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  • Palavras de compaixão

    #7 – Estamos todos no mesmo barco

    Se observarmos o que basicamente o Buda ensinou, veremos que isso nos une e nos coloca em uma posição de igualdade.

    Claro, em determinados níveis somos diferentes, mas no nível mais básico somos todos iguais.

    Podemos iniciar nosso dia com uma frase que aprendi com meus mestres:

    TODOS NÓS QUEREMOS SER FELIZES E NINGUÉM QUER SOFRER

    Ao olhar os outros com compreensão, colocamo-nos no lugar deles, vemos as coisas de seu ponto de vista e reconhecemos que estamos, todos nós, no mesmo barco.

    Gyalwang Drukpa, do livro Iluminação Diária

    O sofrimento

    Todos nós passamos pela mesma condição humana de nascer, viver por um tempo, envelhecer, ficar doente e morrer.

    Isso é comum a todos os seres e isso nos coloca no mesmo barco.

    Quando ficamos chateados ou nervosos com outra pessoa, ao invés de olhar para as diferenças, devemos olhar para o que nos une, que é justamente o fato de que não queremos sofrer, assim como a outra pessoa.

    Esse olhar vai te fazer enxergar a vida de outra forma.

    Mas não podemos ficar apenas na teoria. Quando alguém te ofender, este é o momento de aplicar esse ensinamento.

    No acompanhamento online passo a passo, do básico ao avançado e em grupo que ofereço (Para saber mais clique a seguir ACOMPANHAMENTO) passamos por esse tema, pois é necessário desenvolver esse olhar sutil que só é desenvolvido contemplando e aplicando no dia a dia.

    Quando você ganhar a capacidade de olhar qualquer pessoa nesse nível mais básico, você será capaz de mudar totalmente a realidade e o meio que você vive.

    Ter a consciência de que estamos todos no mesmo barco, ou seja, todos nós queremos ser felizes e não queremos sofrer, vai te dar a capacidade de praticar compaixão e com isso ter uma vida mais significativa e feliz.

    Sem a prática toda teoria se torna desnecessária.


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  • Palavras de compaixão

    #6 – Como esses dois aspectos podem te ajudar a entender a meditação budista

    Muitas perguntas são feitas sobre os detalhes da meditação. “Eu devo meditar com incenso no quarto?”, “Devo meditar com música?” “E a meditação transcendental, como fazer?”

    Quando falamos sobre meditação, assim como do próprio budismo, as pessoas pensam que é uma coisa só.

    Geralmente colocam a meditação como uma única coisa.

    Primeiro devemos entender o que significa a palavra meditação. Bhavana que em sânscrito carrega o campo semântico de “cultivo”, “familiarização” ou “habituação” com algo. No ocidente este termo é frequentemente traduzido como “meditação”.

    Então podemos concluir que toda vez nos acostumamos mentalmente com algo, seja com pensamentos bons ou ruins, estamos meditando sobre isso, ou seja, meditação não significa necessariamente sentar-se em uma almofada no chão e fechar os olhos. Significa habituar-se com algo no campo mental.

    A seguir, separei um ensinamento do mestre Thich Nhat Hanh onde ele explica os dois principais aspectos da meditação budista, deixando mais claro quais os 2 principais tipos de meditação que os budistas praticam.

    Parar, Acalmar-se, Descansar e Curar-se. Por Thich Nhat Hanh

    “A meditação budista tem dois aspectos – shamatha e vipashyana. Existe uma tendência a enfatizar a importância da vipashyana (“olhar em profundidade”), uma vez que ela tem o potencial de nos proporcionar insight e nos libertar do sofrimento e das aflições. Mas a prática da shamatha (“cessação”) é fundamental. Se não conseguirmos parar, o insight não chegará a nós.

