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Podcast Iluminação Diária

#156 – Refúgio: Conclusão – Parte 7 Final

#156 – Refúgio: Conclusão – Parte 7 Final

 
 
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Abaixo está a parte restante dos ensinamentos sobre refúgio:

Verdadeiras Paradas

Quanto mais investigamos, mais vemos que nossa confusão não corresponde à realidade. É falsa. Por outro lado, a compreensão correta pode ser verificada. É verdadeira. Por causa disso, compreender é mais forte e pode compensar a confusão. Se, com concentração e disciplina, pudéssemos ter a compreensão correta da realidade todo o tempo, a confusão nunca teria a oportunidade de surgir outra vez. Ela terminaria.

Este é o ponto central do refúgio. Que tipo de direção estamos dando à nossa vida? Que tipo de significado? Que tipo de objetivo teremos? Este objetivo é conseguir “uma verdadeira parada” de toda esta confusão, livrar-se dela completamente de modo que nunca surja outra vez. Esta confusão é a causa real de nossos problemas, quer falemos sobre ela nesta vida ou em vidas futuras. É possível livrar-se dela completamente, para sempre, porque não é uma característica inata de nossa atividade mental. É possível livrar-se dela substituindo-a pela compreensão correta. Desprovidos de confusão, nós já não temos emoções perturbadoras e já não criamos problemas e sofrimento para nós mesmos.

Há dois aspectos envolvidos. Primeiro, é que podemos nos livrar de todo este lado perturbador para sempre e outro aspecto é que podemos aumentar e desenvolver o lado positivo. O lado positivo é a compreensão correta. Podemos colocar isto no contexto daquilo que geralmente é traduzido como as “Quatro Nobres Verdades,” ou o tema ou estrutura principal do que Buda ensinou. A primeira verdade é que temos sofrimento verdadeiro, referente aos diversos problemas que nós temos. Em seguida, há causas verdadeiras e esta é nossa confusão. A terceira é que é possível conseguir uma verdadeira parada de tudo isto de modo que nunca surja outra vez. Por último, conseguimos esta verdadeira parada através do que é chamado de “verdadeiro caminho.” Mas, com o uso desta palavra “caminho,” precisamos compreendê-lo como “uma maneira de compreensão que age como um caminho.” É a compreensão que causará esta verdadeira parada, e a compreensão que resultará em se livrar de todos os componentes perturbadores.

Claramente, este é o sentido que queremos dar à nossa vida – a direção para obter verdadeiras paradas e verdadeiros caminhos mentais. Este é o refúgio do Dharma. Quando dizemos que estamos trabalhando em nós mesmos, quando usamos aquela terminologia, estamos nos referindo a isto.

Estamos tentando cada vez mais nos livrar deste lado perturbador e cada vez mais compreender nossos potenciais para este lado positivo. Fazemos isto porque tememos, de uma maneira saudável, que se continuarmos da maneira que estamos agora, e mesmo se ganharmos uma quantidade enorme de dinheiro, tivermos muitos amigos e formos muito famosos, ainda assim teremos problemas. Isto é porque ainda seremos gananciosos e inseguros. Ainda ficaremos irritados e assim por diante. Nós temos medo disso, mas vemos que há uma maneira de evitar isso. É o mesmo que ter medo de sermos queimados pelo fogo, mas vemos se formos cuidadosos, podemos evitar nos machucar. Há um medo, mas é um medo saudável. Não estamos falando sobre paranoia.

Podemos ver, se continuarmos a ficar irritados e gritando, especialmente com nossos parentes e amigos, o que acontecerá quando ficarmos velhos? Seremos uma mulher velha solitária ou um homem velho solitário que ninguém quer visitar, ninguém quer tomar conta, porque somos assim tão chatos com os demais. Tudo que fazemos é queixar-nos e gritar com as pessoas, então quem irá querer ficar com a gente? Ninguém. A solução não é somente ter muitos filhos que se sentirão obrigados a tomar conta de nós ou ter bastante dinheiro no banco de modo que possamos estar em uma casa de repouso confortável, porque ainda estaremos nos sentindo miseráveis. O que precisamos realmente fazer é trabalhar em nossas personalidades – para colocar isso de um modo bem direto.

