Como começar?


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Como começar? Padma Dorje, Tzal - Blog Sobre Budismo

As perguntas e respostas a seguir foram extraídas do site Tzal, por Padma Dorje.

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O que você recomenda para uma pessoa que deseja avançar, mas ainda não estabeleceu conexão com nenhum centro ou professor qualificado?

Seguir tentando estabelecer essa conexão. E já ver isso como prática budista.

Quais os rituais do budismo? (diário, semanal, anual, etc.)

Isso varia de tradição para tradição, e mesmo de praticante para praticante.

Em algumas tradições, haverá uma indicação mais ou menos pessoal, isto é, mais ou menos caso a caso, de acordo com as inclinações e disponibilidades do praticante. Essa indicação é feita por um professor.

Há formas de budismo mais ou menos ritualizadas, mas não há budismo totalmente livre de rituais. Os rituais são encarados, em todos os casos, como treinamentos da mente.

Em geral a pessoa deve praticar o budismo diaramente, o tempo todo, devendo disponibilizar tanto um tempo para a prática formal quanto para a prática em meio ao mundo.

O que é preciso para se tornar um praticante?

Encontrar um professor autêntico, formar um relacionamento, estabelecer um compromisso, e seguir as instruções. O quinto passo é obter algum resultado dessas instruções, e assim garantir o prosseguimento da linhagem.

O que faz a pessoa virar um budista tibetano? Existe “batismo”?

No budismo de forma geral você se compromete com os ensinamentos do Buda ao tomar refúgio, isto é, tomar os votos que, resumidamente, implicam em não prejudicar os outros e se aplicar na prática budista. Você precisa tomar esses votos conscientemente, e é uma prática constante refazer esses votos, portanto não é nada semelhante a um batismo. Ocasionalmente você refaz esses votos perante um grande professor e uma comunidade inteira.

Depois há os votos pertinentes ao mahayana e ao vajrayana, e se estamos falando de budismo tibetano, você vai tomar esses outros votos também.

Como funciona e qual a importância do voto de refúgio?

No voto de refúgio você se compromete com seguir o exemplo do Buda, fazer a prática que leva ao resultado (ser um buda) e estudar/aplicar o dharma (ensinamentos do Buda) e participar da comunidade de praticantes (a sangha). Por isso o refúgio é nas três jóias: o exemplo, o ensinamento e a comunidade, o Buda, o Dharma e a Sangha.

Existem vários tipos de prática de refúgio. A principal forma de refúgio é aquela que ocorre formalmente em uma cerimônia, com a presença da sangha e de professores budistas. Nessa cerimônia em geral a pessoa faz o voto de abdicar das desvirtudes (matar, roubar, conduta sexual indevida, uso de intoxicantes e mentir — em alguns casos outras listas, maiores ou menores são usadas) e de se engajar no caminho budista. É um compromisso público, e algumas vezes um nome budista, relevante para a tradição budista em que a cerimônia está sendo realizada, é concedido.

Porém, o refúgio faz parte da prática diária, e pode ser feito mais de uma vez por dia. Ele pode ser feito através da recitação de uma prece ou de prostrações. A prática diária em geral começa com uma “tomada de refúgio”, isto é, a pessoa repetindo seus votos em voz alta perante um altar, por exemplo.

Como monto um altar?

Você precisa pelo menos uma imagem do Buda Sakyamuni, pode ser uma reprodução de uma pintura, como uma foto, uma pintura ou uma estátua. Você precisa consagrar essa imagem com um professor autêntico do Budismo. Para isso, você leva a imagem até ele e pede para que seja consagrada. Dependendo da tradição, isso pode ser apenas o mestre recitar uma oração perante a imagem, ou cerimônias mais complexas. Sempre é bom fazer uma oferenda em qualquer encontro com um professor.

Com a imagem consagrada, você precisa de uma estante ou mesa que esteja acima da linha da sua cintura. Um erro comum é colocar imagens decorativas do Buda em mesas de centro: o mais adequado, se praticamos o budismo, é colocar estas imagems num ponto mais alto, e elas sempre devem ser consagradas por um professor autêntico.

Não deve haver nada acima do seu altar, no máximo uma prateleira com livros do dharma. O ideal é dedicar um prédio separado de sua casa como sua sala de prática, se isso não for possível, uma peça inteira da sua casa é o segundo melhor. Se isso não for possível, um lugar de destaque na sua sala de estar, e se isso não for possivel, no seu quarto. Você não deve manter um altar no banheiro ou na cozinha.

De acordo com a tradição budista que você segue, você deve fazer oferendas diárias diante de seu altar. Em geral coisas como flores, água, biscoitos e incenso são boas oferendas, mas você deve procurar seguir o modo particular que sua tradição recomenda.

Qual a função do nome de dharma no budismo que você pratica? Em que situações são usados?

