significar “esclarecer, clarear” como “conformar-se, resignar-se”. Sendo que para o ideograma que indica o verbo conformar, resignar, no Budismo há uma conotação especial que significa iluminar, compreender.

    [5] Em japonês diz-se shinde iru (morto está), sendo o verbo ‘estar’ indicativo de existência de um ser vivo. O autor aponta para a aparente contradição de se unir a condição “morto” com o verbo “estar” que implica em existir.

    [6] Sidarta Gautama que nasceu no século VI a.C. como príncipe do povo dos Shákyas, no norte da Índia e que mais tarde viria a se tornar o Buda, fundador do Budismo.

    [7] Shinran-Shônin, Patriarca Fundador do Budismo Shin (Escola Jôdo-Shin-Shû) no Japão.

    [8] Rio que atravessa a cidade de Kyoto, onde vivia o Mestre Shinran por ocasião de seu falecimento.

    [9] Hônen Shônin, Mestre de Shinran e Fundador da Escola da Terra Pura (Jôdo-Shû) no Japão.

    [10] Ponto fundamental dos ensinamentos da Doutrina da Terra Pura, onde ao se recitar o Nome Sagrado do Buda Amida através da fórmula “Namu-Amida-Butsu”, o fiel praticante abandona todo o pensamento de auto-poder e se entrega de todo coração ao Poder Salvífico do Buda Amida, o Buda da Vida e Luz Infinitas.

    [11] Bodhisattva Ksitigarbha, o Bodhisattva que abriga em si todas as virtudes, popularmente é considerado o protetor das crianças e dos viajantes.

     

     

  • Terra Pura

    Reavaliando meu modo de viver

    – “Sabe, aquele seu antepassado de cinco gerações passadas? Ele está rogando praga em você!” Se alguém falar assim, a maioria levaria um grande susto. Mas, se falassem: ”Sua mãe falecida está lançando uma maldição”? A maioria das pessoas

    responderia indignada:- “Minha mãe não é esse tipo de pessoa!” Ou seja, aceitar que o antepassado está em perdição, ou que está rogando alguma praga, demonstra que o nosso coração não conseguiu assumir a morte dessa pessoa. Assim, alguém aproveitando essa insegurança sugere maldiçoes e magias, cujo apaziguamento geralmente envolve dinheiro.

    Quem morreu não porta mais emoções. Portanto não exigirá isso ou aquilo no altar; nem vai ameaçar dizendo que se você não fizer isso ou aquilo, vai te assombrar.

    Mesmo assim, nós que estamos vivos, por conta própria pensamos que é necessário fazer alguma coisa pelo falecido e projetamos.

    Sob determinado ângulo, isso parece valorização do falecido. No entanto o verdadeiro propósito pode estar no pedido de proteção para a própria vida ou proveniente do medo de chamar alguma maldição para si. Será que na maioria das vezes não é esse o caso?

    Pois a popularização do exorcismo baseia-se nisso.

    A pessoa que morreu, através da sua própria morte está transmitindo para nós que todo o ser vivente morrerá, um dia. E está questionando como queremos viver nossa existência limitada. Quanto mais próxima era a convivência com esse falecido, mais sentimos essa questão. Nós só conseguimos começar a pensar direito sobre a nossa própria vida, só quando defrontamos com a morte de alguém próximo.

    Visitar o túmulo, participar de um rito memorial de um ente querido nada mais é do que uma oportunidade importante para através da vida passada dessa pessoa, poder reavaliar a nossa própria maneira de viver.

     

    Rev. Prof. Makoto Ichiraku (Universidade Otani de Kyoto)

  • Terra Pura

    Dia das Mães

    “Na voz com que o filho chama pela mãe, está contida uma série de emoções: Mamãe querida, mamãe preciosa… são palavras vívidas, onde não importa o número de apelos. Onde existe expressão vívida, a quantidade não representa nada. O Namu Amida Butsu também é assim! (Rev. Takehashi)”

    As palavras acima, proferidas pelo Takehashi Sensei aqui no Templo de Apucarana em 12-02-2014, me fizeram lembrar da história de  KARITEIMO訶梨帝母(かりていも)  -〔梵 Hāritī〕- KISHIMOJIN 鬼子母神(きしもじん).

    Na mitologia indiana, há uma deusa chamada Hâriti, nas escrituras budistas é chamada de Karitei ou Kariteimo. Ela tinha 500 filhos. Mas na verdade ela era uma Yaksa, um demônio feminino que habita as florestas e se alimentava de carne humana, especialmente da carne de crianças. Porém, em sua vida passada, fora uma boa e simples mulher  que adorava dançar. Em certa noite de festa, ela dançou sem parar, sem saber que estava grávida. Como resultado, sofreu um aborto espontâneo.  E nessa vida, renasceu como Yaksa, um demônio. Porém, ainda em uma outra vida era obtivera méritos por ter oferecido a um grande Mestre, uma romã de 500 sementes, por isso fora atribuído a ela 500 filhos.

