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    #188 – Tudo o que consumimos atua para nos curar ou envenenar

    #188 – Tudo o que consumimos atua para nos curar ou envenenar

     
     
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    Tudo o que consumimos atua para nos curar ou nos envenenar. Nós tendemos a pensar em nutrição apenas como o que absorvemos através de nossas bocas, mas o que consumimos com nossos olhos, ouvidos, narizes, línguas e corpos também é comida. As conversas que acontecem ao nosso redor e as que participamos também são comida. Estamos consumindo e criando o tipo de alimento saudável e que nos ajuda a crescer? 

    Ensinamentos de Thich Nhat Hanh

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    #187 – A importância de agradecer as refeições

    #187 – A importância de agradecer as refeições

     
     
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    Primeiro,
    Inumeráveis trabalhadores nos trouxeram esta comida
    Devemos saber como chegou até nós

    Segundo,
    Devemos considerar se nossa virtude e
    Prática a merecem

    Terceiro,
    Como desejamos a condição natural da mente
    Para estar livre de apegos
    Precisamos estar livres de ganância

    Quarto,
    Como um bom remédio
    Para manter nossas vidas
    Aceitamos esta comida

    Quinto,
    Para nos tornarmos o Caminho
    Agora comemos esta comida

    Parte da prece para as refeições da tradição do Budismo Zen

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    #186 – Não podemos comprar as coisas mais importantes da vida

    #186 – Não podemos comprar as coisas mais importantes da vida

     
     
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    A gente precisa contemplar com cuidado o paradigma econômico. As coisas que realmente importam para nossa vida nós não conseguimos comprar. Se a gente tem dinheiro na mão, a gente não consegue comprar essas coisas, porque elas não estão à venda.

    Não importa quanto dinheiro vocês tenham, vocês não conseguem comprar compaixão, amor, alegria, equanimidade, generosidade, moralidade, paz, energia constante, concentração e sabedoria.

    Vocês não encontram essas qualidades no shopping e elas são essenciais para nós. A gente consegue comprar uma série de coisas com dinheiro, mas as coisas que realmente fazem diferença na nossa vida a gente não consegue comprar.

    Há esse tipo de riqueza que não é financeira. Porque estamos presos no paradigma econômico, parece que toda a riqueza só se expressa financeiramente.

    As coisas que realmente são vitais para nós, não são mercadorias, não podem ser convertidas para um ambiente financeiro, não é possível trocá-las por moeda. Essa é uma constatação muito importante.

    Ensinamentos do Lama Padma Samten

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    #185 – É possível praticar o budismo na vida cotidiana com trabalho, família e problemas comuns?

    #185 – É possível praticar o budismo na vida cotidiana com trabalho, família e problemas comuns?

     
     
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    Daí surge um Sutra muito importante que é o Sutra de Vimalakirti, que é sobre um comerciante. Esse é um Sutra do Séc. I e marca o momento em que o budismo mahayana se distancia do movimento anterior, porque transforma em herói, em iluminado, em melhor que os monges, um comerciante. O Sutra diz que todos podem ser Bodhisattvas, inclusive os deputados, senadores, etc. Se quiserem, se tiverem a conduta adequada podem ser Bodhisattvas e beneficiar todos os seres. Não é intrínseco ao papel de leigo uma dificuldade, mas o que importa é a sua atitude.


    Vimalakirti diz aos discípulos de Buda: “meu mosteiro é na cidade, o seu é na montanha, mas o meu é lá onde estão as pessoas que precisam de dinheiro e de comida, é lá que eu trabalho”. Ao fazer isso, ele acusa implicitamente os discípulos de Buda, os monges, de serem parasitas sociais e de estarem apenas recebendo da comunidade sem alimentá-la, sem retribuir a ela com o seu trabalho, o que é diferente do que ele faz. Esse é o grande momento do Sutra.


    Então é um Sutra combativo na sua declaração, e depois dele vem uma conciliação, através do Sutra do Lótus, que tenta acalmar essa situação dizendo que os monges têm um papel, que os leigos têm outro papel e que nós podemos conciliar isto. Esse Sutra também se torna muito importante dentro do movimento mahayana.

    A essência de tudo isso que estamos falando é de que a prática budista é possível dentro do mundo, dentro do trabalho, e isto é uma marca da nossa própria comunidade budista Daissen-Ji, porque eu mesmo, que a fundei, ainda trabalho hoje. Trabalho como monge e trabalho como consultor de empresas para poder viver, então não vivo do que a sangha dá, e sim baseio a minha sobrevivência num trabalho profissional. Estou inserido no mundo, então o nosso modelo é o de Vimalakirti, esse grande personagem deste Sutra histórico.


