Harmonia religiosa


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Harmonia religiosa, Dalai Lama - Blog Sobre Budismo

O texto a seguir foi extraído do site Dalai Lama Brasil, por S.S. o 14º Dalai Lama (Traduzido por Roldano Giuntoli.).

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Uma grande pergunta está subjacente em nossa experiência, quer pensemos nela conscientemente, ou não: Qual é o propósito da vida? Tenho estudado esta pergunta e, gostaria de compartilhar meus pensamentos na esperança de que possam ser de benefício prático e evidente àqueles que os lêem.

Acredito que o propósito da vida seja sermos felizes. Desde o momento do nascimento, todo ser humano quer a felicidade e, não quer o sofrimento. Nem a condição social, nem a educação e, nem tampouco a ideologia, altera isso. Simplesmente desejamos o contentamento, a partir do mais profundo âmago de nosso ser. Não sei se o universo, com suas incontáveis galáxias, estrelas e planetas, possui um significado mais profundo ou não, mas, no mínimo, está claro que nós humanos, que vivemos nesta terra, encaramos a tarefa de nos proporcionar uma vida feliz. É, portanto, importante, descobrirmos o que produzirá o mais alto grau de felicidade.

Como alcançar a felicidade

Para começarmos, podemos dividir todo tipo de felicidade e sofrimento em duas categorias principais: mental e física. Das duas, é a mente que exerce a maior influência em muitos de nós. A menos que estejamos gravemente doentes, ou privados de nossas necessidades básicas, a condição física representa um papel secundário na vida. Se o corpo está satisfeito, praticamente o ignoramos. A mente, entretanto, registra cada evento, por mais pequeno que seja. Por isso, deveríamos devotar nossos mais sérios esforços à produção da paz mental. A partir de minha própria limitada experiência, descobri que o mais alto grau de tranqüilidade interior vem do desenvolvimento do amor e da compaixão. Quanto mais nos ocuparmos com a felicidade alheia, maior se tornará nossa sensação de bem-estar. O cultivo de sentimentos amorosos, calorosos e próximos para com os outros automaticamente descansa a mente. Isto ajuda a remover quaisquer temores ou inseguranças que possamos ter e, nos dá força para enfrentarmos quaisquer obstáculos que encontramos. É a principal fonte de sucesso na vida. Enquanto vivemos neste mundo estamos destinados a encontrar problemas. Se, nessas ocasiões, perdemos a esperança e nos desencorajamos, diminuímos nossa habilidade de encarar as dificuldades. Se, por outro lado, nos lembramos que não se trata apenas de nós, mas, que todos têm de passar por sofrimento, esta perspectiva mais realista aumentará nossa capacidade e determinação para sobrepujarmos os problemas. Na verdade, com essa atitude, cada novo obstáculo pode ser encarado como sendo mais uma valiosa oportunidade de aprimorar nossa mente! Desse modo, podemos gradualmente nos esforçar para nos tornarmos mais compassivos, ou seja, podemos desenvolver tanto a genuína empatia pelo sofrimento dos outros, quanto a vontade de ajudar a remover sua dor. Como resultado, crescerão nossas próprias serenidade e força interior.

Nossa necessidade de amor

Em última análise, amor e compaixão acarretam a maior felicidade simplesmente porque nossa natureza as valoriza acima de tudo o mais. A necessidade de amor repousa no verdadeiro fundamento da existência humana. Resulta da profunda interdependência que todos repartimos uns com os outros. Por mais capaz e hábil que seja o indivíduo, se deixado só, ele ou ela não sobreviverá. Por mais vigorosa e independente que possa se sentir uma pessoa durante os períodos mais prósperos da vida, quando ela estiver doente, ou muito jovem, ou muito velha, ela precisará depender do apoio de outros.

