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    #144 – A principal causa do sofrimento é a confusão mental

    #144 – A principal causa do sofrimento é a confusão mental

     
     
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    A principal causa de sofrimento mental é a confusão – isto é, pensar que as coisas existem exatamente como as percebemos.

    Há uma velha história budista sobre um homem indo a pé para casa certa noite. Na escuridão ele vê uma cobra no caminho e fica apavorado, seu coração bate e a mente fica em prontidão.

    Mas ao observar melhor, ele per- cebe que havia se equivocado – não era uma cobra, mas uma corda. Aliviado e rindo, ele passa por cima da corda e vê que, na verdade, era um colar de joias! É natural que tenhamos pressuposições em nossas vidas, mas sem compreensão, tomamos as pressuposições como se fossem realidade.

    E ao fazer isso, não reconhecemos o colar de joias que está bem na nossa frente, achando que é uma cobra!

    Até mesmo os conceitos de “bom” e “mau” são reflexos de nossa percepção. Dessa forma, alguém que é um bom amigo e uma boa pessoa para nós pode ser uma pessoa má e um inimigo para outra pessoa.

    Ao nos agarrarmos a nossa própria percepção do que é realidade, é bem provável que surjam outras emoções aflitivas. Compreender que tudo é um reflexo de nossa própria mente e que não podemos ficar fanáticos com relação às coisas, é o ponto essencial da mente serena.

    Neste momento, a maioria de nós é um fanático de uma forma ou de outra. Somos muito apegados a nossos conceitos de bom e mau, belo e feio, ao ato de gostar ou não gostar.

    A sabedoria e a compaixão são antídotos para a confusão.

    – S. Ema. Gyalwa Dokhampa

    Ensinamento de S. Ema. Gyalwa Dokhampa do livro A Mente Serena

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    #143 – O grande Yogi renunciante Tilopa

    #143 – O grande Yogi renunciante Tilopa

     
     
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    Tilopa (988-1069) nasceu em uma família brâmane em Bengala Oriental, na Índia. Quando ele ainda era um jovem pastor, ele conheceu o grande Bodhisattva Nagarjuna, que lhe deu ensinamentos preliminares no caminho Mahayana e o designou como o governante de um reino em Bhalenta. Depois de vários anos levando uma vida real de luxo, Tilopa decidiu renunciar ao reino e se tornar um monge. Ele fez seus votos de ordenação no templo tântrico de Somapuri em Bengala e iniciou seu treinamento monástico

    Depois disso, Tilopa teve a visão de um dakini que o guiava no caminho direto e esotérico do Iluminismo. De uma dakini, Tilopa recebeu toda a transmissão do Tantra Chakrasamvara.

    Tilopa também recebeu vários ensinamentos e transmissões de grandes mestres tântricos, como o erudito tradutor Acharya Charyawa e o siddha Lawapa. A partir desses gurus, ele dominou as instruções e práticas do Bardo (o estado intermediário entre a morte e o renascimento), Phowa (a transferência de consciência), Tummo (a prática do calor interno) e muitas outras instruções orais. Embora Tilopa tivesse vários mestres humanos iluminados, seu guru raiz era Buddha Vajradhara, que transmitiu diretamente a Tilopa muitos ensinamentos esotéricos, incluindo a prática do Mahamudra.

    Por 12 anos, Tilopa se dedicou à prática desses ensinamentos e tomou uma yogini como sua consorte secreta. A ordem monástica imediatamente o expulsou devido ao seu envolvimento com as yoginis. Tilopa levou o resto de sua vida em solidão, mas ele era um grande mestre de renome. Entre seus discípulos, Naropa foi o escolhido para continuar sua linhagem.

    Tradução livre do site Drukpa

    O que isso tem a ver comigo?

    Nesse como em outros podcasts, irei abordar histórias de grandes mestres que possuíam uma vida “comum” com família, tarefas do “mundo”.

    São grandes exemplos para nós ocidentais que não somo monges, não vivemos em mosteiros ou dedicamos nossa vida exclusivamente a prática dos ensinamentos.

    Temos vários problemas diários que requer nossa atenção, além de cuidar da casa, do trabalho e dos filhos, ainda precisamos reservar um tempo para cuidar de nós mesmos.

    Meu intuito com esses podcasts é inspirar você a praticar, pois mesmo com tantas coisas para resolverem, esses grandes praticantes conseguiam utilizar a vida cotidiana como sua pratica espiritual.

    Inspire-se, pratique e realize os ensinamentos para o seu benefício e o benefício de todos os seres.

  • Imagem de Buda sentado na floresta para o artigo: Budismo é religião ou filosofia de vida?
    Palavras de compaixão

    O Budismo é religião ou filosofia de vida?

    Essa é uma discussão recorrente. Já li e ouvi alguns mestres e mestras dizerem que é filosofia de vida, outros dizendo que é religião. É importante esclarecermos e também mostrar diferentes pontos de vista.

    Objetivo

    Meu objetivo aqui não é te convencer ou te trazer para algum lado: budismo é religião! budismo é filosofia de vida! Mas sim te mostrar um ponto de vista e deixar em suas mãos a decisão de incluir nos seus pontos de vista ou não.

    Vamos começar pela definição das palavras religião e filosofia de vida.

    Definição de Religião

    “Convicção da existência de um ser superior ou de forças sobrenaturais que controlam o destino do indivíduo, da natureza e da humanidade, a quem se deve obediência e submissão.” Referência: Dicionário Michaelis

    Quando definimos o budismo como religião levamos em consideração o significado do campo semântico dessa palavra:

    1 – Existência de um ser superior.

    No budismo não existe um ser superior, Buda não se considerou um Deus e nem os budistas o consideram Deus.

