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  • Nichiren

    A prática do Bodhisattva

    Hotsu bodaishin (發菩提心):

    É a aspiração de transformar nosso “eu” no “eu verdadeiro”, acordar para a mente “Bodai” (sânsc. Bodhi), que significa “iluminação” ou “sabedoria que conduz ao despertar”. Simplificando: Florescer a semente de Buda que temos em nosso interior

    Mas essa semente de Buda está encoberta por desejos impuros, sendo essa a nossa condição normal em nossa vida diária. Então vivemos essa vida impura, porém em algum lugar do nosso coração podemos perceber nossa semente de Buda, e em razão disso devemos lapidar o nosso coração, e está força se chama “Shin” (fé).

    Essa prática para florescer a semente de Buda se chama “Bosatsugyo” 菩薩行 (Prática de bodhisattva). “Bosatsugyo” é a ideia original de Budismo Mahayana.

    “Hotsubodaishin” é a origem do caminho para Bodai, que significa: entusiasmo do iniciante para florescer a semente de Buda. Esse “Hotsubodaishin” é a causa e “Bodai” é o seu resultado.

    Bosatsudo (菩薩道):

    O ensino de Shakyamuni está aberto para todos. O Buda criou um caminho que qualquer pessoa pode avançar com a própria decisão. “Bosatsudo” é o “Caminho do Bodhisattva” do Budismo Mahayana. E essas pessoas que caminham nesse caminho puro são veneráveis.

    As pessoas que caminham na via do Bodhisattva são comparáveis às Flores de Lótus Brancas do pântano.

    Por exemplo, no Capítulo 15 do Sutra do Lótus têm uma frase que diz que o praticante da via do Bodhisattva não se contamina com as impurezas mundanas, e isso é como a Flor de Lótus que nasce no pântano e não se suja. As impurezas do mundo são comparáveis a água do pântano, e esses Bodhisattvas nascem neste mundo. Em outras palavras, Bodhisattvas não existem separadamente do mundo real, assim como o Lótus só nasce na água suja.

    Quando nos deparamos com o sofrimento e preocupação, costumamos fugir, recusar e negar. Mas o Bodhisattva não fica alheio, ele encara a realidade de frente. Mais uma coisa importante: o Bodhisattva não se contamina com a sujeira existente no mundo real. E isso é comparável com a Flor de Lótus.

    Flor de Lótus no Pântano:

    Portanto, gostaria de explicar melhor sobre a prática do Bodhisattva em alusão a Flor de Lótus no pântano.

    Logicamente, sabemos que a água do pântano é cheia de impurezas. Caso nos deparássemos com essa água suja ficaríamos enojados. E isso é uma reação natural de um ser humano. Porém qual seria a nossa reação se diante dessa água suja avistássemos algumas folhas verdes e caules com Flores de Lótus Brancas? Será que mesmo assim veríamos a água suja como algo imundo? Ficaríamos ainda mais enojados se houvesse as Flores de Lótus?

    Talvez pela lógica, se compararmos a água suja com a Flor de Lótus, a água pareça ainda mais suja. Mas acredito que ninguém pense dessa forma.

    Essa imagem em virtude da composição de cores e harmonia vai nos transmitir a beleza como em uma pintura.

    O Lótus apesar de florescer na água suja não se contamina com a impureza dela, pelo contrário torna a impureza como parte da Flor de Lótus. Isso não anularia essa aversão que sentiríamos pela água suja?

    A verdadeira prática do Bodhisattva comparada com o Lótus Branco no pântano é a ideia original do Budismo Mahayana.

    O Dharma Maravilhoso do Lótus Branco

    O que é prática do Bodhisattva? Pode se dizer que é praticar o Dharma.

    O Dharma é como o Lótus Branco, portanto tanto o sofrimento e preocupação do mundo real, assim como o sofrimento e preocupação que temos no nosso coração são como a água suja do pântano. Não negar e se harmonizar a essa realidade é o ensinamento do verdadeiro Dharma.

    E esse verdadeiro Dharma se chama “Myoho” 妙法 (Dharma Maravilhoso).

    Como foi dito anteriormente o Lótus Branco no pântano é o mesmo que “Myoho”, ou seja, a prática do Bodhisattva.

    Quando decidimos viver como a Flor de Lótus do Maravilhoso Dharma, abre-se um caminho novo. Essa decisão chama-se “Namu” 南無.

    E esse “Myoho” é viver como o Lótus no pântano.

