Não há permanência

Não há permanência


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Trecho extraído do livro “A arte da felicidade“, páginas 149-150, por S.S. o Dalai Lama.

Na época do Buda, uma mulher chamada Kisagotomi sofreu a morte do seu filho único. Sem conseguir aceitar o fato, ela corria de um a outro, em busca de um remédio que restaurasse a vida da criança. Dizia-se que o Buda teria esse medicamento.

Kisagotami foi ao Buda, fez-lhe reverência e apresentou seu pedido.

– O Buda pode fazer um remédio que recupere meu filho?
– Sei da existência desse remédio – respondeu o Buda. – Mas para fazê-lo, preciso ter certos ingredientes.
– Quais são os ingredientes necessários? – perguntou a mulher, aliviada.
– Traga-me um punhado de sementes de mostarda – disse o Buda. A mulher prometeu obter o ingrediente para ele; mas quando ela estava saindo, o Buda acrescentou um detalhe. – Exijo que a semente de mostarda seja retirada de uma casa na qual não tenha havido morte de criança, cônjuge genitor ou criado.

A mulher concordou e começou a ir de casa em casa à procura de sementes de mostarda. Em cada casa, as pessoas concordavam em lhe dar as sementes; mas, quando ela lhes perguntava se havia ocorrido alguma morte naquela residência, não conseguiu encontrar uma casa que não tivesse sido visitada pela morte. Uma filha nessa aqui, um criado na outra, em outras um marido ou pai haviam morrido. Kisagotami não conseguiu encontrar um lar que fosse imune ao sofrimento da morte. Vendo que não estava só na sua dor, a mãe desapegou-se do corpo inerte do filho e voltou ao Buda, que disse com enorme compaixão:

– Você achava que só você tinha perdido um filho. A lei da morte consiste em não haver permanência entre todas as criaturas vivas.

Trecho extraído do livro “A arte da felicidade“, páginas 149-150, por S.S. o Dalai Lama.

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