Algumas vezes as pessoas gostam de usar estes nomes em alguns contextos, outras vezes é recomendação dos lamas usar os nomes. Por exemplo conheço um rapaz para quem foi adivinhado que teria dificuldades com a longevidade, assim ele é chamado de “vida longa”, e foi recomendado que ele mesmo utilizasse esse nome, como uma espécie de remédio.

Os nomes lembram qualidades que possuímos ou que temos a capacidade de possuir. Normalmente os recebemos durante a cerimônia de refúgio.

Quais são as obrigações de um budista? Se é que elas existem…

Varia de acordo com a tradição e de pessoa para pessoa de acordo com o que a pessoa e seu professor definem.

São três os âmbitos principais de compromisso. 1) Não prejudicar os seres; 2) Trazer benefício aos seres; 3) Treinar a mente no sentido de abandonar hábitos nocivos e desenvolver hábitos íntegros. Estas três são comuns a todas as formas de budismo.

Algumas formas de budismo acrescentam não só beneficiar os seres de forma geral, mas de fato fazer um compromisso com cada ser de fazer tudo possível para que ele revele-se um Buda.

Outras formas de budismo adicionam, além do voto anterior, o compromisso de não se desviar do reconhecimento de todos os seres e fenômenos como “puros”, isto é, dotados da natureza de Buda desde o princípio sem princípio.

Quais são as principais escrituras budistas?

As escrituras aceitas por todas as formas de budismo são chamadas de Tripitaka, ou “Três Cestos”, isto é o Cesto dos Sutras, diálogos do Buda com alunos, o Cesto do Vinaya, referente a regras de comportamento na comunidade monástica, e o Cesto do Abhidharma, uma compilação e comentário aos Sutras feita pelos primeiros alunos do Buda. Estes textos foram deitados no papel na língua Páli, não muito distinta da própria língua que o Buda falava, cerca de 200 anos após a morte do Buda.

Algumas formas de budismo centram-se apenas nestas escrituras e comentários de professores contemporâneos sobre elas. Outras formas dão relevância a um texto em particular, e há formas de budismo que não enfatizam o estudo de textos.

Apenas cerca de 5% dos textos budistas foi traduzido para línguas ocidentais, e em língua portuguesa não encontramos muita coisa.

De toda forma, em qualquer contexto (mesmo neste nosso contexto de 5%), a volume de textos disponíveis no budismo é vasto o suficiente para que seja necessário um “receituário”, uma indicação de uma pessoa experiente que conheça você e suas características.

Você recomenda algum livro ou site para estudarmos?

Procure um centro de prática fidedigno e peça por lá, pessoalmente. Mesmo que tenha que viajar.

Quais livros acessíveis e claros você recomenda para o iniciante na meditação?

Para iniciar na meditação só com instrução pessoal de um professor, e daí você usa os textos que ele indicar, se ele indicar algum.

Só li alguns livros de introdução ao budismo. Você poderia indicar algumas leituras mais profundas?

Eu recomendaria que você procurasse um professor. Um livro “de introdução” como Portões da Prática Budista deve render algumas mil horas de reflexão sistemática na almofada, sob a orientação de um professor qualificado.

Eu não deveria começar a estudar o budismo pelos escritos mais antigos? Algo mais próximo do que o próprio Buda histórico ensinou?

Creio que não. O melhor é começar com o budismo vivo de mestres conhecedores de nossa realidade atual e “globalizada”, depois podemos estudar textos mais eruditos, e enfim os comentários principais. Só então, e com a ajuda de um professor qualificado, devemos nos focar nos textos raiz. Normalmente o estudo de um texto raiz consiste em retiros relativamente longos, onde o texto é intercalado com prática de meditação e estudado em conjunto com dezenas de comentários.

A questão de budismo “mais original” é também problemática. Normalmente o que as pessoas associam aos textos “originais” do budismo é o cânone Páli, mais vinculado ao sul da Ásia e a tradição Theravada. No entanto, as fontes primárias mais antigas destes textos data do ano 1000. No senso comum, acadêmico, o Mahayana surge quase como uma “invenção” posterior — mesmo que positiva ou correta, não “original”. No entanto não há evidências primárias para estas afirmações, e, de fato, os textos mais antigos sobreviventes em fontes primárias são do Mahayana.

Mas com todas as distorções que ocorreram ao longo do tempo, eu não devia buscar algo mais próximo do ensinamento original do Buda?

Criar uma imagem mental do Buda como algo puro que surgiu no passado não ajuda sua prática. Você precisa ser mais prático e ver o Buda com base nos resultados dos ensinamentos do Buda, até sua comunidade, e principalmente, seu professor atual.

