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Zen

Armadilhas da nossa prática (5)

(continuação da 4ª parte)
Foi num seminário do B. Alan Wallace, que tive a oportunidade de assistir no CEBB como “mestra convidada” (e deixo aqui os meus agradecimentos), que ouvi uma descrição de um fenômeno que já havia notado no Zen, mas sobre o qual não havia (até então) conseguido encontrar nenhum comentário ou material escrito. Confesso que fiquei muito feliz de finalmente receber uma confirmação da minha percepção, junto com uma verbalização mais explícita sobre o tema.

Neste seminário ele falou sobre o texto “Vajra Essence” (ainda não publicado em português), de seu mestre Dudjom Lingpa. No livro “Stilling the Mind: Shamatha Teachings from Dudjom Lingpa’s Vajra Essence”, ele apresenta este texto com amplos comentários e explicações. Num dos capítulos, ele transmite uma lista de 26 nyams do Budismo Tibetano, como ensinados pelo seu mestre.

Não sou especialista no Budismo Tibetano e por isso, prefiro deixar aqui somente algumas pinceladas, deixando para os interessados que desejam se aprofundar no assunto e que leem o inglês buscar mais informações no livro do Prof. Wallace.

Vamos investigar alguns destes nyams, com os meus comentários:

    A sensação de bem-aventurança e êxtase de que a quietude mental é prazerosa, mas de que o movimento é doloroso.

Como comentado nos artigos anteriores, há um grande risco de se apegar ao prazer da bem-aventurança e êxtase e ficar preso neste ponto, sem realmente continuar se aprofundando na meditação até alcançar a essência do ser.

    Uma inexplicável sensação de paranoia ao encontrar outras pessoas, visitar suas casas ou estar na cidade. Infelicidade tão insuportável que você é levado a pensar que seu coração vai explodir.

O aprofundamento na meditação naturalmente afrouxa as nossas resistências internas e medos, raivas e traumas não resolvidos podem vir à tona. Quando isto acontecer, é importante manter a tranquilidade, acolher esta energia e deixá-la fluir e se transformar naturalmente, sem apegar-se a ela e nem reprimi-la novamente. Deixe vir e deixe ir como uma nuvem no céu.

    A convicção de que há algum significado especial em todos os sons externos que você ouve e nas formas que você vê, pensando: “Isso deve ser um sinal ou presságio para mim”, compulsivamente especulando sobre o cantar dos pássaros e sobre tudo mais que você vê e sente.

As Sereias gregas estão aparecendo para lhe seduzir… cuidado!

    A sensação de que sons externos e as vozes dos seres humanos, cães, pássaros e assim por diante perfuram o seu coração como espinho.

Ficamos perceptivelmente mais sensíveis à medida que a mente se aquieta. Consequentemente, os sons podem parecer agulhas e o movimento mais leve da respiração pode parecer um terremoto.

Finalmente, ainda falando da visão do Budismo Tibetano, temos a armadilha do “materialismo espiritual”, onde o ego converte a espiritualidade para o seu uso próprio, um tópico tratado de uma forma brilhante pelo Chogyam Trungpa Rinpoche no livro “Além do Materialismo Espiritual”.

Nos próximos artigos, vou falar sobre as Armadilhas da Prática/Sinais de Progresso no Zen.

O livro de B. Alan Wallace, “Stilling the Mind: Shamatha Teachings from Dudjom Lingpa’s Vajra Essence”, pode ser adquirido em edição eletrônica ou impressa.

Isshin-sensei é missionária internacional da Sōtō Zen e orientadora da sangha Águas da Compaixão.

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Organização: Rodrigo Daien


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