    2 – Forças sobrenaturais que controlam a vida do indivíduo.

    No budismo você é senhor de sua própria vida. Acreditamos no Karma e não em alguma coisa lá fora que controla nossa vida.

    3 – A quem se deve obediência ou submissão.

    Outro ponto que não faz sentido dentro do contexto dos ensinamentos budistas.

    Definição de Filosofia de vida

    “Filosofia de vida é a expressão que serve para descrever um conjunto de ideias ou atitudes que fazem parte da vida de um indivíduo ou grupo.” Referência

    No caso dessa expressão:

    1 – Expressão que serve para descrever um conjunto de ideias ou atitudes.

    Isso faz mais sentido dentro dos ensinamentos do Buda, mas podemos ir além.

    Na perspectiva de S.S. Gyalwang Drukpa

    O líder espiritual da linhagem Drukpa, da qual faço parte, e meu mestre indireto diz:

    “O Budismo, ou o ensino do Budismo em si mesmo, é uma filosofia espiritual. É muito voltado à espiritualidade. Assim sendo, para praticar o Budismo, ou Buddhadharma, é preciso ser muito espiritualizado. 

    Pessoalmente, preferiria utilizar o termo “ensinamentos Budistas” no lugar de “Budismo”, pois não é um “ismo” de forma alguma, e penso que não é correto chamá-lo de “ismo”, pois dá uma conotação ou definição muito forte de religião, que não é boa. Os ensinamentos Budistas, ou Buddhadharma são totalmente orientados pela espiritualidade, em vez de religiosidade. Por isso, precisamos tentar desenvolver uma profunda compreensão do que é o Buddhadharma, e então tentar praticá-lo. 

    Quando afirmo que o Budismo é uma filosofia, não significa que você não faz quase nada, que apenas senta-se e meramente pensa, e pensa, e pensa. As pessoas frequentemente têm a tendência de achar que a filosofia tem a ver com pensamentos, e não com a prática. 

    O Budismo é uma filosofia viva, que deve ser posta em prática. A prática deve ser baseada na filosofia que rejeita a teoria de um criador que controla sua vida, e a faz melhor ou pior. 

    Ao invés de acreditar em um criador todo-poderoso, você deve acreditar em si mesmo, e ampliar seu próprio entendimento, dentro de si. Esta é a autêntica abordagem Budista. ” – S.S.Gyalwang Drukpa

    Meu ponto de vista pessoal

    Na minha opinião pessoal, levando em conta as definições que abordamos de religião ou filosofia de vida, e a perspectiva de Sua Santidade Gyalwang Drukpa, considero o budismo uma filosofia de vida.

    Meu mestres Lama Jigme Lhawang diz em seu texto aqui no blog A ESSÊNCIA DE SER E ESTAR

    “Me parece que o budismo traz uma essência que não é doutrinária, que também não aspira produzir conclusões sobre as coisas para que outros tenham que aceitar e concordar.” – Lama Jigme Lhawang

    Então, da minha parte, considero o Budismo uma filosofia de vida.

    Repito, meu papel aqui não é te convencer a nada, mas te mostrar mais um ponto de vista. Você deve discernir, incluir ou excluir esse ponto de vista.

    Aspiro que tenha esclarecido minimamente e tenha te dado uma nova perspectiva.

  • Podcast Iluminação Diária

    #142 – 5 princípios budistas para humanizar os negócios

    #142 – 5 princípios budistas para humanizar os negócios

     
     
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    Normalmente, budismo é associado à meditação. Não paramos para pensar em como os princípios budistas podem se relacionar com os negócios.

    Porém, o budismo também nos mostra maneiras diferentes de pensar. Vejamos alguns princípios budistas que podem nos ajudar a administrar qualquer projeto ou negócio.

    Princípio 1: Defina o Objetivo

    O budismo enfatiza muito a necessidade de termos uma compreensão clara de nosso objetivo e da direção que queremos tomar antes de nos envolvermos com a prática budista. Nosso objetivo é nos livrarmos completamente das emoções perturbadoras e efetivar o pleno potencial de nossa mente e coração. Esse estado final é o que chamamos de “iluminação”.

    Da mesma forma, quando começamos algum projeto ou negócio, é crucial definirmos nosso objetivo. Será que é o lucro? Será que é criar um determinado valor para os clientes ou resolver algum problema que eles têm? Quanto mais precisos formos em definir o objetivo, mais fácil será descobrir o caminho que nos levará até ele, e maior será nossa probabilidade de o alcançarmos.

    Princípio budista 2: Siga o Princípio da Causa e Efeito

    Tendo nosso objetivo definido, precisamos descobrir quais são as causas que nos levarão até ele. No caso da iluminação, as causas são: parar de comportar-se destrutivamente e treinar as boas qualidades da mente, nos familiarizando com maneiras mais construtivas e realistas de perceber e lidar com o mundo.

    Para entender melhor sobre esse princípio O QUE É O CARMA

    No caso de um plano de negócios, precisamos usar de lógica para descobrir as causas que nos levarão ao nosso objetivo final. É como um processo de engenharia reversa. Traçamos, de trás para frente, a sequência lógica das ações que nos levam a um objetivo definido. Esse processo nos ajuda a definir os passos que precisamos dar para atingir nosso objetivo, e é uma boa base para as diretrizes do projeto.

    Princípio budista 3:Compaixão: Resolva o Problema do Consumidor

    A compaixão é um dos mais importantes princípios budistas. Segundo os ensinamentos do Buda:

    A compaixão é o desejo de que os outros se livrem de seu sofrimento.