Interdependência é claro, é uma lei fundamental da natureza. Não apenas formas mais elevadas de vida, mas, até mesmo muitos dos menores insetos, são seres sociais que, sem qualquer religião, lei ou educação, sobrevivem através de mútua cooperação baseada num reconhecimento inato de sua interconexão. O nível mais sutil do fenômeno material também é governado pela interdependência. Todos os fenômenos do planeta que habitamos, nos oceanos, nuvens, florestas e flores que nos circundam, se manifestam em interdependência por meio de sutis padrões de energia. Sem uma interação adequada, eles se deterioram e se dissolvem.

Nossa necessidade de amor repousa no verdadeiro fundamento da existência humana, pelo fato de que nossa própria existência humana é tão dependente da ajuda de outros. Portanto, necessitamos de um genuíno senso de responsabilidade e, de uma sincera preocupação pelo bem-estar de outros.

Devemos levar em consideração o que nós, seres humanos, realmente somos. Não somos como os objetos fabricados por máquinas. Se fôssemos apenas entidades mecânicas, então as próprias máquinas seriam capazes de aliviar todos os nossos sofrimentos e preencher as nossas necessidades. Todavia, por não sermos apenas criaturas materiais, seria um erro colocarmos todas as nossas esperanças por felicidade somente no desenvolvimento exterior. Em vez disso, deveríamos levar em consideração nossas origens e nossa natureza, para descobrirmos o que necessitamos.

Deixando de lado a complexa questão da criação e evolução de nosso universo, podemos ao menos concordar que cada um de nós é um produto de nossos pais. Em geral, nossa concepção não se deu apenas no contexto do desejo sexual, mas, da decisão de nossos pais de ter um filho. Tais decisões estão fundamentadas em responsabilidade e altruísmo, o compromisso compassivo dos pais de cuidar de seu filho até que ele seja capaz de cuidar de si mesmo. Portanto, a partir do verdadeiro momento de nossa concepção, o amor de nossos pais está diretamente em nossa criação.

Além disso, somos completamente dependentes da atenção de nossas mães desde os mais tenros estágios de nosso crescimento. De acordo com alguns cientistas, o estado mental de uma mulher grávida, seja ele calmo ou agitado, tem um efeito físico direto no filho ainda em estágio de formação.

A manifestação de amor também é muito importante na hora de dar à luz. Visto que a primeira coisa que realmente fazemos é sugar o leite do seio materno, nós naturalmente nos sentimos ligados a ela e, ela deve sentir amor por nós para nos alimentar adequadamente, se ela sentir raiva ou ressentimento, seu leite poderá não fluir livremente.

Há então o crítico período do desenvolvimento do cérebro, desde o nascimento até ao menos a idade de três ou quatro anos, quando o contato físico amoroso é o fator mais importante para o crescimento normal da criança. Se a criança não for abraçada, amparada, afagada ou amada, seu desenvolvimento será prejudicado e seu cérebro não amadurecerá apropriadamente.

Visto que a criança não pode sobreviver sem o cuidado de outrem, seu mais importante alimento é o amor. A felicidade da infância, a pacificação dos inúmeros temores da criança e, o desenvolvimento salutar de sua autoconfiança, tudo depende diretamente do amor.

Hoje em dia, muitas crianças crescem em lares sem felicidade. Se elas não recebem afeição adequada, mais tarde na vida, raramente amarão seus pais e, não raro, terão dificuldade em amar outros. Isto é muito triste.

À medida que as crianças crescem e vão à escola, suas necessidades de apoio precisam ser supridas por seus professores. Quando um professor não apenas compartilha educação acadêmica com seus alunos, mas, também assume a responsabilidade de prepará-los para a vida, seus alunos ou alunas sentirão confiança e respeito e, o que lhes tiver sido ensinado causará indelével impressão em suas mentes. Ao contrário, assuntos ensinados por um professor que não demonstrou preocupação verdadeira pelo bem-estar geral de seus alunos, serão considerados apenas temporariamente e, não serão retidos por muito tempo.

