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  • Terra Pura

    As Flores do Equinócio

    Conhecida também como red spider lily, red magic lily, hurricane lily, floresce na época do Equinócio de outono no hemisfério norte. No Japão, onde é muito admirada é conhecida como Higanbana  彼岸花 (flor da “outra Margem”, ou do Equinócio). Muito usada em funerais e por isso também é conhecida como a flor do Gokuraku Jôdo 極楽浄土  (Sukhāvatī,  Terra Pura), ou como Manjushage 曼珠沙華. É uma flor sazonal que nasce livremente perto dos cemitérios (na verdade ela cresce em qualquer lugar desde que haja condições, dizer que só cresce perto de cemitérios é um mito, apenas ninguém se atreve a colher flores que “pertencem ao mortos”) e nesta época do Ohigan os japoneses costumam visitar os cemitérios para homenagear os entes já falecidos. 

    Nas traduções chinesas e japonesas do Sutra do Lótus é conhecida como uma flor sinistra que floresce no Inferno (Jigoku 地獄 em japonês, Niraya em páli e Naraka em sânscrito) e que é um guia para os mortos pelo Rio Sanzu 三途の川. Suas flores só surgem quando as folhas desaparecem e estas só ressurgem quando as flores já tiverem murchado. Por isso surgiu o nome Manjushage, nome de dois seres celestiais: Mañju 曼珠 , o Guardião da flor e Shage 沙華 o Guardião das folhas. Ambos apaixonaram-se e se rebelaram do destino de cuidar das folhas e da flor separadamente e ficaram juntos. Sentindo-se desafiada pela obstinação do casal, a Deusa Amaterasu impôs um terrível castigo: As flores de  Mañju nunca mais deveriam ver as folhas de Shage novamente. Quando Mañju e Shage morreram e reencontraram-se no Inferno, ambos prometeram que se reencontrariam quando renascessem novamente. Mas ambos não conseguiram cumprir a promessa. E em homenagem ao casal os nomes foram unidos para formar o nome da flor Manjushage.

    Reva. Sayuri Tyo-jun


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  • Terra Pura

    A Essência do Sutra de Amida

    Há quase três mil anos, no norte da Índia, Buda Shakyamuni, fundador do budismo, residia em um belo bosque juntamente com seus discípulos. Dentre esses, haviam grandes discípulos já iluminados, pessoas simples do povo e até mesmo seres celestiais que vinham para ouvir os ensinamentos do Grande Mestre.

    Em certa ocasião, o Buda diz, voltando-se para um de seus discípulos, mas com a intenção de ensinar a todos os presentes, que se nos voltarmos para a direção oeste, passando por milhares de milhões de universos, encontraríamos uma Terra Búdica chamada “Bem-Aventurança”, ou “Terra Pura da Suprema Alegria”.  E ali habita um Buda chamado Amida, o Buda da Vida e Luz de Sabedoria Infinita que está constantemente proclamando os ensinamentos que levam os seres à libertação da ignorância e dos sofrimentos ligados ao nascimento, velhice, doença e morte.

    Disse o Buda que tal Terra Pura é chamada de Suprema Alegria, pois ali não existe o sofrimento e todos os seres alcançam a Iluminação.

    Lá há árvores enfeitadas com vários tipos de joias, assim como o chão que é feito de ouro; há também lagos adornado com sete tipos de pedras preciosas, cheios de água das Oito Virtudes (pureza, frescor, suavidade, doçura, hidratação, revigoramento, apaziguamento da sede e nutrição). Nesses lagos existem flores de lótus tão grandes quanto rodas de carruagens e cada uma emite uma luz brilhante conforme sua cor.

    Todos os dias, em seis ocasiões, cai uma leve chuva de pétalas de raras flores.

    Pela manhã, os seres que habitam essa Terra Pura, colhem essas pétalas de flores e visitam as Terras de outros Budas, para ouvirem seus ensinamentos e louvá-los, jogando sobre eles tais pétalas.

    A seguir, voltam para a Terra Pura onde desfrutam uma refeição e saem para um passeio pelos belos jardins, repletos de árvores de joias e lagos de lótus.

    Nessa Terra Pura da Suprema Alegria há também muitos pássaros raros, de belas plumagens tais como gansos brancos, pavões, papagaios e até mesmo aves míticas que cantam sons melodiosos.

