“Começando com o pé esquerdo!”

“Começando com o pé esquerdo!”


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A qualquer iniciante do Zen é dito que entre no zendô (salão de meditação) com o pé mais distante do altar, qual seja, o pé esquerdo. Muitos que visitam centros de prática Zen se espantam com a quantidade e detalhes da etiqueta ao permanecer no zendô. Toda esta formalidade tem sua razão de ser, mas nesta oportunidade, gostaria de propor, especialmente para aqueles que ensaiam os primeiros passos no Zen, que reflitamos sobre o que nos trouxe até este momento tão importante, ou seja, qual foi até aqui a nossa motivação para começarmos a prática. E, com o perdão do trocadilho, isso é essencial para não entramos “com o pé esquerdo” nela!

A mestra Charlotte Joko Beck abordou este tema no seu livro “Sempre Zen” (Editora Saraiva, edição esgotada e muito difícil de encontrar mesmo em sebos). Para ela “Muitas pessoas …têm sólidas concepções do que a prática é.” E daí, ela enumera o que entende não se tratar absolutamente da prática: “… não diz respeito a causar mudanças psicológicas.” “…não é para conhecer intelectualmente a natureza física da realidade, saber do que consiste o universo, ou como funciona.” “…não é atingir algum estado de graça. Não é ter visões.” “…não é ter ou cultivar poderes especiais.” “…não é para ter sentimentos agradáveis…” “…Não é para se sentir bem…”. “…não se relaciona a algum estado corporal de saúde absoluta…” “…não significa alcançar um estado de onisciência…” E a mestra diz que a lista poderia seguir adiante. Acho que já nos identificamos com alguns desses itens, não é mesmo?

Joko Beck conclui com uma questão para pensarmos: “Se nosso barco cheio de esperanças, ilusões e ambições (de chegar a algum lugar, de tornar-se espiritual, de ser perfeito, de alcançar a iluminação) vira de ponta-cabeça, o que é este barco vazio? Quem somos nós? O que, em termos de nossas vidas, podemos perceber, conhecer? E o que é a prática?” Como deveríamos responder estas questões? E você, já decidiu com qual pé quer começar a sua prática? Gasshô

Organização: Rodrigo Daien

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