    Ao mesmo tempo, nós tentamos conciliar o trabalho dos monges com o trabalho dos leigos, que é um trabalho importantíssimo, porque sem os leigos nós não conseguimos fazer as sanghas funcionarem. Os monges são muito poucos dentro de um modelo como esse e isso exige um enorme sacrifício, que é o de trabalhar duplamente.

    Trecho de palestra proferida por Meihô Genshô Sensei

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    #184 – Você pode fazer isso quando estiver com raiva

    #184 – Você pode fazer isso quando estiver com raiva

     
     
    00:00 / 9:33min
     
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    Os 4 versos para recitar, enquanto caminha, quando estiver com raiva:

    1. Inspirando, sei que a irritação está em mim;
    2. Expirando, sei que este sentimento é desagradável;
    3. Inspirando, estou calmo;
    4. Expirando, agora estou bastante forte para controlar este sentimento.

    Ensinamento de Thich Nath Hanh

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    #183 – Do que é feito uma vida boa?

    #183 – Do que é feito uma vida boa?

     
     
    00:00 / 18:18min
     
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    O que nos mantém saudáveis e felizes enquanto passamos pela vida? Se você fosse investir agora no seu melhor “eu” futuro, a que dedicaria seu tempo e energia?

    Houve uma recente pesquisa entre a Geração Y perguntando-lhes quais eram seus objetivos mais importantes na vida, e mais de 80% disseram que seu maior objetivo de vida era ficar rico. E outros 50% desses mesmos jovens adultos disseram que outro grande objetivo de vida era ficar famoso.(Risos) E nos falam constantemente que devemos priorizar o trabalho, dar nosso melhor e conquistar mais coisas.

    Nos dão a impressão que essas são as coisas que devemos correr atrás para se ter uma vida boa. Imagens de vidas inteiras, das escolhas que as pessoas fazem e dos resultados que estas lhes trazem, essas imagens são quase impossíveis de conseguir.

    Quase tudo que sabemos sobre a vida humana é de perguntar às pessoas do que se lembram do passado, e, como sabemos, o olhar em retrospectiva não é apurado.

    Esquecemos a maior parte do que nos acontece na vida, e às vezes a memória é totalmente criativa. Mas e se pudéssemos assistir a vidas inteiras enquanto elas se desenrolam ao longo do tempo? E se pudéssemos estudar as pessoas desde sua adolescência até a velhice para ver o que realmente mantém as pessoas felizes e saudáveis? Nós fizemos isso.

    O Estudo de Desenvolvimento Adulto, de Harvard, é possivelmente o estudo mais longo sobre a vida adulta que já foi feito. Durante 75 anos, nós acompanhamos as vidas de 724 homens, ano após ano, perguntando sobre seus trabalhos, vidas domésticas, saúde e, claro, perguntando o tempo todo, sem saber como as histórias de suas vidas seriam. Estudos assim são extremamente raros.

    Quase todos os projetos desse tipo se encerram dentro de uma década porque muitas pessoas abandonam o estudo, ou o dinheiro para a pesquisa acaba, ou os pesquisadores perdem o foco, ou eles morrem, e ninguém mais chuta a bola para frente. Mas por meio de uma combinação de sorte e a persistência de várias gerações de pesquisadores este estudo sobreviveu.

    Aproximadamente 60 dos nossos 724 homens originais ainda estão vivos, e participam do estudo, a maioria deles na casa dos 90 anos. E agora começamos a estudar os mais de 2 mil filhos desses homens. E eu sou o quarto diretor nesse estudo. Desde 1938, nós acompanhamos a vida de dois grupos de homens.

    O primeiro começou o estudo quando estavam no segundo ano da Universidade de Harvard. Todos terminaram a faculdade durante a 2ª Guerra Mundial, e a maioria foi servir na guerra. E o segundo grupo que acompanhamos era um grupo de garotos dos bairros mais pobres de Boston garotos que foram escolhidos para o estudo especialmente porque eram de algumas das famílias mais problemáticas e desfavorecidas na Boston da década de 30.