Todos São Capazes de Mudar

Com que frequência pensamos que nossas personalidades são fixas e de que esta é a forma que somos. “Eu tenho mau humor e você deve aprender a viver com ele.” Isso não funciona, não é? É possível livrar-se de todo este lado perturbador e ver todas nossas qualidades positivas. A partir de uma noção saudável de medo do que aconteceria se não trabalharmos em nós mesmos e mais a confiança de que é possível começar a se livrar destes aspectos perturbadores e aumentar e fortalecer o lado positivo, podemos dar esta direção segura para nossa vida.

Se quiséssemos fazer isto da forma do assim-chamado veículo vasto do “Mahayana”, adicionaríamos compaixão. Basicamente, a visão Mahayana é: como podemos ajudar os outros se estivermos nos irritando com eles? Queremos realmente poder ajudar aos outros, assim tememos realmente atrapalhar mais se ficarmos irritados com eles, ou apegados, ou com ciúmes, e todas essas coisas. Precisamos livrar-nos de todas essas emoções perturbadoras e dessa confusão para que possamos ser de mais ajuda aos outros. É este sentimento de que gostaríamos realmente de ajudar os outros, mas tememos não ser realmente capazes de fazer muito. Não temos paciência suficiente ou não temos compreensão suficiente. Estamos com medo de causar mais dano do que benefício. Talvez estejamos até com medo de falharmos na criação de nossos próprios filhos. Isso seria bem ruim, não? Este medo é o que nos leva a dar uma direção segura para nossas vidas, trabalhando em nós mesmos.

Verdadeiramente, este trabalho no Dharma é muito relevante para nossa vida diária. Em termos de refúgio, significa ser bem honesto sobre nossa situação e problemas. Nós todos os temos. Nós todos temos estas emoções perturbadoras. Não há nada especial nisso. Talvez alguns sejam mais fortes do que outros com todos os tipos de variações, mas todos temos estas dificuldades emocionais. Não estamos falando aqui sobre alguém que é profundamente perturbado psicologicamente. Estamos falando sobre o que a maioria das pessoas consideraria normal. Mas o perigo é que consideramos normal às vezes ficarmos irritados, às vezes gananciosos e egoístas e ciumentos e assim por diante. Pensamos que isto é normal e está bem. Porém não está bem, porque produz problemas, tanto para nós como para os outros que talvez estejam tentando ajudar. Nosso objetivo não é somente aprender como viver com nossa raiva ou mantê-la sob controle enquanto ainda agita-se por dentro. Nosso objetivo não é apenas enfraquecê-la, mas livrar-se de todas estas coisas perturbadoras completamente. Não queremos apenas desenvolver um pouco de compreensão por algum tempo, mas desenvolver uma compreensão completa da realidade, para saber como existimos, como todos existem, como o mundo existe; e ter isso todo o tempo. É inteiramente possível, porque a natureza da atividade mental é basicamente pura e tem todos os potenciais de qualidades boas.

As Boas Qualidades do Nível Aparente de um Buda

Quando falamos sobre os objetos que indicam uma direção segura ou refúgio, falamos sobre o Buda, o Dharma e a Sangha. Há diversos níveis de compreensão destes três: cada um tem um nível aparente, um nível mais profundo e algo que os representa. Vamos olhar primeiramente para as boas qualidades do nível aparente de cada um.

O corpo de um Buda tem qualidades físicas extraordinárias e características muito especiais. Por exemplo, os Budas podem ir a qualquer lugar imediatamente, multiplicar seus corpos de infinitas formas, estar em todas partes ao mesmo tempo e assim por diante. É tudo um tanto fantástico e não assim tão fácil de acreditar. Além disso, quando um Buda fala, todos compreendem-no em sua própria língua e não importa a distância que estiverem, podem ouvir o Buda claramente. Mais do que isso, um Buda é ser todo-amoroso, onisciente que ama todos igualmente e compreende e sabe tudo simultaneamente.