Você não desenvolve respeito pelo Buda através de alguma fantasia que você cria. O budismo não é uma religião “revelada”, o que o Buda ensinou foi prático e não é “dele” ou de uma divindade externa. Faz parte da própria natureza dos seres, e portanto, segue intacto. O caminho é o inverso: o mais original é o que permanece vivo ao longo dos 2600 anos. O mais original é a experiência viva da comunidade e do professor. É só através da comunidade e do professor que você saberá encontrar os textos mais adequados para você, e assim conhecer o Buda através de suas palavras.

Se fosse pra indicar 5 livros para quem nunca teve contato com o budismo quais livros você indicaria?

Eu não acho apropriado ler vários livros sobre budismo. O que eu recomendo sempre é Portões da Prática Budista. E daí a pessoa deve ir conhecer os budistas. Ler compulsivamente sem a experiência do dharma é a maneira mais certa de perder a tão preciosa mente de principiante. Aprender a ler mais cuidadosamente e refletir sobre o que está no texto é importante também. Nós lemos como quem come fast food — é preciso sentar e contemplar os ensinamentos, e ler de novo um mesmo livro 25 a 100 vezes.

Para alguém que gostaria de iniciar-se no budismo, que leitura você recomendaria?

Portões da Prática Budista, de Chagdud Tulku Rinpoche. Mas eu não indicaria a leitura em primeiro lugar, e sim o comparecimento em uma sala de prática, e possivelmente a ensinamentos.

Não podendo encontrar um professor de budismo na minha cidade, você não poderia me indicar outros livros?

Você deve viajar. No Tibete tradicional as pessoas viajavam com grande dificuldade, por semanas, a pé, a cavalo e a iaque, para ver um professor. Hoje tudo que você precisa é algum dinheiro para pegar um ônibus e pagar por uma estadia.

Qual seria sua indicação para uma pessoa que mora em uma cidade onde não existe o Budismo, contando apenas com a internet para começar?

No Tibete as pessoas precisavam viajar as vezes algo em torno de 500km para encontrar um professor. E elas faziam isso a pé. Não existe budismo pela internet, nem por livros. O refúgio na sanga é essencial, e é em corpo, fala e mente. Só refúgio numa pseudo-sanga, em fala, não vai servir de muito.

Existe ônibus, existe poupança, só o que falta é reordenar as prioridades.

E quem não tem dinheiro pra pagar ônibus e estadia? Há algum meio para se conhecer mais e evoluir, à distância? Livros? Práticas?

Não. A pessoa deve fazer esse dinheiro de alguma forma. Em geral, quem está num nível social que possui acesso a computador e sabe escrever precisa apenas e somente realinhar suas prioridades.

Mas como você disse é “em geral”. Existe casos de pessoas que tem acesso à internet, mas não tem como viajar à procura de um professor. Como fica a situação dessas pessoas?

É preciso mérito para encontrar o dharma, se a pessoa não tem mérito, não vai encontrar o dharma. O dharma não é algo que a pessoa recebe, é algo que a pessoa faz esforço para obter. Se ela por algum motivo não tem a possibilidade, é exatamente isso, ela, como os animais e os deuses, não tem como praticar o dharma. E não é o dharma que está fechando as portas para essa pessoa: é ela mesma que não tem o que é necessário.

Se nós olharmos para a história dos grandes praticantes do passado, o grau de dificuldade e pobreza que eles enfrentaram é até maior do que o de quase qualquer um, mesmo na África ou um lugar assim, nos dias de hoje. Mesmo assim eles passaram fome, frio, enfrentaram doenças, assaltos e tortura pelo dharma. Se a pessoa pensa que o dharma vai estar facilmente disponível para ela, isso é apenas não entender a natureza do dharma.

E a maioria das pessoas tem o pensamento paternalista e universalista de que “o dharma é para todos”. Não é. O dharma é encontrado de acordo com nossos méritos. Uma pessoa pode nascer dentro de um centro de dharma e não ter mérito para ver o valor do dharma.

Quem vê o valor do dharma e encontra dificuldades, deve tentar superar essas dificuldades. Se elas forem insuperáveis, não há nada que se possa fazer, elas são, como está dito, insuperáveis. Mas, segundo o dharma, a pessoa acumula mérito na mera tentativa de encontrar o dharma. Então, ela eventualmente poderá encontrar o dharma, talvez não nessa vida.

Ademais, se a pessoa não faz esforço na direção do dharma, o dharma que ela encontra poderá não ter valor para ela. Ao fazer esforço, ela eventualmente produz os méritos para reconhecer o valor do dharma. Portanto, em alguns casos, o dharma surge como algo muito muito difícil de obter. Mas até mesmo essa dificuldade é a compaixão dos Budas, porque as pessoas nos nossos dias tem prioridades distorcidas, são preguiçosas e mimadas. E portanto o dharma não pode se tornar mais um mero mimo.

E se eu, de fato, não tiver opção de professor qualificado na região e nem próximo? Devo esperar que talvez meus méritos façam com que eu encontre um professor?