    O “Myoho Renge Kyo” nos ensina que, o único objetivo do Buda foi mostrar o caminho que possibilita a todos os seres vivos atingir a Iluminação. O “Myoho Renge Kyo” é o ensinamento supremo assim como o Lótus Branco.

    O “Myoho Renge Kyo” é um ensinamento para instruir os Bodhisattvas (ou seja, nós que estamos avançando no caminho), e também para proteger os que estão praticando esse caminho.

    Simplificando, o caminho do Bodhisattva do Sutra de Lótus é o estudo e compreensão do Dharma (ensinamentos do Buda), e acreditar e colocar esses ensinamentos na vida diária.

    Em outras palavras viver como o Sutra do Lótus, é a decisão chamada “Namu”, e juntando isso fica “NAMU MYOHORENGUEKYO”, e isso se chama “Odaimoku” 御題目.

    O Odaimoku é o juramento de se viver como o Lótus Branco. Então recitar com boca, corpo e coração é um passo da prática do Bodhisattva do Sutra de Lótus.

    *texto do rev. Yodo Okuda Shonin, da Nichiren Shu Brasil
    **crédito da imagem: http://500px.com/photo/73747861/buddha-by-dhanushka-lakmal

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    O significado de “Namu Myoho Renge Kyo”: Kyo (parte 4)

    Kyo é a tradução do termo sânscrito “Sutra”. O significado original da palavra em sânscrito é “fio”, “cordão” ou “trama”.

    Foi originalmente usada no sentido de estabelecer uma relação entre palavras e os sermões de Buda, comentados em prosa. O termo “sutra” não é original nem exclusivo ao Budismo. As composições brâmanes pré-budistas são marcadas com a palavra “sutra”. Os escritos das doutrinas do Jainismo, um ensino popular na Índia durante o período de vida do Buda, assim como o cânone doutrinal de outras religiões indianas pós-budistas, é também chamado de “sutra”.

    No entanto, no que se refere apenas ao senso budista, “sutra” se refere somente aos registros dos sermões e aos ensinamentos de Buda. Hoje, os sutras são transmitidos por escrito e traduzidos para muitas línguas.

    Diz-se que Buda pregou um total de 84.000 sermões, mas não foi Shakyamuni quem escreveu esses ensinamentos. Sua transcrição, na verdade, foi feita por monges e discípulos tempo depois. Inicialmente, os sermões de Buda foram memorizados por aqueles que ouviram diretamente dele e, em seguida, transmitiram oralmente aos outros, que, por sua vez, memorizaram e transmitiram para outros, e assim sucessivamente durante muitos séculos. De fato, todos os sutras começam com a frase de abertura, “Assim eu ouvi.” Esta antiga tradição indiana de transmissão oral, em oposição à escrita, foi praticada durante o período de vida do Buda e mesmo depois, e ainda é observado entre mestres e discípulos hindus. Portanto “Sutra” ou “Kyo” também tem o significado de “palavra” do Buda.

    Shakyamuni embora tenha deixado o corpo físico há quase 3.000 anos atrás, hoje ele ainda está vivo, através de suas palavras escritas no sutra. Portanto, se quisermos encontrar o Buda hoje, de acordo com nossa Escola, tudo que nós precisamos é abraçar o Sutra do Lótus e o seu coração e essência, que é o Odaimoku de Namu Myoho Renge Kyo. Nichiren Shonin explica este ponto em particular no “Kanjin Honzon Sho”: “As pessoas podem manifestar o estado de Buda de duas formas: encontrando o Buda e ouvindo o Sutra de Lótus, ou acreditando nos sutras mesmo que não seja capaz de ver (fisicamente) o Buda.”

    No Kaikyoge (Versos de Abertura do Sutra) se lê: “Seremos capazes de atingirmos a iluminação ao ver, ouvir ou tocar neste sutra. Exposto está a verdade do Buda. Exposto está a essência de Buda. Cada palavra que compõe este sutra são manifestações do Buda. Como inúmeros méritos estão contidos neste sutra, todos os seres vivos são beneficiados por este sutra, sem qualquer impedimento e de maneira espontânea assim como o incenso é percebido por um objeto colocado próximo.”

