O significado de “Namu Myoho Renge Kyo”: Namu (parte 1)

O significado de “Namu Myoho Renge Kyo”: Namu (parte 1)


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Todos os dias na Nichiren Shu, nós recitamos o Sutra do Lótus e “Namu Myoho Renge Kyo”. “Myoho Renge Kyo” é o título completo do Sutra do Lótus e está contido no título de cada capítulo do Sutra.

Mas o que realmente significa cada palavra e ideograma? É possível receber méritos ou resolver problemas através da recitação do “Namu Myoho Renge Kyo”? É possível para os mortais comuns, como nós, tornarem-se iluminados como Buda? Como é que podemos alcançar a iluminação?

Examinaremos cuidadosamente o significado e as implicações profundas de cada palavra que constitui “Namu Myoho Renge Kyo”.

“Namu” vem do sânscrito “namas”, um termo de difícil tradução em uma única palavra quando traduzida para o chinês. Tal como acontece com muitas outras palavras em sânscrito encontradas nos sutras, os primeiros tradutores preferiram transliterar os sons da palavra original ao invés de traduzi-las. O antigo idioma chinês não incluía um alfabeto para a transcrição de cada letra em sânscrito, por isso foram atribuídos caracteres a fim de expressar o mais fiel quanto fosse possível o som da palavra original em sânscrito. “Namas” também foi escrito com outros caracteres chineses que reproduzem a mesma pronúncia, ou com outras variantes fonéticas, como “Nama” e “Namo”. A famosa expressão de saudação indiana “Namaste” também deriva a partir da raiz “namas”.

“Namu” ou “Namas” tem uma variedade de significados: significa literalmente devoção, em japonês “kimyo”. “Namas” tem também o significado de devotar/confiar as nossas vidas, expressar os nossos agradecimentos, respeitosa saudação, veneração, acreditar sinceramente e tomar refúgio. Durante o período de permanência no Monte Minobu, nos últimos anos de vida, Nichiren Shonin escreveu em “Hakumai Ippyo Gosho” (também conhecido como o “Ji-Ri Kuyo Gosho”): “A palavra Namu é um termo indiano que significa oferecer a própria vida. Na China e no Japão é expresso como kimyo e, basicamente, significa oferecer a nossa vida ao Buda.”

Nikkô Shonin, um dos seis principais discípulos, ao citar Nichiren Shonin no seu “Ongi Kuden” explica que “existem dois objetos de devoção: à pessoa, que é Shakyamuni, e ao Dharma, que é o Sutra do Lótus. Na expressão Kimyo, o caractere chinês Ki (fazer ou dar) indica o aspecto físico de nossas vidas, enquanto Myo (vida, escrito com um caractere diferente de Myo em Myoho) é seu aspecto espiritual”.

O termo “Namu”, por isso, assume o significado de uma plena e firme dedicação de nossa vida, tanto no seu aspecto físico quanto no espiritual. Em outras palavras, expressamos nossa confiança no Buda e em seus ensinamentos, em especial no Sutra do Lótus e, ao mesmo tempo nos consagramos (ao Buda e a o Dharma) de todas as maneiras possíveis.

Em seu sentido de devoção, confiar as nossas vidas ou tomar refúgio, “Namu” significa que nós nos abrigamos no Buda, quando somos abraçados por cada aspecto da infinita compaixão de Buda, de sua sabedoria e de sua vida Iluminada. Por outro lado, indica também que para alcançar este objetivo, temos de viver a nossa vida de acordo com o espírito e os ensinamentos de Buda.

Nichiren Shonin diz na carta “Presente de um fardo de arroz”: “Seja alguém rico ou não, a vida é sempre o mais precioso tesouro. Essa é a razão pela qual os santos e sábios dos tempos antigos ofereceram sua vida para o Buda e por isso eles foram capazes de obter a Iluminação”. E ainda mais: “Os mortais comuns podem obter a Iluminação se observarem uma coisa: fé determinada. Acima de tudo, fé é a vontade de compreender e viver o espírito, e não apenas as palavras dos sutras.” Na seção em prosa do capítulo “Juryo” (16º) do Sutra de Lótus nós encontramos a frase “Isshin Yoku ken butsu / Fuji shaku Shin’myo”, que significa literalmente “sinceramente pretendendo ver o Buda, não poupam a sua vida” . Estas frases finais mostram claramente que a nossa determinação, compreensão, refúgio e devoção devem conjuntamente surgir de forma não-egoísta através de sincera fé e prática.

*tradução de um texto do rev. Tarabini da Nichiren Shu Itália.

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