Além de confiar em seus méritos você segue gerando méritos, e além de seguir gerando méritos, as causas extraordinárias com que encontramos professores e o dharma, você segue amealhando as causas comuns para encontrar professores: essencialmente dinheiro para viajar. Naropa abandonou 500 alunos na Universidade de Nalanda para buscar seu guru. Ele andou a pé pela índia por 10 anos antes de encontrar Tilopa. Viajar na índia medieval era um pouco mais perigoso e difícil do que é hoje — e bastava você ser roubado uma única vez para perder todo seu dinheiro: sem bancos, sem bloqueio do cartão, sem telefone, sem polícia.

Podemos ser budistas ainda que tenhamos dificuldades em participar de retiros, com exceção de retiros de finais de semana, eventualmente? Minhas condições financeiras e profissionais não permitirão que eu participe de retiros longos, com frequência.

O que vai determinar a intensidade do seu relacionamento com o budismo é seu próprio carma e o que o seu professor disser. A maioria das pessoas que tem contato com budismo estão em posição semelhante à sua. Em muitos casos, nessa vida não vai ser possível, por essa ou aquela razão, fazer um grande avanço. Mas qualquer avanço, e principalmente, qualquer coisa que te ajude a morrer melhor, são importantes.

O que fazer quando não se tem dinheiro para contribuir nas reuniões budistas? É melhor usar como motivação para procurar um emprego ou frequentar na cara de pau?

As duas coisas. Cara de pau, é claro, não significa apenas ir e ficar lá dentro — mas conversar com os responsáveis e explicar a situação. Isto é, na verdade o melhor é a humildade de explicar sua situação e arranjar um jeito de contribuir — espero que seja isso que se quer dizer por “cara de pau”, ser claro quanto a não poder contribuir financeiramente.

Uma parte essencial da prática budista é contribuir com as três jóias — isso significa que é impossível praticar sem pretar homenagem e fazer oferendas constantes às três jóias, o que inclui a sanga, a preservação dos ensinamentos e representações do corpo, fala e mente do Buda. Se a pessoa não pode oferecer dinheiro — que é uma oferenda excelente, que pode se transformar em muitos tipos de sustentação dos ensinamentos para benefício de muitas pessoas — ela pode oferecer tempo e trabalho.

As pessoas que pensam conseguir se conectar com os ensinamentos do Buda e praticar sem ajudar a sustentar as três jóias estão apenas se enganando. Quando eu digo que é uma “parte essencial” da prática budista, é isso mesmo, sem a primeira paramita, generosidade, para com o objeto mais digno de generosidade, que é o dharma sagrado, que traz benefício a incontáveis seres, não há possibilidade nenhuma, possibilidade zero, de se efetuar uma prática budista qualquer, tal como os vários tipos de meditação.

É possível praticar budismo sozinho?

Para começar a pessoa precisa de muito contato com a sangha, e algum contato com um professor qualificado. É impossível começar sem alguns anos desses dois contatos. Depois a pessoa, se isso for apropriado e benéfico para ela e para todos os seres, e sob a orientação de um professor, pode até praticar em isolamento — o que inclui se isolar da sangha e das outras pessoasem geral. Mas ela nunca se isola apenas da sangha e não das pessoas em geral, esta é uma combinação que não ocorre.

Comecei a praticar a meditação com auxílio de um texto que vi na internet, há alguma chance de eu conseguir meditar sem ajuda de um professor? Se não, quantas aulas são necessárias pra que eu possa conseguir?

É absolutamente essencial, e quanto tempo com o professor vai variar de pessoa para pessoa. No início eu diria um retiro de uma semana, depois de seis em seis meses, e enfim, após alguns anos, de 2 em 2 ou 3 anos. No mínimo. É claro que há pessoas que tem o mérito/necessidade de ficar grudados no professor por anos a fio, todo dia. E há aqueles que recebem muito pouca instrução pessoal mas ainda assim conseguem avançar.

Entendo a sanga como um grupo de pessoas que pratica o budismo, não necessariamente juntos. Pratico o budismo sozinho, embora participe de uma sanga, não me encontro muito com eles devido a rotina do dia. É válido praticar desta forma?

É preciso eventualmente se encontrar. Não precisa ser todo dia. Mas uma vez por semana — e ter amizades dentro da sanga — viver com a sanga fora da prática formal, também. Tendo um contato regular, e essa familiaridade com as pessoas, está bem.

Ademais, enquanto iniciantes, a prática em grupo é essencial. Com o tempo é possível se dedicar menos à prática em grupo, mas nos primeiros anos ou décadas o mais adequado é com frequência e regularidade fazer prática em grupo.

Como faço para superar a preguiça e a procrastinação?

Refletindo sobre a impermanência e desenvolvendo a compaixão.

