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  • Meditação

    Meditar envolve deixar ser

    Quantas vezes nos deparamos com situações no cotidiano que estão além do nosso controle? E, como elas estão fora dessa nossa alçada, geralmente sofremos.

    As coisas mudam e esperamos que elas apenas não mudem. Temos uma tendência inconsciente de um querer velado. De um desejo absorto de tudo continuar como exatamente está. E como isto está fora da nossa alçada, sofremos mais uma vez.

    Na verdade, é no ato de sentar-se que nos desprendemos dessas certezas e desses múltiplos quereres. E a meditação vai além desse sentar-se.

    É uma maneira nova de experienciar o que está ao nosso redor com um olhar também novo – dá para meditar no chuveiro, na fila do banco, em frente ao computador, no cinema, namorando, lendo este texto.

    É quando a gente percebe o momento presente, a todo instante. Quando a gente percebe que o que está ao nosso redor é também dentro. E não há mais essa divisão de dentro e fora, de um eu e um você isolados. Quando a gente se senta, é para entender melhor isso, através das técnicas meditativas.

    “O método que o Buda descobriu é a meditação em si. Ele descobriu que debater-se para encontrar respostas não funcionava. Foi somente quando haviam brechas em seus esforços que os insights chegaram até ele. E ele começou a perceber que havia ali um sentido, uma qualidade desperta dentro dele que se automanifestava apenas na ausência de esforço. Portanto, a prática de meditação envolve ‘deixar ser’”, diz o mestre do Budismo tibetano, Chögyam Trungpa Rinpoche.

    Em seu livro “Além do Materialismo Espiritual”, com a mais recente edição lançada no Brasil pela editora Lúcida Letra, ele traça os percalços e os tortuosos labirintos psicológicos que percorremos tentando validar a nossa espiritualidade.

    Não há necessidade de forçar ou validar nada. Apenas deixe ser.

  • Budismo Tibetano

    Um mestre brasileiro do Budismo dos Himalaias

    No sopé dos Himalaias, um jovem brasileiro se tornaria mestre. Na edição nº 20 do podcast Iluminação Diária, projetado pelo portal Sobre Budismo, o Lama Jigme Lhawang falou um pouco sobre seu envolvimento com o Dharma.

    Desde a primeira vez que meditou ao lado de seus pais, com apenas 5 anos de idade, até a necessidade de procurar por algo a mais na puberdade, ele já sabia que seu caminho seria rumo ao processo interior.

    Aos 15 anos, foi morar em um centro rural budista e iniciou então seus estudos com Chagdud Tulku Rinpoche, uma das maiores referências do Budismo tibetano no Brasil. Pouco depois da morte de seu mestre, foi à Índia mesmo sem saber falar inglês direito.

    Apesar da suposta barreira da linguagem, o gaúcho se adaptou bem e estudou tanto inglês quanto tibetano (ao menos, a língua coloquial), entrando em mosteiros a princípio como noviço e, na sequência, como monge iniciado.

    Em cinco anos, aprendeu a história do Budismo, o caminho do bodisatva, filosofia e lógica em tibetano e os temas principais do caminho budista, contando também com muito autoestudo, instruindo-se horas a fio em seu quarto diante dos livros e dedicando seu tempo e energia à meditação.

    Por dois meses, fez uma peregrinação pelos Himalaias com Sua Santidade Gyalwang Drukpa, junto com um grupo de alunos, e acabou ficando lá, sozinho, por mais seis meses em retiro dentro de uma caverna.

    Quando saiu, foi chamado por Sua Santidade para estudar com ele no Nepal, devido à sua abertura para o novo. Dessa forma, voltou a praticar a fundo a língua tibetana em um curso na Universidade de Katmandu, tornando-se assim tradutor/intérprete em outros cinco anos.

    E durante mais um retiro, agora atuando como tradutor de S. S. Gyalwang Drukpa e Sua Eminência Gyalwa Dokhampa, ambos os mestres o ordenaram como lama, a fim de Jigme Lhawang veicular aqueles ensinamentos da linhagem na América do Sul.

    Dito e feito: hoje ele é fundador e diretor da Comunidade Budista Drukpa Brasil, a residir em Recife, capital pernambucana.

    Confira na íntegra o papo que tivemos com o mestre brasileiro do Budismo dos Himalaias: