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    #151 – Refúgio: Essa é a linha divisória entre ser budista ou não – Parte 2

    #151 – Refúgio: Essa é a linha divisória entre ser budista ou não – Parte 2

     
     
    00:00 / 13:49min
     
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    O Prof. Alex Berzin diz:

    O Refúgio Não É Passivo

    O refúgio nas Três Jóias – os Budas, o Dharma e a Sangha – é central a todos os ensinamentos budistas. De fato, tomar refúgio é apontado como a linha divisória entre ser um budista ou não. Posto de maneira breve, o Dharma significa os métodos para trabalhar em nós mesmos e o objetivo que podemos alcançar; os Budas são aqueles que ensinaram estes métodos e alcançaram esse objetivo completamente; e a Sangha são aqueles que o alcançaram em parte. A palavra “Dharma,” de fato, significa “medidas preventivas” – etapas que seguimos para prevenir a criação de problemas para nós mesmos e possivelmente também para os outros. São etapas que seguimos para nos protegermos.

    Embora o termo original do Sânscrito traduzido geralmente como “refúgio,” sharana, signifique “proteção” e pode até mesmo ser usado como “abrigo”, temos que compreendê-lo corretamente. A conotação combina com o significado de Dharma. Não é que precisemos apenas render-nos passivamente a alguma fonte externa que nos dará proteção. No contexto budista, “tomar refúgio” é muito ativo; necessitamos fazer algo para proteger-nos.

    Considere o seguinte exemplo que meus professores usavam frequentemente. Suponha que está chovendo e há uma caverna próxima. Se dissermos apenas, “Eu tomo refúgio nesta caverna; Eu estou indo à caverna para abrigo,” e então somente ficarmos do lado de fora na chuva e continuarmos repetindo esta frase, não irá ajudar. Nós temos que realmente ir para dentro da caverna. Do mesmo modo, se somente dissermos: “Eu tomo refúgio no Buda, Dharma e Sangha e vou à eles para abrigo,” mas não vamos realmente em sua direção e os colocamos em nossas vidas, também não ajudará. Precisamos implementar o que representam para proteger-nos de problemas. É por isso que uso a terminologia “direção segura” e “dando uma direção segura para nossas vidas.”

    Para continuar com a imagem da caverna, não é o suficiente ir para dentro dela e ficar lá esperando que, agora que estamos no seu interior, isso irá de algum modo salvar-nos de todos os nossos problemas na vida, e não somente nos proteger de ficarmos molhados. O ponto é que precisamos trabalhar continuamente em nós mesmos para tentar chegar ao ideal que o Buda, o Dharma e a Sangha significam. Quando pensamos que é suficiente estar sob o abrigo do Buda, do Dharma e da Sangha é muito fácil misturar isto com uma ideia cristã de um salvador pessoal, e de que Buda de algum modo irá nos salvar. Nesse caso, Buda seria como Deus, e a Sangha como os santos. Apesar de tudo, a maioria das sociedades ocidentais tem alguma corrente subjacente de influências cristãs. Com tal pensamento, rezamos que de algum modo algum poder transcendente irá miraculosamente salvar-nos. Para usar a terminologia budista, seria como nos liberar miraculosamente de todos nossos problemas e sofrimentos.

    Se este fosse o caso, tudo que teríamos que fazer é ter um nome budista em tibetano, usar um fio vermelho, recitar algumas palavras mágicas de um mantra, rezar bastante e de algum modo seríamos salvos. Especialmente se estivermos recitando as orações e práticas em tibetano, língua da qual não compreendemos uma palavra, aí pensar que tem um poder místico ainda maior. Dzongsar Khyentse Rinpoche, um lama muito extraordinário, esteve recentemente em Berlim, onde eu vivo. O que ele disse foi realmente muito profundo. Ele disse que se os tibetanos tivessem que recitar todas suas orações em alemão, transliterado em letras tibetanas, e não fizessem absolutamente nenhuma ideia sobre qualquer coisa que estivessem dizendo, ele gostaria de saber quantos tibetanos praticariam realmente o budismo. Naturalmente, todos riram. Mas se pensarmos sobre isso, realmente é muito profundo, não é? É muito importante superar qualquer tendência que possamos ter de ver o refúgio em termos de nos oferecer algum tipo de solução mágica e mística para todos os nossos problemas e que tudo que necessitamos fazer é, em certo sentido, render-nos a um poder maior.

