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Podcast Iluminação Diária

#123 – A ética além de religião

#123 – A ética além de religião

 
 
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Ensinamentos de Sua Santidade o 14º Dalai Lama

Desvantagens em Enfatizar as Diferenças Secundárias

Queridos irmãos e irmãs, estou extremamente feliz por essa oportunidade de falar com vocês. Primeiramente, eu gosto sempre de deixar claro que, quando dou palestras às pessoas, por favor, pensem em si como um ser humano. Isso é dizer, por exemplo, não pense “eu sou suíço”, “eu sou italiano”, ou “eu sou francês”. Meu tradutor não deveria pensar que é francês! Eu também não devo pensar que sou tibetano. Além disso, eu não deveria pensar em mim como budista, porque geralmente nas minhas palestras, a base do caminho para viver uma vida feliz e menos perturbada está em ser um ser humano.

Cada um dos sete bilhões de seres humanos deseja uma vida feliz, e cada um tem todo o direito de atingir esse objetivo. Se nós enfatizamos diferenças secundárias como “eu sou tibetano”, então isso faz parecer que estou mais preocupado com o Tibete. Além disso, “eu sou budista” gera algum tipo de sentimento de proximidade com outros budistas, mas automaticamente cria algum tipo de distância de outras fés.

Na verdade, esse tipo de visão é fonte de problemas, incluindo os muitos problemas e a imensa violência que os seres humanos têm enfrentado no passando e que continuam a enfrentar no século XXI. Violência nunca acontece se você considerar as outras pessoas como seres humanos, assim como você. Não há razão para matar um ao outro; mas quando nós nos esquecemos da humanidade como una, e ao invés disso nos concentramos nas diferenças secundárias como “minha nação” e “a nação deles”, “minha religião” e a “religião deles”, nós criamos distinções e nos preocupamos mais com o nosso próprio povo e seguidores da nossa religião. Assim, nós desconsideramos os direitos dos outros e temos nenhum respeito pelas vidas dos outros. Muitos dos problemas que enfrentamos hoje emergem dessa base, de colocar demasiada ênfase e importância em diferenças secundárias.

Agora, o único remédio para isso é pensarmos logicamente em nós mesmos como sendo seres humanos, sem demarcações ou barreiras. Quando dou palestras, por exemplo, se eu me considerar budista tibetano e, talvez, ainda mais, se eu pensar em mim mesmo como “Sua Santidade o Dalai Lama”, isso cria certo tipo de distância entre mim e a audiência, o que é tolice. Se eu estou sinceramente preocupado com o seu bem-estar, tenho que falar com você no nível de sermos irmãos e irmãs humanos, os mesmos seres humanos assim como eu. Na verdade, nós somos o mesmo: mentalmente, emocionalmente e fisicamente. E mais o importante, todos querem uma vida feliz sem nenhum sofrimento, e eu sou o mesmo, então vamos conversar nesse nível.

Ética Laica

A ética laica está muito relacionada a fatores biológicos, mas fé religiosa é algo que só os seres humanos têm. Entre a humanidade a fé se desenvolveu, mas certamente não é um fator biológico. A ética secular abrange toda a população de sete bilhões de seres humanos. Como eu mencionei ontem, de sete bilhões de pessoas, um bilhão formalmente afirmou que é cética, e se pensarmos, dos seis bilhões que supostamente acreditam, existem tantas pessoas corruptas. Há escândalos, exploração, corrupção, traição, mentira e bullying. Isso, eu acredito, é devido à falta de genuína convicção nos princípios morais. Então, até a religião é usada para propósitos errados. Se eu mencionei isso ontem ou não, às vezes eu realmente sinto que a religião nos ensina como agir hipocritamente. Nós dizemos coisas boas como “amor” e “compaixão”, mas na realidade não agimos de acordo, e há muita injustiça.

