Todos Fazem Parte da Sangha

Todos Fazem Parte da Sangha


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No Budismo nós temos as Três Jóias. Estas três Joias são um tesouro no Budismo e em nossa vida Budista. Buda, Dharma e Sangha são estas três jóias, as quais sem elas não há Budismo e sem elas nossa prática Budista se torna bastante difícil.

É bem óbvio o porquê o Buda é um tesouro, pois sem nosso mestre não haveria Budismo. O Buda não praticou para atingir a iluminação para ele mesmo, no fim das contas ele voltou suas descobertas para o mundo exterior. Nós podemos dizer, de algum modo, que o Buda em seu primeiro ensinamento manifestou o conceito de Sangha, assim, desde sua primeira consciência a iluminação não era algo somente para ele.

A Sangha, que se manifesta por todo o universo, foi testemunha e presente no primeiro momento de sua iluminação. Então de algum modo a Sangha, a iluminação do Buda, e ainda a verdade do Budismo, todos ocorreram simultaneamente.

Algumas vezes nós podemos desejar separar estes três, a ponto de dizer que o Buda abordou seus companheiros ascetas e deu seu primeiro ensinamento tornando-os seus discípulos. E é claro que seja talvez esta a primeira manifestação física da aparição da Sangha. Mas na realidade a Sangha sempre esteve lá.

Algumas vezes as pessoas dizem, “Eu gostaria de ter uma Sangha com a qual pudesse praticar”, ou “Não há nenhuma perto de mim para que eu possa entrar e praticar”, ou até mesmo, “Eu estou sozinho”. Há é claro uma certa verdade nestas afirmações, em que ninguém parece estar sentado ao seu lado quando você recita Odaimoku ou alguns dos Sutras. Mas este é apenas um aspecto da Sangha, talvez um aspecto do “self” porque no processo deste pensamento o foco começa e reside principalmente sobre o eu ou o indivíduo.

Mas Sanghas não são indivíduos isolados, elas são comunidade, elas são o outro. Pessoas dizem, “Bem, eu não gosto de fulano e cicrano em minha Sangha”, ou “Eu gostaria de praticar em casa porque eu gosto e tenho uma conexão melhor”, ou “Eles fazem me sentir bem”. Novamente, estes estão todos auto-centrados. O pensamento inicial e o pensamento final são sobre si mesmos, e ainda como outros podem ser utilizados para o benefício de si próprios.

“Os méritos da quinquagésima pessoa que se alegra ao ouvir o Sutra da Flor de Lótus do Maravilhoso Dharma é imensurável, sem limites, asamkhya. Desnecessário dizer então quais os méritos da primeira pessoa que se alegra a ouvir este sutra na congregação (1).” (Sutra de Lótus, capítulo XVIII)

É claro que existe o aspecto da Sangha que serve para dar apoio ao indivíduo, mas este é apenas uma parte da equação. Talvez a maior parte seja a que você como indivíduo contribui para a Sangha. Ao invés do foco ser no que você pode tirar da Sangha e se ela atende ou não seus critérios, ou se serve para te beneficiar diretamente ou não, o foco deveria igualmente, se não mais, ser no que você pode contribuir, no que você pode dar, no que você pode trazer para a Sangha na forma de sua presença.

“Então os deuses fizeram chover flores de mandarava, flores maha-mandarava, flores manjusaka e flores maha-manjusaka acima do Buda e da grande multidão. O terra do Buda estremeceu em seis direções. A grande multidão da congregação, onde haviam monges, monjas, seguidores, seguidoras, deuses, dragões, yaksas, gandharvas, asuras, garudas, kimnaras, magoaras, humanos, não-humanos, reis de pequenos países e os reis sagrados que giram a roda, todos ficaram surpresos.” (Sutra de Lotus, capítulo I)

Outro aspecto da Sangha é a ideia que todos em volta de você os quais você interage, também são seu Sangha. Você pode prover cuidado, suporte, incentivar, e ser exemplo para muitas pessoas em sua vida. Fazer isto é de certa maneira um modo de ensinar o Budismo. Sua Sangha não é apenas quem vai a sua porta, mas quem você relaciona em sua vida e o quanto você valoriza estas conexões, além de como você nutre estes relacionamentos.

“As centenas de milhares de bilhões de seres vivos nesta congregação, como eu seguiram os Budas passados e receberam seus ensinamentos em suas consecutivas prévias existências. Eles respeitarão e acreditarão em vocês. Eles serão capazes de ter paz depois desta longa noite e obterão muitos benefícios.” (Sutra de Lotus, capítulo II)

*tradução do texto “Community, It’s Not About You“, do rev. Ryusho Shonin, da Nichiren Shu.
** crédito da imagem: http://500px.com/photo/11819655

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  1. 1
    Joao Bissoto

    Muito bom como sempre. O conceito de Sangha como sempre vi, como estudante de religiões comparadas e místico convicto. Podemos fazer diversas analogias com esse conceito, transbordando-o para outras religiões. Por exemplo, no cristianismo original, primitivo, a ideia de Igreja que Jesus transmitia era muito semelhante. Igreja é a comunidade, praticante, mas também extrapolando-se para a sociedade e para o mundo. No misticismo temos também um termo tradicional para esse conceito, que aparece em diversas culturas espirituais, que é Egrégora. Muito obrigado por compartilhar esse texto!

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