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Sobre Budismo : Budismo, meditação, mente e alívio da ansiedade

Benefícios dos Rituais


Na Nichiren Shu, assim como possivelmente em todas as religiões, existem certos rituais que são realizados como uma parte da prática. Para algumas pessoas, estes rituais podem parecer limitados. Algumas vezes nós pensamos com nós mesmos, porque fazemos a mesma coisa repetidamente; nada parece mudar; ou isto é chato e tedioso, porque não fazemos algo diferente?

No Budismo nós temos um objetivo em mente como razão para a nossa prática. Este objetivo é a iluminação. O Buda revelou o objetivo através de sua própria prática pessoal.

Primeiro ele se deu conta de uma razão para a prática, que é buscar um caminho para eliminar os sofrimentos da vida. Em seguida ele percebeu que a resposta não seria encontrada se continuasse a levar uma vida fácil e confortável no palácio com seu pai. Ele abandonou sua antiga vida como um príncipe e partiu para a prática asceta (austeridades) nas florestas. Após muitos anos suportando severas privações, ele sentou sob a árvore Bodhi e tornou-se o desperto, o iluminado, a quem chamamos Buda.

Se pensarmos em nossa prática Budista, a prática para atingir a iluminação, em termos de um guia e um viajante, podemos ver que como um viajante nós precisamos ter um destino ou um objetivo em mente. Hoje quando nós queremos viajar para algum lugar, muitas pessoas frequentemente recorrem aos seus GPSs, programam seu destino e então seguem as direções fornecidas. Não pensamos sobre isto, é algo comum, e consideramos sensato.

Nós fazemos a mesma coisa em nossa prática religiosa. Nós decidimos sobre um destino, se é o céu ou iluminação. Então encontramos um dispositivo GPS apropriado e seguimos as instruções fornecidas. Na prática religiosa nós substituímos nosso GPS com as instruções fornecidas por viajantes anteriores, como professores, que estabeleceram um mapa para usarmos como instruções de viagem.

Uma vez eu estava apegado a ideias erradas, e me tornei um professor dos aspirantes ao ensino de Brahman. Você expôs para mim o ensino do Nirvana, e removeu minhas ideias erradas porque você me entendeu.
(Sutra de Lótus, capítulo 3)

No Budismo Nichiren, nosso guia, nossos professores, são pessoas tal como Nichiren e outros antes dele, os quais ele teve como base para seus estudos. Em outras palavras, eles são professores que fizeram uma profunda viagem espiritual. Desde o tempo do Buda eles servem como nossos guias ao apontar um caminho para praticar uma fórmula ou ritual.

O ritual serve como uma estrutura inicial sobre a qual nós podemos construir nossa própria experiência espiritual. Nós usamos o ritual como um ponto de partida, que nos foi dada para que não tenhamos que iniciar do zero quando começamos nossa prática. Conforme passa o tempo, nós aprendemos mais e então podemos expandir o fundamento básico que nos foi dado por nossos professores.

É quase a mesma coisa em muitos esforços da vida. Nós poderíamos pensar nossa prática como estar em um mundo de ação, nos ajudando a entrar no mundo interior. Há segurança a medida que entramos no mundo interior pela ação, porque há um guia. Quando levantamos peso, nós temos um treinador, alguém que nos auxilia se estivermos fazendo algo errado ou com algum problema. Se é mergulho, paraquedismo, escalada em rocha, a lista poderia ser infinita, mas a fim de estar seguro, a fim de ganhar a experiência necessária, buscamos bons professores que irão orientar-nos a medida que aprendemos nosso caminho.

Rituais podem servir para abrir a janela da oportunidade, que é diferente de se aproveitar de uma janela de oportunidades já aberta – o truque é que eles abrem a janela mas eles não são a janela em si. Rituais devem e podem servir para ampliar as experiências e transcender – não limita-las.

Em nossas vidas nós contamos com a fé para muitas coisas. Nós temos fé que a ponte que atravessamos não entrará em colapso, temos fé nos edifícios que habitamos e trabalhamos. Nós temos fé em nossos carros. Fé é em certo grau uma maneira de renunciar o controle para aqueles que dominam a bela arte das coisas que desejamos compartilhar. O mesmo vale para religião. Nós temos fé nos professores e nos ensinamentos e nos damos conta que podemos não ter dominado tudo que há para se conhecer e saber, e nós confiamos nos professores para nos instruir.

Apesar de você saber todos os fatos de alguma coisa não significa que você tenha mudado significativamente sua essência da vida. Ter informação acumulada não equivale a ter feito um avanço significativo em mudanças realizadas. Rituais podem nos ajudar a transformar informação em realização. Rituais podem facilitar uma transcendência de um conhecimento sobre algo para na verdade manifestar o benefício daquele conhecimento.

Estas pessoas que se manifestam pelos meus poderes, ouvirão o Dharma de mim, recebam-no pela fé, sigam-no, e não se oponham a ele. (Sutra de Lótus, capítulo 10)

A medida que recitamos o sutra e o Odaimoku (Namu MyoHoRenGeKyo), nós, mesmo que brevemente, suspendemos nosso intelecto para criar espaço para o nosso interior surgir e se conectar com nosso conhecimento.

*tradução livre do texto “Benefits of Rituals” do Rev. Ryusho Shonin da Nichiren Shu.

Gassho.





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