Meditação analítica – Vipassana

Meditação analítica – Vipassana


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Mulher meditando diante de um lago - Meditação analítica - Vipassana

Já fiz um post sobre a Meditação estabilizadora – Shamatha e hoje irei abordar a Meditação analítica – Vipassana.

Meditação analítica – Vipassana

Em páli vipassana, sânsc. vipashyana, chin. kuan, jap. kan, tib. lamt’hong/lhag mthong.

Este tipo de meditação traz ao jogo o pensamento criativo, intelectual, e é crucial para o nosso desenvolvimento: o primeiro passo para obter qualquer insight real é compreender conceitualmente como as coisas são. Esta claridade conceitual se desenvolve na convicção firme que, quando combinada com a meditação estabilizadora vipassana, traz o conhecimento direto e intuitivo.

Entretanto, mesmo antes que possamos “ver as coisas como elas são”, precisamos primeiro identificar nossos conceitos errôneos. Usando o pensamento claro, penetrante e analítico, desembaraçamos as complexidades de nossas atitudes e padrões de comportamento. Gradualmente, eliminamos aqueles pensamentos, sentimentos e ideias que causam infelicidade para nós e para os outros, e em seu lugar cultivamos pensamentos, sentimentos e ideias que trazem felicidade.

Deste modo, nos familiarizamos com a realidade, por exemplo, da causa e efeito — que nossas experiências presentes são o resultado de nossas ações passadas e são a causa de nossas experiências futuras — ou com o fato de que todas as coisas não têm uma natureza inerente. Podemos meditar ponto a ponto sobre os benefícios da paciência e as desvantagens da raiva, sobre o valor do desenvolvimento da compaixão, sobre a bondade dos outros, etc.

De certo modo, uma sessão de meditação analítica vipassana é uma sessão de estudo intensivo. Porém, o nível do pensamento conceitual que podemos alcançar durante estas meditações é mais sutil e portanto mais potente do que nossos pensamentos durante a vida cotidiana. Como nossos sentidos não estão sendo bombardeados pela frenética percepção usual, somos capazes de nos concentrar mais fortemente e de desenvolvermos uma sensibilidade finamente sintonizada com os trabalhos de nossa mente.

As meditações estabilizadora e analítica são complementares e são muitas vezes usadas em uma sessão. Por exemplo, quando fazemos uma meditação sobre a vacuidade, analisamos o objeto (a vacuidade) usando a informação que ouvimos e lemos, assim como os nossos pensamentos, sentimentos e memórias. Em certo ponto, surge uma experiência intuitiva ou convicção sobre o objeto. Devemos então parar de pensar e focalizar nossa atenção unidirecionadamente sobre a sensação pelo maior tempo possível. Devemos saturar nossa mente com a experiência. Quando o sentimento enfraquece, podemos tanto continuar a analisar ou então concluir a sessão.

Este método de combinar os dois tipos de meditação faz a mente se tornar una com o objeto de meditação, literalmente. Quanto maior for a nossa concentração, mais profundo será o insight. Precisamos repetir este processo, de novo e de novo, com qualquer coisa que queiramos compreender, para que possamos transformar nosso insight com a experiência real.

As meditações estabilizadoras, como as meditações sobre a respiração, serão melhores se alguma análise hábil for usada. Quando sentamos para meditar, devemos começar examinando nosso estado mental e esclarecendo nossa motivação para fazer a prática, e isto envolve o pensamento analítico. Durante a meditação em si, podemos achar que a concentração é particularmente difícil; nesses momentos, é bom analisarmos o problema por alguns momentos e então recolocarmos a mente sobre a respiração; e às vezes é útil verificarmos a mente durante a meditação, para termos certeza de não estarmos sonhando acordados, mas sim fazendo o que deveria estar sendo feito.

(McDonald, Kathleen. How to Meditate: A Practical Guide. Editado por Robina Courtin. Ithaca: Snow Lion, 1998. Pág. 17-22.)

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1 comment

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  1. 1
    aredejrfRicardo

    Leonardo,

    você conhece algum tópico que fale sobre, em meio a tantas formas de meditação, qual o contexto para cada uma?
    Num cenário comum para os iniciantes, medita-se formalmente em um ou mais momentos do dia segundo uma técnica específica. Se considerarmos que a Vipassana serve para “isso”, o Zazen “para aquilo”, a Shamatha para “tal”, como conciliar os momentos formais, ou determinar quando seria a ocasião de cada um sem criar um conflito de “opção” ?

    Paz.
    Ricardo

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