Lembrando os Mortos

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É sempre bom lembrar que este rito que realizamos em memória de nossos entes falecidos, em japonês se chama Hôji ou também pode ser chamado Butsu-ji, e tem o sentido de ser o dia em que a família e os amigos se reúnem para prestar uma homenagem em memória de um ente querido falecido.

Durante essa Celebração de Homenagem Póstuma, nós recitamos os textos sagrados do Budismo e todos temos a oportunidade de diante do altar, oferecer incenso e juntando nossas mãos na postura de gasshô (mãos postas na postura de prece), prestar nossa reverência em memória da pessoa falecida.

No altar, nós colocamos, geralmente, o Hômyô, o Nome Búdico ou Nome de Dharma, como símbolo de que esta vida que parece ter se expirado diante de nossos olhos, na verdade é vida que retornou, que se reunificou na Fonte de Vida e de Luz de Sabedoria Infinitas, que é de onde tudo vem e para onde tudo um dia retorna.

O Hômyô, o Nome Búdico ou Nome de Dharma, normalmente é inscrito numa moldura, para ser afixado na parede lateral interna do Nai-butsu (conhecido geralmente como Butsudan) ou oratório domiciliar, o altar que os budistas normalmente mantêm em seus lares; ou ainda o Hômyô é inscrito no Kakotyô, um livro que contém os nomes e datas de falecimento dos antepassados da família; mas no Brasil, por uma questão de costume, ficou quase institucionalizado o uso do Ihai, a Tabuleta Memorial, ou Tabuleta Votiva, na qual inscrevemos o nome da pessoa falecida, a data de falecimento, a idade com que a pessoa faleceu e o mais importante: o Hômyô, o Nome Búdico ou Nome de Dharma, simbolizando que a pessoa falecida é para nós como um mestre, alguém que por seu próprio exemplo, nos traz à reflexão sobre a impermanência de nossa vida e nos convida a ouvir o Dharma de Buda, que nos conduz pelo caminho da transcendência dos sofrimentos do nascimento, velhice, doença e morte. Portanto, o Ihai torna-se para nós, como um monumento em memória da pessoa falecida, que agora é una com Vida e com a Luz Infinitas.

A essa Fonte de Vida e de Luz de Sabedoria Infinitas, no Budismo nós damos o nome de Amida (Amida-Butsu ou Amida-Nyorai), o Buda da Vida e da Luz Infinitas, que está representado no altar pelo Ícone Sagrado, que pode ser uma estátua, uma pintura ou mesmo a inscrição do Nome Sagrado, o Namu-Amida-Butsu.

O Buda Amida não é um santo, um deus, ou uma pessoa, mas é a representação do próprio Dharma, do princípio sagrado de Vida e Luz, de onde tudo vem e para onde tudo um dia retorna.
Compreendendo a vida desta maneira, podemos compreender que a vida de nossos entes queridos falecidos é exatamente manifestação dessa Vida sagrada; que se manifestou neste mundo através do nascimento, existiu durante um determinado período de tempo e que um dia, assim como o corpo retornou para sua natureza material, a vida retorna para sua natureza primordial. Dessa forma, usando uma expressão dos textos sagrados do Budismo, “assim como as águas dos rios, ao penetrarem no oceano se tornam com um só sabor, o sabor da água do mar”, podemos compreender que a vida de nossos entes queridos falecidos agora, é vida una com a Vida Infinita, vivificando as nossas existências e é luz una com a Luz de Sabedoria Infinita de Buda, que estará sempre iluminando os nossos corações e os caminhos de nossas vidas.

Por isso, em memória de nossos entes queridos falecidos, nós nos reunimos, recitamos os textos sagrados do Budismo, oferecemos incenso e do fundo de nosso coração prestamos nossa homenagem a essa Vida e Luz Infinitas, recitando o Sagrado Nome de Buda, o Namu-Amida-Butsu.

Rev. Wagner Haku-Shin

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