    A maioria vivia em prédios populares, muitos sem água corrente, fria e quente. Quando eles entraram no estudo, todos esses adolescentes foram entrevistados. Fizeram exames médicos. Nós fomos às suas casas e entrevistamos seus pais. E então esses adolescentes se tornaram adultos que seguiram diversos caminhos na vida. Tornaram-se operários, advogados, pedreiros e médicos.

    Um deles tornou-se Presidente dos Estados Unidos. Alguns desenvolveram alcoolismo. Uns poucos sofreram de esquizofrenia. Alguns ascenderam socialmente do fundo até o topo e alguns fizeram essa jornada na direção oposta. Os fundadores desse estudo nem nos seus sonhos mais loucos imaginariam que eu estaria aqui hoje, 75 anos depois, contando-lhes que o estudo ainda continua.

    A cada dois anos, nossa equipe, paciente e dedicada, contata nossos homens para saber se podemos enviar-lhes mais um bocado de perguntas sobre suas vidas. Muitos homens da Boston urbana nos perguntam: “Por que vocês ainda querem me estudar? Minha vida não é tão interessante.” Os homens de Harvard nunca fizeram essa pergunta. (Risos) Para ter uma ideia melhor dessas vidas, nós não apenas enviamos questionários. Nós os entrevistamos em suas salas de estar.

    Pegamos suas informações médicas com seus médicos. Nós tiramos seu sangue, escaneamos seus cérebros, falamos com seus filhos, os filmamos conversando com suas esposas sobre suas maiores preocupações. E quando, há uma década, finalmente perguntamos às esposas se elas se juntariam a nós como membros do estudo, muitas disseram: “Sabe, já estava na hora.” (Risos) Então o que aprendemos?

    Quais são as lições que extraímos das dezenas de milhares de páginas de informação que geramos sobre essas vidas? Bem, as lições não são sobre riqueza, ou fama, ou trabalhar mais e mais. A mensagem mais clara que tiramos desse estudo de 75 anos é esta: bons relacionamentos nos mantêm mais felizes e saudáveis. Ponto final.

    Aprendemos três grandes lições sobre relacionamentos. A primeira é que conexões sociais são muito boas para nós, e que a solidão mata. As pessoas que estão mais conectadas socialmente com a família, amigos e comunidade, são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais do que as pessoas que têm poucas conexões.

    E a experiência de solidão é tóxica. Pessoas que são mais isoladas do que elas gostariam descobrem que são menos felizes, sua saúde decai precocemente na meia idade, seu cérebro se deteriora mais cedo e vivem vidas mais curtas do que aqueles que não são solitários. E o fato triste é que, em qualquer período considerado, mais de um em cada cinco norte-americanos relatará que está solitário. E nós sabemos que você pode sentir-se só numa multidão e pode sentir-se solitário num casamento, então a nossa segunda grande lição é que não é apenas o número de amigos que você tem, e não é se você está ou não em um relacionamento sério, mas sim a qualidade dos seus relacionamentos mais próximos que importa.

    Acontece que viver no meio de conflitos é ruim para a nossa saúde. Casamentos muito conflituosos, por exemplo, sem muito afeto, podem ser muito ruins para a nossa saúde, talvez até pior do que se divorciar. E viver em meio a relações boas e reconfortantes nos protege.

    Uma vez que tínhamos acompanhado nossos homens até seus 80 anos queríamos observá-los novamente na meia idade e ver se poderíamos predizer quais deles iam se tornar octogenários felizes e saudáveis e quais não iam. E quando juntamos tudo o que sabíamos sobre eles aos 50 anos, não foram seus níveis de colesterol de meia idade que previram como iriam envelhecer.

    Foi o quão satisfeitos estavam em seus relacionamentos. As pessoas que estavam mais satisfeitas em seus relacionamentos aos 50 anos eram mais saudáveis aos 80. E relacionamentos bons e íntimos parecem nos proteger de algumas circunstâncias adversas de envelhecer.

    Nossos homens e mulheres mais felizes em uma relação relataram, aos 80 anos, que nos dias que tinham mais dor física, seu humor continuava ótimo. Mas as pessoas que estavam em relacionamentos infelizes, nos dias que tinham mais dor física ela era intensificada pela dor emocional. E a terceira grande lição que aprendemos sobre relacionamentos e nossa saúde é que relações saudáveis protegem não apenas nossos corpos, mas também nossos cérebros.

