O treinamento da mente no cotidiano


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O treinamento da mente no cotidiano, Chagdud Tulku Rinpoche - Blog Sobre Budismo

O texto a seguir foi extraído do site Chagdud Gonpa Brasil, por S. Ema. Chagdud Tulku Rinpoche.

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O budismo é uma tradição espiritual e filosófica que, por quase 3.000 anos, tem capacitado praticantes a eliminar os venenos e hábitos negativos da mente e revelar a sua natureza pura e absoluta.

A natureza básica da mente é como ouro puro, mas a sua pureza inerente não é óbvia, pois está coberta por uma mescla de emoções conflitantes, circunstâncias cármicas, obscurecimentos intelectuais e hábitos. Essas camadas não refinadas, como minério que contém ouro, precisam ser removidas para que a essência pura do nosso ser, o ouro elementar, seja revelada.

Nosso nascimento humano nos oferece a oportunidade de empreender esse processo de purificação e descobrir o amor, a compaixão, a equanimidade e a alegria que surgem espontaneamente da natureza fundamental da mente.

Se examinarmos nossas vidas, veremos que a real insatisfação, angústia e mal-estar que experimentamos não são causados por condições externas, mas pela forma como reagimos interiormente a elas. Não podemos negar que as condições externas difíceis existem, mas precisamos reconhecer que alguém com algum controle sobre os processos internos da mente não vivencia a mesma impotência e sofrimento face às perdas, adversidades e doenças, comparado a uma pessoa cuja mente não foi treinada.

Sei disso por experiência própria, pois meu país, o Tibete, foi perdido para os invasores comunistas, completamente hostis às nossas tradições culturais e espirituais. Muitos grandes mestres morreram de fome, foram torturados e assassinados. Apesar dessas aflições, os comunistas não conseguiram tirar deles a fé, a compaixão ou a paz interior conquistada por meio da realização espiritual. Eles podiam, apenas, dominar a realidade exterior.

O que é significativo?

A maioria de nós, neste país abundante e acolhedor que é o Brasil, não se depara com desafios tão dramáticos. Ao invés disso, somos desafiados a encontrar o que é realmente significativo em nossas vidas tão atarefadas e descobrir o que verdadeiramente é benéfico em nossas interações com a família, com aqueles que amamos, com as pessoas com quem trabalhamos e encontramos.

Sob o ponto de vista budista, nada supera a importância do uso deste nascimento humano precioso para reconhecermos a inabalável natureza absoluta da mente. Esse reconhecimento instiga confiança e poder para enfrentar os acontecimentos efêmeros, tanto internos quanto externos. O caminho para o conhecimento da natureza da mente depende de nossos esforços para beneficiar os demais. Cada vez que colocamos de lado nossas tendências autocentradas para trabalhar pelo bem-estar dos outros, purificamos alguns dos obscurecimentos usuais da mente e aumentamos nosso mérito.

Integrando o caminho espiritual com a vida cotidiana

A purificação e geração de mérito constituem o caminho para a iluminação e podemos encontrar constantes oportunidades para integrá-las às nossas atividades cotidianas. As pessoas, em geral, queixam-se de que não têm tempo para fazer prática formal. Entretanto, qualquer dia pode ser estruturado como uma sessão de meditação prolongada.

• Ao acordarmos pela manhã, nos alegramos com o fato de termos mais um dia para consumar a prática espiritual.

• Estabelecemos uma motivação pura e forte para deixar de prejudicar os outros por meio de nossas ações do corpo, fala e mente e para beneficiá-los como pudermos.

• Durante o dia, verificamos a nossa mente – mesmo quando estamos conversando ou ocupados com atividades – para ver se essas ações advêm de uma intenção pura ou de venenos como o egoísmo, o orgulho, a inveja e a raiva. As ações ou palavras podem ser exatamente as mesmas, mas a motivação positiva ou negativa por trás delas determinará seus resultados cármicos.

• À noite, antes de dormir, refletimos sobre o nosso dia. Se encontrarmos momentos em que fracassamos em seguir nossas boas intenções, podemos purificá-los. Invocamos um ser iluminado como nossa testemunha, reconhecemos nossa falha, geramos remorso por tê-la cometido, fazemos o compromisso de não repeti-la e recebemos a purificação visualizando que luz se irradia de nossa testemunha iluminada, nos permeia e purifica a negatividade.

• Também relembramos os momentos em que criamos mérito com nossas ações, nossa comunicação e intenções positivas. Imaginamos esse mérito se expandindo e formando uma vasta oferenda que se dissolve nas mentes de todos os seres por todo o universo.

Praticantes secretos

Do mesmo modo que uma pessoa, ao acender uma vela, fornece luz para todos que estão no mesmo ambiente, a dedicação do mérito que geramos individualmente aumenta qualidades positivas – prosperidade, longevidade e felicidade – para todos os seres.

Os ensinamentos de Buda nos permitem consumar uma transformação através da prática espiritual sem nos sentarmos numa almofada, sem anunciarmos nossa crença para os outros, sem religiosidade externa. Internamente, treinamos nossa mente e nos tornamos praticantes secretos no caminho à iluminação.

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