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  • Reflexões de um praticante aprendiz

    Como praticar Zazen

    Instruções diretamente do site da escola Soto Zen:

    O local

    Para fazer zazen, procure um lugar calmo onde você possa sentar sem perturbações. Não deve ser nem muito escuro, nem muito claro, deve ser quente no inverno e fresco no verão. O local de sentar deve estar em ordem e limpo.

    Se possível, deve haver um altar com uma imagem de Monjushri Bodisatva. Se não houver nenhuma disponível, qualquer imagem de Buda ou de um Bodisatva está bem. Também, se possível, faça uma oferta de flores no altar e acenda incenso.

    Preparando-se

    Evite sentar se você não dormiu o suficiente, ou quando estiver fisicamente exausto. Antes de sentar, coma moderadamente e evite bebidas alcoólicas. Lave seu rosto e seus pés a fim de sentir-se renovado.

    Vestimenta

    Evite roupas sujas ou peças de vestuário que sejam luxuosas ou caras. Também é aconselhável evitar roupas pesadas. Vista-se confortavelmente, mas não com descuido. Nos mosteiros Zen Japoneses, não se usam meias no zendo.

    Posição do zafu

    Você pode comprar sua almofada de meditação, Zafu, clicando aqui.

    Posicione um zabuton em frente a uma parede e coloque um zafu sobre ele. Sente-se, posicionando a base da coluna no centro do zafu, de forma que metade do zafu fique atrás de você. Depois de cruzar suas pernas, apóie com firmeza seus joelhos sobre o zabuton.

    Cruzando suas pernas(1) : posição de lótus-cheio (kekkahuza)

    Coloque seu pé direito sobre sua coxa esquerda, e a seguir o seu pé esquerdo sobre sua coxa direita. Cruze suas pernas de forma que as pontas de seus dedos do pé e o lado externo das suas coxas formem uma só linha.

    Cruzando suas pernas (2) : posição lótus-metade (hankahuza)

    Simplesmente coloque seu pé esquerdo sobre sua coxa direita. Ao cruzar as pernas, seus joelhos e a base da sua coluna vertebral devem formar um triângulo equilátero. Esses três pontos dão suporte ao peso do seu corpo. Na kekkafuza (Lótus Completa), a ordem em que você cruza suas pernas pode ser inversa, e na hankafuza (Meia Lótus), elevar a perna oposta é aceitável.

    Postura

    Apóie ambos os joelhos firmemente no zabuton, endireite a lombar, seus glúteos devem ficar para trás, enquanto seus quadris devem ficar para frente, e endireite sua coluna. Encaixe seu queixo para dentro e alongue seu pescoço como se fosse alcançar o teto. Suas orelhas devem estar alinhadas com os ombros, e seu nariz alinhado com seu umbigo. Depois de endireitar sua coluna, relaxe seus ombros, costas e abdômen sem mudar sua postura. Sente-se ereto, sem inclinar-se nem para a esquerda, nem direita, nem para frente ou para trás.

    Mudra Cósmico (Hokkaijoin)

    Posicione sua mão direita, com a palma voltada para cima, sobre seu pé esquerdo, e sua mão esquerda, também com a palma voltada para cima, sobre a palma da mão direita. As pontas dos polegares tocam-se levemente. Essa posição de mãos chama-se hokkai-join (Mudra Cósmico). Posicione as pontas de seus polegares em frente ao seu umbigo, e seus braços levemente afastados do corpo.

    A boca

    Mantenha a boca fechada, colocando sua língua contra o céu-da-boca logo atrás dos dentes.

    Os olhos

    Mantenha os olhos entreabertos; pousados a 45 graus. Sem focalizar nada em particular, deixe que todas as coisas ocupem seus lugares em seu campo de visão. Se seus olhos estiverem fechados, você facilmente cairá em sonolência ou será levado pela imaginação.

    Exalar completamente e tomar ar (Kanki-issoku)

    Faça uma exalação profunda, seguida de uma inalação profunda, ambas silenciosamente. Abra sua boca apenas o bastante para exalar de forma suave e lenta. A fim de exalar todo o ar de seus pulmões, exale a partir do abdômem. Depois disso, feche sua boca e continue a respirar pelas narinas naturalmente. Isso se chama kanki-issoku.

    Balançar o corpo

    Coloque suas mãos, com as palmas voltadas para cima, sobre seus joelhos, e balance a parte superior de seu corpo da esquerda para a direita algumas vezes. Sem mexer os quadris, mova seu tronco como se ele fosse um mastro inclinando-se para um lado e para o outro, a fim de alongar a cintura e os músculos do quadril. Você também pode balançar para frente e para trás. Inicialmente esse movimento deve ser amplo, para tornar-se a cada vez menor, e finalmente cessar com seu corpo centrado em uma posição vertical, ereta. Novamente forme o hokkai-join com suas mãos e assuma uma posição ereta, imóvel.