    O que isso tem a ver com negócios? Negócios solucionam problemas de clientes. Se a solução gerada por uma empresa for melhor que as demais soluções existentes, ela ganha a competição. Portanto, compreender o problema de um cliente em potencial e ter uma atitude compassiva é crucial. Precisamos identificar e ter sempre em mente o problema de nosso público e, com base nesse entendimento, tentar resolvê-lo da melhor maneira possível. A compaixão é a base para a política do cliente em primeiro lugar e para uma abordagem empresarial centrada no cliente.

    Princípio budista 4: Impermanência: Adapte-se a um Mundo em Constante Mudança

    A análise budista nos proporciona outra valiosa visão da realidade: tudo muda, o tempo todo – nós, o meio ambiente e todas as pessoas à nossa volta. É muito fácil ficarmos presos a uma ideia que parece óbvia e sólida; mas, em uma realidade que está rapidamente mudando, isso pode nos deixar tacanhos, teimosos e inflexíveis.

    Tomemos o exemplo da Netflix. Eles perceberam que a internet mudou os padrões de consumo de mídia. O pensamento antigo só dava uma solução para o consumo de conteúdo em vídeo: alugar um DVD. Mas a Netflix percebeu que havia uma maneira mais fácil de fazer isso – streaming de vídeo. Ninguém na indústria de consumo de mídia tinha percebido essa impermanência do mercado e dos hábitos dos consumidores. A Netflix percebeu primeiro e mudou toda a indústria, para sempre.

    Princípio budista 5: Ética: Respeite a Si Mesmo, à sua Equipe e o Consumidor

    A ética budista está baseada no princípio da não violência. Percebemos que todos querem ser felizes e não querem sofrer. Se basearmos nossas ações nessa compreensão e tentarmos evitar prejudicar os outros, obteremos respeito e confiança.

    Se respeitarmos nossos colegas, confiança e compreensão estarão presentes na equipe. Devemos procurar evitar falar mal dos outros na sua ausência e na sua presença, e sermos transparentes. Além disso, quanto mais respeitamos nossos consumidores, mais confiança e lealdade eles têm conosco. Grandes companhias, como a Zappos, basearam seu modelo de negócios no respeito às necessidades do consumidor, na equanimidade e na transparência entre seus funcionários.

    Resumo

    Podemos usar de 5 princípios budistas para fortalecer nossos negócios. São eles:

    1. Defina o objetivo
    2. Siga o princípio da causa e efeito
    3. Desenvolva empatia e compaixão pelo consumidor
    4. Tenha em mente a impermanência e seja flexível e inovador
    5. Siga princípios éticos e respeitos os colegas e consumidores

    É assim que os princípios budistas podem se relacionar com os negócios.

    Texto no site do professor Alex Berzin

  • Palavras de compaixão

    Rotina saudável & Budismo

    O que a sua rotina tem a ver com o budismo? A resposta é: TUDO!

    Se você não tem um rotina que dê suporte saudável para sua vida, você está desperdiçando seu tempo e energia.

    Se você não tem clareza de onde quer chegar e qual caminho seguir, qualquer direção serve, mas lembre-se, a vida não dura para sempre e as decisões que tomamos diariamente influenciam diretamente nos resultados que almejamos.

    A pergunta que você deve fazer é: O QUE ESTOU FAZENDO AGORA, NO MOMENTO PRESENTE E COMO TER UMA ROTINA SAUDÁVEL PARA DAR SUPORTE A MINHA PRÁTICA E A MINHA VIDA?

    Só o fato de pensar sobre isso vai te ajudar a dar os primeiros passos na direção do cuidado com sua própria vida e com o que você faz de momento a momento.

    Minha rotina e como posso te ajudar

    Vou compartilhar o que funciona na minha rotina, então você poderá pegar alguma coisa disso e adaptar para a sua.

    Costumo pensar da seguinte forma, podemos ter e ser tudo, mas sem um mínimo de saúde, não chegamos a lugar algum.

    Podemos até sermos realizados espiritualmente, mas como humanos, se nossa saúde não for boa, não teremos um corpo útil para manifestar as realizações.

    Resumindo, se não cuidarmos da nossa vida humana preciosa, que é o suporte para a manifestação do nosso corpo, fala, mente e da nossa verdadeira natureza, não vai adiantar muito ser realizado.

    Nos últimos 10 dias eu comecei a seguir uma planilha com a minha rotina e senti ser útil compartilhar com você.

    Eu marco em verde o que concluí, amarelo o que fiz pela metade e vermelho o que não fiz.

    Visualmente eu começo a ter uma clareza nos meus pontos fracos e fortes.

    Nessa imagem eu vejo claramente o que devo melhorar e o que devo continuar e deixar fluir.

    Sem essa clareza fica difícil saber o que devo trabalhar. É importante também não querer melhorar tudo de uma vez, pois fica difícil trabalhar com muitas coisas, mas para mim, esses pontos da planilha são fundamentais para ter uma rotina saudável.

    Basicamente meu foco está sendo na saúde do corpo que é a base da minha vida, espiritualidade e comunicação.

    Você precisa definir suas prioridades e ter clareza do que quer fazer, qual caminho que seguir.

    Como você pode começar a aplicar?

    1º – Sugiro primeiro que você se familiarize com alguma ferramenta para anotar seus progressos. Eu uso algumas, mas a principal é o excel do google drive, pois fica tudo na nuvem e posso acessar de qualquer lugar com internet.

    2º – Comece escolhendo 3 hábitos que você deseja desenvolver. Não comece com muitos se não você se perde.

    3º – É normal no início a gente desistir e depois voltar a usar algum método de organização, mas a chave é a consistência. Eu levei muitos anos para me acostumar com a organização de informações abstratas, hábitos, emoções.

    4º – Adapte tudo ao seu contexto, tempo, rotina. Você deve utilizar sua inteligência e proatividade para fazer dar certo para você e não copiar ou tentar ser outra pessoa, desenvolver hábitos do contexto de outra pessoa.

