Os cinco tipos de zen – Final

Os cinco tipos de zen – Final


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(continuação da 1ª parte)

    Shōjō Zen

O terceiro tipo de Zen é o Shōjō, literalmente significando “pequeno veículo”. Esse é o veículo ou ensinamento que deve levar você de um estado mental (delusão) para outro (iluminação). Esse pequeno veículo é assim chamado porque é destinado a acomodar somente uma pessoa. Você pode, talvez, compará-lo a uma bicicleta. O veículo grande (Mahāyāna), por outro lado, é mais parecido com um carro ou ônibus: ele leva outras pessoas junto. Por esta razão o Shōjō é um Zen que foca apenas na paz mental da pessoa. Aqui temos um Zen que é budista, mas um Zen que não está de acordo com os maiores ensinamentos de Buda. Ele é mais certamente um Zen apropriado para aqueles que não são capazes de alcançar o mais íntimo significado da iluminação do Buda, como por exemplo, que a existência é um todo inseparável, que cada um de nós possui o cosmos em sua totalidade. Sendo isso verdade, consequentemente nós não podemos atingir a genuína paz mental simplesmente buscando nossa própria salvação e continuar indiferente ao bem-estar dos outros. Existem, entretanto, aqueles que simplesmente não conseguem acreditar na realidade de tal mundo. Não importa quão frequentemente sejam ensinados de que o mundo relativo das distinções e opostos ao qual eles se apegam é ilusório, é o produto de suas visões errôneas, eles não conseguem acreditar de outra maneira. Para tais pessoas, o mundo pode ser completamente mau, cheio de pecado, discórdia, sofrimento, assassinatos e desesperos dos quais eles tentam escapar.

    Daijō Zen

A quarta classificação é chamada Daijō Zen, Grande Veículo (Mahāyāna), e este é um verdadeiro Zen Budista por ter como sua proposta principal o kenshō-godō (見性), que é enxergar sua verdadeira natureza e realizar o Caminho na sua vida diária. Para aqueles capazes de compreender a importância da experiência da iluminação do Buda e que tenham o desejo de quebrar suas visões ilusórias do Universo e experienciar a realidade absoluta e indiferenciada, o Buda ensinou este modo de Zen. O Budismo é essencialmente uma religião de iluminação. O Buda, após seu supremo despertar, passou cerca de 50 anos ensinando o modo pelo qual as pessoas poderiam perceber suas próprias naturezas. Seu método tem sido transmitido de mestre a discípulo até os dias de hoje. Desta forma pode-se dizer que o Zen que ignora, nega, ou faz pouco da iluminação, não é o verdadeiro Zen Daijō Budista.

Na prática do Zen Daijō, sua principal meta, no começo, é despertar sua verdadeira-natureza, mas ao iluminar-se você percebe que o Zazen é mais que um meio de iluminação – ele é a manifestação de sua verdadeira-natureza. Neste tipo de Zen, que tem como objeto o “despertar” (Satori), é fácil considerá-lo erroneamente como apenas um meio. Um sábio professor, entretanto, apontará desde o início que o Zazen é na verdade a manifestação da natureza-buda inata e não meramente uma técnica para se alcançar a iluminação. Se o Zazen não fosse mais que apenas uma técnica, após o Satori o Zazen seria desnecessário. Mas, como o próprio Dōgen-zenji mostrou, exatamente o contrário é verdade: quanto mais profundamente você experiencia o Satori, mais você percebe a necessidade da prática.

    Saijōjō Zen

O Zen Saijōjō, o último dos 5 tipos, é o veículo mais elevado, a culminação e o topo do Zen Budista. Este Zen foi praticado por todos os Budas do passado – como Shakyamuni e Amida – e é a expressão da Vida Absoluta, a vida em sua forma mais pura. É o Zazen que Dōgen-zenji especialmente defendeu e engloba o não esforço por Satori ou qualquer outro objeto. É chamado shikan-taza.

Nesta mais elevada prática, os meios e os fins fundem-se. O Zen Daijō e o Zen Saijōjō são, na verdade, complementares. A escola Rinzai classifica o Daijō como supremo e Saijōjō inferior, enquanto a escola Sōtō faz o contrário. No Saijōjō, quando praticado da forma correta, você se senta na plena convicção de que o Zazen é a manifestação de sua “verdadeira-natureza” e, ao mesmo tempo, você se senta com total fé de que chegará o dia em que exclamando “Oh, então é isso!”, você sem erro realizará esta verdadeira-natureza. Portanto, você não precisa se empenhar de uma forma autoconsciente em busca da iluminação.

Hoje, muitos da escola Sōtō defendem que, uma vez que nós somos budas inatos, o Satori é desnecessário. Tal erro notório reduz o shikan-taza, que é propriamente a mais elevada forma de se sentar, para nada mais que o Zen Bompu, o primeiro dos cinco tipos.

Isshin-sensei é missionária internacional da Sōtō Zen e orientadora da sangha Águas da Compaixão.

Texto extraído e editado do blog da sangha Águas da Compaixão, mediante autorização.

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Organização: Rodrigo Daien

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