    Respiração abdominal

    Durante o Zazen, respire silenciosamente pelas narinas. Não tente controlar a respiração. Deixe-a ir e vir tão naturalmente a ponto de você se esquecer que está respirando. Deixe que as respirações longas sejam longas, e que as curtas sejam curtas. Não faça barulho, evitando uma respiração pesada.

    Estado de ser cônscio (Kakusoku)

    Não se concentre em nenhum objeto em particular, nem tente controlar seus pensamentos. Quando você mantém uma postura correta e sua respiração se acalma, sua mente ficará tranquila de forma natural. Quando muitos pensamentos surgirem, não fique preso, nem lute com eles; não os siga, nem tente escapar deles. Apenas deixe-os existir, permitindo que surjam e desapareçam livremente. O essencial ao praticar zazen é despertar (kakusoku) da distração e do entorpecimento e voltar para a postura correta momento a momento.

    Levantando-se do zazen

    Ao terminar o zazen, faça uma reverência em gassho; coloque suas mãos sobre as coxas com as palmas voltadas para cima; balance seu corpo algumas vezes, primeiro apenas um pouco e depois em um movimento mais amplo. Inspire profundamente. Descruze as pernas. Mova-se devagar, especialmente se suas pernas estiverem adormecidas. Não se levante abruptamente.

    Kinhin: meditação caminhando

    Ao fazer kinhin, ande na sala no sentido horário, mantendo as mãos em shashu. Da cintura para cima, sua postura deve ser a mesma do zazen. Dê o primeiro passo com a perna direita. Caminhe dando apenas meio passo a cada respiração completa (uma exalação e uma inalação).

    Caminhe devagar e com maciez como se você estivesse parado em algum lugar. Não arraste os pés e não faça barulho. Ande em linha reta, e ao fazer curvas, sempre vire à direita. A palavra kinhin significa seguir em frente. Quando terminar o kinhin, pare e faça uma reverência em shashu. Caminhe em passos normais ao redor da sala, até voltar ao seu zafu.

    Filme “Como fazer Zazen”

    Como praticar Zazen em 8 passos simples

  • Reflexões de um praticante aprendiz

    Como lidar com nossas angústias

    Fiz uma live com Genshô Sensei, meu professor no Dharma, sobre como lidar com as angústias constantes e aprendi tanto que resolvi compartilhar com você alguns pontos importantes.

    Às vezes, por uma falta de clareza em relação ao que acontece em nossa mente, temos muitos pensamentos, sentimentos e emoções negativas.

    Lembro-me de quando meu pai ficou muito doente antes de falecer, ele morava em outra cidade e fui ajudá-lo imediatamente. A angústia por não saber o que poderia acontecer nos próximos dias pairava em minha cabeça, mas eu precisa estar lá, encarar as coisas.

    Apenas quando olhei para minha mente e aceitei a situação é que as coisas puderam acontecer sem um sofrimento extremo.

    Lembrando do que Genshô Sensei explicou na live, para lidar com nossas angústias precisamos das seguintes coisas:

    • Aceitação de que não temos controle sobre a vida.
    • Aprender a observar as coisas tal como são.
    • Treinar a mente em Zazen/Meditação para conseguir fazer os pontos anteriores.

    É muito difícil surgir o desejo de meditar enquanto estamos passando por apuros, medos, angústias, mas na minha experiência, é o que mais me ajudou a lidar com essas questões internas, olhar as coisas de frente.

    Como aplicar de forma simples na vida diária?

    Gostaria de sugerir 3 dica simples e importantes, baseadas na minha experiência pessoal como praticante tolo e sem futuro, para você começar a desenvolver clareza em relação ao que está te deixando angustiada(o):

    1. Parar um momento para respirar conscientemente 3 vezes dizendo: inspirando sei que estou inspirando, expirando sei que estou expirando. Isso ajudará a trazer sua mente ao momento presente, clareando um pouco as coisas.
    2. Olhar para o que está acontecendo dentro de você, de frente, sem fugir, por mais doloroso que seja.
    3. Aceitar o que você está sentindo como parte do processo do viver, pois em nossa condição humana, estamos sujeitos a isso.

    Conclusão

    Na minha experiência esse caminho nos leva da margem da ignorância e sofrimento para a margem da sabedoria, como diz meu professor Genshô Sensei. Pratique e veja por si mesmo.

    Assim encontraremos a fonte de todas as suas angústias, pois estaremos olhando para a raiz de onde tudo surge e tudo cessa, nossa própria mente.