Do mesmo modo, se algum doente é tratado num hospital por um médico que evidencia o sentimento de calor humano, ele se sentirá à vontade e, o desejo médico de dar a melhor atenção possível é, por si só, curativo, independentemente do grau de especialização médica. Ao contrário, se o médico de alguém carecer de sentimento humano e demonstrar uma expressão pouco amigável, impaciência ou desconsideração casual, esse alguém se sentirá ansioso, mesmo que o médico seja da mais alta qualificação, que a doença tenha sido corretamente diagnosticada e, que a medicação correta tenha sido prescrita. Inevitavelmente, os sentimentos do paciente fazem a diferença na qualidade e na extensão de sua recuperação.

Até mesmo quando nos envolvemos em uma simples conversa em nossa vida diária, se alguém fala com sentimento humano, temos prazer em ouvir e, responder do mesmo modo: toda a conversa se torna interessante, por menos importante que seja o assunto. Ao contrário, se uma pessoa fala de modo frio e duro, sentimo-nos pouco à vontade e desejamos que aquela interação termine logo. A afeição e o respeito pelos outros são vitais para nossa felicidade em qualquer circunstância, desde o menos significativo, até o mais importante evento.

Recentemente, me encontrei com um grupo de cientistas norte-americanos que diziam que a taxa de doenças mentais em seu país era muito alta, ao redor de doze porcento da população. Durante nossa discussão, tornou-se claro que a principal causa da depressão não era a falta de necessidades materiais, mas, carência da afeição de outrem. Portanto, como você pode ver de tudo o que escrevi até aqui, uma coisa me parece clara: quer estejamos conscientemente atentos a isso, ou não, a necessidade de afeição humana está em nosso próprio sangue, desde o dia em que nascemos. Mesmo que a afeição venha de um animal, ou de alguém que normalmente consideraríamos um inimigo, tanto crianças como adultos, naturalmente gravitarão ao redor dela.

Acredito que ninguém nasce livre da necessidade de amor. E, isto demonstra que, ainda que algumas modernas escolas de pensamento procurem fazê-lo, seres humanos não podem ser definidos como sendo apenas físicos. Nenhum objeto material, por mais belo ou valioso, pode nos fazer sentir amados, porque nossa mais profunda identidade e verdadeiro caráter repousam na natureza subjetiva da mente.

Desenvolvendo a compaixão

Alguns de meus amigos me disseram que, ainda que o amor e a compaixão sejam bons e maravilhosos, eles não são realmente muito relevantes. Nosso mundo, eles dizem, não é um lugar onde estas convicções têm muita influência ou poder. Eles defendem que a raiva e o ódio são partes tão inerentes à natureza humana, que a humanidade será sempre dominada por eles. Não concordo.

Nós humanos existimos em nossa forma atual por algo em torno de cem mil anos. Acredito que, se durante esse tempo a mente humana tivesse sido primordialmente controlada por raiva e ódio, nossa população teria decrescido. Todavia, hoje, apesar de todas as nossas guerras, nos damos conta que nossa população é a maior de todos os tempos. Isto claramente me diz que o amor e a compaixão predominam no mundo.

E, é por isso que eventos desagradáveis são notícia. As atividades compassivas são tão comuns em nossa vida diária, que são dadas como certas e, portanto, largamente ignoradas.

Até aqui discuti principalmente os benefícios mentais da compaixão, mas, ela também contribui para a boa saúde física. De acordo com minha experiência pessoal, estabilidade mental e bem-estar físico estão diretamente relacionados. Inquestionavelmente, raiva e agitação nos tornam mais suscetíveis à doença. Ao contrário, se a mente está tranqüila e ocupada com pensamentos positivos, o corpo não será presa fácil da doença.

Porém, é claro que também é verdade, que todos temos uma faceta inata autocentrada que inibe nosso amor por outrem. Portanto, visto que desejamos a felicidade verdadeira, que é produzida apenas por uma mente calma, e, visto que tal paz mental é produzida apenas por uma atitude compassiva, como é que podemos desenvolver isso? Obviamente, não nos é suficiente simplesmente pensarmos quão boa é a compaixão! Necessitamos empreender um esforço combinado para alcançá-la; precisamos utilizar todos os eventos de nossa vida diária para transformar nossos pensamentos e comportamento.