    Esses cantos maravilhosos nos falam sobre as “Cinco Raízes do Bem”:

    (1)   a confiança nas Três Jóias: Buda, Dharma e Sangha,

    (2)    as Quatro Nobres Verdades que são: a constatação do sofrimento, a constatação da origem do sofrimento, a constatação da eliminação do sofrimento e o Nobre Caminho que conduz à libertação do sofrimento;

    (3)   o esforço para a prática da bondade;

    (4)   plena consciência do Dharma Verdadeiro pregado pelo Buda;

    (5)   concentração e discernimento da natureza verdadeira da realidade.

    Também nos falam sobre os “Cinco Poderes” que são obtidos com a prática das Cinco Raízes do Bem, também conhecidos como “Cinco Portões da Atenção Plena”:

    (1) Veneração

    (2) Louvor

    (3) Aspiração

    (4) Contemplação

    (5) Transferência de Méritos

    Bem como sobre as Sete Práticas que conduzem à Iluminação, que são:

    (1) a distinção do Dharma verdadeiro em oposição às opiniões falsas;

    (2) o esforço na prática do Dharma verdadeiro;

    (3) o regozijo no Dharma verdadeiro;

    (4) a eliminação da indolência e obtenção da tranquilidade e do repouso;

    (5) a prática da plena consciência para manter o equilíbrio da concentração e do discernimento da natureza verdadeira da realidade;

    (6) a prática da concentração

    (7) o desapego mental dos objetos externos e consequentemente estabelecimento de uma mente serena.

    Além de também nos falarem sobre o Nobre Caminho Óctuplo composto por:

    (1)   visão correta,

    (2)   pensamento correto,

    (3)   palavra correta,

    (4)   ação correta,

    (5)   modo de vida correto,

    (6)   esforço correto,

    (7)   concentração correta

    (8)   meditação correta.

    Todos os seres da Terra Pura ao ouvirem esses cantos, se tornam conscientes do Buda, do Dharma e do Sangha. Nessa Terra Pura não existe nenhum tipo de sofrimento e todos os seres gozam de perfeita felicidade. Várias vezes durante o dia e a noite, sopra uma brisa suave fazendo tilintar as joias das árvores, produzindo um som maravilhoso como a música celestial e que faz lembrar o Buda, do Dharma e do Sangha.

    O Buda Amida, Senhor dessa Terra Pura, é conhecido como o Buda da Vida e Luz Infinitas. Luz Infinita, pois seu corpo resplandece emitindo uma luz que brilha ilimitadamente e sem impedimentos por todos os mundos das dez direções, iluminando até mesmo os nossos corações. E, Vida Infinita, por que a sua vida prolonga-se por um período imensurável de tempo com o propósito de poder salvar a todos os seres sofredores, e vivificar a nossa existência.

    Todos os seres renascidos nessa Terra Pura estão, pelo poder do Voto Original do Buda Amida, no estado de não retrogressão, ou seja, não mais caem nos estados ilusórios e de ignorância que levam ao sofrimento, e se tornarão Budas plenamente realizados em muito pouco tempo.

    Não é pelo acúmulo apenas de boas ações ou estoque de méritos que os seres nascem nessa Terra Búdica, pois a capacidade dos seres viventes para isso é muito limitada. Mas sim, pelo poder do Voto Original do Buda Amida. Desse modo, qualquer pessoa que ouvir, guardar em seu coração e recitar o Sagrado Nome do Buda Amida, o Namu Amida Butsu, lá poderá renascer como seres iluminados.

    Todos os Budas das 6 direções: (1) leste, (2) sul, (3) oeste, (4) norte, (5) zênite e (6) nadir, tão numerosos quanto os grãos de areia do Rio Ganges, louvam as virtudes do Buda Amida e juram proteger os praticantes do Nembutsu (os que recitam o Namu Amida Butsu). Por isso o Buda Shakyamuni exorta a todos a aspirarem ao renascimento nessa Terra Pura.

    Shakyamuni declara que assim como ele também louva a virtude de todos os Budas, esses Budas também o louvam por ter atingido a Iluminação e pregado a Doutrina neste mundo das cinco corrupções: calamidades, opiniões errôneas, paixões mundanas, degeneração dos seres humanos e abreviação do tempo de vida.

