Lidando com a dor

Lidando com a dor


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Lidar com a dor física, para não falar da mental, é certamente um dos obstáculos mais frequentes que o praticante de meditação se depara.

Enquanto alguns caminhos procuram lidar com a dor de uma forma mais filosófica [estimulando o entendimento das causas da dor e a necessidade de aceitar aquelas que são inescapáveis], o Buddhismo Theravada não para neste entendimento teórico, mas dá um passo além no sentido de transformar a dor em “prática”.

Ajahn Kor, um monja tailandesa da escola Theravada  diz:

Devemos aprender nossas lições provenientes da dor, de tal modo que a mente possa se libertar dela, ao invés de se enfraquecer e ser derrotada todo o tempo. Devemos ser corajosos e lutar com ela até o último limite – até chegar ao ponto de podermos deixá-la passar. A dor é algo sempre presente neste conglomerado de corpo e mente. Podemos percebê-la a cada momento. Se a contemplarmos até vê-la em todos os seus detalhes, podemos, então, torná-la nosso esporte: ver que a dor é a dor das condições naturais, não a nossa dor. Isto é algo que devemos investigar detalhadamente: que isto não é a nossa dor, é a dor dos agregados”.

Deixe-me enfatizar isto: Lidar com a dor, em qualquer dimensão que a dor ocorra, depende de entendermos (não teoricamente, mas profundamente dentro de nós) aquilo que o Buddha chamava de não-eu (anatta). Entender que aquilo que imaginamos ser nós mesmos não é nosso. Não é, nunca foi. E por mais que passemos a vida tentando nos apropriar de nós mesmo, isto nunca será. Tal investigação é uma das características marcantes da chamada meditação vipassana, bem como de todo o Buddhismo Theravada.

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