Sobre Budismo : Budismo, meditação, sabedoria e compaixão para o cotidiano

A empatia atravessa paredes


By Breno Airan

A habilidade que nos faz humanos não é meramente a nossa capacidade de sentir. Ora, os animais sentem como nós: eles amam, desejam, sofrem com a perda, têm dor e morrem.

São, portanto, seres que percebem e captam o mundo ao seu redor através dos sentidos; são seres sencientes.  Nós, humanos, somos do mesmo jeito e, por vezes, esquecemos que também nos creditamos nas fileiras biológicas do reino animal.

O que nos difere dos demais é o nível elevado de consciência que podemos atingir, gerando sentimentos como a empatia.

E esta é uma palavra que hoje “está na moda”. Está na boca do povo e, devido a este anestesiamento com o termo sendo usado de novo e de novo, seu significado vai perdendo igualmente sua força motriz.

Ela, a empatia, caminha além das margens do “sentir pena” ou da solidariedade. É a extensão energética da nossa humanidade enquanto adjetivo. É quando vemos o outro como parte integrante e inseparável de nós, onde o ego não mais reside.

“A empatia nos permite ultrapassar as diferenças e nos conectar como iguais. Isto acontece, então, atravessando diretamente as paredes que construímos ao nosso redor e nos permitindo tocar o núcleo da nossa igualdade: a capacidade de experimentar dor e alegria”.

O mestre tibetano Ugyen Trinley Dorje, o 17º Karmapa, lançou esta ideia em seu livro “Interconectado: Abraçando a vida em nossa sociedade global” (em livre tradução para o português), pontuando que não há separação entre quem escreve e quem lê, quem nasce e quem morre, quem é pleno e quem sofre, quem acorda e quem dorme.

Associada à compaixão, a empatia é uma das virtudes que se abre por si só. Não é possível ensiná-la em livros, ou aulas ou retiros. A empatia pode ser apenas vivenciada.



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