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  • Budismo

    Buda criou uma religião?

    Ao se deparar com a tradição budista, muita gente se pergunta se o Budismo é uma religião.

    Há quem defenda que sim e há quem defenda que ele é uma espécie de “ciência da mente”, mostrando os aspectos psicológicos do caminho do autoconhecimento e da face condicionada em que nos encontramos.

    Mas independente da resposta pronta – já que ela diverge entre as várias escolas existentes –, outra questão emerge neste contexto: afinal, o Buda histórico criou uma religião?

    Nas palavras do professor tibetano de Dzogchen, Namkhai Norbu Rinpoche, pensar assim não é muito coerente.

    “Em geral, as pessoas dizem ‘Nós estamos seguindo o Dharma’ e falam isso como um tipo de religião criada pelo Buddha Shakyamuni. Esse não é um ponto de vista correto”, diz o mestre de 78 anos.

    Siddharta Gautama, após atingir a iluminação, quis apenas espalhar luz no mundo. Não a dele, mas a do entendimento, a da não ilusão, a qual todos temos dentro de nós em particular.

    Afora, ele não tinha pretensão de montar um movimento ou uma congregação, a fim de seus preceitos seguirem adiante. Tudo foi muito espontâneo.

    “Buda nunca criou nenhum tipo de escola ou religião. Ele era um ser totalmente iluminado, alguém além do nosso limitado ponto de vista. O ensinamento de Buda é ter presença nesse conhecimento”, conclui Namkhai Norbu Rinpoche, enfatizando a essência do que foi repassado: estar presente.

  • Budismo

    Não entre na fila

    Quando o nosso caminho espiritual começa a se mostrar diante de nós, sempre nos perguntamos: “O que preciso fazer para transformar a minha vida?”.

    Esta é apenas uma das inúmeras dúvidas que afligem a condição humana e, provavelmente, foi um dos questionamentos que acometeu o príncipe Siddharta Gautama, o primeiro Buda que se tem notícia.

    Além das tradicionais “Quem eu sou?”, “Para onde vamos?” e “De onde viemos?”, lá pelos idos de 560 a.C., a pauta do sofrimento sempre esteve nas cátedras do pensamento do jovem Siddharta.

    Ele chegou à conclusão de que é a visão errônea da realidade à nossa volta – e também dentro de nós – a causa primeira do nosso sofrer.

    Eis o grande ponto-chave para abrir uma porta a qual todos nós temos acesso: não há o que transformar. Esta é a resposta.

    Se tudo é perfeito do jeito que é, não há porque “entrarmos na fila”, esperando a nossa vez ou um próximo passo para o que se deseja no exterior; para o que pensamos ser as “grandes transformações” em nossa vida. Esse passo (ou salto) deve se dar para o infinito interior.

    Afinal, “todo ser tem a natureza de buda”, como disse Buda em um de seus ensinamentos, quando já não atendia mais pelo nome de Siddharta. Ele, enfim, não tinha mais nome. Ele era todas as coisas. O próprio coração das coisas. Ele era e é você.