    Karitei vivia na Índia, na cidade de Ôsha-jo, capital de Magada, onde subtraía crianças para alimentar-se. A população de Ôsha-jo, desesperada, recorre ao Buda Shakyamuni, pedindo-lhe que salvasse suas crianças. O Buda utilizando-se de seus poderes, escondeu o filho caçula de Karitei. Ao perceber o desaparecimento de seu filho, ela percorre desesperadamente a cidade de Ôsha-jo, procurando-o. Em vão. Então foi em busca do Buda pedindo seu conselho.  O Buda, numa leve provocação, diz-lhe:

    – Ora, você tem 500 filhos, o sumiço de apenas um, não lhe fará falta alguma.

    Ela responde:

    – Que absurdo! para uma mãe todo e qualquer  filho é amado e faz falta!

    Ouvindo o apelo materno de Karitei, o Buda adverte-a:

    – Aos pais humanos, são-lhe concedidos alguns poucos filhos. Raptá-los para se alimentar deles, não lhe pesa a dor que causastes a estes pais?

    Ouvindo isso, pela primeira vez Karitei percebe seu grande erro e arrependida converte-se ao Budismo tomando Refúgio nas Três Jóias. E seu filho lhe é devolvido.

    Com a conversão ao Budismo ela passou a ser chamada de Kishimojin, protetora das crianças, do parto seguro e patrona da educação e criação das crianças.

     

    Reva. Sayuri Tyojun

  • Budismo,  Terra Pura

    Os 10 Mal-Entendidos Sobre o Budismo

    1. Todos os budistas meditam.A meditação é muitas vezes identificada como a prática central do budismo. No entanto, a maioria dos budistas ao longo da história não meditaram!  A meditação tem sido tradicionalmente considerada uma prática monástica e, mesmo assim, como uma especialidade apenas de certos monges. É somente a partir do século 20 que a prática da meditação começou a ser amplamente praticada por leigos.  (Nota: há um artigo que será traduzido explicitando esse ponto, quando acabado, haverá um link neste ponto para ele, link para o artigo ainda em inglês: http://www.tricycle.com/blog/biggest-misconception-about-buddhism )
    2. A principal forma de meditação budista é a Atenção Plena.Na verdade, existem centenas de formas de meditação budista, para o desenvolvimento de alguns estados profundos de concentração e êxtase mental, algumas para análise dos constituintes da mente e do corpo para descobrir que não existe um eu, alguns para encontrar o Buda face-a-face. A prática da Atenção Plena como é ensinada na América de hoje começou na Birmânia no início do século 20.  (Nota: há um artigo que será traduzido explicitando esse ponto, quando acabado, haverá um link neste ponto para ele, link para o artigo ainda em inglês: http://www.tricycle.com/blog/which-mindfulness )
    3. Todos os budistas são vegetarianos. Bhikshu, é o termo sânscrito traduzido como “monge”, significa literalmente “mendigo”. Monges e monjas budistas originalmente mendigaram por sua refeição diária (alguns ainda o fazem) e, portanto, deveriam comer o que foi oferecido a eles, incluindo carne. Segundo algumas fontes, a disenteria que o Buda sofreu antes de entrar no nirvana ocorreu após ele ter ingerido carne de porco. Nos séculos após a morte do Buda, o vegetarianismo começou a ser promovido em alguns textos budistas. No entanto, ainda hoje nem todos os monges e monjas budistas são vegetarianos. Por exemplo, na China, são; no Tibete, não.
    4. Todos os budistas são pacifistas. Costuma-se dizer que uma guerra nunca foi travada em nome do budismo. Não está claro o que “em nome de” possa significar, mas tem havido muitas batalhas entre os budistas (com alguns mosteiros budistas terem seus próprios exércitos). Também houveram guerras de budistas contra os não-budistas. Os budistas tibetanos lutaram bravamente contra as forças britânicas que invadiram o Tibete. Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos sacerdotes japoneses apoiaram a expansão militar do império japonês.
    5. O Budismo é uma filosofia e não uma religião. O Budismo tem muitas escolas filosóficas, com uma sofisticação igual ao de qualquer escola filosófica que se desenvolveu na Europa. No entanto, o budismo é uma religião em qualquer definição desse termo, a menos que se defina a religião como crença em um Deus criador. A grande maioria da prática budista ao longo da história, tanto para os monges e leigos, tem sido focada em um renascimento na próxima vida, se para si mesmo, para sua família ou para todos os seres do universo.
    6. O Buda era um ser humano, não um deus e a religião que ele fundou não tem lugar para a adoração dos deuses. O Budismo tem um panteão elaborado de seres celestiais (devas, o nome é etimologicamente relacionada com a palavra em Inglês divindade ) e avançados seres espirituais (bodhisattvas e budas), que ocupam vários céus e terras puras e que respondem às orações dos devotos.
    7. Zen Budismo rejeita convencional. É dito, que os mestres zen queimaram estátuas de Buda, desprezaram os sutras. Mas, os monges zen seguem um rigoroso conjunto de regras, chamadas de “regras puras”, que são baseadas na disciplina monástica importada da Índia. A maioria dos monges Zen se envolveram em extenso estudo de escrituras budistas antes de começar seu treinamento na sala de meditação. E apesar de um poema célebre no Zen fala de “não depender de palavras e letras,” o Zen tem o maior volume de literatura budista escrita de qualquer tradição do budismo Asiático.
    8. As quatro nobres verdades são nobres. A famosa frase “quatro nobres verdades” é um erro de tradução. O termo “nobre” em sânscrito é ariano , uma palavra perfeitamente boa que significa “nobre” ou “superior” que foi arruinado pelos nazistas. A riano  é um termo técnico no budismo, referindo-se a alguém que teve experiência direta da verdade e da volição de  nunca mais renascer como um animal, fantasma ou ser do inferno. As Quatro Verdades:  o sofrimento, a origem, a cessação e o caminho óctuplo são verdadeiras para esses seres iluminados. Eles não são verdadeiras para nós pois ainda não entendemos que a vida é sofrimento [vivemos na ilusão]. Assim, o termo significa “quatro verdades para aquele que é [espiritualmente] nobre.”
    9. O Zen é dedicado à experiência de “iluminação súbita”, que libera seus seguidores dos regimes prolongados de treinamento em ética, meditação e sabedoria encontrados em formas convencionais de budismo. Os monges zen rotineiramente esperaram passar décadas de prática em tempo integral antes de serem capaz de fazer um progresso real em sua meditação.
    10. Todas as tradições espirituais, o budismo incluído, são caminhos diferentes para a mesma montanha. Muitos pensadores budistas afirmam de forma inequívoca que a iluminação é acessível apenas para aqueles que seguem o caminho budista. Seguindo outras religiões, pode-se obter apenas até o momento, em geral, o renascimento em um “céu” ou “paraíso”; mas só o budismo tem o caminho para a libertação do sofrimento. Todos os caminhos podem levar ao acampamento base, mas apenas o budismo leva até o cume.

