O significado de “Namu Myoho Renge Kyo”: Renge (parte 3)

O significado de “Namu Myoho Renge Kyo”: Renge (parte 3)


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Renge é a tradução do termo sânscrito “Pundarika”, escrito em caracteres chineses e significa “Flor de Lótus”. A palavra “Pundarika” significa literalmente “Lótus Branco”, símbolo do Bodhi, a pura e perfeita iluminação de Buda. Na arte budista flores de lótus são normalmente pintadas com oito pétalas. Estes oito pétalas são para indicar o Nobre Caminho Óctuplo, uma importante doutrina pregada pelo Buda (conheça o Nobre Caminho Óctuplo clicando aqui!).

O lótus é a única flor que floresce com as sementes já desenvolvidas. Normalmente, quando as flores florescem, as belas cores das pétalas e o seu perfume atraem abelhas e outros insetos. Nesse ponto, a flor é polinizada e, em seguida, seca e morre e, só mais tarde desenvolve uma fruta contendo sementes. Em contrapartida, no caso do lótus o processo é bastante diferente: na verdade, quando floresce já contém seus frutos: a vagem com sementes. Isto é extremamente raro no mundo das plantas.

No budismo, a flor de lótus, com as suas flores e frutos simultâneos, mostra visualmente a causa da própria planta (as sementes) e o resultado final (a flor). Na terminologia budista, esta relação simultânea é chamada “Inga Guji” e quer dizer “dotado ao mesmo tempo com causas e efeitos”. O princípio de causa e efeito é um dos mais importantes conceitos e fundamentos da filosofia budista.

O lótus cresce na água estagnada e lamacenta. Na realidade, quanto mais suja é a água mais bonita a flor se torna. Se nós estabelecermos uma analogia com nossas vidas, podemos demonstrar o fato de que através dos problemas e sofrimentos que vivemos todos os dias, podemos obter a pura e maravilhosa condição Iluminada, da mesma forma que o lótus surge imaculado a partir de águas sujas.

Todos os seres têm o potencial para a Iluminação. Assim, quando recitamos “Namu Myoho Renge Kyo” em frente do Mandala Gohonzon, a pura e bela flor da iluminação contida em nossas vidas pode florescer, amadurecer e prosperar.

Por outro lado, esta semente de Iluminação potencial (ou latente) deve ser alimentada, regada e tratada como quaisquer outros seres vivos. Isto pode ser feito através da alimentação do Sutra do Lótus, da recitação do sutra e do “Namu Myoho Renge Kyo” e nos dedicando ao Dharma. Sem uma prática e uma fé sincera, as sementes de iluminação ocultas em nossas vidas não podem receber alimentação e conseqüentemente não podem florescer, crescer e muito menos prosperar.

Nichiren Shonin escreveu no “Kanjin Honzon Sho”: “O Sutra Fugen diz: ‘Este sutra Mahayana (o Sutra do Lótus) é o tesouro, os olhos e as sementes da vida para todos os Budas do universo através do passado, presente e do futuro.’ Você deve se comprometer na prática budista e nunca permitir que as sementes da Iluminação morram’.”

*Tradução de um texto do rev. Tarabini Shonin, da Nichiren Shu Itália
**crédito da imagem: http://500px.com/photo/56135872/the-buddha-50%7C365-by-khang-huynh

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1 comment

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  1. 1
    João Santos

    Excelente texto! Li as três partes e demonstra um outro viés do que venha a ser realmente a prática do Odaimoku. Parabéns pelo maravilhoso trabalho.

    Cordialmente,

    João Paulo Santos

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