Primeiramente, devemos compreender claramente o que entendemos como compaixão. Muitas formas de sentimento compassivo são confundidas com desejo e apego. Por exemplo, o amor que os pais sentem por seus filhos é freqüente e fortemente associado com suas próprias carências emocionais, não sendo, desse modo, totalmente compassivo. Assim também, no casamento, o amor entre marido e mulher, especialmente no início, quando cada parceiro ainda não conhece bem o caráter mais profundo do outro, depende mais do apego do que de genuíno amor. Nosso desejo pode ser tão forte que a pessoa a quem estamos apegados nos parece boa, quando, na verdade, ele ou ela é muito negativo. Adicionalmente costumamos exagerar pequenas qualidades positivas. Assim, quando a atitude de um parceiro muda, o outro, freqüentemente se desaponta e, sua atitude também se modifica. Esta é uma indicação de que o amor foi mais motivado por carência pessoal do que por genuíno interesse pelo outro indivíduo.

A verdadeira compaixão não é apenas uma resposta emocional, mas, um compromisso firme fundamentado na razão. Portanto, uma atitude verdadeiramente compassiva em relação aos outros não se modifica, mesmo que eles se comportem negativamente.

É claro que não é nada fácil desenvolver esse tipo de compaixão! Para começar, consideremos os seguintes fatos:

Quer as pessoas sejam bonitas e amigáveis, ou pouco atraentes e desagradáveis, em última análise, são todos seres humanos, assim como nós mesmos. Como nós mesmos, elas querem a felicidade e, não querem sofrer. Além disso, o direito delas de sobrepujar o sofrimento e, ser felizes, é igual ao nosso próprio. Ora, quando você reconhece que todos os seres são iguais, tanto no seu desejo de felicidade, quanto no seu direito de obtê-la, você automaticamente sente proximidade e empatia para com elas. Ao acostumar sua mente a esse sentimento de altruísmo universal, você desenvolve um senso de responsabilidade pelos outros: o desejo de ajudá-los ativamente a superar os problemas deles. Este desejo também não é seletivo, ele se aplica igualmente a todos. Por serem eles seres humanos, que experimentam dor e prazer, tanto quanto você, não há fundamentação lógica para qualquer discriminação entre eles, ou mesmo, para alterar sua preocupação para com eles, caso eles se comportem negativamente.

Deixem-me enfatizar que está ao nosso alcance, dados o tempo e a paciência, desenvolver esse tipo de compaixão. É claro que nossa faceta autocentrada, nosso apego distintivo ao sentimento de um “eu”, auto-existente e independente, trabalham fundamentalmente para inibir nossa compaixão. Com efeito, a verdadeira compaixão pode ser experimentada apenas quando esse tipo de entendimento do “eu” é eliminado. Porém, isto não significa que não podemos começar e progredir agora.

Como podemos começar

Deveríamos começar por remover os maiores obstáculos à compaixão: raiva e ódio. Como todos sabemos, estas são emoções extremamente poderosas que podem oprimir toda nossa mente. Todavia, elas podem ser controladas. Se, no entanto, elas não forem, essas emoções negativas nos contaminarão, sem esforço adicional da parte delas, diga-se de passagem, e, impedirão nossa busca pela felicidade de uma mente amorosa.

Por isso, de início, é útil investigarmos se a raiva tem algum valor, ou não. Algumas vezes, quando estamos desencorajados por uma situação difícil, a raiva nos parece de ajuda, tendo o aspecto de trazer consigo mais energia, confiança e determinação.

Nesse ponto, porém, devemos examinar cuidadosamente nosso estado mental. Por mais que possa ser verdade que a raiva traga energia extra, se explorarmos a natureza dessa energia, descobrimos que ela é cega: não podemos estar certos de que seu resultado será positivo ou negativo. Isto se deve ao fato de a raiva eclipsar a melhor parte de nosso cérebro: sua racionalidade. Portanto, quase sempre, não podemos confiar na energia da raiva. Ela pode vir a causar uma quantidade imensa de comportamentos infelizes e destrutivos. Além disso, se a raiva atingir extremos, a pessoa se torna tal qual um louco, agindo de maneiras tão prejudiciais a ela mesma, quanto aos outros.

