Equilíbrio Emocional

Equilíbrio Emocional


Pinterest

A Busca por Equilíbrio na Vida

A vida é repleta de desafios, com seus altos e baixos e infindáveis aprendizados. O que e quem somos surge a partir da relação que temos com o mundo e os seres ao nosso redor. Somos seres sensíveis. É exatamente por esta razão que muitas vezes sentimos a necessidade de nos proteger através de máscaras, armaduras e fugas. Porém, ser sensível não é sinônimo de desequilíbrio. Pelo contrário, a sensibilidade indica uma qualidade, um potencial que percebe não só as coisas grosseiras e superficiais da vida como também suas sutilezas. Ser sensível, dotado de sentimentos e emoções não necessariamente significa ser  condicionado e desequilibrado. Pode indicar também uma qualidade sutil, reveladora de que somos seres humanos dotados de faculdades extraordinárias que possibilitam perceber e sentir a vida, os outros e a nós próprios a partir de diversos ângulos psicofísicos.

Entretanto, qual é a causa desta sensação de mal-estar, apertos no peito, pressões no estômago, tensões musculares e dores de cabeça quando nos encontramos emocionalmente perturbados?

A primeira nobre verdade que Buddha ensinou após sua iluminação é a verdade que fala da presença deste mal-estar em nossas vidas, uma constante insatisfatoriedade, descontentamento e sofrimento. Isto Buddha chamou de dukha. Dukha provém da raiz sânscrita duk que se refere a uma carroça com o eixo de suas rodas descentralizado, danificado. Independente da direção que dirigirmos nossa carroça, ela nunca vai para onde esperamos que ela vá. Estamos constantemente insatisfeitos. As coisas nunca funcionam exatamente do jeito que queremos.

Nossa aflição não provém do fato de perceber e sentir as coisas per se mas de caírmos dentro de uma experiência que parece ser sólida, que concebemos ser real. Acreditamos que aquilo que vemos lá fora é verdadeiro independente de nós, separado de nossa própria experiência. Disto somos arrastados sem controle por intensas tempestades emocionais, medos e expectativas. Esperamos não nos separar daquilo que nos traz bem-estar e temos medo de encontrar tudo aquilo que ameaça nosso equilíbrio, nossos apegos, indentidades e proteções de um ego mentalmente construído, ilusório e destituído de qualquer substancialidade. Deciframos erroneamente o universo e dizemos que ele nos engana.

Quando compreendemos que as situações, pessoas e coisas não tem uma existência independente, mas que são uma experiência pessoal, podemos vir a reconhecer que tais experiências são dotadas da natureza insubstancial da mente, são nada mais do que projeções mentais. Passamos a sentir que as coisas não estão lá por si e em si mas surgem inseparáveis de nossas próprias mentes. Magicamente, as mesmas coisas que antes nos pertubavam começam a perder força e poder de influência sobre nós. Um equilíbrio natural começa a surgir, onde os altos e baixos emocionais provindos do apego e da aversão não são mais tão intensos e frequentes.

Ao purificarmos nossa visão e experiência de mundo encontramos paz, uma imparcialidade nascida de uma profunda lucidez, que em tibetano se chama tang.nyon (upeksha em sânscrito). Tang neste contexto significa abandonar a percepção equivocada da realidade que produz as perturbações do apego e da aversão, e todos os desequilíbrios emocionais; nyon é o estado equânime, tranqüilo, que não oscila. Essencialmente é a equanimidade surgida através do discernimento sobre a verdadeira natureza das coisas. É entender melhor a si e aos outros. É compreender profundamente o movimento natural da vida, do universo, sua natureza e operação.

Nos momentos difíceis, de perturbação e desequilíbrio dê a você o presente de uma profunda e revigorante respiração. Perceba, então, que seu corpo, sua energia e sua mente agradecem. Respire dando espaço para os sentimentos, emoções e movimentos da mente não se sentirem apertados, pressionados, suprimidos ou bloqueados. Respeite o que quer que se expresse em seu coração. Observe. Acolha. Gentilmente tente entender o que tais sentimentos estão dizendo, apontando, lhe revelando. Flua junto com a emoção em meio a este ambiente mental espaçoso, lúcido e amoroso. Transforme o próprio movimento da mente em caminho espiritual.

Desta forma, liberamos o que quer que surja em sua própria natureza, no momento de seu surgimento ou durante o desfrute de sua expressão. A familiarização, desenvolvimento e fruição desta experiência é o que chamamos em minha tradição, a Linhagem Drukpa, de Ronyom em tibetano que significa “equalização do sabor” ou Rotchik “um só sabor” onde toda e qualquer experiência não mais se difere quando saboreada em sua natureza única, livre de toda e qualquer elaboração mental.

O equilíbrio emocional naturalmente estará presente quando fundado em um corpo físico, energético e mental saudáveis. Cuide de seu corpo, de sua energia e de sua mente. Aprenda com eles, com sua linguagem e inteligências próprias. Faça exercícios físicos. Nutra e equilibre sua energia através de um olhar apreciativo e bondoso para com a vida e a humanidade. Resignifique e reorganize sua vida através de um profundo bom-senso nascido da reflexão e da meditação. Aprenda a usufruir das qualidades naturais de sua sensibilidade humana para desenvolver uma profunda familiarização com seu universo interior e com a verdadeira natureza de todas as coisas. A tansição cíclica de nossas experiência insatisfatórias e emocionais é o que chama-se em sânscrito de samsara ou existência cíclica. Samsara não é uma condição fundamental da existência e da natureza das coisas, mas um universo mental, um jeito de ver e experienciar as coisas.

Lama Jigme Lhawang
Comunidade Budista Drukpa Brasil
info@drukpabrasil.org
www.drukpabrasil.org

Categories

3 Comments

Add yours

+ Leave a Comment