Uma pessoa que, sozinha, descobre o apego como razão de sofrimento e passa a trabalhar o desapego, pode ser considerado Budista?

Uma pessoa que se considere budista pode ser considerada budista. Esse é o critério do IBGE. Por outro lado, os praticantes do darma de Buda não se preocupam em serem budistas, mas sim em praticar o que o Buda ensinou. E sem a sanga, sem a linhagem do Buda, em contato pessoal, a pessoa nunca vai saber o que o Buda ensinou.

Ou, se ela “descobrir o apego como razão do sofrimento”, ela nunca vai poder verificar se está se autoenganando, ou se sabe o sentido dessas palavras, ou se a partir disso ela vai conseguir praticar um método, assim por diante. Assim ela precisa do controle de qualidade que apenas o contato pessoal com a sanga pode prover.

Em outras palavras, o budista é aquele que toma refúgio em buda, darma e sanga. O Buda ensinou a prioridade no darma, no entanto para a pessoa se assegurar de que o darma não é envenenado por suas inclinações pessoais e tendências habituais, ela precisa da sanga. Assim, é impossível praticar o budismo sem contexto de sanga, e dentro disso, em particular, sem um professor qualificado — se estamos falando dos métodos mais eficazes do budismo. Mesmo se estivermos falando dos métodos gerais, sem sanga não há possibilidade de “controle de qualidade”, e portanto, não há possibilidade de não ser enganado pelas próprias tendências, e portanto, de saber distinguir o que é ou não darma do Buda.

Precisamos ter como objetivo a liberdade? Liberdade é estar no caminho do meio? Não negar nem se apegar?

A liberdade é nosso estado natural. Devemos ter como objetivo revelar nosso estado natural. O caminho do meio tem dois sentidos, moderação no sentido ético, isto é, nem se negar os prazeres nem simplesmente se entregar a eles, e, mais importante, ir além dos extremos do apego, da indiferença e da aversão pelos fenômenos, isto é, tratá-los todos com o interesse, a austeridade e intensidade que merecem.

Liberdade essencialmente significa não estar cativo das emoções aflitivas, tendências de hábitos, opiniões, conceitos, seus e de outros. Não estar cativo dessas coisas significa basicamente reconhecê-las como elas são, isto é, reconhecê-las como vazias, sem poder independente. Por exemplo, alguém critica você e você imediatamente se sente mal. Ser livre é alguém criticar você e você ser capaz de ouvir o que porventura houver de útil nessa crítica sem se abalar nem um pouco. Estar preso é não reconhecer o poder sobre o que se vai sentir quando alguém fala algo, é dar esse poder todo para a fala da pessoa, para a pessoa. O outro extremo, e estamos falando em trilhar o caminho do meio, é simplesmente não ouvir a pessoa e lhe ser indiferente. Aí você está preso sob seus próprios conceitos, sua própria arrogância, sua própria tendência habitual — o que é ainda mais perigoso. Caminho do meio é estar livre dos senhores, dos feitores, externos, internos e secretos. O principal de todos os feitores é a crença numa existência inerente, independente.

Livre desses grilhões todos a pessoa pode expressar as qualidades de um Buda.

Você acredita que para uma pessoa tornar-se um budista legítimo necessite saber o significado dos muitos termos orientais como dharma, vijnana, entre outros?

Não. Mas por um tempo, algumas centenas de anos, será natural a qualquer budista conhecer algum desses termos e utilizá-los. Isso porque leva uns séculos para a tradução se efetuar com naturalidade.

Mas basta viver em contato com a sanga que a pessoa adquire facilmente esse vocabulário, ainda que ela o vá depurando ao longo dos anos. Ouvi uma professora dizer que levou 20 anos para entender o que “mantra” significava — e qualquer pessoa na rua tem uma noção qualquer do que mantra é — mas pelo jeito essa não é uma noção muito útil. Então conviver com um vocabulário novo enriquece a vida da pessoa.

Um lama me disse que aprender umas 10 palavras em qualquer língua bem diferente da nossa (ele mencionou grego) amplia em muito nosso horizonte. Nossa mente fica muito menos fixada. Perdemos certas viseiras, certos filtros limitadores de nossa cultura.

Assim, não é essencial, a pessoa pode até ser um bom praticante sem grande terminologia. Mas é natural. Absolutamente natural. E mesmo palavras usuais do português vão ganhar sentidos mais amplos, distintos, próprios do convívio com a sanga. Quem usa “mérito”, “auspicioso”, “mente”, “refúgio”, “venenos da mente”, “emoções aflitivas”, “perseverança jubilosa”, etc, como os budistas usam? Ninguém.

Nós temos um jargão próprio, como os cristãos também tem, como os médicos e técnicos de computador tem. E no início a pessoa pode se sentir estranhada, mas eventualmente isso é parte da criação da identidade do grupo, e enfim, é parte até mesmo da criação de tendências habituais positivas para vidas futuras. Certas palavras em sanscrito ou pali, como Darma e Buda, nós sempre vamos usar. E se queremos numa vida futura ter facilidade com o darma, criar familiaridade com elas nos ajuda nisso.