    Tendo assim proferido seu ensinamento, o Buda entrou em profunda meditação e seus discípulos o saudaram com alegria e se retiraram para espalhar pelo mundo a sua mensagem de paz, alegria e esperança.

    Interpretação de Rev. Shaku Haku-Shin


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  • Terra Pura

    Sobre o Amor Romântico

    Hoje, 12 de junho, convencionado como Dia dos Namorados, apropriadamente fui indagada sobre a visão budista do amor.

    Deixando as várias conceituações de lado, imagino que a questão envolve o chamado amor romântico, passional, aquele apregoado nos livros, música, cinema, no apelo do dia de hoje. Eu diria, pela ótica budista, de amor idealizado, consequentemente de amor ilusório.

    Afinal, o que todos nós pensamos sobre o amor? ou melhor, o que é que a mídia nos vende como amor? Simples: um sentimento ilusório. Somente pelo fato de ser um sentimento já é difícil de se definir. Afinal cada qual “sente” de acordo com sua bagagem emocional que carrega desde o nascimento.

    O problema (muitos pensarão que o amor não pode ser um problema, mas solução) não está no amor, na idealização, na ilusão, no romance ou na paixão, posto que são conceitos. A questão está no ente que vivencia, desenvolve e se ilude com estes conceitos. Este é  o ponto primordial da visão budista. O foco budista recai sobre o indivíduo que ama, e não no amor.

    Quando nos apaixonamos, a razão e a lógica são preteridas pela emoção e sentimentos e passamos a agir de modo a alimentar cada vez mais a ilusão do amor. E a partir daí o ente que ama e o ente objeto do amor passam a se confundir, envoltos pela neblina da entidade chamada amor.  Pois o ente que ama passa a enxergar apenas o seu objeto amado pela ótica de suas próprias projeções e idealizações. Muitas vezes o outro – o ente objeto, não consegue realmente manifestar-se adequadamente, sequer é consultado para confirmar sua adequação aos ensejos da contraparte. O amado é medido, modelado e formatado de acordo com as projeções e expectativas daquele que ama. Ou seja, nos apaixonamos por nossas próprias ilusões. O outro é ilusório, são nossas motivações egóicas que nos fizeram amar o outro.

    Construímos uma imagem ilusória perfeita do ideal amoroso, da relação romântica ideal, do encontro fabuloso, do sexo fantástico, do casamento, da festa, da igreja enfeitada, dos padrinhos, da viagem de lua-de-mel, da casa, da decoração, dos almoços de família, dos filhos, dos cachorros, do gato, do peixinho e do papagaio de estimação…

    Vivemos intoxicados  pelos sentimentos de êxtase, prazer, excitação, exaltação, desejo, a tudo que está relacionado ao amor apaixonado. E quando somos privados de paixão, caímos no inferno da abstinência, e buscamos desesperadamente uma nova dose, para então novamente repetirmos o processo – praticamente um Samsara sensual.

    Repito: o problema não está no amor, mas naquele que ama. E na maneira que ama. Pois se amamos uma ilusão, o que fazer quando nos desiludimos? neste caso, quando “caímos na real”? quando percebemos que o amado não se encaixa nos parâmetros desejados? quando percebe-se que o outro tem seus defeitos, suas manias, suas exigências, suas fraquezas,  suas necessidades, suas projeções – inclusive sobre aquele que o ama? e quando o amado perceber também os nossos defeitos, manias… ou seja perceber aquilo que você realmente é, e não  a ilusão que você tanto se esforçou em mostrar para fazê-lo apaixonar-se por você? e pior, e se o amado se decepcionar?

    Desta forma, qual a reflexão budista acerca do amor? A interligação entre dois conceitos básicos do Budismo: apego e ilusão. O apego às nossas ilusões, neste caso a nossa ilusão acerca do amor é que gera o sofrimento. E como o Buda já disse há cerca de mais de 3 mil anos atrás: “E qual é a nobre verdade do caminho que conduz à cessação do sofrimento?

    É apenas a nobre Óctupla Senda: entendimento correto, pensamento correto, linguagem correta, ação correta, modo de vida correto, esforço correto, atenção plena correta, concentração correta”.

     

    Portanto, desejo a todos um verdadeiro Amor Correto embasado na Óctupla Senda neste Dia dos Namorados 2014.

     

    Reva. Sayuri Tyojun


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