    5º – Confie em você e que irá dar certo, se nem você acredita em si, como os outros irão acreditar. Mudar hábitos focando no seu bem estar e de outros é virtuoso e benéfico para o mundo.

    Vida humana preciosa

    Temos essa vida, cheia de altos e baixos, mas também cheia de oportunidades.

    O que estamos fazendo com ela? Estamos desperdiçando essa rara oportunidade de gerar benefício a nós e ao mundo ou estamos aproveitando?

    Você deve se questionar, principalmente com a entrada de um novo ano.

    Reflita profundamente como anda sua vida, pergunte-se para onde quer ir, onde quer chegar, como quer ir, com quem quer ir.

    Talvez olhar para dentro seja o que você esteja precisando nesse momento para fazer da sua vida um instrumento de benefício, bem estar, paz e realização para você e o mundo.

    Comente, gostou desse tipo de artigo? Sua participação é importante para saber se esse conteúdo está te ajudando ou não.

  • Imagem de Buda para o artigo do Sobre Budismo sobre os três tipos de preguiça
    Budismo

    Os 3 tipos de preguiça ensinados pelo Buda

    A Monja Jetsunma Tenzin Palmo do budismo tibetano, explica os três tipos de preguiça que o Buda ensinou.

    O Buda descreveu três tipos de preguiça:

    Primeiro, existe o tipo de preguiça que todos conhecemos: não queremos fazer nada e preferimos ficar na cama meia hora depois do que levantar e meditar.

    Segundo, há a preguiça de nos sentirmos indignos, a preguiça de pensar: “Eu não posso fazer isso. Outras pessoas podem meditar, outras pessoas podem estar atentas, outras pessoas podem ser gentis e generosas em situações difíceis, mas eu não posso, porque sou burra demais. ”Ou, alternativamente,“ sou sempre uma pessoa raivosa; ” “Eu nunca fui capaz de fazer nada na minha vida;” “Eu sempre falhei e sou obrigada a falhar.”

    Isso é preguiça!

    O terceiro tipo de preguiça é estar ocupado com as coisas do mundo. Podemos sempre preencher o vazio do nosso tempo mantendo-nos sempre muito ocupados. Estar ocupado pode até nos fazer sentir virtuosos. Mas geralmente é apenas uma maneira de escapar. Quando saí da caverna, algumas pessoas disseram: “Você não acha que a solidão era uma fuga?” E eu disse: “Uma fuga do quê?” Lá estava eu ​​- sem rádio, sem jornais, ou alguém com quem conversar. Para onde eu iria fugir? Quando as coisas surgiam dentro de mim, eu não conseguia nem ligar para um amigo. Eu estava cara a cara com quem eu era e com quem eu não era. Não havia escapatória.

    Artigo relacionado: Preguiça e hiperatividade

    Nossas vidas comuns são tão ocupadas, nossos dias são tão cheios, mas nunca temos espaço nem para ficar um minuto sentado. Isso é fuga. Uma das minhas tias sempre mantinha o rádio ou a televisão ligados. Ela não gostava do silêncio. O silêncio a preocupava. O ruído de fundo tocava o tempo todo. E somos todos assim. Temos medo do silêncio – silêncio externo, e do silêncio interior. Quando não há barulho, conversamos sozinhos – opiniões, idéias, julgamentos e repetições do que aconteceu ontem ou durante a infância; o que ele me disse; o que eu disse para ele. Nossas fantasias, nossos devaneios, nossas esperanças, nossas preocupações, nossos medos. Não há silêncio. Nosso mundo exterior barulhento é apenas um reflexo do barulho interno: nossa incessante necessidade de estar ocupada, de estar fazendo alguma coisa.

    Recentemente, eu estava conversando com um monge australiano muito simpático, que já esteve ocupado com tantas atividades maravilhosas no dharma que ele se tornou viciado em trabalho. Ele ficava acordado até duas ou três da manhã. Eventualmente, ele entrou em colapso total. Todo o seu sistema desmoronou e agora ele não pode fazer nada. Sua mente também está levemente prejudicada por não ter uma concentração muito boa.

    Seu problema era que sua identidade estava ligada ao fazer. Como seu trabalho era para o dharma, parecia muito virtuoso. Parecia que ele estava fazendo coisas realmente boas. Ele estava beneficiando muitas pessoas e seguindo as instruções de seu professor, mas agora que ele não pode fazer nada, quem é ele? E assim ele está passando por uma tremenda crise, porque sempre se identificou com o que fez e com a capacidade de ter sucesso. Agora ele não é capaz de fazer nada e depende dos outros. Então eu disse a ele: “Mas esta é uma oportunidade maravilhosa. Agora, você não precisa fazer nada, pode apenas ser. ”Ele disse que estava tentando chegar a isso, mas achou ameaçador não fazer nada, apenas ficar sentado e ficar com quem ele é e não o que ele fazia.

    Palavras-chave: Budismo tibetano

    Este é o ponto – vamos viver nossas atividades. Muitas delas são realmente muito boas, mas se não tomarmos cuidado, elas podem ser apenas uma fuga. Não estou dizendo que você não deve fazer coisas boas e necessárias, mas deve haver inspiração e expiração. Precisamos ter tanto o ativo quanto o contemplativo. Precisamos de tempo para ficarmos sozinhos e nos tornarmos genuinamente centrados, quando a mente puder ficar quieta.

    Este trecho é uma adaptação do livro de Jetsunma Tenzin Palmo No coração da Vida.