    Ocorre que estar em um relacionamento íntimo e estável com outra pessoa aos 80 anos é algo protetor, que as pessoas que estão em relacionamentos nos quais sentem que podem contar com outra pessoa em caso de necessidade têm suas memórias preservadas por mais tempo. E as pessoas em relacionamentos nos quais elas sentem que realmente não podem contar com a outra, são as que acabam tendo declínio de memória mais cedo. E esses relacionamentos bons não têm que ser tranquilos o tempo todo.

    Alguns de nossos casais octogenários podiam discutir um com o outro dia sim, dia não, mas contanto que sentissem que poderiam contar um com o outro quando as coisas ficavam difíceis, aquelas discussões não prejudicavam suas memórias. Então esta mensagem de que relações próximas e saudáveis são boas para saúde e bem-estar é uma sabedoria antiga.

    Por que é tão difícil de assimilá-la e tão fácil de ignorá-la? Bem, somos humanos. O que nós realmente gostaríamos é de um conserto rápido, algo que nós poderíamos obter que tornaria nossas vidas boas e as manteria assim. Relacionamentos são confusos e complicados e o trabalho duro de zelar pela família e amigos não é sexy ou glamouroso. É também para a vida inteira. Nunca cessa. As pessoas em nosso estudo de 75 anos que eram as mais felizes após aposentadas foram as que batalharam para substituir colegas de trabalho por companheiros.

    Assim como a Geração Y naquela pesquisa recente, muitos de nossos homens, quando estavam se tornando jovens adultos, realmente acreditavam que fama, riqueza e grandes conquistas eram o que eles precisavam correr atrás para ter uma boa vida. Mas repetidas vezes, ao longo desses 75 anos, nosso estudo tem mostrado que as pessoas que se deram melhor foram as bem relacionadas, com a família, amigos e com a comunidade. E você? Digamos que esteja com 25, 40 ou 60 anos.

    Que tal buscar o que os relacionamentos têm a oferecer? Bem, as possibilidades são praticamente infinitas Pode ser algo tão simples quanto trocar o tempo vendo TV por tempo com pessoas ou reviver uma relação antiga fazendo algo novo juntos, longas caminhadas ou encontros à noite. Ou contatar aquele membro da família com quem você não fala há anos porque aquelas brigas de família tão comuns deixam marcas terríveis nas pessoas que guardam rancor.

    Eu gostaria de encerrar com uma citação de Mark Twain. Mais de um século atrás, ele estava se lembrando de sua vida e escreveu isto: “Não há tempo, tão curta é a vida, para discussões banais, desculpas, amarguras, tirar satisfações. Só há tempo para amar, e mesmo para isso, é só um instante.” Uma vida boa se constrói com boas relações Obrigado. (Aplausos) 

    Essa é uma palestra do Ted feita pelo Doutor Robert Waldinger

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    #181 – Não procure o Budismo

    #181 – Não procure o Budismo

     
     
    00:00 / 7:09min
     
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    Se você quer milagres, não procure o Budismo. O supremo milagre para o Budismo é você lavar seu prato depois de comer.

    Se você quer curar seu corpo físico, não procure o Budismo. O Budismo só cura os males de sua mente: ignorância, cólera e desejos desenfreados.

    Se você quiser arranjar emprego ou melhorar sua situação financeira, não procure o Budismo. Você se decepcionará, pois ele vai lhe falar sobre desapego em relação aos bens materiais. Não confunda, porém, desapego com renúncia.

    Se você quer poderes sobrenaturais, não procure o Budismo. Para o Budismo, o maior poder sobrenatural é o triunfo sobre o egoísmo.

    Se você quer triunfar sobre seus inimigos, não procure o Budismo. Para o Budismo, o único triunfo que conta é o do homem sobre si mesmo.

    Se você quer a vida eterna em um paraíso de delícias, não procure o Budismo, pois ele matará seu ego aqui e agora.

    Se você quer massagear seu ego com poder, fama, elogios e outras vantagens, não procure o Budismo. A casa de Buda não é a casa da inflação dos egos.

    Se você quer a proteção divina, não procure o Budismo. Ele lhe ensinará que você só pode contar consigo mesmo.

    Se você quer um caminho para Deus, não procure o Budismo. Ele o lançará no vazio.

    Se você quer alguém que perdoe suas falhas, deixando-o livre para errar de novo, não procure o Budismo, pois ele lhe ensinará a implacável Lei de Causa e Efeito e a necessidade de uma autocrítica consciente e profunda.

    Se você quer respostas cômodas e fáceis para suas indagações existenciais, não procure o Budismo. Ele aumentará suas dúvidas.

