O zen é enganadoramente simples

O zen é enganadoramente simples


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O Dharma é enganadoramente simples: é colocar os chinelos, é sentar-se. Na realidade as instruções para o zazen também são enganadoramente simples: entrar na sala, procurar uma almofada, sentar-se, não mover-se e acalmar o corpo para acalmar a mente. Ficar imóvel durante o zazen é importantíssimo, pois uma mente agitada é um corpo agitado. Usamos o corpo como uma âncora para acalmar a mente. Fazer zazen é, portanto, simplesmente sentar-se e existir, ser uno com todas as coisas, ouvir os sons sem julgá-los, não fazer cogitações ou viagens para passado ou futuro. Todas essas parecem ser instruções bem simples, mas somente aqueles que se sentam para experimentar é que descobrem o quão difícil é essa simplicidade.

Da mesma forma quando estamos vivendo, nossos gestos e ações devem ser controlados. Se houver atenção ao que fazemos não derrubaremos coisas. Se em tudo que fizermos tiver a presença de todo nosso ser, corpo e mente, nossos gestos tornar-se-ão calmos e precisos. O mesmo deverá ocorrer com nossas palavras. Ao tomarmos cuidado com as palavras elas não ofenderão ou causarão desarmonia e desavenças. Tudo isso é uma questão de prestar atenção e é razoavelmente simples. O mais difícil é não permitir que nossa mente se agite com pensamentos e sentimentos e não permitir que os acontecimentos externos nos mobilizem, fazendo com que falemos ou ajamos de forma incorreta, não permitir que nossa mente seja tocada pelo vento.

Em muitos textos o vento é a analogia preferida para descrever as paixões, pois ele empurra as folhas de um lado para outro e se deixarmos que os sentimentos ajam, ficaremos como as folhas, batendo de um lado para outro, arrastados pelos sentimentos e pelas paixões. Esse é um dos votos do Bodhisattva: “As paixões são inexauríveis; faço o voto de extingui-las todas”.

Os ventos são as paixões e nossas vidas são abundantes em ventos e tempestades. Extinguindo as paixões poderemos repousar, mas isso não significa que com isso perderemos nossa capacidade de nos emocionarmos, sentirmos e partilharmos dos sentimentos dos outros seres.

Fazer zazen é, portanto, simplesmente sentar-se e existir, ser uno com todas as coisas, ouvir os sons sem julgá-los, não fazer cogitações ou viagens para passado ou futuro.

Fazendo com que nossas mentes parem, nos tornaremos boas antenas receptoras do que acontece à nossa volta, entendendo e sentindo o que os outros sentem. A marca daqueles que conseguem silenciar suas próprias paixões é compreender as paixões dos outros, pois há dentro de todos os mesmos impulsos e nós os conhecemos e, por sermos humanos, nada do que é humano nos é estranho.

É importante sermos capazes de nos mantermos sensíveis ao mesmo tempo que somos capazes de extinguir nossas paixões. Esse é o significado do segundo voto do Bodhisattva.

Autor: Reverendo Meihō Genshō, discípulo e sucessor de Saikawa Rōshi (atual Sōkan da América do Sul), dirige a Comunidade Zen-budista de Florianópolis e grupos relacionados em vários estados brasileiros.

Este texto foi extraído e editado do portal zen-budista Daissen, mediante autorização.

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Organização: Rodrigo Daien

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