  • Podcast Iluminação Diária

    #141 – Aprendendo A Lidar Com O Ciúme

    #141 – Aprendendo A Lidar Com O Ciúme

     
     
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    Texto do professor Alex Berzin

    O ciúme nos deixa paranóicos, achando que nossos amigos ou parceiros irão nos abandonar. Com isso, desestabilizamos nossos relacionamentos e perdemos totalmente a paz de espírito. Quanto mais ciumentos e possessivos formos, mas afastaremos as pessoas. Perceber que todos temos capacidade de amar uma enorme quantidade de pessoas e coisas nos ajuda a superar o ciúme. Amar os amigos, a profissão, esportes e assim por diante não diminui nosso amor pelo nosso parceiro e nem o dele por nós, na verdade, esses outros interesses enriquecem o relacionamento.

    Ciúme nos Relacionamentos

    Quando temos ciúmes, não toleramos qualquer tipo de rivalidade ou possibilidade de infidelidade. Não suportamos que nosso parceiro saia com seus amigos ou vá a algum evento sem nós. O ciúme contém elementos de ressentimento e hostilidade, além de fortes elementos de insegurança e desconfiança. Até os cães sentem ciúme quando um bebê recém-nascido chega em casa.

    Se formos inseguros, sempre que o nosso amigo ou parceiro estiver com outra pessoa, ficaremos com ciúme. Isso acontece porque somos inseguros em relação ao nosso próprio valor e ao amor que a outra pessoa tem por nós e, assim, não confiamos nela. Temos medo de sermos abandonado, e podemos sentir esse medo mesmo quando nosso parceiro ou amigo não sai com outros amigos. A possessividade extrema nos deixa paranóicos, achando que o outro pode nos deixar a qualquer momento.

    Superando o Ciúme

    Para lidar com o ciúme, precisamos refletir sobre a capacidade do coração de amar a todos – esse é um aspecto da natureza búdica. Quando reafirmamos esse fato, isso nos ajuda a superar o ciúme, porque vemos que amar uma pessoa não exclui amar as outras. Podemos pensar no nosso próprio caso, em como conseguimos abrir nosso coração a várias pessoas e coisas. [Ouça o podcast 109:O que é o amor na visão budista?]

    Com o coração aberto, podemos amar o amigo, o filho, o animal de estimação, o país, os pais, o nosso povo, a natureza, Deus, os nossos passatempos, o nosso trabalho, etc. Existe espaço para tudo isso em nosso coração, porque o amor não é excludente. Somos perfeitamente capazes de lidar e de nos relacionar com todos esses objetos do nosso amor e de exprimir os nossos sentimentos adequadamente a cada objeto, afinal, é claro que não exprimimos amor e afeição aos nossos cães do mesmo modo que exprimimos à nossa esposa ou marido, ou aos nossos pais.

    Se podemos ter um coração aberto, nosso parceiro ou amigo também pode. Todo mundo tem a mesma capacidade de estender seu amor a muitas pessoas e coisas, até mesmo a todo o mundo. É injusto e irreal esperar ou demandar que nosso parceiro ame apenas a nós e nunca tenha outra amizade afetuosa ou outros interesses além de nós. Será que achamos que seu coração é tão pequeno que não tem lugar para nós e outras pessoas? Será que realmente queremos privá-lo de atingir a capacidade de amar de sua natureza búdica e, consequentemente, uma das maiores alegrias da vida?

    Aqui não estamos falando de infidelidade sexual. A questão da monogamia e da infidelidade sexual são extremamente complexas e têm varias outras questões envolvidas. Em todo caso, se o nosso parceiro sexual, especialmente se for nossa esposa ou marido, for infiel e passar muito tempo com outros — especialmente se tivermos crianças pequenas — ciúme, ressentimento e possessividade não são respostas emocionais úteis. Precisamos lidar com a situação com sobriedade, porque gritar com nosso parceiro ou tentar fazê-lo sentir-se culpado quase nunca conquista seu amor.

    Abrindo o Coração ao Amor

    Quando achamos que só podemos ter uma amizade íntima com uma única pessoa, achamos que o amor dessa pessoa — nosso parceiro ou amigo — é o único que importa. Mesmo que haja muitas outras pessoas que nos amem, tendemos a ignorar ou achar que “isso não conta”. Abrir o nosso coração constantemente aos outros, e admitir e reconhecer o amor que eles – amigos, familiares, animais de estimação, etc. – têm por nós, ou já tiveram ou terão no futuro, ajuda-nos a sentir mais seguros emocionalmente. Isso, por sua vez, ajuda-nos a ultrapassar qualquer fixação que possamos ter em alguém como sendo um objeto especial de amor.

    Ser omnisciente e “todo-amoroso”, implica ter todos os seres em nossa mente e coração. Contudo, quando um buda está com uma pessoa, ou focado em uma pessoa, ele ou ela está 100% concentrado nessa pessoa. Por isso, amar todos os seres não significa diluir o amor. Não precisamos ter medo de que, se abrirmos os nossos corações a muitos seres, os nossos relacionamentos pessoais serão menos intensos ou menos satisfatórios. Talvez nos tornemos menos agarrados e menos dependentes de um único relacionamento para satisfazer todas as nossas necessidade, e talvez passemos menos tempo com cada indivíduo, mas cada relacionamento continuará completo. O mesmo se aplica a quando temos ciúme por acharmos que o amor do outro por nós se diluirá por conta dele ter outras amizades.

    Não é realista pensar que existe alguém especial que vai nos completar perfeitamente, como se fosse a nossa “outra metade,” e com quem poderemos partilhar todos os aspectos da nossa vida. Esse conceito ébaseado em um mito grego antigo contado por Platão, em que originalmente todos éramos inteiros, mas que depois fomos partidos em duas metades. Alguém, “lá fora” é a nossa outra metade, e o amor verdadeiro acontece quando a encontramos e nos reunimos com ela.