Novamente, tudo isso soa um tanto fantástico e difícil de acreditar. Assim, se tivéssemos que fixar nossa compreensão dos Budas somente neste nível, haveria um grande perigo de desenvolver a ideia errada. Soa como se estivesse indo na direção de algum ser fantástico e transcendente, quase um Deus, não? Mas, o ponto de ser onisciente, por exemplo, não é que o Buda sabe o número de telefone de todos no planeta, mas que o Buda sabe o que são as causas passadas para a situação de cada ser, e todos os fatores que as influenciam. Quando um Buda ensina a uma pessoa isto ou aquilo, é conhecendo todas as consequências, não somente o efeito nesta pessoa, mas o efeito em todos demais com os quais esta pessoa interagirá. Em consequência, um Buda sabe exatamente o melhor método para ensinar a todos. Isto é muito bom, não é? Seria muito bom sermos capazes de fazer isto.

Temos certa confiança que um Buda compreenda e possa saber o que é mais adequado para nos ajudar. Buda fala minha língua e pode vir a mim imediatamente sempre que eu tenha a necessidade. Se estivermos indo no sentido de pensar em Buda como um Deus, agora está tornando-se um pouco pessoal. “Pode ajudar-me pessoalmente. Ele vai me entender. Ninguém me entende, mas Buda entenderá.” Mas sabemos que um Buda tem amor igual por todos. “Ótimo. Embora eu preferisse que tivesse mais amor por mim do que pelo outros. Mas, ainda assim, ok.” Um Buda tem amor igual por todos e o bom disso é que parece que não importa o que façamos. Nós não temos que rezar ou fazer oferendas para o Buda. Buda vai ajudar-lhe de qualquer maneira. Assim é barato. Nós não temos que pagar nada. Que barganha! Além disso, porque Buda tem tanta paciência, nunca ficará ciumento se formos a algum outro professor em alguma outra tradição e nunca ficará irado e golpeará com um relâmpago ou qualquer coisa semelhante. É consideravelmente seguro.

Isto é um erro comum, consciente ou inconsciente. Nós vemos o Buda como uma figura substituindo Deus, que é um bom negócio e mais seguro. Nos ensinamentos, é dito que um Buda não vai abandoná-lo e tudo o mais. Parece ótimo. Mas então lemos que um Buda não pode realmente remover nosso sofrimento como se estivesse retirando um espinho de nosso pé. Budas não são onipotentes. Mas, não levamos isso realmente a sério. Este é o nível aparente de um Buda, a maneira comum de pensar. Mas apenas deixá-lo nesse nível, sem uma compreensão mais profunda, leva consigo o perigo de considerar Buda como um Deus pessoal substituto que irá nos salvar.

Budas são representados pelas estátuas e pelas pinturas. Certo, eles são bonitos, mas vamos confundi-los com um ícone cristão ortodoxo? Que é ele? Estamos praticando a adoração de um ídolo, como os muçulmanos poderiam nos acusar? Que realmente está acontecendo aqui? Nós temos que realmente curvar-nos perante uma estátua? Eu penso que há problemas envolvidos se deixarmos nossa compreensão de um Buda apenas neste nível. Há uma oportunidade para mal entendidos aqui. Ainda que para algumas pessoas, obviamente, possa ser muito útil pensar em um Buda dessa forma, não é a compreensão mais profunda. Neste nível, é como se houvesse uma figura tipo-deus, representada por estátuas e pinturas que nós adoramos.