    Estamos, portanto fazendo o nosso melhor para sinceramente recitar o Sutra do Lótus e o Odaimoku cada manhã e noite, através da devoção não-egoísta. A cada pequeno esforço sincero, nossa vida se aproxima da vida de Buda e somos abençoados com todas as qualidades do Buda: a sua sabedoria, compaixão, paz profunda, bem como a felicidade, satisfação profunda e ilimitados méritos. Nichiren Shonin lutou toda a sua vida para ensinar que o Namu Myoho Renge Kyo é o presente que Buda deixou para todos nós.

    Portanto, sinceramente abracemos este tesouro, e façamos de modo que o estado de Buda possa florescer em nossas vidas e nas vidas daqueles que nos rodeiam.

    *tradução do texto do rev. Tarabini Shonin da Nichiren Shu Itália.
    **crédito da imagem: http://500px.com/photo/48681972/budhha-peace-by-onu-

  • Nichiren

    O significado de “Namu Myoho Renge Kyo”: Renge (parte 3)

    Renge é a tradução do termo sânscrito “Pundarika”, escrito em caracteres chineses e significa “Flor de Lótus”. A palavra “Pundarika” significa literalmente “Lótus Branco”, símbolo do Bodhi, a pura e perfeita iluminação de Buda. Na arte budista flores de lótus são normalmente pintadas com oito pétalas. Estes oito pétalas são para indicar o Nobre Caminho Óctuplo, uma importante doutrina pregada pelo Buda (conheça o Nobre Caminho Óctuplo clicando aqui!).

    O lótus é a única flor que floresce com as sementes já desenvolvidas. Normalmente, quando as flores florescem, as belas cores das pétalas e o seu perfume atraem abelhas e outros insetos. Nesse ponto, a flor é polinizada e, em seguida, seca e morre e, só mais tarde desenvolve uma fruta contendo sementes. Em contrapartida, no caso do lótus o processo é bastante diferente: na verdade, quando floresce já contém seus frutos: a vagem com sementes. Isto é extremamente raro no mundo das plantas.

    No budismo, a flor de lótus, com as suas flores e frutos simultâneos, mostra visualmente a causa da própria planta (as sementes) e o resultado final (a flor). Na terminologia budista, esta relação simultânea é chamada “Inga Guji” e quer dizer “dotado ao mesmo tempo com causas e efeitos”. O princípio de causa e efeito é um dos mais importantes conceitos e fundamentos da filosofia budista.

    O lótus cresce na água estagnada e lamacenta. Na realidade, quanto mais suja é a água mais bonita a flor se torna. Se nós estabelecermos uma analogia com nossas vidas, podemos demonstrar o fato de que através dos problemas e sofrimentos que vivemos todos os dias, podemos obter a pura e maravilhosa condição Iluminada, da mesma forma que o lótus surge imaculado a partir de águas sujas.

    Todos os seres têm o potencial para a Iluminação. Assim, quando recitamos “Namu Myoho Renge Kyo” em frente do Mandala Gohonzon, a pura e bela flor da iluminação contida em nossas vidas pode florescer, amadurecer e prosperar.

    Por outro lado, esta semente de Iluminação potencial (ou latente) deve ser alimentada, regada e tratada como quaisquer outros seres vivos. Isto pode ser feito através da alimentação do Sutra do Lótus, da recitação do sutra e do “Namu Myoho Renge Kyo” e nos dedicando ao Dharma. Sem uma prática e uma fé sincera, as sementes de iluminação ocultas em nossas vidas não podem receber alimentação e conseqüentemente não podem florescer, crescer e muito menos prosperar.

    Nichiren Shonin escreveu no “Kanjin Honzon Sho”: “O Sutra Fugen diz: ‘Este sutra Mahayana (o Sutra do Lótus) é o tesouro, os olhos e as sementes da vida para todos os Budas do universo através do passado, presente e do futuro.’ Você deve se comprometer na prática budista e nunca permitir que as sementes da Iluminação morram’.”

    *Tradução de um texto do rev. Tarabini Shonin, da Nichiren Shu Itália
    **crédito da imagem: http://500px.com/photo/56135872/the-buddha-50%7C365-by-khang-huynh

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    Se preocupando menos com aparências externas

    As pessoas comuns se importam apenas com as aparências externas. Se importam com os compromissos sociais por exemplo, visitas a um parente adoecido, casamentos, aniversários e outros, mas não participam de compromissos relativos a gratidão aos Três Tesouros e as cerimônias à seus antepassados.

    Não queremos nos distanciar dos olhos do Buda, das divindades, antepassados e de todos que nos protegem, não é mesmo? Essa é uma história que consta no “Dai shogon ron”.