    Embora esse mito tenha sido a base do romantismo ocidental, ele não se refere à realidade. Acreditar nele é como acreditar que um dia um príncipe encantado virá nos salvar num cavalo branco. Precisamos ter amizade com muitas pessoas para compartilharmos todos os nossos interesses e necessidades. E se isso é verdadeiro para nós, também é verdadeiro para nosso parceiro e amigos. É impossível satisfazermos todas as suas necessidades, por isso eles também precisam de outras amizades.

    Resumo

    Quando uma pessoa entra em nossa vida, é bom vê-la como um pássaro selvagem que pousou em nossa janela. Se tivermos ciúme dele e não quisermos que pouse na janela de outras pessoas, iremos trancá-lo em uma gaiola e ele ficará infeliz, perderá o brilho dos olhos e provavelmente morrerá. Porém, se não formos possessivos e deixarmos o pássaro voar livremente, poderemos aproveitar o tempo que ele estiver conosco. Quando ele voar, o que é um direito dele, será mais provável que retorne se sentir-se seguro conosco. Se aceitarmos e respeitarmos o fato de todos terem o direito a ter vários amigos íntimos, nossos relacionamentos serão mais saudáveis e duradouros.

  • Palavras de compaixão

    A inveja nos impede de desfrutar o que temos

    A inveja é um grande problema, no entanto nos mostra que faz parte do ser humano. Precisamos olhar profundamente para ela e deixar de fingir que não temos inveja ou qualquer outra emoção aflitiva, pois quando negamos que temos essa emoção ela só aumenta dentro de nós, fazendo com que fique difícil de lidar.

    “A inveja é o pensamento que nos impede de desfrutar o que temos. No processo de nos preocuparmos e tentarmos alcançar o que os outros têm, não conseguimos nos deleitar com o que já possuímos.”

    – S. Ema. Gyalwa Dokhampa

    O problema da inveja

    Tudo surge da comparação, ou seja, quando nos comparamos com os outros deixamos de olhar para o que já temos, para todas as coisas maravilhosas que já desfrutamos como: amigos, família, objetos que nos dão conforto, nosso lar, ter uma dispensa cheia de alimentos.

    Se analisarmos com cuidado, já temos muito. Isso não quer dizer que não podemos conquistar mais, mas temos primeiro que agradecer o que já temos, apreciar isso.

    Na minha experiência

    Lembro das minhas próprias experiências e de quando me comparei com outros. Isso me fez sentir inferior e em outros momentos superior.

    Ao invés de virar o foco para o outro, por exemplo, devemos olhar para nossa própria vida.

    Se o outro conquistou posições, ou seja, coisas materiais, influência, isso tudo é devido ao mérito dele.

    “Sentimentos de inveja perturbam e inquietam a mente e são um bom sinal de que precisamos prestar mais atenção em nós mesmos do que nos outros. Qual é a fonte da insegurança que está nos fazendo invejar o outro, em vez de celebrarmos com ele e apoiá-lo?”

    – S. Ema. Gyalwa Dokhampa

    Como eu faço isso?

    Algo que percebo ser benéfico, é ficar feliz com as conquistas dos outros. Quando sinto inveja, mesmo que de alguém próximo, isso se torna uma ótima oportunidade para olhar para dentro de mim com profundidade.

    Primeiro eu aceito o fato de ter inveja, pois sou humano, essa emoção faz parte da nossa vida e o ponto chave é aceitarmos, então o simples fato de olhar para ela já faz com que perca força e nos domine.

    Mas não adianta apenas olhar para ela e entender que faz parte, precisamos aprender a lidar com ela e mudar o padrão de inveja para o de ficar feliz com as conquistas do outros.

    “É importante ter atitudes positivas com a motivação de beneficiar os outros e não sermos movidos pela inveja.”

    – S. Ema. Gyalwa Dokhampa

    4 formas práticas para lidar com a inveja. Os primeiros passos.

    1. Foque em uma hábito por vez ao invés de tentar melhorar tudo.
    2. Comece a tomar consciência da sua inveja, entenda que faz parte de ser humano, contemple e tire alguns minutos por dia para refletir sobre isso.
    3. Torne-se cada vez mais observador em relação a esse hábito negativo, pois ajuda a lidar com a inveja.
    4. Tenha continuidade nesses passos e faça esse exercício de reflexão e tomada de consciência até você conseguir trocar essa inveja pelo fato de estar feliz com as conquistas dos outros, pois isso lhe tornará uma pessoa mais disciplinada.

    Benefícios

    • Lidando com a inveja você terá uma mente serena e tranquila.
    • Será mais feliz, pois irá aprender a se alegrar com a felicidade dos outros. Algo tão raro nos dias de hoje.
    • Vai apreciar e dar valor para o que já tem, tornando-se um ser humano grato pela vida. Ser grato traz felicidade.

    Resumo

    Regozijar-nos na felicidade e nas boas qualidades dos outros é um antídoto para a inveja, em outras palavras, e permite que nossa mente relaxe e aprecie o que tem.

    Sua participação

    Comente em uma palavra, o que te deixa com mais inveja?

  • Podcast Iluminação Diária

    #140 – 8 Maneiras Budistas de Lidar com a Raiva

    #140 – 8 Maneiras Budistas de Lidar com a Raiva

     
     
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    Texto do professor Alex Berzin

    1. A Vida é Assim Mesmo: Samsara

    O primeiro ensinamento do Buda, há 2.500 anos, vai direto ao ponto: a vida é insatisfatória. E adivinha?! Ela nunca será satisfatória. (Aqui eu acrescento, não da forma duradoura como queremos, felizes para sempre. Temos satisfações temporárias, mas nunca infinitas. Elas acabam logo, as vezes em momentos, as vezes em dias. Isso é fato.)

