Se não há um “eu”, quem renasce?


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Retirado de “Vazio Luminoso – Para entender o clássico Livro Tibetano dos Mortos” – Francesca Fremantle Karma e ser andam juntos. Do ponto de vista final, karma é tão ilusório quanto o ser, mas já que funcionamos a partir da profundamente arraigada crença no ser, estamos sujeitos à lei do karma.

Até que um ser consciente atinja a iluminação, o sentido de ser ainda está lá na corrente da mente, e assim o karma é produzido. Karma, a corrente de causa e efeito, cria a ligação entre o passado, o presente e o futuro, e entre a vida passada, esta vida e a próxima vida. Mesmo depois de se separar do corpo físico, o apego do ser continua, portanto durante o período após a morte, a consciência passada ainda se sente como sendo o mesmo “eu” que antes.

O ponto importante a compreender é que esse “eu” é sempre imaginário, estejamos pensando sobre uma vida passada, ontem, agora, amanhã, o estado de bardo ou uma vida futura. Se realmente compreendermos esse ponto, a questão de como a personalidade pode existir após a morte, ou quem é que renasce, poderá parecer menos problemática. Uma ilusão dá lugar a outra ilusão. Faz algum sentido perguntar se são a mesma coisa? Será que podemos dizer que são diferentes? A única solução para todos esses enigmas de vida e morte é dissipar a ilusão que os criou em primeiro lugar.

Não existe entidade individual que continue de uma vida para outra, mas sim um fluir contínuo de mudança. O “eu” que imaginamos ser nesta vida não é o mesmo “eu” da vida anterior ou o “eu” que irá nascer na próxima vida. Ainda assim esses “eus” passado, presente e futuro estão interligados pela ilusão do ser e pelos registros karmicos que o sustentam de vida para vida. Alguém irá nascer, cuja existência, caráter e destino dependem de nossas ações agora. Enquanto continuarmos a acreditar no ser, o karma e o renascimento serão reais para nós. A partir do momento que o ser é visto como não existindo, a cadeia se rompe nesse instante.

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