    Certa vez, o Buda Shakyamuni foi para Sravasti. Em virtude disso muitas pessoas se reuniram nesse local. Havia um limpador de fossa chamado “Nidhai”, que fazia o mesmo percurso que o Buda do local de sua pregação. Mas o limpador com os trajes imundos se escondia do Buda por não se sentir digno com sua presença imunda: “Como eu poderia aparecer na frente do Buda assim?”

    Então o Buda sabendo dos sentimentos de tristeza, utilizando-se de poderes sobrenaturais apareceu na frente de “Nidhai”. Nidhai disse ao Buda: “As pessoas se prepararam para receber o Buda, aspergindo perfume em todo local, para receber tão valiosos ensinamentos. Eu estou a carregar um cesto de excremento. Como posso ser digno de estar diante da vossa presença?” Dizendo isso ele fugiu mas o Buda apareceu novamente diante dele.

    E o Buda disse: “Devido a um elo de bons carmas entre nós é que estou diante de você. Por isso te peço que não fujas de mim. Você tem sujidade pelo corpo mas no seu coração tem méritos maravilhosos, e exala um perfume maravilhoso. Eu não classifico as pessoas por serem nobres, pobres, por castas, classes sociais, apenas vejo os atos, carmas.”

    Nidhai ouvindo isso, se emocionou e se tornou um monge. Algum tempo depois se tornou um arhat.
    Porém os ricos e os brahmans que se reuniram em Sravasti ao saber que Nidhai havia se tornado monge disseram: “Uma pessoa imunda como ele, vir em minha casa com a sua tigela mendicante é nojento!”

    E isso foi parar nos ouvidos do Rei Prasenajit. E o Rei disse: “Eu vou tomar providências para que ele seja excluído da Sangha.” E o Rei partiu para “Jetavana Anathapindadasya-arama” onde o Buda praticava. O Rei ao chegar diante do portão se deparou com um monge de pé diante de uma grande pedra. E a direita e a esquerda desse monge, divindades reverenciavam e aguardavam em Gassho.

    Esse monge ao ser cumprimentado pelo Rei, imediatamente desapareceu dentro da pedra como se mergulhasse dentro da água. Anunciou ao Buda a chegada do Rei. E como se surgisse da água, guiou o Rei até o Shakyamuni Buda. E o Rei perguntou ao Buda: “Quem é esse monge maravilhoso que me guiou até aqui?”

    E o Buda respondeu: “Aquele é o monge Nidhai. Das pedras da montanha achamos o ouro, e da lama floresce a flor de Lótus. Independente de onde nasce, veja apenas a sua prática e virtude”, aconselhou gentilmente. O Rei então, reverenciou o Buda e Nidhai e se afastou de volta.

    E esse é o conteúdo dessa história, que nos alerta para não valorizarmos tanto a aparências externas e valorizarmos as virtudes e as práticas interiores.

    Em Gassho!
    Rev. Yodo Okuda Shonin
    Nichiren Shu Brasil

    *crédito da imagem: http://500px.com/photo/64233885/the-young-monk-3-by-alaa-alssadi

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    O significado de “Namu Myoho Renge Kyo”: MyoHo (parte 2)

    “Myoho” é a tradução do termo sânscrito Saddharma. “Myoho” é muitas vezes traduzido como “Dharma Maravilhoso”, ou “Lei Maravilhosa” ou “Lei Mística” e como sugere a tradução propriamente dita, o seu significado é vasto e profundo.

    “Sad” ou “Sat” em “Saddharma” corresponde à primeira sílaba “Myo” de “Myoho” e quer dizer “verdade”. “Saddharma”, portanto, significa “Dharma Verdadeiro” ou “Dharma Correto”. “Sad” também denota plenitude, ser totalmente dotado. “Myo” também significa “inigualável”, “místico”, “impossível de perceber (com os sentidos)”, “além da compreensão (dos seres humanos comuns)” e “maravilhoso”. Nichiren Shonin explicou que enquanto “Myoho Renge Kyo” é o coração e a essência do Sutra do Lótus, a palavra “Myo” em si é extremamente rica em significado.

    Em 593 d.C. o grande mestre do Dharma, T’ien-t’ai, afirmou, no seu Fa-hua Ichi (jap. Hokke Gengi) que “Myo” tem um duplo significado.