    Sobre os autores:  Robert E. Buswell Jr. detém o Irving e Jean Pedra cadeira dotada em Humanidades da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, onde também é Professor Emérito de budista Estudos e diretor fundador do Centro de Estudos Budistas. Donald S. Lopez Jr., um triciclo editor contribuinte, é o professor universitário Arthur E. Ligação Distinguished de budistas e tibetanos Studies da Universidade de Michigan. Eles são co-autores do recém-lançado Dicionário Princeton do budismo.

    Nota: artigo traduzido da Revista Tricycle – http://www.tricycle.com/blog/10-misconceptions-about-buddhism Nota do Rev. Mauricio Hondaku: Alguns pontos populares sobre o budismo que criaram alguns mitos, os quais em alguns casos não correspondem ao que é ensinado pelo budismo.

  • Terra Pura

    As Doze Adorações ao Buda (gatha)

    Diante do Buda , Aquele adorado por homens e devas, eu me prostro na mais profunda reverência. Em sua maravilhosa terra da Graça, rodeado, ele está, por incontáveis Bodhisattvas.

    Sua forma dourada brilha pura, como o Rei do Monte Meru. Sua prática da verdade é firme, como o passo de um elefante, seus olhos são radiantes, como o puro azul das flores-de-lótus. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    Seu rosto é perfeitamente puro e redondo, como a lua cheia, sua luz majestosa brilha como mil sóis e luas, sua voz é como um tambor, ainda soa também como um pássaro dos céus. Assim, eu me prostro diante do Buda Amida.

    Avalokitesvara veste sua coroa, nela a imagem de Buda é adornada com muitas jóias preciosas. Ele subjuga a arrogância de demônios e hereges. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    Incomparáveis, vastas e puras suas Virtudes são, claramente se estendem como um vasto espaço aberto, seus atos beneficiam a todos, livremente.  Assim, eu me prostro diante do Buda Amida.

    Bodhisattvas das dez direções e incontáveis maras sempre o veneram. Ele mantém a força do Voto pelo bem de todos os seres. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    No lago do tesouro dourado no qual as flores-de-lótus desabrocham, estabelecido com bondade, está um trono maravilhoso; No qual reina o Senhor, como o Rei da Montanha. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    Das dez direções os Bodhisattvas vêm, revelando poderes magníficos, eles atingem o estado sublime; Honrando Sua face, eles lhe oferecem respeito eterno. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    Todas as coisas são transitórias e sem essência como a lua na água, seja ela cheia, nova ou crescente. “O Dharma não pode ser expresso por palavras,” proclamou o Budha. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    Não existem palavras maléficas em Sua terra; Não há temor dos seres nocivos, nem caminhos malignos; Com mente sincera, todos os seres O veneram. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    Sua terra de expediente infinito não possui coisas degeneradas ou seres maus;  Em se renascendo, o Bodhi não-retrocedente é atingido. Assim, eu me prostro diante do Buda.

    Assim eu prezo as virtudes do Buda, que não possuem fronteiras como as águas do mar. Após receber estas qualidades boas e puras, possam todos os seres renascerem em Sua terra.

     

    composto por Nagarjuna