    Existe uma história zen sobre um homem e um cavalo. O cavalo está galopando rapidamente, e parece que o homem que cavalga se dirige a algum lugar importante. Outro homem, em pé ao lado da estrada, grita: “Aonde você está indo?” e o homem a cavalo responde: “Não sei. Pergunte ao cavalo!” Esta é a nossa história. Estamos todos sobre um cavalo, não sabemos aonde vamos e não conseguimos parar. O cavalo é a força de nossos hábitos que nos puxa, e somos impotentes diante dela. Estamos sempre correndo, e isso já se tornou um hábito. Estamos acostumados a lutar o tempo todo, até mesmo durante o sono. Estamos em guerra com nós mesmos, e é fácil declarar guerra aos outros também.

    Precisamos aprender a arte de fazer cessar – parar nosso pensamento, a força de nossos hábitos, nossa desatenção, bem como as emoções intensas que nos regem. Quando uma emoção nos assola, ela se assemelha a uma tempestade, que leva consigo a nossa paz. Nós ligamos a TV e depois a desligamos, pegamos um livro e depois o deixamos de lado. O que podemos fazer para interromper este estado de agitação? Como podemos fazer cessar o medo, o desespero, a raiva e os desejos? É simples. Podemos fazer isso através da prática da respiração consciente, do caminhar consciente, do sorriso consciente e da contemplação profunda – para sermos capazes de compreender. Quando prestamos atenção e entramos em contato com o momento presente, os frutos que colhemos são a compreensão, a aceitação, o amor e o desejo de aliviar o sofrimento e fazer brotar a alegria.

    Mas a força do hábito costuma ser mais forte do que nossa vontade. Dizemos e fazemos coisas que não queremos e depois nos arrependemos. Causamos sofrimento a nós mesmos e aos outros, e de forma geral produzimos grande quantidade de destruição. Podemos ter a firme intenção de nunca mais fazer isso, mas sempre acabamos fazendo de novo. Por quê? Porque a força do hábito acaba vencendo e nos levando de roldão.

    Precisamos da energia da atenção plena para perceber quando o hábito nos arrasta, e fazer cessar esse comportamento destrutivo. Com atenção plena, temos a capacidade de reconhecer a força do hábito a cada vez que ela se manifesta. “Alô força do hábito, sei que você está aí!” Nessa altura, se conseguirmos simplesmente sorrir, o hábito perderá grande parte de sua força. A atenção plena é a energia que nos permite reconhecer a força do hábito e impedi-la de nos dominar.

    Por outro lado, o esquecimento ou negligência é o oposto. Tomamos uma xícara de chá sem sequer perceber o que estamos fazendo. Sentamo-nos com a pessoa que amamos, mas não percebemos que a pessoa está ali. Andamos sem realmente estar andando.

    Estamos sempre em outro lugar, pensando no passado ou no futuro. O cavalo dos nossos hábitos nos conduz, e somos prisioneiros dele. Precisamos deter este cavalo e resgatar nossa liberdade. Precisamos irradiar a luz da atenção plena em tudo o que fizermos, para que a escuridão do esquecimento desapareça. A primeira função da meditação – shamatha – é fazer parar.

    A segunda função da shamatha é acalmar. Quando sofremos uma emoção forte, sabemos que talvez seja perigoso agir sob sua influência, mas não temos força nem clareza suficientes para nos abstermos. Precisamos aprender a arte de respirar, de inspirar e expirar, parando tudo o que estamos fazendo e acalmando nossas emoções. Precisamos aprender a nos tornar mais estáveis e firmes, como se fossemos um carvalho, e não nos deixar arrastar pela tempestade de um lado para outro. O Buda ensinou uma variedade de técnicas para nos ajudar a acalmar corpo e mente, e considerar a situação presente em toda a sua profundidade. Essas técnicas podem ser resumidas em cinco estágios:

    (1) Reconhecimento – se estamos zangados, dizemos “reconheço que a raiva está dentro de mim”.

    (2) Aceitação – quando estamos zangados, não negamos a raiva. Aceitamos aquilo que está presente em nós.

