Por que devemos amar os nossos inimigos?

Por que devemos amar os nossos inimigos?


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Texto extraído do livro “Jesus e Buda: Irmãos” de Thich Nhat Hanh

O budismo ensina que a compreensão é a base do amor. Quando se tem plena consciência, compreende-se que a outra pessoa está sofrendo. Consegue-se ver aquele sofrimento e repentinamente não se quer mais que o outro sofra. Quando vocês começam a ver o sofrimento na outra pessoa, nasce a compaixão e vocês não mais a consideram um inimigo. Vocês podem amar o seu inimigo. No momento em que compreendem que o assim considerado inimigo sofre e desejam que ele pare de sofrer, ele deixa de ser inimigo.

Quando odiamos alguém, estamos zangados porque não o entendemos ou não entendemos o seu ambiente. O hábito de olhar profundamente faz com que cheguemos à seguinte conclusão: se crescêssemos como ele, sob as suas circunstâncias e tendo vivido no seu ambiente, seríamos exatamente iguais a ele. Esta espécie de compreensão elimina a sua raiva, a sua discriminação e subitamente aquela pessoa não é mais sua inimiga. Então você consegue amá-la. Enquanto continuar a considerá-la sua inimiga, o amor será impossível. Amar seu inimigo só é possível quando ele ou ela não for mais visto desta maneira, e o único modo de conseguir isso é praticando a observação profunda. Aquela pessoa fez com que você sofresse bastante no passado. A conduta correta é perguntar o motivo.

Quando você está infeliz, a sua infelicidade se espalha por todos à sua volta. Se tiver aprendido a arte da compreensão e tolerância, você sofrerá muito menos. Olhar para os seres vivos com olhos compassivos proporciona-lhe uma sensação maravilhosa. Você não altera coisa alguma. Apenas põe em prática olhar com os olhos da compaixão e, repentinamente, o seu sofrimento diminui. O que são os olhos da compaixão? A função dos olhos é ver e entender. “Os olhos da compaixão” são os olhos que vêem e entendem. Se existe compreensão, a compaixão chegará por uma via bastante natural. “Os olhos da compaixão” são os olhos da atenção profunda, os olhos da compreensão.

No budismo aprendemos que a compreensão é a verdadeira base do amor. Sem compreensão, independentemente de quanto você se esforce, não poderá amar. Se disser: “Tenho que tentar amá-lo”, estará cometendo uma tolice. É preciso compreendê-lo e, ao fazer isso, irá amá-lo. Uma das coisas que aprendi dos ensinamentos de Buda é que sem a compreensão o amor não é possível. Se o marido e a esposa não se compreendem, não podem se amar. Se um pai e um filho não se compreendem, causarão sofrimento um ao outro. Então a compreensão é a chave que abre a porta do amor.

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5 Comments

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  1. 1
    Fernando Camillo Lazarine

    Ótima recomendação!

    Porém é sempre valido lembrar que devemos cultivar o Amor sobre todos nós e com qualquer pessoa. Basta uma simplicidade sem complicações e isso pode mudar a vida de qualquer um. Nada é díficil. Tudo é possível.

    Até!

  2. 4
    Claudio ricardo santos

    Este seu relativismo moral é que é demagogo. Ele serve de desculpa para se cometer absolutamente todo e qualquer tipo de atrocidade. Um sujeito pode estuprar uma criança e dizer “tem sua própria história e razões” para isso — talvez por ter tido uma infância problemática.

    Um indivíduo pode invadir a casa de uma família, fazer uma chacina e dizer que “tem sua própria história e razões tanto para ser um bandido”. Certamente porque estava tendo um dia ruim. Cadê a responsabilidade pessoal que o budismo diz dos pessoas sobre suas próprias acões?

    O próprio Buda era a favor da pena de morte para criminosos cruéis, existem várias passagens nos sutras sobre isso. Vários reinos budistas adotavam a pena de morte para malfeitores perversos. A sua opinião do autoer é um perfeito estereotipo da esquerda progressista e moralmente relativista. O budismo não admite relativismo. O certo é o certo e o erado é o errado.

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