    Se você quer uma crença cega, não procure o Budismo. Ele o ensinará a pensar com sua própria cabeça.

    Se você é dos que acham que a verdade está nas escrituras, não procure o Budismo. Ele lhe dirá que o papel é muito útil para limpar o lixo acumulado no intelecto.

    Se você quer saber a verdade sobre os discos voadores ou sobre a civilização de Atlântida, não procure o Budismo. Ele só revelará a verdade sobre você mesmo.

    Se você quer se comunicar com espíritos, não procure o Budismo. Ele só pode ensinar você a se comunicar com seu verdadeiro eu.

    Se você quer conhecer suas encarnações passadas, não procure o Budismo. Ele só pode lhe mostrar sua miséria presente.

    Se você quer conhecer o futuro, não procure o Budismo. Ele só vai lhe mandar prestar atenção a seus pés, enquanto você anda.

    Se você quer ouvir palavras bonitas, não procure o Budismo. Ele só tem o silêncio a lhe oferecer.

    Se você quer ser sério e austero, não procure o Budismo. Ele vai ensiná-lo a brincar e a se divertir.

    Se você quer brincar e se divertir, não procure o Budismo. Ele o ensinará a ser sério e austero.

    Se você quer viver, não procure o Budismo, pois ele o ensinará a morrer.

    Ensinamentos por Reverenda Yvonette Silva Gonçalves

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    #180 – As Três Portas da Libertação

    #180 – As Três Portas da Libertação

     
     
    00:00 / 9:21min
     
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    As três marcas da existência – impermanência, sofrimento e não-eu – são a descrição básica da realidade explicada pelo Buda. As três portas da libertação são os ensinamentos de Thich Nhat Hanh sobre como transcender a dualidade, a raiz de todo sofrimento, vivendo de acordo com essas verdades. É o lado positivo do que de outra forma poderia ser visto como uma notícia muito ruim.

    1. Não eu: a comunicação perfeita. A primeira porta da libertação é o vazio. Como nada tem um eu separado, tudo está conectado. Para descrever isso, Thich Nhat Hanh cunhou o termo “inter-ser”. Quando percebemos que estamos conectados com todas as coisas, temos uma comunicação perfeita com eles e vivemos com alegria e facilidade.
    2. Sem forma: a maravilhosa jornada da falta de sinal. A segunda porta da libertação é a falta de sinal. Um sinal marca a aparência de algo, sua forma. Reconhecemos as coisas com base em seus sinais, mas muitas vezes somos enganados pela forma externa das coisas. O Buda disse: “Onde há um sinal, há engano”. Por exemplo, quando olhamos para o céu, vemos uma nuvem específica. Mas se olharmos por tempo suficiente, parece que a nuvem desaparece. A nuvem se tornou chuva, névoa ou neve, e não a reconhecemos mais. Se você se apegou a essa nuvem, pode pensar: “Oh, minha amada nuvem, onde está você agora? Eu sinto sua falta. Eu não posso mais te ver. Talvez você não se sinta assim em relação a uma nuvem, mas certamente é assim que você se sente quando perde alguém que está perto de você. Ontem mesmo seu amigo ainda estava vivo. Agora parece que ele se foi.
    3. Nenhum objetivo: a felicidade da falta de objetivo. A terceira porta da libertação é a falta de objetivo. Thich Nhat Hanh sempre diz que estamos correndo infinitamente – atrás de amor, riqueza, felicidade, iluminação ou qualquer coisa que seja. Desamparo significa que você não tem objetivo, nem objeto de busca. Então você percebe que tem tudo o que precisava o tempo todo. O termo do mestre zen Rinzai para isso é a “pessoa sem negócios”. Aquele que não tem assuntos pessoais para realizar no samsara é chamado de buda.

    Ensinamentos por Thich Nhat Hanh

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    #179 – Você deveria cuidar disso para ter uma vida mais equilibrada

    #179 – Você deveria cuidar disso para ter uma vida mais equilibrada

     
     
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    Nós vivemos em nossa mente. Gastamos muito tempo comprando casas bonitas, decorando-as de acordo com os nossos desejos, fazendo tudo parecer muito agradável. Nós as mantemos limpas, bem mobiliadas e lindamente decoradas, e as exibimos com orgulho para as outras pessoas. Mas, na verdade, não vivemos em nossa casa, vivemos em nossa mente. Também passamos muito tempo cuidando de nossa aparência física, sempre tentando parecer jovens e atraentes, usando o tipo certo de roupas e procurando dar às pessoas o tipo certo de impressão. Nós pensamos: “Este sou eu.”

