O apego é o oposto do amor.


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Texto extraído do livro  “Into The Heart Of Life“, por Jetsunma Tenzin Palmo. 

Todos nós queremos ser felizes. E gastamos uma enorme quantidade de esforço tentando fazer a nós mesmos felizes. Através dos séculos, as pessoas têm refletido sobre o dilema de como ser feliz e se manter feliz . Então, como é que a maioria das pessoas são tão infelizes? Não apenas elas são extremamente infelizes, como elas também fazem as pessoas ao seu redor infelizes também. Muitas pessoas têm uma grande quantidade de dor em suas vidas, que elas tentam aliviar da maneira que puderem. Outros, porém, na superfície, pelo menos, sentem-se muito contentes com a sua sorte. A questão da satisfação é muito importante.

Após sua iluminação, o Buda começou a ensinar exatamente a partir de onde estamos. Ele disse, “A vida do jeito que levamos não é satisfatória. Há uma falta interior, um vazio interior , um sentimento interior de falta de sentido que não se pode preencher com coisas ou pessoas. Qual é a causa desta instabilidade inerente, neste sentido inerente de insatisfação que nos corrói?”

O Buda ensinou que a razão essencial para essa doença dentro de nós é o nosso apego, nossa mente cheia de desejos que são baseados em nossa ignorância essencial. Ignorância do que ? Basicamente, a ignorância de compreender a forma como as coisas realmente são. Que pode ser explorada em muitos níveis, mas vamos lidar com isso em primeiro lugar do ponto de vista de que não nós não reconhecemos a impermanência, e nós também não reconhecemos a nossa verdadeira natureza. Portanto, estamos sempre agarrando algo externo. Nós não percebemos nossa interconexão interior, e nos identificamos sempre com esse sentimento do eu e do outro.

Agora, assim como temos a ideia do eu e do outro, temos, portanto, a ideia de querer adquirir o que é atraente e afastar o que queremos evitar. Então este sentimento de vazio interior tem de ser preenchido, e cedemos ao apego. E é claro que pensamos em nossa delusão de que o nosso apego às coisas e às pessoas é o que nos trará felicidade. Fazemos isso o tempo todo. Estamos apegados às nossas posses, estamos apegados às pessoas que amamos, estamos apegados à nossa posição no mundo, e à nossa carreira e ao que alcançamos. Pensamos que segurando essas coisas e essas pessoas firmemente teremos segurança, e que a segurança nos dará felicidade. Essa é a nossa delusão fundamental, pois é o próprio apego que nos torna inseguros, e a insegurança que nos dá essa sensação de constante mal-estar.

Ninguém nos prende com correntes a esta roda. Nós nos agarramos a isso, nós é que seguramos com todas as nossas forças. O caminho para sair da roda é apenas deixar ir. Você entende? Essa apreensão, essa mente apegada é a causa do nosso sofrimento, mas estamos muito enganados, porque pensamos que a nossa ganância e nossos desejos e os nossos apegos apontam para as fontes de felicidade. Por mais que neguemos, nós realmente acreditamos que de alguma forma ou de outra, se todos os nossos desejos forem realizados, teremos uma grande felicidade. Mas o fato é que nossos desejos nunca podem ser todos realizados. Desejos são infinitos. O Buda disse que era como beber água salgada , que acabamos de obter mais e mais sede.

O que o budismo quer dizer com desapego ? Muitas pessoas pensam que a ideia de desprendimento, desapego, ou não- apego é muito fria. Isso é porque elas confundem apego com amor. Mas o apego não é amor verdadeiro, apego é só amor à si mesmo.

“O apego é o oposto do amor. 
O apego diz: ‘Eu quero que você me faça feliz.
O amor diz: ‘Eu quero que você seja feliz.”
Jetsunma Tenzin Palmo

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15 Comments

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  1. 3
    Débora Henglen

    Sempre trazendo paz às nossas mentes e aos nossos corações … não que seja uma tarefa fácil … mas já nos faz refletir, o que é um grande passo! Obrigada por compartilhar

  2. 4
    INGRID MILANEZ FERNANDES

    Muito obrigada mesmo pelo texto Daniele. Sabe nos dizer se existe a tradução completa do livro ”Into the Heart of Life” – Jetsunma Tenzin Palmo ???

  3. 7
    Dija Darkdija

    Esse é´um dos poucos pontos que eu não concordo da doutrina budista. Acho que pelo radicalismo. A ideia do desapego é interessante, mas ainda acho que o mínimo de apego e de amor a si mesmo é sim necessário. Lógico, de forma exagerada, se torna veneno, não é bom. Assim como eu acho que o desapego do jeito radical também não é bom.

  4. 10
    Mauro

    Grato Daniele , esse texto ilumina ainda mais nossos caminhos, acredito que o desapego como tudo no Budismo não seja nada radical como questionado acima. Nesse contexto o apego seria um equivalente ao egoísmo que deveremos sempre combater, acredito eu.

  5. 12
    Calíope

    Quando se fala nesse desapego, penso sempre nos meus brinquedos da infância que guardo ali em cima do guarda roupas. Penso na minha coleção de chaveiros pendurados no canto do meu quarto. Nos meus livros com dedicatórias ali na estante.. Isso e muito mais, coisas as quais sou apegada, mas que não preciso. E só então percebo que os momentos mais felizes passei longe de tudo isso. Os momentos em que me livrei da insatisfação interior, passei longe disso tudo. Estes objetos são memória de boas fases, mas o sentimento de bem-estar não é trazido de volta pela presença deles.. Verdade, talvez o desapego seja mesmo o fim dessa angústia e insatisfação interior.

  6. 14
    Lama Jigme Lhawang

    “Into the Heart of Life” de Jetsunma Tenzin Palmo esta sendo traduzido para o português pela editora Lúcida Letras e pela Comunidade Drukpa Brasil para o lançamento oficial com a própria autora, Jetsunma Tenzin Palmo, em maio de 2014, no Rio de Janeiro. Em breve mais informações via nosso site http://www.drukpabrasil.org e via nosso facebook “Drukpa Brasil”.

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