Ademais, a raiz de nossa língua é a mesma do sanscrito. Avidia em sanscrito é “a”, não, “vidia”, visão. Cegueira, não-visão. “Vidia” vem do mesmo lugar de onde vem “ver”. Assim, eventualmente nós vamos entender melhor até mesmo nossa própria língua, ao nos aprofundarmos na etimologia comum do sânscrito e das línguas latinas.

Estarei amealhando mérito se aprender tibetano?

Depende de sua motivação. Com a motivação de propagar o dharma em outras linguas, isto é, eventualmente traduzir, sem dúvida! Também meritório, é claro, com a motivação de aprender o dharma de forma mais profunda e direta. Todas as línguas centrais ao dharma são muito meritórias: o páli, o sânscrito, o chinês, o tibetano e o japonês são as línguas principais do budismo, e já é possivel dizer que o inglês é bastante central também. As quatro últimas línguas são também as “quatro grandes”, as maiores literaturas da Ásia — o que abre um leque vasto de conhecimento não só sobre budismo, mas sobre medicina tradicional, história, outras tradições religiosas e, hoje em dia, no caso do japonês e chinês, também acesso a muito trabalho e prosperidade, caso a pessoa domine essas línguas. No caso do tibetano, ela está ajudando a preservar uma língua importante que corre um risco real de desaparecer em algumas gerações.

A língua é o menor dos obstáculos. Isso pode ser assustador para quem está começando, mas a transformação dos nossos hábitos nefastos, que seguem por vidas incontáveis, é muito mais difícil do que aprender uma língua — e se uma coisa pode ajudar na outra, porque não? Considerando que uma parcela ínfima dos textos budistas está traduzida para línguas ocidentais, e quase nada ao português, com certeza é algo que, se não vamos nós mesmos aprender, podemos apoiar os tradutores e futuros tradutores como pudermos.

Em outras palavras, se nós não pudermos aprender, nós vamos depender de que outros aprendam outras línguas. Então não há dúvida de que devemos considerar importante, meritório, e algo a apoiar financeiramente.

Que chance temos de atingir a iluminação, com minguadas horas de meditação por semana, se mesmo os grandes mestres, mesmo já tendo nascido mestres, estudaram e meditaram durantes anos a fio?

Pouca. Por outro lado, a chance de felicidade verdadeira no samsara é nenhuma, e a chance de grande e evidente sofrimento é gigante.

Portanto, como um alpinista, que não olha para baixo, nos focamos no próximo pino a ser cravado. O pico nunca vai sair do lugar.

Algumas vezes lemos sobre as práticas e surge a noção de que a liberação é algo muito dificil de atingir. Como pode precisarmos de tanto esforço para atingir um estado natural?

Duas respostas: o esforço é no exato mesmo grau de ignorância e desconexão com relação a este estado natural. Quem está mais desconectado, faz mais esforço. Quem tem menos ignorância, menos esforço. Para quem tem sabedoria, nenhum esforço. A compaixão do Buda é tal que as práticas com esforço surgem para os que precisam fazer esforço, e as práticas sem esforço, para aqueles que não precisam fazer esforço. A noção de que 50.000 horas de shamata é esforço só surge porque nos parece esforço permanecer 50.000 horas em contato com nosso estado natural durante a prática de shamata. Em outras palavras, para quem tem contato com o estado natural, não há esforço em nenhuma tarefa, fora ou dentro do dharma. O esforço, dentro e fora da prática formal, surge porque exatamente não estamos em contato com esse estado natural.

Então dificuldade e esforço estão na mera dependência do não-reconhecimento do estado natural.

A segunda resposta é que “vestibular é fácil, a vida é que é difícil”… em outras palabras, esforço a gente passa no samsara, sem o dharma, sem rumo, só com mais esforço e sofrimento em vista. A prática do dharma é cheia de alegria, e qualquer esforço é tão mais recompensador e cheio de sentido que os esforços normais do samsara, que simplesmente nem faz sentido sua colocação. Shantideva diz que se as pessoas colocassem na direção do dharma 1% do esforço que colocam em relacionamentos e trabalho, elas se iluminariam ainda nesta vida.

Um leigo tem chances de alcançar o nirvana?

Um “leigo”, não, mas um iletrado, uma pessoa bastante inculta, sim. Um leigo não porque leigo é alguém que não sabe, que não entende. Então a pessoa precisa entender o suficiente para ser capaz de praticar.

Mas o que está implícito na pergunta é se alguém que leva uma vida não-monástica pode se iluminar. Muitas vezes eu mesmo uso a palavra leigo para dizer “não monástico”. Sim. O sutra de Vimalakirti é um texto mahayana clássico sobre essa questão. O próprio hinayana, de fato, também não excluía essa possibilidade, mas ela fica mais clara no mahayana.

