O que nutre a sabedoria

O que nutre a sabedoria


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Falar de ‘sabedoria antes da sabedoria‘ é algo estranho. Afinal, como podemos falar que um dos fatores para se ter sabedoria é… ter sabedoria?!

No decorrer das últimas semanas expus os cinco fatores que o Buddha considerava como favorecedores do amadurecimento da mente, aquilo que propriamente faz com que a mente se incline para a libertação. Vimos a importância do amigo espiritual; vimos como a disciplina moral é considerada uma fundação para todos os estados saudáveis; vimos que a conversa centrada em torno da prática apresenta a rede de amigos e professores com os quais você dialoga, checa suas ideias, esclarece suas dúvidas; e como a energia é aquela força que o impulsiona para frente, agindo, fazendo, praticando de fato.

Quando chegamos ao quinto fator, nas palavras de John Ireland, o termo sabedoria consiste aqui: “Desenvolver a sabedoria e a discriminação por meio da observação de como tudo no mundo surge simplesmente para desaparecer em seguida, que tudo é condicionado e impermanente“. A impermanência é um dos fatos básicos da existência, e o Buddhismo pensa que sua percepção pode ser uma porta para compreensões mais profundas.

Como podemos fazer para desenvolver esta discriminação? Existem algumas formas:

  • Você pode deliberadamente olhar para sua vida ao longo do dia buscando por exemplos de impermanência. Acostume-se com a ideia, encontre exemplos, tenha esse tema presente na mente.
  • Estude. Sim, estudar é importante no caminho. Não, o estudo não é a sabedoria. Mas… sim, o estudo prepara a mente para a sabedoria. Ele organiza, explica conceitos, afia a percepção, faz com que seu pensamento não seja um touro selvagem ou uma vaca louca sujeita às emoções passageiras.
  • Quando você estiver percebendo a impermanência e os outros fatores importantes do caminho (que você fica sabendo ao estudar) em sua vida, não veja sua vida somente como aquilo por onde você passa ou as situações e pessoas com as quais se encontra. Vida também é vida interior. Olhe para dentro de você (daí o lugar da meditação neste caminho) e encontre também lá aquilo que deve ser compreendido. Esteja consciente de que o que você busca no interior não são as milhares de ‘experiências’ pelas quais você passa ou os sentimentos que você tem ao longo do dia. Você quer algo bem mais profundo, você quer compreender o que há de universal nas experiências particulares e pessoais.

Com isso terminamos esta série da sabedoria antes da sabedoria. Semana que vem tocaremos em outro tema. Mas se você, leitor que tem nos acompanhado, quiser sugerir temas que tem interesse e que sejam compatíveis com a natureza deste blog (que almeja apresentar o Buddhismo numa linguagem fácil e acessível), sinta-se à vontade para perguntar e sugerir na seção de comentários logo abaixo.

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2 Comments

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  1. 1
    Jorge

    Professor, sugiro:
    -dissertar sobre a forma como o Buddha utilizava a linguagem no cânone pali, como tomava expressões de uso comum, ou das tradições existentes, e dava-lhes outros significados.
    -dissertar sobre o uso que o Buddha fazia de metáforas e imagens ‘tangíveis’ para tratar do mundo ‘intangível’ da mente.

  2. 2
    Simone

    Olá,
    Eu gostaria de muito de ler mais sobre como verificar os ensinamentos sobre o carma no nosso dia-a-dia. Como um praticante iniciante pode perceber na prática a atuação do carma?

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