  • Reflexões de um praticante aprendiz

    Desenvolvendo o olhar de Buda

    Trânsito, algo muito desafiador em qualquer época e em qualquer momento. No carro as pessoas se transformam e parecem vestir uma armadura de ferro, um escudo, onde tudo podem.

    Isso se liga com a breve história que vou contar.

    Estava no trânsito, quando passei por um carro, no qual um ser humano estava dirigindo e falando com o celular ao mesmo tempo, apoiando o cotovelo na porta e conversando, tudo ao mesmo tempo.

    Quem sou eu para julgar? Tempos atrás, antes de praticar Zazen, ver algo assim era absurdo. Meus julgamentos e impaciência me consumiam ao ver uma cena como a do senhor dirigindo ao telefone.

    Mas após praticar Zazen com frequência e lembrando da fala de Genshô Sensei “precisamos trocar nossos olhos comuns pelos olhos de Buda”, vi a situação de outra forma. Não diria com os olhos de Buda, pois seria muita pretensão, mas sem julgar, cogitar ou projetar nada naquela situação e não foi a primeira vez.

    Você já passou por isso?

    Você já olhou para o que os outros estavam fazendo e julgou, projetou valores (gosto, não gosto, feio, bonito, bom, ruim…), cogitou, formulou?

    Se assim como a maioria, você também tem o hábito de fazer isso, gostaria de sugerir algumas coisas que você pode fazer para treinar seu olhar.

    Como aplicar de forma simples na vida diária?

    1. Pratique meditação de atenção plena a respiração, bastando ter consciências da sua inspiração e consciência da sua expiração. Não há jeito mais simples de fazer do que essa, prestar atenção, não importa o que esteja fazendo, à sua respiração.
    2. Compreendendo que o outro é um Buda em potencial, assim como você, e que devemos respeitar as decisões dos outros, mesmo que não concordemos.
    3. Pergunte-se, como Buda olharia essa situação. Isso te ajudará a ver a vida de forma mais ampla.

    Conclusão

    Bem, com apenas algumas dicas, que servem para mim e que vivencie na minha própria experiência, você também poderá aplicar no seu dia a dia de forma simples e rápida e com o tempo poderá se aprofundar.

  • Reflexões de um praticante aprendiz

    Algo incrível aconteceu comigo e com a minha prática diária

    Antes de começar, gostaria de dizer que não estou aqui para ensinar nada, mas apenas para compartilhar minhas experiências e como elas se relacionam com minha vida diária, com exemplos simples e de forma prática.

    A poucas semanas praticando Zazen (prática principal do Zen Budismo) sob orientação do Genshô Sensei, pude perceber mudanças inacreditáveis.

    Já medito a mais de 9 anos, mas fazer Zazen está sendo uma experiência muito enriquecedora para minha vida.

    Não imaginava que a mudança seria tão visível, de todas as formas e níveis.

    Temos a ideia de que prática espiritual tem a ver com poderes mágicos e não conseguimos co-relacionar com a vida diária, porém o Zen Budismo e suas práticas vêm com essa proposta, aplicação total na vida diária, a cada momento.

    Você já passou por isso?

    Sabe quando temos problemas com familiares e algumas relações não vão muito bem?

    Isso provavelmente não tem muito a ver com elas, mas conosco.

    Explico. Indo para a casa da minha sogra, percebi muitos pontos de vistas diferentes. Primeiro pela idade, pois eles nasceram em uma década diferente. Segundo pelo contexto do ambiente em que vivemos ser diferente do meu e por aí vai.

    Mas algo incrível aconteceu comigo e com minha prática diária.

    Devido à prática de Zazen enfatizar a não cogitação, o não julgamento, a soltar o que você acredita ser certo e errado, ao conviver com a família da minha esposa, depois de praticar Zazen com frequência, tive o melhor final de semana de convivência com eles, pois de certa forma, me trabalhei internamente e estava mais aberto, querendo defender menos minhas ideias, aceitando mais a opiniões deles, cogitando e julgando menos, ou seja, transportei a mente gerada na prática, para o cotidiano.

    ”Medite … não demore, para não se arrepender mais tarde.” – Buda

    Como isso se aplica na vida diária?

    Caso queira, assim como eu busco, melhorar minhas relações, gerar impacto positivo na terra, na vida das pessoas, ter uma vida significativa, comece a praticar meditação.

    Comece por aqui #161 – Como praticar a meditação da respiração

    Inicie hoje e persista. Nada muda se você não muda.

    Os ensinamentos não fazem nenhum sentido se não forem para aplicar no dia a dia, nas coisas mais simples, pois é de prática simples em prática simples que fazemos uma vida significativa.