    (3) Acolher – abraçamos a raiva como faz uma mãe com o filho que chora. Nossa atenção plena acolhe a emoção, e só isso já é capaz de acalmar a raiva e a nós mesmos.

    (4) Olhar em profundidade – quando nos acalmamos o suficiente, conseguimos observar profundamente para entender o que provocou a raiva, ou seja, o que está fazendo o bebê chorar.

    (5) Insight – o fruto do olhar profundo é a compreensão das causas e condições, tanto primárias quanto secundárias, que provocaram a raiva e fizeram nosso bebê chorar. Talvez ele esteja com fome. Talvez o alfinete da fralda o esteja machucando. Talvez nossa raiva tenha surgido quando um amigo nos falou em um tom ofensivo, mas de repente nos lembramos de que essa pessoa não está bem hoje porque seu pai está muito doente. Continuamos a refletir dessa forma até compreendermos a causa de nosso atual sofrimento. A compreensão nos dirá o que fazer ou não fazer para mudar a situação.

    Depois de nos acalmarmos, a terceira função da shamatha é o repouso. Suponha que alguém nas margens de um rio joga uma pedra para o ar e a pedra cai no rio. A pedra afunda lentamente e chega ao fundo do rio sem esforço algum. Depois que a pedra chega ao fundo do rio, ela descansa, deixando que a água passe por ela. Quando sentamos para meditar podemos nos permitir repousar da mesma forma que essa pedra. Podemos nos deixar afundar naturalmente, na posição sentada – repousando, sem fazer esforço. Temos que aprender a arte de repousar, permitindo que nosso corpo e nossa mente descansem. Se tivermos feridas em nosso corpo e em nossa mente precisamos repousar para que elas possam por si só se curar.

    O ato de se acalmar produz o repouso, e o descanso é um pré-requisito para a cura. Quando os animais selvagens estão feridos, eles procuram um lugar escondido para deitar, e descansam completamente por muitos dias. Não pensam em comida nem em mais nada. Apenas descansam, e com isso obtêm a cura de que precisam. Quando nós seres humanos ficamos doentes, nos preocupamos o tempo todo. Procuramos médicos e remédios, mas não paramos. Mesmo quando vamos para a praia ou para as montanhas com a intenção de descansar, não chegamos realmente a repousar, e voltamos mais cansados do que partimos. Temos que aprender a repousar.

    A posição deitada não é a única posição de descanso que existe. Podemos descansar muito bem durante meditações sentados ou caminhando. A meditação não deve ser um trabalho árduo. Simplesmente permita que seu corpo e sua mente descansem, como o animal no mato. Não lute. Não há necessidade de fazer nada nem realizar nada. Eu estou escrevendo um livro, mas não estou lutando. Estou descansando. Por favor, leiam este livro de uma forma alegre e relaxante. O Buda disse: “Meu Darma é a prática do não-fazer.” Pratiquem de uma forma que não seja cansativa, mas que seja capaz de proporcionar descanso ao corpo, às emoções e à consciência. Nosso corpo e mente sabem curar a si mesmos se lhes dermos uma oportunidade para isso.

    Parar, acalmar-se e descansar são pré-requisitos para a cura. Se não conseguirmos parar, nosso ritmo de destruição simplesmente vai prosseguir. O mundo precisa imensamente de cura. Os indivíduos, comunidades e países estão cada vez mais necessitados de cura.”

    (Do livro “A Essência dos ensinamentos de Buda” – Thich Nhat Hanh)


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  • Imagem de Buda sentado na floresta para o artigo: Budismo é religião ou filosofia de vida?
    Palavras de compaixão

    #5 – O Budismo é religião ou filosofia de vida?

    Essa é uma discussão recorrente. Já li e ouvi alguns mestres e mestras dizerem que é filosofia de vida, outros dizendo que é religião. É importante esclarecermos e também mostrar diferentes pontos de vista.