A religião fala sobre essas coisas boas em uma espécie de maneira tradicional, mas não de um jeito que realmente se conecta ao seu coração. Isso acontece porque falta às pessoas os princípios morais, ou a falta de convicção sobre o valor dos princípios morais. Independente de a pessoa ser crente ou cética, nós precisamos pensar mais seriamente em como educar as pessoas sobre esses princípios morais. Então, em cima disso, você pode adicionar a religião, e isso se torna uma verdadeira e genuína religião. Todas as religiões, como eu mencionei ontem, falam sobre esses valores.

Desenvolvendo Desapego no Próprio Campo

No século passado, enquanto às pessoas matavam uma à outra, ambos os lados estavam rezando para Deus. Difícil! Ainda hoje, às vezes, você vê conflitos em nome da religião, e eu acho que ambos os lados rezam para Deus. Às vezes eu brinco, dizendo que parece que Deus está confuso! Como Ele poderia decidir, com os dois lados rezando para Ele, procurando alguma forma de benção? É difícil. Uma vez na Argentina, durante uma discussão com cientistas e alguns líderes religiosos, embora não tenha sido um encontro inter-religioso, conheci um físico com o nome de Maturana. Ele era professor do já falecido Varela e eu já havia o conhecido anteriormente na Suíça, e então na Argentina, mas nunca mais desde então. Durante sua palestra, ele mencionou que, como físico, não deveria desenvolver apego em relação à sua própria área científica. Então, essa foi uma afirmação maravilhosa e sábia que eu aprendi.

Eu sou budista, mas não devo desenvolver apego com relação ao budismo porque apego é uma emoção negativa. Quando você desenvolve apego, sua visão se torna tendenciosa. Uma vez que sua mente se torna tendenciosa, você não consegue ver as coisas objetivamente.

É por isto que acho que, na maioria das vezes, para aqueles envolvidos em conflitos em nome da religião a verdadeira razão não é a fé religiosa, mas sim interesses econômicos ou políticos.

Mas em alguns casos, como os de fundamentalistas, eles se tornam tão apegados à sua própria religião e então, por causa disso, não podem ver o valor de outras tradições.

A afirmação de Maturana foi um grande conselho para mim. Como resultado de me encontrar com muitas pessoas, eu admiro muitas outras tradições e, claro, espero não ser fundamentalista ou fanático. Às vezes eu menciono que uma vez estive em Lurdes, no sul da França. Fui como um peregrino, e, na frente de uma estátua de Jesus Cristo eu bebi um pouco de água. Eu estava na frente da estátua e refleti na minha mente, sobre o que tinha ouvido, que milhões de pessoas ao longo dos séculos que visitaram esse lugar, procurando conforto, com algumas pessoas doentes, que através de sua fé e algum tipo de benção foram curadas. Então eu refleti sobre essas coisas e tive alguma forma de sentimento profundo de apreço pelo cristianismo, as lágrimas quase vieram. E então, em outra vez, aconteceu uma coisa estranha em Fátima, Portugal. Cercado por católicos e cristãos, nós fizemos um pequeno período de meditação silenciosa na frente de uma pequena estátua de Maria. Quando eu e todos os outros estávamos para ir embora, me virei para trás e a estátua de Maria estava realmente sorrindo para mim. Eu olhei de novo e de novo, e sim, ela estava sorrindo. Eu senti que Maria parecia ter algum tipo de reconhecimento pelo meu caminho não sectário! Se eu tivesse passado mais tempo com Maria discutindo filosofia, no entanto, talvez algo mais complicado pudesse ter surgido!

De qualquer forma, até o apego pela sua própria fé não é bom. Às vezes a religião causa conflitos e divisões, e isso é um assunto um tanto sério. A religião é, supostamente, um método de aumentar a compaixão e o perdão, que são os remédios para a raiva e o ódio. Então, se a própria religião criar maior ódio contra as outras fés religiosas, é como um suposto remédio para curar a doença, mas que, ao invés disso, causa mais doença. O que fazer? Todas essas coisas tristes existem, essencialmente, devido à falta de convicção nos princípios morais, por isso eu acredito que nós precisamos de várias práticas e fatores, de modo a fazer um verdadeiro esforço para promover a ética secular.


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