Meditação: a pena de uma das asas

Meditação: a pena de uma das asas


Pinterest

Para quem me acompanha no Folhas no Caminho, em cursos e retiros, e mais recentemente aqui neste blog, sabe da ênfase que coloco na utilização harmônica de exercícios práticos e do estudo. O Buddha, certo dia, deve ter observado os pássaros no céu e percebido que eles só conseguiam voar quando utilizavam as duas asas, colocando o mesmo esforço em ambas. A beleza do voo de um pássaro é como a fluidez na vida de um praticante buddhista que coloca seu estudo na prática e transforma sua prática num estudo.

Para o Buddha estudo e prática eram semelhantes às duas asas de um pássaro e, para isso, organizou seu ensinamento de modo a abranger ambas as áreas. Ainda em vida, organizou pessoalmente o sistema de preservação oral de seus ensinamentos, mostrando nitidamente aos seus seguidores futuros que dava grande importância à preservação fiel de suas palavras. Por gerações, homens e mulheres se dedicaram a aprender, preservar e transmitir os ensinamentos recebidos.

Buddha também ensinou diversas práticas. Buddha não ensinou apenas meditação. Buddha ensinou preceitos de treinamento, observação cuidadosa da natureza, qualidades mentais a serem desenvolvidas na interação com outros seres humanos e com seres vivos em geral e, claro, ensinou também meditação.

A tradição buddhista Theravada – aquela preservada no sul e sudeste asiático -, preservou muitas meditações da época do Buddha e, ao longo dos séculos, desenvolveu mais outras tantas também. Essa tradição, assim, não transmite uma única técnica meditativa, a qual deve ser invariável e exclusivamente utilizada por todos os seus praticantes e para o resto da vida. Pelo contrário, o praticante é estimulado a conhecer o que a tradição lhe oferece e, então, fazer uso sábio e diligente disso em sua vida meditativa.

Meditar, para a tradição buddhista Theravada, é treinar duas habilidades essenciais da mente: concentração e espírito inquiridor. Tanto quanto se entenda bem essas duas habilidades, a prática meditativa pode ser bastante simples ou bastante complexa. Em suas formas simples, o iniciante pode começá-la sem maiores problemas. À medida que deseja algo mais, a orientação de um professor ou centro de meditação torna-se aconselhável, o que lhe permite conhecer e praticar formas mais detalhadas de meditação.

Um exercício simples de meditação começa com a respiração. Depois de se sentar confortavelmente, você se conecta com a respiração, tentando apenas percebê-la, sem controlá-la. Você perceberá que isso é mais simples de ser dito do que praticado. Mas perservere. Procure conhecer a respiração, saber o que está ocorrendo ali. Relaxe na respiração. Em algumas escolas e centros buddhistas talvez esse seja o único exercício meditativo que você aprenderá e praticará. Em outros, esse será apenas o começo de uma longa jornada de descoberta com vários tipos de meditação e explicações detalhadas.

Torne-se consciente da respiração, não tente controlá-la nem seja reativo. Relaxe. Você pode também ir um pouco mais além. Observe que tanto a inspiração quanto a expiração são fases bem distintas. Observe as coisas diferentes que ambas produzem em seu corpo. Com a prática regular você se sentirá cada vez mais ancorado na sensação da respiração. Concentração não é você se tornar tenso e tentar controlar a respiração, mas estar bem ancorado e, a partir dessa estabilidade, deixar que todas as coisas possam surgir e ir embora.

Esse é um exercício simples que você pode começar exatamente agora. Dê a você mesmo alguns minutos todos os dias e poderá já ver resultados. Que tal começar exatamente agora?

Categories

+ There are no comments

Add yours