    A verdadeira questão envolvida aqui é: “O que estou fazendo com a minha vida?” “A minha vida está indo para algum lugar?” Muitos de nós podem ter chegado à conclusão de que nossa vida não está indo para parte alguma; parece apenas estar andando em círculos. Nós não temos que falar sobre um círculo mais profundo em termos de renascimento, e tudo isso, mas nossa vida cotidiana parece não estar indo a lugar nenhum, e parece sem sentido. Por que é que estamos vivos? Sentirmo-nos assim é um estado muito triste, não é? Não é um estado muito feliz. Precisamos, portanto, ter alguma direção significativa em nossa vida, algum tipo de objetivo ou meta. E isto é algo que precisamos pôr em nossas vidas sozinhos. É um processo ativo. Com algum objetivo ou meta significativos em nossa vida, de algum modo sabemos o que estamos fazendo. Faz-nos sentir um pouco mais seguros, um pouco mais protegidos, não?


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    #150 – Refúgio: Um caminho seguro e significativo para a vida – Parte 1

    #150 – Refúgio: Um caminho seguro e significativo para a vida – Parte 1

     
     
    00:00 / 16:35min
     
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    O Prof. Alex Berzin explica:

    Tomar refúgio é a fundação para todos os ensinamentos e práticas budistas. É chamado “a porta de entrada do caminho budista.” Quando compreendemos que tomar refúgio significa trabalhar em nós mesmos, vemos que é um processo ativo de imprimir uma direção segura e significativa em nossas vidas.

    Trabalhamos em nós mesmos seguindo os métodos que Buda ensinou para livrar-nos da confusão, de emoções perturbadoras e de comportamentos compulsivos e para desenvolver todas as boas qualidades. Isto é o que todos os budas fizeram e mestres altamente realizados estão fazendo, e o que nós tentamos fazer seguindo seus passos.

    Dissipando a Confusão sobre a Finalidade da Prática Budista em Nossas Vidas

    Pediram para eu falar sobre a relevância do refúgio na vida cotidiana. Isso trouxe à minha mente o exemplo de Atisha, o grande mestre indiano que foi para o Tibete no final do décimo século. Ele foi um dos grandes mestres que ajudaram a reviver o budismo no Tibete depois de seu declínio após sua introdução inicial da Índia. A situação no Tibete naquele tempo é que havia uma grande quantidade de mal entendidos, particularmente sobre o tantra e alguns ensinamentos mais avançados.

    Não havia professores realmente qualificados. De fato, não havia professores por perto que pudessem realmente explicar as coisas mais claramente. Embora houvesse um número de textos que estivessem traduzidos, obviamente não muitas pessoas podiam ler e não haviam muitas cópias. Mesmo se soubessem ler, era muito difícil encontrar algum esclarecimento sobre o que liam.

    Para ajudar nesta situação, um dos reis do Tibete Ocidental enviou alguns estudantes muito corajosos à Índia para convidar um grande mestre budista para retornar com eles ao Tibete. Tiveram que viajar a pé, aprender as línguas e lidar com o clima.

    Muitos deles morreram ou na viagem ou quando estavam na Índia. Mas, em todo o caso, eles conseguiram convidar Atisha, este grande mestre da Índia, para voltar ao Tibete. O que ele ensinou durante os muitos anos que esteve por lá foi sobre o refúgio e karma. De fato, ele era conhecido como “o Lama do refúgio e do karma.” Este foi o nome que os tibetanos lhe deram.

    O exemplo de Atisha é bastante relevante hoje em dia. Atualmente há também muita confusão sobre o budismo e o que sua prática significa a nível cotidiano. De novo, há muitos mal entendidos sobre o tantra e outros ensinamentos avançados.