É possível, todavia, desenvolver uma energia igualmente forte, porém, muito mais controlada, de modo a lidarmos com as situações difíceis.

Esta energia controlada procede não apenas de uma atitude compassiva, mas, também da razão e da paciência. Estes são os mais poderosos antídotos para a raiva.

Infelizmente, muitas pessoas julgam erroneamente estas qualidades como sinais de fraqueza. Acredito que o contrário seja a verdade: que elas são os verdadeiros sinais de força interior. A compaixão é, por natureza, gentil, pacífica e suave, mas, é muito poderosa. São os que facilmente perdem sua paciência, os inseguros e instáveis. Por isso, para mim, o aparecimento da raiva é um sinal evidente de fraqueza.

Portanto, quando um problema se apresenta, tente manter-se humilde, manter uma atitude sincera e, ocupar-se para que o resultado seja justo. É claro que outros poderão tentar se aproveitar de você e, que se seu desapego só encorajar agressão injusta, você deverá procurar adotar uma posição firme. Isso, contudo, deveria ser feito com compaixão, e, caso seja necessário expressar seus pontos de vista e, adotar medidas fortes, faça isso sem raiva ou má-fé.

Você deveria se conscientizar disso, mesmo que seus oponentes pareçam estar lhe atingindo, pois ao final, a atividade destrutiva deles só prejudicará a eles mesmos. De modo a verificar seu próprio impulso egoísta de retaliar, você deveria se lembrar de seu desejo de praticar a compaixão e, assumir a responsabilidade de ajudar a impedir que a outra pessoa sofra as conseqüências de seus próprios atos.

Desse modo, pelo fato de você escolher calmamente as medidas que emprega, elas serão mais eficazes, mais precisas e mais fortes. A retaliação baseada na energia cega da raiva quase nunca acerta o alvo.

Amigos e inimigos

Devo novamente enfatizar, que não será suficiente meramente pensar que a compaixão, a razão e a paciência são boas, para desenvolvê-las. Devemos esperar que as dificuldades se apresentem para, então, procurar praticá-las.

E, quem cria tais oportunidades? Não os nossos amigos, é claro, mas, nossos inimigos. Eles são os que nos trazem a maior parte dos problemas. Portanto, se verdadeiramente desejamos aprender, devemos considerar os inimigos, nossos melhores professores!

Para uma pessoa que estima a compaixão e o amor, a prática da tolerância é essencial, e, para isso, um inimigo é indispensável. Por isso, deveríamos nos sentir gratos a nossos inimigos, pois são eles os que melhor podem nos ajudar a desenvolver uma mente tranqüila! Freqüentemente, acontece também que, com uma mudança nas circunstâncias, inimigos tornam-se amigos, tanto em nível pessoal, quanto na vida pública.

Portanto, raiva e ódio são sempre prejudiciais e, continuarão a nos perturbar e a interromper nossas tentativas de desenvolver uma mente calma, a menos que trabalhemos para reduzir essas forças negativas e, exercitemos nossa mente. A raiva e o ódio são os nossos verdadeiros inimigos. Estas são as forças que mais necessitamos confrontar e derrotar, não os inimigos temporários que se apresentam intermitentemente através da vida.

É claro, que é natural e certo que todos queiramos amigos. Freqüentemente, brinco dizendo que: se você realmente quer ser egoísta, você deveria ser muito altruísta! Você deveria cuidar bem dos outros, se ocupar do seu bem-estar, ajudá-los, serví-los, fazer mais amigos, criar mais sorrisos. O resultado disso? Quando você mesmo precisar de ajuda, encontrará muitos ajudantes! Se, ao contrário, você negligenciar a felicidade dos outros, você será o perdedor, no longo prazo. E, a amizade, será ela produzida por brigas e raiva, ciúme e intensa competitividade? Acho que não. Só a afeição nos traz genuínos bons amigos.