    Se nascemos, morreremos. Entre esses dois eventos, haverá épocas boas, épocas ruins e épocas em que provavelmente serão mais neutras. Esse ciclo interminável, [de altos e baixos], é o que o budismo chama de “samsara”.Quando viemos ao mundo, ninguém nos disse que a vida seria fácil, um eterno divertimento, e que as coisas seriam sempre do jeito que gostaríamos que fossem. Quando compreendemos nossa própria situação no samsara, fica mais fácil compreendermos a situação dos outros também.

    Estamos todos juntos nisso. Ficar irritado com as situações, com os outros, ou conosco não ajuda em nada. Outras pessoas fazem e dizem coisas que não gostamos porque suas vidas também são complicadas.

    Este tipo de pensamento pode transformar radicalmente nossa perspectiva. Mesmo que cada um de nós pareça ser o centro de seu próprio universo, isso não significa que tudo tem que acontecer exatamente da maneira que queremos.

    2. Seja um Herói: Paciência

    Emoções perturbadoras são mais bem superadas quando usamos aquilo que é diametralmente oposto a elas, afinal, combater fogo com fogo não dá certo. Por quê usar a emoção oposta? Porque é impossível para nossa mente manter duas emoções opostas ao mesmo tempo. Não dá pra gritar com alguém e ser paciente ao mesmo tempo, simplesmente não funciona. A paciência é muitas vezes vista como um sinal de fraqueza, de deixar que os outros se aproveitem de você sem que sofram as consequências. Mas, na realidade, isso não poderia estar mais errado. Quando estamos frustrados, é muito fácil simplesmente gritar. E como é difícil permanecermos calmos e controlar nossas emoções! Seguir nossos sentimentos para onde quer que nos conduzam não nos faz heróis, pelo contrário, nos enfraquece. Então, da próxima vez que estiver a ponto de perder a cabeça e gritar, puxe a sua espada da paciência e corte a cabeça de sua própria raiva.

    Como? Podemos tentar respirar profundamente se notarmos que estamos ficando tensos e frustrados, isso é um antídoto direto às respirações curtas e fortes da raiva. Podemos contar lentamente até 100 para evitarmos dizer coisas que definitivamente lamentaremos mais tarde. Ou, se estivermos em um confronto direto, talvez queiramos sair da situação antes que ela piore. Cada situação é diferente, portanto, você precisará analisar e ver o que funciona melhor para o seu caso.

    3. Seja Realista: Analise a Situação

    Quando estamos com raiva, nossa ira parece surgir como um protetor, como nosso melhor amigo, que está cuidando dos nossos interesses, ajudando-nos na batalha. Essa ilusão nos permite pensar que irritar-se é justificável. Mas, se olharmos bem, veremos que a raiva não é nossa amiga, ela é nossa inimiga.

    A raiva causa stress, angústia, perda de sono e de apetite. Se ficarmos continuamente com raiva, criaremos uma impressão negativa nos outros. Vamos encarar os fatos: quem gosta de estar ao lado de uma pessoa com raiva?

    Quando alguém nos acusa e sentimos aquele nó começando a apertar nosso estômago, temos que parar e pensar racionalmente. Só existem duas possibilidades: ou a acusação é verdadeira, ou é falsa. Se for verdadeira, por que ficar com raiva? Se quisermos ser adultos maduros, temos que admitir, aprender com isso e seguir com nossas vidas. Se for falsa, por que ficar com raiva? A pessoa errou. Será que nunca erramos?

    4. Olhe para a Sua Mente: Meditação

    As práticas de meditação e de mindfulness podem ser extremamente benéficas no combate à raiva. Muitas pessoas acham que meditação é perda de tempo: Por que perder 20 minutos numa almofada quando você pode fazer algo melhor com o seu dia? Outros acham que meditação é uma agradável fuga da vida real, onde podemos passar um tempo longe das crianças/e-mails/marido/ esposa.

    Mas a meditação é muito mais que isso – meditação é uma preparação para a vida real. Não iria adiantar nada se meditássemos sobre compaixão todos os dias pela manhã e assim que chegássemos ao trabalho começássemos a gritar com nossos funcionários e reclamar dos colegas.

    A meditação é uma ferramenta que familiariza nossa mente com pensamentos positivos – paciência, amor, compaixão – e é algo que podemos fazer a qualquer hora e em qualquer lugar. Se passamos meia hora todas as manhãs escutando música a caminho do trabalho, o mínimo que poderíamos fazer seria passar dez minutos desse tempo gerando pensamentos de bondade amorosa pelos outros – que é bom para reduzir a raiva e para nos tornarmos pessoas mais agradáveis.

    5. Sujeite-se: Aprenda com seu Inimigo

    Em geral, o budismo nos ensina a fazer exatamente o contrário do que faríamos normalmente. Quando ficamos com raiva de alguém, nosso impulso é de nos vingar. O resultado? Terminamos tão mal ou pior do que antes. Pode parecer contraintuitivo, mas, na realidade, fazer o contrário do que costumamos fazer dá o resultado oposto: o caminho da felicidade.

    Parece loucura, mas pense que a pessoa de quem tem raiva é como se fosse um professor para você. Se quisermos ser pessoas melhores, ou seja, mais pacientes, amáveis, simpáticas e felizes, precisamos praticar. Sabemos que leva tempo e esforço para se tornar um jogador de futebol ou um violinista de fama mundial; então por que seria diferente com nossos exercícios mentais? Se estivermos sempre cercados de pessoas que fazem e concordam com tudo que queremos, nunca teremos nenhum desafio.

