Minha prática de meditação

Minha prática de meditação


Pinterest

Existem algumas técnicas de meditação no budismo, como Vipassana e Shamata. Eu pratico Shamata e vou contar para você um pouco sobre o que é, como eu faço, para que serve, o que eu sinto e se me faz bem.

Eu não sou nenhum mestre em meditação, sou apenas um iniciante e vivo rodopiando ao redor do meus problemas. Pratico meditação Shamata diariamente 30min ao acordar e 30min a noite e posso dizer que os resultados no dia-a-dia me fazem muito bem. Fico mais tranquilo durante o dia, sinto minha mente mais calma, mas não pense que meditação tem como objetivo o relaxamento ou algo parecido. Esses estados do corpo acontecem naturalmente devido a prática de sentar em silêncio com a respiração calma e tranquila, porém este não é o foco.

O que é meditação Shamata?

Essas são trechos escritos pelo meu mestre, Lama Padma Samten, sobre Shamata pura e impura:


Shamata impura

Interrompemos a operacionalidade comum do mundo, funcionando dentro de nós, e sentamos. Vamos praticar a liberdade de não precisar ficar respondendo a um fluxo. Então respiramos!

É a primeira forma de contermos nossos impulsos cármicos. Se não conseguirmos barrá-los, ficamos presos neste processo incessante da Roda da Vida, ficamos chamando esses impulsos de “eu mesmo”, ainda que estes impulsos sejam contraditórios. Procuramos focar a respiração, e ver nosso corpo se energizando pela própria respiração. Procurem localizar o que faz os olhos brilharem. Isso é a energia, o foco da meditação é esse.

De resto, procurar manter o corpo relaxado. Esta shamata é impura pois tem niroda [foco fechado]. Se mergulharem nessa meditação, talvez esqueçam do que ocorre no mundo ao redor. Se vemos uma coisa, deixamos de ver outra. Mas é uma meditação muito importante, é a primeira forma na qual vamos conter a ação de samsara. O mais importante não é teorizar sobre isso, mas praticar, experienciar.


Shamata pura

Fazemos o mesmo que em shamata impura, mantemos esse brilho no olho e no corpo, mas agora aproveitamos nossos olhos e ouvidos [e todos os outros sentidos] para vasculhar ao redor. Não buscamos isso, simplesmente nos mantemos abertos ao que ocorre no mundo externo e não respondemos.

Percebemos o que é a mente dependente dos sentidos: se a mente está ligada ao olhos, ela está presa a uma sala; se ela segue o sentido auditivo ela vai longe. Com os olhos, por exemplo, não vejo os carros, mas eu ouço, e minha mente vai atrás. Vamos ficar em silêncio, ouvir o que está ao redor, olhar o que surge internamente, os pensamentos, e contemplar a transitoriedade deles. São como riscos numa superfície de água, tão pronto eles vem, eles vão.

A essência da prática de Shamata é não responder.

Como eu pratico?

Eu pratico meditação Shamata no meu quarto, já tentei praticar em um parque, só que prefiro em casa, pois é mais tranquilo. A experiência que tive em locais públicos não foram tão legais quanto eu pensei. Olha a paisagem do parque que falei(Parque do Sabiá – Uberlândia – MG) e ainda sim eu prefiro o meu quarto bagunçado:

Parque do sabiá, onde pratiquei meditação shamata do budismo.

Nos dias em que fui meditar, um pessoal sentou-se ao meu lado e começou a conversar, cantar e pular, foi até engraçado. Por isso acho que no meu quarto não terá ninguém fazendo algazarra rsrs.

Almofada japonesa - Azfu

Com relação a postura, eu comprei um tapete para prática de ginástica e Yoga e uma almofada que se chama Zafu(ao lado direito) indicado pelo Gustavo Gitti(que é um grande amigo e me ensina sobre o Dharma) quando fui ao meu primeiro retiro no budismo sobre meditação da presença em São Paulo. O Zafu é uma almofada usada para a prática do Zazen, mencionado no início deste post. Ela é muito confortável e ajuda bastante quando se está começando a praticar, pois da uma levantadinha nos quadril e faz sua coluna encaixar dando mais conforto para a prática de meditação.

Em relação ao tempo que pratico, eu comecei com 2x 5min e 1 de descanso todos os dias. Ao passar do tempo e com força de vontade, pois existem algumas dores iniciais, eu comecei a ficar e suportar os pequenos desconfortos por mais tempo. Eu sempre pensei assim, faça chuva ou sol eu devo praticar, até doente eu tentei. Não é tão bom, mas achei necessário não dar desculpas para praticar. Hoje eu gosto muito de meditação e me sinto muito bem.

Nem tudo é maravilha, existem dias que eu não quero praticar, não da a mínima vontade, ai eu lembro sobre a motivação(irei criar um post para explicar melhor sobre a minha motivação e porque ela é importante), do porque eu pratico.

Categories

7 Comments

Add yours
  1. 1
    Mel

    Também prefiro meu quaro bagunçado. :-)

    Mas é engraçado, ao sentar para meditar, posso estar em quartinho fechado 2 x 2 m, mas a sensação que tenho é a de que “estou saindo para um espaço de amplidão”. Meio maluco isso né?

    Tashi delek!

  2. 3
    Gabriel_Amitabha

    Olá Leo… comecei com o Budismo de Nitiren Daoshin achando que era o que estava procurando mas era outro. é esse que encontrei no blog. Não gostei muito do Budismo de Nitiren Daoshin por que tem que ficar recitando o Nam-Myoho-Rengue-Kyo. ai eu gosto de uma coisa mais calma sabe? meu quarto aqui não é forrado ai meus pais reclamam de eu estar “rezando” alto. eu procurava esse de meditação e sem incomodo a ninguém. Pois os grupos de prática aqui não são muito pertos eu moro no interior é só tem grupos de prática no centro do Estado.

      • 5
        Gabriel_Amitabha

        Olá Leo tudo bom com você? bem qual mudei para a meditação ao invés da recitação percebi alguns resultados. Na minha meditação diária que faço logo após chegar do colégio no terceiro dia mais ou menos percebi um resultado da minha prática diária. não sei com explicar bem como foi ,mas foi uma sensação nobre como não tivesse meus 5 sentidos, só eu e minha mente.consegui isso por mais ou menos uns 6 segundos. é esse o real estado meditativo? se for eu estou no caminho certo :D

+ Leave a Comment