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Sobre Budismo : Budismo, meditação e mente

O Que Acontece Com Quem Morre?


Tem gente que responde que quando morremos viramos lixo. É um pensamento um tanto quanto materialista, não é?  Na realidade, não seremos exatamente lixo e sim tornar-nos-emos cinzas. Ou seja, a verdade é que seremos cinza e o termo lixo é uma concepção relativa. Pois o lixo refere-se àquilo que não serve mais ou àquilo que se tornou descartável. Se o fim do ser humano é lixo, a vida seria o caminho para tornar-se lixo.

Seja como for, por que nós perguntamos: o que acontece com quem morre? Provavelmente isso nasce da insegurança de não saber de onde viemos e para onde vamos, da dúvida da nossa própria presença no presente. Ou seja, quando indagamos de onde viemos e para onde iremos, na verdade estamos questionando nossa própria existência atual.

Não conseguindo sequer entendermos nossa existência presente… Essa dúvida faz surgir a interrogação sobre o pós morte: O que será que acontecerá quando eu morrer?

Segundo o conceito de transmigração (vidas sucessivas), tradição da Índia antiga, explica-se a crença de existência de alma imortal; como um ciclo de renascimentos. Quer dizer, com votos de um bom renascimento futuro, agüente o sofrimento atual e acumule méritos para a próxima vida.

No âmbito do Japão acredita-se que o falecido torna-se espírito. E que quem está vivo deve cumprir determinado rito memorial, rito para repouso das almas e cerimônias ritualísticas com o receio de que o falecido não rogue praga e nem invoque calamidades. Esse pensar baseia-se na crença de que todo o bem estar, o bom destino e a boa sorte deste mundo está sob controle dos espíritos.

Tanto a idéia de transmigração da Índia, quanto à crença em espíritos do Japão, ambos comprometem a percepção da nossa própria ignorância que viemos edificando e que acaba resultando em contradições, em fraudes e erros da atualidade.

Em contrapartida o ensinamento do Budismo Shin Terra Pura prega que o ser humano é um ser comum carregado de paixões mundanas, que vive no corpo impermanente e que sempre responderá pelo passado; ciente do futuro questiona o presente, sem mascarar a verdade.

Indagar: – o que acontece com quem morreu, sem nem avaliar o presente que estamos vivendo significa estarmos apenas sentindo-nos perdidos na rota sem saída e permanecermos iludidos num mundo de enigmas.

 

Rev. Prof. Bunsho Obata

Reitor da Universidade Dobo (Kyoto, Japão)





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