Não só o nirvana, portanto — que é a realização estreita do hinayana — , mas iluminação completa é possível a não-monges.

O que é suficiente fazer em termos de uma a prática budista?

O que é suficiente? O que seu professor disser que é suficiente para você!

Não consigo aceitar de forma racional o simbolismo de algumas escolas do budismo tibetano como a parte dos mantras e mentalizações. Deveria optar por uma outra forma de budismo mais simples, pelo menos até eu superar alguns desses preconceitos?

Mesmo nas formas mais simples de budismo você vai encontrar recitações e possivelmente mantras, embora com certeza menos do que no budismo tibetano. Todas as escolas budistas tem recitações.

Você não escolhe a tradição budista de acordo com suas inclinações, você encontra um professor, e se você deseja as qualidades dele, você pratica o que ele disser para você praticar.

Ademais, esperar aceitar as coisas de “forma racional” antes de se engajar nelas é confiar demais na sua capacidade atual. Você precisa de experiência direta, de campo, com o que você está lidando — e então traçar inferências — e só daí você tem alguma chance de raciocinar as coisas com alguma isenção. Se você começa a raciocinar sem ter amostras empíricas, isso não vai funcionar para nenhuma forma de budismo. Você nunca abandona a sua racionalidade, mas você também não a tem como senhora da sua experiência. A sua experiência sempre foi e sempre será mais ampla do que sua racionalidade. Então você aprende a colocar ela no lugar dela: ela é um ministro, que lhe dá conselhos. Você é o rei, que experimenta as coisas e sabe, cognitivamente, diretamente. Você usa o feedback dela, mas você não se deixa dominar por ela.

Quando você começa a se aplicar no que não entende, quando você começa a enfrentar seus preconceitos, é aí que começa a prática budista. Se você permanecer preso aos limites que você mesmo impôs a si, você nunca reconhecerá o Buda, mesmo que ele lhe dê um tapa na cara e lhe puxe o nariz.

O símile que o próprio Buda usava nesse caso é o de um homem com uma flecha enfiada no olho. Ao invés de buscar um cirurgião ele fica pensando “Veio daquela direção? Quem atirou? Porque eu mereço isso? Essa flecha é vermelha?”

Quais os ensinamentos do Budismo sobre a alimentação?

Até onde entendo, comer menos mas bem, comer de forma saudável, e comer sem grande discriminação (sem escolher muito).

Há algumas praticas de jejum, e o vegetarianismo é recomendado por algumas formas de budismo e alguns professores. Mas não é necessário ser vegetariano para ser budista.

Tenho tentado superar angústias e aflições de um relacionamento fracassado, porem, pareço fadado a desgraça… Você conhece algum método que me ajudaria a me ajudar?

Eu sinto ter que ser direto aqui, mas o budismo não é uma terapia para melhorar nossa qualidade de vida, e centros de dharma não são lugares para buscar ajuda em problemas pessoais. É claro que o dharma pode ajudar uma pessoa nessa situação, mas o que se pode fazer por uma pessoa que só quer o remédio para uma irrisória e besta desgraça pessoal?

Uma vez um rapaz havia perdido a namorada e foi perguntar exatamente isso para o Rinpoche, e ele respondeu “Roubaram sua namorada? Pois é, roubaram meu país inteiro, mas foi só carma também.”

Até é possível que um professor budista pudesse ajudar você, mas sem fazer o esforço de ir falar com um, isso não vai funcionar. O dharma não tem métodos para todas as pequenas aflições humanas, mas sim milhares de métodos para a raiz de todas as aflições humanas.

Todos nós estamos fadados a desgraça no samsara, então esse é um bom pensamento. A pessoa só precisa dar o passo seguinte e abandonar a busca por conforto e facilidades dentro do samsara, e buscar sim a transcendência total e completa da experiência cíclica.

Uma paixão intensa por uma mulher é sempre negativa ou pode ser positiva?

Ela é negativa na exata medida em que encubra a realidade de fantasias.

Como os budistas criam seus filhos a partir dos preceitos budistas?

A melhor forma de levar os outros a felicidade temporária e definitiva, sejam eles seus filhos ou não, é através do exemplo. Então os budistas, os bons praticantes ao menos, tentam dar o exemplo da ética, da compaixão e do treinamento da mente — e assim, naturalmente reconhecendo o que é bom e efetivo as pessoas seguem os exemplos daqueles dignos de dar exemplo.

Como o budismo vê a questão da família? Os filhos devem, além de respeitar e cuidar, morar com os pais durante um longo tempo?