    Objetivo

    Meu objetivo aqui não é te convencer ou te trazer para algum lado: budismo é religião! budismo é filosofia de vida! Mas sim te mostrar um ponto de vista e deixar em suas mãos a decisão de incluir nos seus pontos de vista ou não.

    Vamos começar pela definição das palavras religião e filosofia de vida.

    Definição de Religião

    “Convicção da existência de um ser superior ou de forças sobrenaturais que controlam o destino do indivíduo, da natureza e da humanidade, a quem se deve obediência e submissão.” Referência: Dicionário Michaelis

    Quando definimos o budismo como religião levamos em consideração o significado do campo semântico dessa palavra:

    1 – Existência de um ser superior.

    No budismo não existe um ser superior, Buda não se considerou um Deus e nem os budistas o consideram Deus.

    2 – Forças sobrenaturais que controlam a vida do indivíduo.

    No budismo você é senhor de sua própria vida. Acreditamos no Karma e não em alguma coisa lá fora que controla nossa vida.

    3 – A quem se deve obediência ou submissão.

    Outro ponto que não faz sentido dentro do contexto dos ensinamentos budistas.

    Definição de Filosofia de vida

    “Filosofia de vida é a expressão que serve para descrever um conjunto de ideias ou atitudes que fazem parte da vida de um indivíduo ou grupo.” Referência

    No caso dessa expressão:

    1 – Expressão que serve para descrever um conjunto de ideias ou atitudes.

    Isso faz mais sentido dentro dos ensinamentos do Buda, mas podemos ir além.

    Na perspectiva de S.S. Gyalwang Drukpa

    O líder espiritual da linhagem Drukpa, da qual faço parte, e meu mestre indireto diz:

    “O Budismo, ou o ensino do Budismo em si mesmo, é uma filosofia espiritual. É muito voltado à espiritualidade. Assim sendo, para praticar o Budismo, ou Buddhadharma, é preciso ser muito espiritualizado. 

    Pessoalmente, preferiria utilizar o termo “ensinamentos Budistas” no lugar de “Budismo”, pois não é um “ismo” de forma alguma, e penso que não é correto chamá-lo de “ismo”, pois dá uma conotação ou definição muito forte de religião, que não é boa. Os ensinamentos Budistas, ou Buddhadharma são totalmente orientados pela espiritualidade, em vez de religiosidade. Por isso, precisamos tentar desenvolver uma profunda compreensão do que é o Buddhadharma, e então tentar praticá-lo. 

    Quando afirmo que o Budismo é uma filosofia, não significa que você não faz quase nada, que apenas senta-se e meramente pensa, e pensa, e pensa. As pessoas frequentemente têm a tendência de achar que a filosofia tem a ver com pensamentos, e não com a prática. 

    O Budismo é uma filosofia viva, que deve ser posta em prática. A prática deve ser baseada na filosofia que rejeita a teoria de um criador que controla sua vida, e a faz melhor ou pior. 

    Ao invés de acreditar em um criador todo-poderoso, você deve acreditar em si mesmo, e ampliar seu próprio entendimento, dentro de si. Esta é a autêntica abordagem Budista. ” – S.S.Gyalwang Drukpa

    Meu ponto de vista pessoal

    Na minha opinião pessoal, levando em conta as definições que abordamos de religião ou filosofia de vida, e a perspectiva de Sua Santidade Gyalwang Drukpa, considero o budismo uma filosofia de vida.

    Meu mestres Lama Jigme Lhawang diz em seu texto aqui no blog A ESSÊNCIA DE SER E ESTAR

    “Me parece que o budismo traz uma essência que não é doutrinária, que também não aspira produzir conclusões sobre as coisas para que outros tenham que aceitar e concordar.” – Lama Jigme Lhawang

    Então, da minha parte, considero o Budismo uma filosofia de vida.

    Repito, meu papel aqui não é te convencer a nada, mas te mostrar mais um ponto de vista. Você deve discernir, incluir ou excluir esse ponto de vista.

    Aspiro que tenha esclarecido minimamente e tenha te dado uma nova perspectiva.


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