    Se vamos para outro lugar, deixamos nossa casa para trás. Não a levamos conosco, não somos caracóis. Mas carregamos nossa mente conosco para todos os lugares, vivemos dentro dela. Tudo o que vemos é projetado para nós através dos órgãos dos cinco sentidos, incide sobre nossa consciência e, em seguida, é interpretado pela mente. A mente em si é considerada como o sexto sentido, aquele que está constantemente produzindo memórias, pensamentos, ideias, opiniões, julgamentos, gostos e aversões. Vivemos dentro de nossa mente. Onde mais vivemos? Se formos para a Europa, se formos para a África, se formos para a Ásia, levaremos nossa mente conosco. Se estamos no meio de Sydney ou no alto de uma montanha, em uma caverna, trazemos nossa mente conosco. Esse é o lugar onde vivemos, vivemos em nossa mente.

    Mas quantos de nós se dão ao trabalho de decorar a mente? Quando consideramos a quantidade de coisas que consumimos — televisão, filmes, revistas, jornais e toda a cacofonia com a qual vivemos constantemente —, esse lixo é derramado em nossa mente a cada minuto e nós nunca a esvaziamos. Lá dentro é como uma grande fossa de lixo. Pense nisso. Todo esse lixo é constantemente empurrado para dentro de nossa mente e nunca nos livramos dele: está tudo lá. Às vezes acho que seria interessante ter um alto-falante ligado à nossa mente para que todos ouvissem o que estamos constantemente pensando. Todos nós iríamos querer aprender a meditar rapidinho, não é mesmo? Todos nós desejaríamos aprender a controlar nossa mente selvagem e a lidar com todo o lixo que está lá dentro.

    Você convidaria o Dalai Lama para ir à sua casa se ela estivesse cheia de lixo e de tralha, sem nunca ter sido limpa? Você não faria isso. Você iria limpá-la primeiro. Você a deixaria aprazível, com tudo muito bem arrumado, abriria todas as portas e janelas para deixar o ar fresco entrar e, aí então, convidaria Sua Santidade à sua casa.

    Então, como podemos convidar a sabedoria a entrar em uma mente que é como uma lixeira? É sério. Primeiro, temos que fazer uma faxina, temos que abrir as portas e janelas para deixar um pouco de ar fresco entrar. A princípio, toda a questão da meditação, de aprender a estar presente no momento e todas essas práticas tratam disso. São formas de se aprender a limpar a mente, porque, se limparmos as janelas só um pouco, já poderemos ver o lado de fora. Mas vemos tudo através de nossa mente confusa e turbulenta, repleta de venenos de má vontade, cobiça, delusão e assim por diante. Não é à toa que estamos confusos. Como eu sempre digo, se queremos ser felizes, por que continuamos fazendo coisas que criam o contrário? Por quê? Queremos ser felizes, queremos fazer os outros felizes, nos esforçamos para isso, então como é que não estamos todos radiantes de felicidade?

    Existe um estado mental para além do sofrimento, um estado mental que é livre. Mesmo da nossa própria maneira, como pessoas comuns, podemos começar a incorporar algumas dessas qualidades — como a generosidade e a compaixão — em nossa vida. Não é tão impossível quanto pode parecer. Mas, primeiro, para ver como criamos nosso próprio sofrimento, temos que entender que é necessário nos abrirmos a essas qualidades, e temos de entender por que é necessário. Nosso sofrimento não depende do que está acontecendo “lá fora”. Na verdade, depende de nossa própria mente, do estado de nossa própria mente e das nossas reações ao que está acontecendo lá fora.

    Pessoas mentalmente perturbadas gastam muito tempo pensando sobre si mesmas; ficam obcecadas com a sua própria felicidade e com o seu próprio sofrimento, e passam muito tempo, como muitos de nós, se perguntando: “Como faço para ser feliz?” Mas a ironia da situação é que, se pensamos menos sobre como podemos nos tornar felizes e mais sobre como podemos fazer os outros felizes, de alguma forma, nós mesmos acabamos sendo felizes. As pessoas que estão genuinamente preocupadas com os outros têm um estado mental muito mais feliz e pacífico do que as que estão continuamente tentando fabricar as suas próprias alegrias e satisfações.

    Ensinamentos de Jetsunma Tenzin Palmo