As Boas Qualidades do Nível Aparente do Dharma

O nível aparente do Dharma são todos os ensinamentos. Isto é o que o Buda notou em si mesmo e o que ensinou. A maneira comum de compreender isto seria que temos nosso Deus pessoal, Buda; e que também temos nossas escrituras. Em vez de uma Bíblia ou Corão, agora eu tenho os textos de Buda. É como minha Bíblia Budista e nela, cada palavra nos parece sagrada. Sim, precisamos ter o respeito por ele, mas Buda mesmo disse: “Não acredite em nada do que eu disse, apenas porque eu disse, por respeito; mas teste você mesmo como ao comprar ouro.” Buda sempre incentivou seus seguidores a serem críticos com o que ele ensinou. Mas quando somos preguiçosos, então não queremos analisar e verificar tudo. Em termos de vida cotidiana, a relevância é, neste nível, que o Buda nos ama, o Buda nos entende e aqui estão todas as réguas no livro sagrado e apenas seguimos isso. Certamente, isso poderia ter um lugar na vida cotidiana, mas realmente não é o budismo. Naturalmente poderia funcionar para algumas pessoas, mas a intenção não é tornar o budismo uma variação do cristianismo.

As Boas Qualidades do Nível Aparente da Sangha

Então, e a Sangha? Infelizmente, no Ocidente, pegamos o hábito de nos referirmos a todos os membros do Centro de Dharma que frequentamos como nossa “Sangha.” Este não era certamente a intenção desta palavra em Sânscrito ou em Tibetano. Mas, para muitas pessoas, “Sangha” somente significa os membros da nossa congregação, nossa igreja budista. Quando alguns destes membros são pessoas verdadeiramente perturbadas, realmente tomamos refúgio neles? Não estou querendo minimizar a importância de ter uma comunidade espiritual de pessoas como a gente, com o mesmo objetivo, que podem nos dar algum tipo de apoio, algum retorno e assim por diante. Isto é muito, muito importante, mas não é um objeto de refúgio.

Em um outro nível de Sangha, podemos compreendê-la como a comunidade monástica, os monges e monjas budistas. Mas, nem sempre encontramos exemplos perfeitos de monges e monjas, não é? Há algumas pessoas muito perturbadas que usam vestes monásticas. Ainda, é muito importante respeitar e apoiá-los se estiverem tentando sinceramente trabalhar neles mesmos ao seguirem a vida monástica. Mas, alguns monges e monjas aderem às vestes para escapar de dificuldades na vida e, como um amigo meu diz, para ganhar um almoço grátis!

Há ainda um outro nível de Sangha. Talvez possamos ouvir destes mestres tântricos que na verdade a Sangha são as assim-chamadas “deidades tântricas” que temos, tais como Chenrezig, Tara, Manjushri e assim por diante. Agora podemos começar a rezar à Santa Mãe ou à Santa Tara e ela irá salvar-nos. Certamente estas figuras de Buda, como eu as chamo, estas ditas deidades tântricas, de maneira alguma são santos que, de alguma forma, serão intermediários e nos ajudarão a chegar mais perto do Deus Buda.

O Significado Mais Profundo de Buda, Dharma e Sangha

Se observarmos o significado mais profundo de Buda, Dharma e Sangha, descobriremos que o significado mais profundo de Dharma são as verdadeiras paradas de toda esta confusão, e as verdadeiras compreensões ou os verdadeiros assim-dito caminhos, ou caminhos da mente em um contínuo mental. Este é o Dharma real. Isto é o que nos protegerá de sofrer se o atingíssemos em nosso próprio continuum mental. É possivel atingir este estado aonde toda a confusão, emoções perturbadoras, atitudes e problemas foram eliminados, e aonde todas as realizações foram obtidas. Os Budas são aqueles que compreenderam isto completamente e ensinaram como nós mesmos podemos chegar lá. A Sangha refere-se na verdade àqueles conhecidos por “Arya Sangha,” os praticantes avançados altamente realizados que conseguiram algumas, mas não todas estas verdadeiras paradas e a verdadeira compreensão. Você vê, há realmente muitos níveis e graus de confusão dos quais precisamos nos livrar e muitos níveis progressivamente mais fortes de compreensão que irão contrariá-los. O processo de começar a livrar-se deles ocorre gradativamente. A Arya Sangha não conseguiu livrar-se de todos ainda – do pacote completo, mas alguns sim, e estão no caminho de conseguir mais.