Claro que não. Principalmente monges as vezes vivem com a família até os 4 a 10 anos de idade, entram pro mosteiro e nunca mais voltam. Apenas no caso deles requererem cuidados, nesse caso é adequado morar com eles. De outra forma é mais salutar para eles e para você não morar juntos.

Devemos convidar conhecidos para frequentarem reuniões budistas?

Em princípio, não. Devemos levar nossa prática em low profile, nem mesmo mencionando que somos budistas a não ser se perguntados. E se uma pessoa demonstrar interesse, aí você pode convidar. Ocasionalmente, se depois de muita reflexão você acha que seria benéfico para uma determinada pessoa, você até pode, muito suavemente, mencionar alguma possibilidade de conexão.

É uma desvirtude ensinar o dharma a quem não quer ser ensinado. Então o melhor é manter uma atitude aberta mas não proselitista.

Quanto ao proselitismo, você disse que o ideal era um budista não ficar falando sobre o darma. Mas e quando se é diretamente questionado?

Depende do questionamento. Se a pessoa pergunta se você budista ou praticante, e questiona algo sobre o que significa isso, não há problema. Se ela está interessada no darma, no entanto, o melhor é direcioná-la para um professor. Isto é, sua primeira resposta deve ser “o melhor é perguntar isso a alguém qualificado”. Se houver insistência, e você realmente souber responder, então não há problema.

O ponto principal é manter uma relação discreta com o darma, não ostentar o darma. E evitar falar demais: alguma coisa, em contexto, quando perguntado, não há problema.

Um praticante cujos amigos são “pessoas comuns” e com “hábitos nocivos” deve se afastar deles ou tentar ajudá-los de alguma forma? A “energia” deles pode me prejudicar? Para ajudá-los, como devo proceder? Convertê-los ao budismo? Convencê-los a meditar?

Na medida que a própria prática seja prejudicada, ou seja, na medida em que a pessoa não consiga praticar, tenha obstáculos, perca tempo, e assim por diante, ela deve se afastar dessa pessoa ou pessoas que são contraproducentes. Se ela consegue praticar, e ajudar de alguma forma, ela pode, e deve, se aproximar dos seres.

Não é uma questão de energia, é uma questão de pacto de mediocridade. Seus companheiros riem do infortúnio de alguém, e você se sente socialmente compelido a participar daquele riso. Você, sozinho, não riria — mas porque não quer ser desagradável, você ri. E então você faz um pacto com a mediocridade daquelas pessoas. Desse jeito, você gera obstáculos e enfraquece sua prática. Se você consegue rir quando é adequado, e não rir, não interessa que pressão social, então tudo bem. Mas se você simplesmente toma refúgio na mente de grupo, que é aleatória — porque ali não há bons praticantes — então você deixa de ser um praticante espiritual. É esse o risco, e é por isso que depende da sua capacidade. Um praticante muito avançado é capaz de beneficiar todos os seres, e não se afasta de nenhum.

Você não deve “converter” ninguém ao budismo, mesmo porque isso é impossível. A pessoa toma refúgio pelo próprio mérito, não pela retórica de outra pessoa — se ela tomou refúgio por retórica, ela não tomou refúgio. E meditação, fora do contexto do refúgio, pode trazer algum benefício. Mas é o mesmo que tentar convencer alguém a fazer terapia — você vai ser desagradável, e provavelmente não ajudará em nada. Então você só dá o exemplo e cuida da sua própria mente, sendo sincero e honesto sobre sua capacidade efetiva de praticar, reconhecendo que em algumas situações você não consegue praticar, e evitando essas situações. E a o mesmo tempo, tentando ao máximo estar próximo dos seres e prover um exemplo.

Como reagir diante de quem ridiculariza e menospreza o Dharma?

Rezar?

Não se casar e deixar os pais (que são católicos) tristes é fazer os mesmo sofrerem?

Se você for preencher todas as expectativas dos seus pais, isso não vai acabar nunca. Você tem a responsabilidade de cuidar deles e de respeitá-los, não de acatar suas opiniões, especialmente depois da maioridade. Se o Buda seguisse tudo que seu pai pensava que ele deveria seguir, ele nunca teria esmolado comida, ou fugido do palácio, e nunca teria se tornado Buda. Teria sido um rei esquecido na história e teria trazido muito pouco benefício aos seres, talvez até malefício.

Tenho problemas com minha mãe porque ela não permite que eu vá para um retiro de meditação sozinho. O que devo fazer?

Se não é a mãe, pode ser o cônjuge, ou o chefe. Seres presos sob a tutela de outros não têm a liberdade para praticar o dharma. Dessa forma você precisa se independizar, seja através de atingir a idade necessária, ou obter os recursos, ou simplesmente, quando necessário, cortar o vínculo aprisionador. No caso de você não ter idade para ser independente dos pais, o melhor é aguardar essa idade. Nos outros casos, você simplesmente precisa criar as causas internas e externas para obter essa independência.

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