Presunção

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No Budismo existe uma importante palavra: “higeman” 卑下慢 (1).  “Hige” 卑下 significa desprezo, depreciação. E “man” 慢 compõe a palavra “jiman “自慢 (orgulho), significando presunção. O Budismo considera que deprimir-se com uma auto avaliação depreciativa, nada mais é do que vaidade.

Como disse antes, o fato de poder refletir sobre sua condição, mesmo que menosprezando-se, é o que nos torna humanizados, capazes de produzir toda prosperidade e progressos atuais.

Porém o Budismo diz que isso é presunção. Porque será? Penso que é o seguinte. Quem é o agente que se define: “sou um fracassado”? Se esse agente é capaz de definir-se como “fracassado”, é necessário que exista um outro alguém separado e que conheça o que é o correto. E esse outro alguém, na verdade, não existe além ou fora de si mesmo. Por esse motivo não pode ser considerado como auto-avaliação. O eu toma como régua, ou critério de medida próprio do que é bom e o que é mau e sai julgando a si mesmo e o mundo.

Dizendo “sou um fracasso” o “eu correto” que compreende isso, acaba por  reivindicar a sua existência. Por isso trata-se de vaidade, de presunção. Por mais que sinta-se decaído por um lado, existe um “eu correto” desprezando e diminuindo o eu fracassado. Portanto, isso é presunção.  E isso é auto-reflexão, ou seja, mesmo compreendendo que não passa de uma manifestação do Jiriki (auto poder), o eu que assim compreende, nasce do lado de fora, e apenas está se observando. O eu correto que entende por si mesmo como um fracassado, nasce incessantemente do lado de fora. Neste ponto não é possível afastar-se do próprio entendimento. Isto, em se tratando de ser humano, é uma moléstia. É o Jiriki (auto poder), é o discernimento.

 

(1) Nota: Trata-se de uma expressão que atenta para o fato de que o auto menosprezo, a auto depreciação crônicas, são meramente facetas do orgulho.

Rev. Futoshi Takehashi

Tradução do japones: Reva. Sayuri Tyojun

 

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