Na sociedade materialista de hoje, se você tem dinheiro e poder, você parece ter muitos amigos. Mas, eles não são seus amigos; eles são amigos de seu dinheiro e de seu poder. Quando perder sua prosperidade e influência, você verá como será difícil encontrar estas pessoas.

O problema é que, quando as coisas do mundo correm bem para nós, nos tornamos confiantes de que podemos viver nossa vida sem precisar de amigos, mas, assim que nosso status e saúde declinam, logo nos conscientizamos do quanto estávamos errados. Este é o momento em que apreendemos quem é realmente útil e, quem é completamente inútil. Por isso, para nos prepararmos para esse momento, e fazermos amigos genuínos que nos ajudarão quando a necessidade se apresentar, nós mesmos precisamos cultivar o altruísmo!

Ainda que às vezes as pessoas riam quando o digo, eu mesmo sempre quero mais amigos. Adoro sorrisos. Por causa disso, tenho o problema de saber como fazer mais amigos e, de saber como conseguir mais sorrisos, especialmente, sorrisos genuínos. Pois há muitos tipos de sorrisos, os sarcásticos, artificiais ou diplomáticos. Muitos sorrisos não produzem nenhum sentimento ou satisfação e, algumas vezes podem até criar suspeita ou medo, não é mesmo? Mas, um sorriso genuíno nos dá um sentimento de frescor e é, acredito eu, exclusivo dos seres humanos. Se estes são os sorrisos que queremos, então temos que nós mesmos criar as razões para que apareçam.

A compaixão e o mundo

Concluindo, eu gostaria de brevemente expandir meus pensamentos além do tópico deste curto texto e, defender um ponto mais abrangente: a felicidade individual pode contribuir, de um modo efetivo e profundo, para a melhoria global de toda a nossa comunidade humana.

Pelo fato de todos repartirmos essa idêntica necessidade de amor, é possível sentir que qualquer pessoa que encontramos, em quaisquer circunstâncias, é um irmão ou irmã. Não importa o quão desconhecido seja o rosto, ou quão diferente seja a roupa e o comportamento, não há divisão significativa entre nós e outras pessoas. É tolice nos prendermos a diferenças externas, porque nossas naturezas básicas são as mesmas.

Em última análise, a humanidade é uma e, este pequeno planeta é nosso único lar. Se quisermos proteger esse nosso lar, cada um de nós precisa experimentar um sentimento vívido de altruísmo universal. É apenas esse sentimento, que pode remover os motivos autocentrados que levam as pessoas a se maltratar e enganar, umas às outras. Se você possui um coração aberto e sincero, você naturalmente sente autoconfiança e dignidade e, não haverá necessidade de temer os outros.

Acredito que, em todos os níveis da sociedade, familiar, tribal, nacional e internacional, a chave para um mundo mais feliz e, de mais sucesso, é o crescimento da compaixão. Não necessitamos nos tornar religiosos, nem necessitamos acreditar em uma ideologia. Tudo o que se faz necessário é que cada um de nós desenvolva nossas boas qualidades humanas.

Tento tratar quem quer que eu encontre, como um velho amigo. Isto me dá um sentimento genuíno de felicidade. É a prática da compaixão.

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Se você está começando no caminho no budista, acesse:
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2 Comments

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  1. 1
    João Luis Lopes

    Sempre o controle da mente , nossos pensamentos nossos grandes inimigos , como é difícil mesmo tendo conciência deste fato não sermos capazes de automaticamente controlar , avaliar e corrigir isto . Mas devemos continuar tentando !

  2. 2
    Paulo Reis Junior

    O sentido da vida é como a mãe, cada um tem a sua, alguns tem a mesma… …ter atitudes próprias e prosperas tanto para mim, como para outro, que essas atitudes contribuam para a continuidade do fluxo da vida, do sentimento (contentamento) e entendimento… …se tornou o indicador do caminho para mim.

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