    Assim, a pessoa que nos dá raiva é extremamente preciosa, pois nos dá a oportunidade de realmente praticar paciência. Isso diminui imediatamente o surgimento de sentimentos de raiva, porque muda nossa perspectiva, passando do que nos fizeram ao que estão fazendo por nós.

    6. Lembre-se da Morte: Impermanência

    Você vai morrer. Eu vou morrer. Todos morreremos. Então, quando aquela pessoa que não suportamos fizer algo que nos deixe com raiva, devemos parar e pensar: “Quando estiver em meu leito de morte, será que vou me importar com isso?” A resposta, a menos que você saiba que a pessoa está realmente determinada a invadir e destruir o mundo, será provavelmente um sonoro “não”. Essa pequena dica é muito simples, contudo, ajuda a aliviar muitos dos pequenos aborrecimentos da vida.

    Todos sabemos que vamos morrer, mas obviamente não é algo que realmente saibamos. Achamos que a morte é um conceito distante e abstrato que só acontece com os outros – o velho, o doente, os envolvidos em acidentes terríveis. Mas a realidade não é assim. Jovens podem morrer antes dos mais velhos, pessoas saudáveis podem morrer antes das doentes, isso acontece todos os dias.

    Quando focamos em nossa morte (amanhã? Em um ano? Em 50 anos?), muitas das coisas que nos tiram, literalmente, do sério, perdem totalmente a importância. Não é que elas não nos irritem mais, mas reconhecemos que não faz sentido algum desperdiçarmos nosso precioso tempo, respiração e energia com elas.

    7. Aqui se faz: Karma

    As pessoas costumam dizer: “aqui se faz, aqui se paga”, ou: “É seu karma, ele merece o que está acontecendo,” querendo dizer que as pessoas colhem o que plantam. Esta não é bem a compreensão budista de karma, que é muito mais complexa e sutil. Mesmo assim, enquanto as pessoas parecem bastante convencidas de que o sofrimento dos outros vem do seu próprio karma, a maioria reluta em ver que quando está em uma situação difícil essa situação também surgiu de seu próprio karma.

    Tudo que experimentamos, dos momentos incrivelmente felizes aos de profundo desespero, surge de causas. Essas causas não vê1m de lugar nenhum e simplesmente caem no nosso colo, essas causas são criadas por nós mesmos. Assim, quando estivermos experimentando alguma situação ruim, ao invés de deixar a raiva tomar conta, podemos parar e pensar: De onde vem isso, será que quero que continue assim?

     om nosso comportamento compulsivo, com a forma como reagimos às coisas da mesma velha maneira de sempre. Se compreendermos como o karma funciona, veremos que temos a capacidade de mudar nossas experiências futuras através daquilo que fazemos agora – e, aqui, isso significa praticar paciência quando a raiva beliscar.

    8. Não é Real: Vacuidade

    Enquanto a paciência é o antídoto direto da raiva, a vacuidade é o antídoto mais forte, e não apenas para a raiva, mas para todos os nossos problemas e dificuldades. Não importa o quão pacientes sejamos, se não tivermos compreendido a vacuidade, os problemas continuarão a chover, como as chuvas das monções na Índia.

    Se tirarmos um momento para analisar nossa mente quando estivermos com raiva, perceberemos um forte sentimento de “mim” ou “eu”: “Eu estou muito bravo com o que você disse para mimEu não posso acreditar no que ele fez ao meu amigo! Eu definitivamente estou certo sobre isto e ela está definitivamente errada!” Eu, eu, eu.

    Quando estamos com raiva, temos a oportunidade perfeita para analisar esse “eu” que parece assim tão concreto. Ele não existe! Não estou dizendo que não existimos, ou que nada importa; mas que quando tentamos encontrar esse “eu” — será que ele está em minha mente? no corpo? em ambos? — não há como dizer que sim, “sim, aí está ele!”

    As pessoas têm dificuldade em compreender isso, mas o fato é que quando começamos a analisar a realidade, nossa perspectiva muda radicalmente. Vemos que nunca houve nada que pudéssemos realmente apontar como sendo o objeto da nossa raiva.

    Resumo

    Não importa quanto vezes tenhamos que repetir: “Eu não ficarei irritado”; sem nos esforçarmos, nunca conseguiremos a paz de espírito que tanto desejamos.

    Esses itens não são para serem vistos apenas como uma bela lista — são ferramentas que podemos usar para nos livrar da frustração, da raiva e da tristeza. Com a prática, qualquer um de nós é capaz!

  • Palavras de compaixão

    Símbolos do budismo: Os cabelos de Buda

    Existem muitos fatos interessantes e significados ocultos por trás das estátuas e cabeças de Buda.

    Isso ocorre porque a iconografia de Buda não é tipicamente destinada a representar o Buda em sua forma física, mas para representar o conhecimento e a consciência do Buda que ele adquiriu após atingir a iluminação.

    Existem muitas teorias e discussões sobre os cabelos do Buda. Mas historicamente falando, antes que o Buda Shakyamuni deixasse as riquezas e o palácio como príncipe herdeiro, ele tinha um cabelo comprido e encaracolado. “Como o cabelo é frequentemente usado como uma metáfora para a ilusão ou ignorância do ser humano, para as chamadas ervas daninhas da ignorância”, assim, cortar os cabelos implica eliminar simbolicamente a ignorância.

    O corpo e a mente devem ser mantidos limpos para alcançar o objetivo final da verdadeira compreensão.
    Assim, cortar e barbear os cabelos representam uma espécie de determinação para manter o corpo e a mente limpos e, em seguida, atingir a iluminação e salvar todos os seres.

    Claro, não sabemos realmente como era o Buda histórico, pois as primeiras estátuas de Buda e cabeças de Buda foram criadas apenas cerca de 200 anos após sua morte.