Em nossas vidas cotidianas, os Budas e a Arya Sangha, estes grandes mestres indianos e tibetanos e assim por diante, do passado e alguns do presente, são muito inspiradores. Isto nos dá muita esperança. Vemos alguém ou encontramos com alguém inspirador como sua Santidade o Dalai Lama. Como ele se tornou como é? Foi através do Dharma. Se é um Buda ou ainda não é um Buda é irrelevante. Se pudéssemos nos tornar como ele, isso seria muito bom. Eu não estou falando somente sobre sua habilidade de ensinar quase qualquer coisa no campo do Dharma ou que ele é o especialista, o mais instruído e mais profundo de todos os professores. Não é somente o tipo de programação que ele mantém e as constantes viagens em volta do mundo, tentando ensinar e ajudar os outros e coisas assim. Mas adicione a isso que ele é o inimigo público número um da China. Você poderia imaginar como deve ser ter mais de um bilhão de pessoas considerando você o diabo e fazendo todos os tipos de coisas terríveis ao seu povo e ainda assim ter amor e compaixão por eles? Ele não está triste e é capaz de fazer tudo que faz com uma mente calma e alegre. Isso é inacreditável, não é? Como poderíamos alcançar isso a menos que estivéssemos livres destas emoções perturbadoras e tivéssemos atingido a realização? Não seria possível. É irrelevante se ele está a caminho de ser um Buda ou não.

Talvez não possamos relacionar-nos com todas as qualidades do Buda em si, mas pelo menos podemos ver as qualidades de alguém como Sua Santidade o Dalai Lama. É muito inspirador. Se foi possível para alguém como ele alcançar este nível da realização, então, considerando que a natureza da mente é pura e tem todos estes potenciais, não há nenhuma razão porque nós não podemos fazê-lo também. Não há nenhuma razão porque todos não possam fazê-lo. Obviamente, será necessário bastante trabalho, mas é possível e vale muito a pena ir nessa direção. Se o Dalai Lama fosse análogo ao Buda, então alguns dos atuais grandes lamas que estão ensinando, que talvez não tenham todas as qualidades do Dalai Lama mas, analogamente à Sangha, já tenham algumas destas qualidades. Isso também é muito inspirador.

O que eles têm em comum, o Dalai Lama e esses outros grandes mestres? Eles livraram-se em graus variados da raiva, ganância, ódio, inveja e todos estes tipos de coisas. Ganharam tremendas boas qualidades, tais como a compreensão, compaixão, paciência, etc. Nós vemos os variados graus que podem ser atingidos em termos desses vários lamas. Isto é, como estou dizendo, um exemplo muito mais vivo (se é que temos contato com eles) do que apenas pensar no Buda ou Milarepa e outros exemplos históricos, com os quais é mais difícil relacionar-se. Podemos sentir que são boas histórias, mas será que realmente acreditamos que havia alguém assim? Lemos que Guru Rinpoche nasceu de uma flor de lótus; será que realmente somos capazes de acreditar nisso? Talvez seja difícil relacionar-se com isso. Mas, ao invés disso, podemos focar na ausência destas qualidades negativas e na presença destas qualidades positivas, como exemplificadas pelo Dalai Lama e estes grandes mestres, que são como o Buda e a Sangha – aqui e agora. Notamos que somos capazes de fazer isso também. Este é o Dharma, e vemos que estas verdadeiras paradas e verdadeiros caminhos da mente são objetivos tangíveis. É possível que possamos fazer isso, e isto nos dá uma direção segura, estável e significativa que podemos pôr em nossas vidas.

