Não deixe sua vida passar em vão

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謹白參玄人 “Eu, respeitosamente, incito os que estudam o caminho:
光陰莫虚度 não passem seus dias e noites em vão.” – Sandōkai

O mestre Zen Shunryū Suzuki-rōshi morreu há quarenta e dois anos, precisamente em 4 de dezembro de 1971. O mestre estava com câncer, mas em um vídeo gravado naquela época ele quase não levanta suspeitas quanto ao seu estado de saúde porque o tempo todo o mestre fala como “um menino que acabou de ganhar uma bola de presente de Natal”. Naquela ocasião, o mestre comentava o “Sandōkai”, um dos textos clássicos da escola Sōtō Zen, de autoria do grande mestre Sekitō Kisen (700-790), 8º patriarca do Zen na China. Como nossa homenagem a este homem extraordinário, segue um trecho deste seu comentário. (tradução livre de “Branching Streams flow in the Darkness”, Shunryū Suzuki, University of California Press, Ltd.)

“Nosso esforço no Zen é observar as coisas ‘como ela é’. Embora falemos desta maneira, não estamos necessariamente observando as coisas ‘como ela é’. Nós dizemos, ‘Aqui está meu amigo, lá está a montanha e acima está a lua’. Mas seu amigo não é apenas seu amigo, a montanha não é apenas a montanha e a lua não é apenas a lua. Se pensarmos ‘Eu estou aqui e a montanha está lá’, esta é uma forma dualista de observar as coisas. Para ir a San Francisco, temos que atravessar as montanhas Tassajara. Esta é nossa compreensão habitual. Mas este não é o caminho buddhista de observar as coisas. Encontramos a montanha ou a lua ou nosso amigo ou San Francisco dentro de nós mesmos. Bem aqui. Esta é a grande mente na qual tudo existe.” (…)

“Como buddhistas, nós não comemos um determinado vegetal apenas para obter uma determinada qualidade nutritiva especial, ou o escolhemos porque ele é yin ou yang, ácido ou alcalino. Simplesmente comer a comida é nossa prática. Nós não comemos apenas para nosso sustento. Como recitamos por ocasião das refeições: ‘Para praticar nosso Caminho, comemos esta comida’. Esta é a forma como a grande mente está incluída na nossa prática. Pensar ‘isto é apenas um vegetal’ não é o nosso entendimento. Devemos tratar as coisas como parte de nós mesmos, dentro de nossa prática e dentro da grande mente. Mente pequena é aquela que está limitada aos desejos ou a alguma proteção emocional específica ou à discriminação entre bom e mau. Assim, em grande parte, mesmo que pensemos que observamos as coisas ‘como ela é’, na verdade, não o fazemos. Por quê? Por causa de nossa discriminação ou de nossos desejos. O caminho buddhista é tentarmos arduamente abandonar esse tipo de discriminação emocional entre bom e mau, abandonar nossos preconceitos e ver as coisas ‘como ela é’.

Quando eu digo ver as coisas ‘como ela é’ o que eu quero dizer é praticar arduamente com nossos desejos – não nos livrarmos dos desejos, mas levá-los em conta. Se você tiver um computador, você deve digitar todos os dados: este tanto de desejo, este tanto de alimento, este tipo de cor, esta quantidade de peso. Devemos incluir os nossos desejos, como um dos muitos fatores, a fim de ver as coisas ‘como ela é’. Nós nem sempre refletimos sobre nossos desejos. Sem parar para refletir sobre nosso julgamento egoísta, dizemos ‘Ele é bom’ ou ‘Ele é mau’. Mas alguém que é mau para mim não é necessariamente sempre mau. Para alguém mais, pode ser uma boa pessoa. Refletindo desta forma podemos ver as coisas ‘como ela é’. Isto é mente buda.” Ouça do próprio mestre.

Gasshō

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Organização: Rodrigo Daien

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