Este momento é o Nirvana

Este momento é o Nirvana


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Muitas pessoas acham que o budismo é uma forma de religião, mas o budismo é um pouco diferente de religião. Eu ouvi dizer que religião significa reconectar, mas em japonês, religião chama-se shujo, que são dois caracteres chineses. Shu significa origem ou raiz e jo significa ensinamento ou a ação de reviver. Então, na concepção japonesa, a religião é como um ensinamento ou um ato de reviver a raiz, ou a origem, ou o verdadeiro eu (self). Assim, shujo não é necessário para as pessoas felizes, apenas para as pessoas que estão sofrendo, que estão tristes ou em agonia.

Existem muitas formas de se tornar feliz e o zen é uma das escolas ou correntes que vai lhe mostrar o caminho para tornar-se feliz vendo o seu verdadeiro eu. Você se torna feliz vendo o seu verdadeiro eu. Portanto, nós fazemos o zazen como o Buda Shakyamuni fez e atingimos o ponto do verdadeiro eu ou despertamos para o verdadeiro eu.

Quando o Buda Shakyamuni atingiu a iluminação, imediatamente anunciou: “Que maravilha! Que milagre! Eu e a grande Terra com todos os seres atingimos a iluminação simultaneamente!”. Esta primeira afirmação é muito importante para nós: “Que maravilha! Que milagre! Eu e a grande Terra com todos os seres, simultaneamente iluminados!”. Esta afirmação significa que nós somos, na origem, totalmente livres e felizes. É apenas por causa da ilusão, ou da forma dualística de pensar que, como num sonho, achamos que não somos felizes. Mas se você vir o seu verdadeiro eu, você pode salvar-se por você mesmo. Você não precisa dos outros para ajudá-lo. Apenas você pode salvar-se vendo o seu verdadeiro eu.

Você se torna feliz vendo o seu verdadeiro eu.

Eu não vou mudar de assunto, mas vou falar de uma maneira diferente. A história do ser humano tem sido a de colocar o dualismo dentro da cabeça da criança à medida que ela vai crescendo. Os pais, as mães, os irmãos e os parentes ensinam o dualismo para a criança dizendo coisas como você e o outro, você e o mundo, esquerda-direita, em cima-embaixo, bom-mau, grande-pequeno, rápido-lento. Estes tipos de palavras – ou linguagem – são as que os adultos têm ensinado às crianças e esta é a história do ser humano.

Portanto, estas crianças quando crescerem jamais duvidarão das palavras, ou linguagem. Elas acharão que as coisas que as palavras significam realmente existem. Por exemplo: direita. Quando eu digo direita, direita é este lado aqui. Este é o lado direito para mim, mas é o lado esquerdo para vocês. Se eu coloco meu dedo para cima desta maneira, talvez as pessoas no Japão ou do outro lado do mundo digam que está para baixo. Para os chineses, talvez deste jeito seja para cima e para os hindus talvez seja para cima também. Quando todos estão achando que assim é para cima, então só o “para cima” existe. Se apenas o “para cima” existe, então o “para baixo” não existe. Então, nem mesmo o “para cima” existe, porque para se ter a ideia de “para cima”, você precisa da ideia de “para baixo”, consciente ou inconscientemente.

Portanto, a realidade está além das palavras ou das ideias. Direita e esquerda são a mesma coisa; bom e mau são a mesma coisa. Coisas boas para o Sr. Bush são más para o Tio Sam.

Autor: Saikawa Rōshi é o Sōkan (Superior Geral da SōtōShū) para a América do Sul, uma das maiores autoridades do zen em todo o mundo. Nos seus 45 anos de atividade monástica, formou seis sucessores em 3 continentes diferentes.

Este texto foi extraído do portal zen-budista Daissen, mediante autorização

Organização: Rodrigo Daien

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