Refúgio ou Direção Segura em Nossas Vidas Diárias

O que significa na prática direcionar nossas vidas ao Buda, Dharma e Sangha? Significa que estamos sempre trabalhando em nós mesmos. Ao fazer isso, quando por exemplo, ficamos tristes, irritados, ou quando agimos de maneira egoísta, nos tornamos mais e mais cientes destas coisas. Nós as notamos. Não é que então ficamos chateados conosco e nos punimos, pensando “Eu sou assim tão mau ou assim terrível porque ainda fico irritado.” Certamente não é isso, e certamente não o outro extremo de pensar que isso faz parte de ser normal. Nesse caso, apenas observamos e pensamos: “E daí?” Eu continuarei sendo assim.” Não é tampouco isso. Mas apenas estar cientes de nossas emoções perturbadoras e considerá-las como coisas das quais queremos começar a nos livrar, enfraquece sua força.

Mas o ponto é que durante nossas vidas cotidianas, quando estas coisas negativas e perturbadoras surgem e as notamos, o ideal a fazer é aprender alguns métodos e tentar superá-las. Precisamos notar que se estivermos irritados, devemos desenvolver a paciência. Quando alguém está agindo de uma maneira horrível comigo, isto indica que é muito infeliz. Há algo que o perturba. Melhor que ficar irritado com pessoas assim é sentir um pouco de compaixão por elas.

Para esclarecer, não estamos de um lado, irritados conosco por estarmos ficando irritados. Por outro lado, também não nos tratamos como um bebê, dizendo que está ok ou que está tudo bem. Mas vamos fazer o melhor para superar nossa raiva, porque sabemos que é possível fazer isso. Talvez não seja possível nos livrarmos disso tão depressa, e com certeza, não seremos capazes de fazê-lo tão rapidamente, mas é nesta direção que queremos trabalhar durante toda nossa vida. Vamos fazer isso porque sabemos que na verdade é possível livrar-se dessas coisas. Não é uma tentativa fútil de pensamento idealizado seguir nessa direção.

Quando nos confrontamos com uma situação difícil e temos um pouco de paciência ou um pouco de compreensão, ou um pouco de sentimento benevolente, precisamos ver que isso é algo que pode aumentar. Nós podemos tornar isso mais e mais forte. É possível fazer isso. Outros fizeram e podemos fazê-lo também. Não há nada especial nos outros e nada especial em nós. Este é nosso refúgio, esta é nossa direção segura na vida, porque quanto mais vamos neste sentido, mais nos protegemos dos problemas.

Conclusão

Precisamos compreender o que significa refúgio, esta direção segura; e quais são as razões para colocá-lo em nossas vidas. Esta é considerada a coisa mais importante e fundamental na prática budista. Muitas pessoas tendem a trivializá-la, o que é realmente uma pena. Se temos esta direção em nossas vidas ou não, supõe-se ser a mudança mais significativa e fazer a maior diferença em nossas vidas. O refúgio não deve apenas significar que fomos a uma cerimônia e cortaram um pedacinho pequeno de nosso cabelo e recebemos um nome tibetano e agora usamos um cordão vermelho em torno do pescoço e entramos para o clube. Isto realmente torna trivial toda a questão, tornando-a completamente sem sentido.

A pergunta que todos devemos nos fazer é: “Como alguém que tomou refúgio e que é um budista, estou realmente dando este sentido a minha vida? O refúgio tem algum significado em minha vida à exceção apenas de ter entrado para o clube?” Se tomar refúgio não fez uma diferença significativa em nossa vida, isto é algo no qual precisamos realmente trabalhar. Seguir em quaisquer outras práticas avançadas sem esta fundação bem provavelmente não trará nenhum sucesso.

Os ensinamentos acima são do Prof. Alex Berzin

☸️Fundador do Sobre Budismo, praticante do Budismo desde 2011, venho ajudando simpatizantes e iniciantes no #Budismo a entrarem em contato com as práticas e os ensinamentos de #Buda (Dharma).

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