Investigação dos dhammas – dhamma vicaya

Investigação dos dhammas – dhamma vicaya


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O segundo fator da iluminação é a investigação dos dhammas (dhamma vicaya). Também podemos encontrar traduções como: análise de qualidades, discriminação dos dhammas, investigação da doutrina, etc. Todas estas traduções refletem algo do que este fator significa. Gostaria de destacar nesta explicação dois aspectos que considero importantes.

Em primeiro lugar, é importante perceber que há uma ligação entre o fator da vigilância e a investigação dos dhammas. A vigilância fortalece nossa atenção e isso torna o estudo mais eficiente. A atenção como meditação formal nos aproxima mais de entender as coisas como elas realmente são e isto implica investigação dos dhammas. Imbricam-se nesse aspecto a questão do estudo e a da prática.

Quanto ao estudo. Investigar os dhammas significa estudar o ensinamento do Buddha, uma vez que é graças a este conhecimento que os elementos seguintes são possíveis. O estudo do ensinamento se dá primeiro pelo ouvir (ou ler) e pelo refletir acerca do que foi ouvido. Graças ao estudo e reflexão cuidadosa quando ao Dhamma, podemos dedicar nossa atenção com o olhar do Dhamma, digamos assim aos fenômenos e investiga-los. Separamos fenômenos complexos em partes simples e percebemos sua natureza impermanente, o fato de que tudo é fruto de causas e condições.

Esta postura investigativa era estimulada pelo Buddha. Ele não queria discípulos que apenas acreditassem sem conhecer. O budismo estimula uma postura questionadora. Prova disso vemos no cânone em várias passagens que mostram monges com visões diferentes das do Buddha sendo arguidos pelo próprio Buddha e mesmo assim resistindo a simplesmente mudar de opinião ou mesmo leigos que foram estimulados pelo Buddha a investigar mais antes de tomar o refúgio. Outra passagem famosa é a de Upali, seguidor de Mahavira que depois de ouvir o Buddha adquiriu confiança e desejo de se tornar discípulo. O Buddha sugeriu que ele investigasse mais.

Quanto à prática. Depois de ouvir, ler e refletir devemos pôr em prática o ensinamento. A postura investigativa associada à vigilância é fundamental para o cultivo da meditação. Especialmente se pensarmos nos fundamentos da vigilância temos que esta se dá com relação ao corpo, sensações, mente ou consciência e dhammas ou fenômenos. Todo este cultivo exige do praticante uma postura investigativa, bem como o conhecimento do ensinamento, afinal, sem ele não se pratica sem se adquire um fundamento a partir do qual praticar.

Esta investigação cuidadosa nos revela o caráter impermanente de todas as coisas, a dinâmica de surgir, permanecer por algum tempo e perecer, inerente a tudo. Aquilo que é impermanente é fonte de tristeza e sofrimento e desprovido de uma substância imutável ou um eu eterno. Quando se chega nesse ponto realiza-se o conhecimento direto das três características da existência (anicca, dukkha e anatta). Isto é o insight penetrante e quem chega a tais cumes tornou-se um arahant.

 

Crédito da foto: http://readingmastery1.com/teach-reading-mastery.htm

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