    As pessoas pulam para estas práticas com pouca ou nenhuma base nos ensinamentos budistas básicos. Imaginam que executar um ritual de certa forma mágico é o que significa praticar o budismo. Trivializando a relevância e a importância do refúgio e a diferença que faz em nossas vidas diárias, eles estão perdendo o foco.

    Não importa como nossa situação de vida possa ser, a prática budista serve para trabalhar em nós mesmos, tentando nos melhorar para sermos pessoas melhores. Não é algo que fazemos apenas em paralelo, como um passatempo ou um esporte, por talvez uma meia hora por dia, ou uma vez por semana após o trabalho em uma sessão curta quando já estamos bem cansados.

    Preferencialmente, é algo prático que tentamos fazer todo o tempo – sempre trabalhando em nós. Isto significa reconhecer nossas deficiências e boas qualidades e aprender então métodos para enfraquecer a força das primeiras e reforçar as últimas. O objetivo é eventualmente livrar-nos de todas as deficiências e compreender completamente todas as boas qualidades.

    Isto não é somente para nosso próprio benefício, embora certamente nos beneficiemos disto em termos de sermos mais felizes na vida. Isto é também para sermos mais eficazes em ajudar os outros, e desse modo para o benefício dos outros também. Isto é o que a prática budista significa. O que a torna distintamente budista são os métodos envolvidos para atingir estes objetivos; e o refúgio significa que nos voltamos para aqueles métodos e os adotamos em nossas vidas.


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    #149 – Não é possível comprar a paz mental

    #149 – Não é possível comprar a paz mental

     
     
    00:00 / 11:08min
     
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    Sua Santidade o 14º Dalai Lama diz:

    As coisas materiais apenas facultam o conforto físico, não o conforto mental. O cérebro de uma pessoa materialista e o nosso cérebro são iguais. Assim, ambos experienciamos a dor mental, a solidão, o medo, a dúvida, o ciúme. Estes perturbam a mente de qualquer um. Removê-los com dinheiro – isso é impossível. Algumas pessoas com mentes perturbadas, com demasiado estresse, tomam medicamentos. Estes reduzem temporariamente o estresse, mas produzem muitos efeitos laterais. Não é possível comprar a paz mental. Ninguém a vende, mas todos a querem. Muitas pessoas tomam tranquilizantes, mas a verdadeira medicina para uma mente estressada é a compaixão. Por conseguinte, as pessoas materialistas precisam de compaixão.

    A paz mental é a melhor medicina para uma boa saúde. Traz mais equilíbrio aos elementos físicos. O mesmo é verdade relativamente ao dormirmos o suficiente. Se dormirmos com paz mental, então não teremos distúrbios e não precisaremos de tomar comprimidos para dormir. Muitas pessoas cuidam-se para terem uma bonita cara. Mas se estiverem irritadas, nem o uso de maquilhagem ajudará. Continuarão feias. Mas se não tiverem raiva, e sorrirem, então as suas caras se tornarão atrativas e parecerão mais inteligentes.

    Se fizermos um forte esforço na compaixão, então, quando a raiva vier, vem apenas por um momento. É como um sistema imunitário forte. Quando um vírus aparece, não causa muitos problemas. Por isso precisamos de uma visão holística e de compaixão. Então, com familiarização e análise sobre a interconectividade de todos, obteremos mais força.

    Todos nós temos o mesmo potencial para a bondade. Olhem para vós próprios. Vejam todos os potenciais positivos. Negativos também existem, mas o potencial para coisas boas também existe. A básica natureza humana é mais positiva do que negativa. A nossa vida começa com compaixão. Por isso, a semente da compaixão é mais forte do que a semente da raiva. Assim, olhem para vós de um modo mais positivo. Isto trará um humor mais tranquilo. Depois, será mais fácil quando surgirem problemas.

    Shantideva, um grande mestre budista indiano, escreveu que, quando estamos prestes a enfrentar um problema, se nós analisarmos e virmos uma maneira de o evitar ou de o superar, não há necessidade de nos preocuparmos. E se não o pudermos superar, então a preocupação não ajuda. Aceitem a realidade.


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