    O primeiro significado resulta de uma análise comparativa através da qual emerge a superioridade do Sutra do Lótus entre os ensinamentos de Buda.

    O segundo significado de “Myo” diz respeito à “onisciência” do Sutra do Lótus, já que inclui simultaneamente cada uma das muitas doutrinas que Buda Shakyamuni pregou durante seus 40 anos de ensinamentos.

    Nichiren Shonin explica nos escritos “Daimoku do Sutra de Lótus” (1266), “Kaimoku Sho” (1272) e “Kanjin Honzon Sho” (1273) que o caractere “Myo” é extremamente significativo. “Myo”, de fato, teria três significados:

    1) abrir,
    2) ser dotado e perfeito,
    3) trazer de volta à vida, reviver, ressurgir, capacidade de transformar o veneno em remédio.

    Em relação a estes três significados, Nichiren Shonin afirmou no “Daimoku do Sutra de Lótus”: “Se existe um armazém cheio de tesouros, mas não temos a chave, ele não pode ser aberto. Se ele não pode ser aberto, os tesouros em seu interior não podem ser vistos.” Diz ele no mesmo escrito: “Quanto ao Myo, o Sutra do Lótus diz que ‘este sutra abre as portas dos ensinamentos expedientes e revela o verdadeiro aspecto de toda a realidade’. O Grande Mestre do Dharma Chang-an comentou que ‘Myo revela as profundezas do armazém secreto.’ O Grande Mestre de Dharma Miao-lo explica que ‘revelar significa abrir’ .Logo, o caractere Myo significa abrir”. Em relação à segunda característica, ser totalmente dotado com todas as qualidades e todos os significados contidos no Sutra do Lótus, Nichiren Shonin diz em “Abertura dos Olhos”: “Myo significa Gusoku (ser perfeitamente dotado).” Ele explica ainda em “Daimoku do Sutra de Lótus” que “Myo é o princípio fundamental ou místico, contido em cada um dos 69.384 caracteres que compõem o Sutra do Lótus. O Sutra do Lótus, então, é composto de 69.384 princípios místicos”. Ele continua no mesmo escrito: “Myo significa perfeitamente dotado, o que, por sua vez, significa também perfeição. É como uma única gota de água do grande oceano que também contém a água de todos os diferentes rios que deságuam no mar.”

    Referindo-se a terceira e última descrição de “Myo”, Nichiren Shonin escreve ainda no “Daimoku do Sutra do Lótus” que “Myo significa (fazer) reviver, trazer de volta à vida.” Ele diz no mesmo escrito: “As plantas e as árvores são sem flores e secas no outono e inverno. Porém, quando o sol de verão e primavera brilha sobre elas, florescem novos ramos e folhas que mais tarde darão flores e frutos. Antes da pregação do Sutra do Lótus seres dos nove mundos eram como árvores e plantas de outono e inverno. Mas, como o sol de verão e primavera, quando o Sutra do Lótus brilha sobre eles, pode então florescer a aspiração à iluminação e desejar o fruto da budicidade”.

    Nichiren Shonin no mesmo escrito diz que: “Porque você pode curar o que se pensava ser incurável, é chamado de Myo ou místico”.

    O que o caractere “Myo” “abre”? Como vimos a partir destas citações, “Myo” é uma chave para a grande esperança: a chave que abre o armazém de tesouros contidos no Sutra de Lótus, a iluminação perfeita e original do Buda do passado infinito. “Myo” desperta a natureza de Buda escondida nos recessos de nossas vidas. Abraçando a fé e a prática de “Myoho Renge Kyo” nós podemos revitalizar a nossa vida. Em outras palavras, partindo do estado de vida que nós nos encontramos, através de fé e prática, podemos transformar qualquer condição de vida negativa em iluminação. Desta forma, podemos desenvolver sabedoria e uma vida em que já não somos escravos do sofrimento. Em conclusão, Nichiren Shonin ensina-nos que é insondável ou “místico” a virtude de “Myo” em “Myoho Renge Kyo”, que nos ajuda a atingir o impossível e curar o incurável. Estes excertos dos escritos de Nichiren Shonin ilustram bem o sentido profundo da energia da única sílaba “Myo”, juntamente com uma forte razão pela qual a prática diária é tão importante.

    *tradução de um texto do rev. Tarabini, da Nichiren Shu Itália.
    **créditos da foto: http://500px.com/photo/47798268/the-buddha-and-the-buddhist-monk-by-qing-yue