As quatro Nobre Verdades: a extinção do sofrimento

As quatro Nobre Verdades: a extinção do sofrimento


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Nesta oportunidade, gostaria de compartilhar com vocês o terceiro elemento das Quatro Nobres Verdades, que é a “Extinção do Sofrimento”. Como é que vamos fazer os seus sofrimentos serem extintos? Antes de encontrar a resposta, vamos rever aquilo que aprendemos até agora. Em primeiro lugar, aprendemos o que são as Quatro Nobres Verdades. Elas são (1) a verdade do sofrimento, (2) a causa de sofrimento, (3) a extinção do sofrimento e (4) o caminho que conduz ao Nirvana. Então, nós aprendemos sobre a “verdade do sofrimento”. Qual é a “verdade do sofrimento”? Sim, existem quatro sofrimentos, que são “nascimento, envelhecimento, doença e morte”. Então, nós aprendemos a “causa do sofrimento”, que chamamos de “três venenos”. Eles são “ganância, ódio (ou ira) e ignorância”. Então, hoje vamos aprender sobre a “extinção do sofrimento”. Para extinguir o seu sofrimento, você deve compreender três fatores, que no budismo, são chamados de “Três Selos do Dharma”, que são (1) impermanência, (2) vazio e (3) nirvana.

Primeiro, vamos pensar sobre a “impermanência”.

Você conhece o desenho do “Ursinho Pooh”? Ele descreve o mundo imaginário de um menino chamado Christopher Robin. Em um dos episódios, todos os animais estão tentando construir suas próprias casas e o Bizonho, que é um burro, tenta construir sua casa com lenha. No entanto, um forte vento veio e a casa caiu. Então o Bizonho disse: “Nada dura para sempre.” Sim. Nada dura para sempre. Essa é a impermanência.

No entanto nós, seres humanos, pensamos ou queremos pensar que tudo dura para sempre. Esse é o problema que se transforma em sofrimento. Por exemplo, suponha que você tem um gatinho ou cachorrinho como seu animal de estimação. Você quer que ele seja bonitinho para sempre. Não, ele não pode ser. Ele cresce. E você deseja que ele viva eternamente. Não, ele não pode. A duração da vida de um cachorro grande é de cerca de dez anos e cerca de quinze anos para os pequenos. Quando eles vivem muito não é mais do que vinte anos. Se você se casar com uma pessoa muito bonita, mulher ou homem, você quer que ele ou ela seja bonita (ou bonito) para sempre. É impossível. Por fim, você quer viver para sempre. É impossível.

Outro exemplo. Antes de eu chegar aqui, viajei para muitos países, tais como Laos, Malásia, Nepal, China, etc. Eu já vi vários locais famosos designados como “Patrimônio Mundial” pela “Organização das Nações Unidas”. Eu realmente não concordo com a ideia de “Patrimônio Mundial”. Depois que certo lugar é designado como “Patrimônio Mundial”, ele não pode sequer ser reformado ou reparado sem permissão, e isso é realmente difícil e leva tempo para se obter essa permissão das Nações Unidas. Isto porque a ONU pretende que esses locais permaneçam como estão para sempre. No entanto, na realidade, tudo está mudando. Sim, nada dura para sempre. Mas as pessoas estão tão associadas a tais edifícios que perderam a capacidade de ver a verdade.

Você deve entender que tudo está mudando. Se você compreender isso, você não vai se decepcionar ou sofrer. Essa é a verdade da impermanência.

Em seguida, o “vazio”. “Vazio”, não significa que não há nenhum “eu”. Existe o “eu”. Buda Shakyamuni não negou a própria existência. “Não-eu” significa que você nunca deve ser egocêntrico.

Buda Shakyamuni disse “Como você respeita a si mesmo, respeite os outros porque eles também têm um ‘eu’. ”

Deixe-me contar uma história de um antigo sutra.

Uma vez, na Índia, um rei e rainha estavam na varanda em uma noite de lua cheia. O rei disse à rainha “Você é a minha maior preciosidade, rainha”. Então ele perguntou para ela ”Qual é o bem mais precioso para você neste mundo?”. Claro, o rei estava à espera da resposta “Naturalmente, você é o bem mais precioso para mim”. No entanto, a resposta foi diferente do que o rei esperava. Ela disse: “Eu sou o meu bem mais precioso. Você não é o seu bem mais precioso, rei”? O rei, que estava à espera de uma resposta romântica, se decepcionou e nada disse. Na manhã seguinte, o rei se encontrou com o Buda e disse o que aconteceu na noite anterior. Buda disse ao rei “Sim, isso é verdade. Para você, você é o bem mais precioso. Da mesma maneira que você pensa assim, outros pensam da mesma forma. Assim, você nunca deve prejudicar ninguém, porque para eles, eles próprios são os seus bens mais preciosos”.

Por último, o “Nirvana”. Nirvana não é um nome de um grupo rock. Nirvana significa o estado espiritual de paz e de emancipação de todos os apegos em sua mente. Se você compreender a “impermanência” e o “não-eu” (vazio), a sua mente torna-se muito pacífica e não sofre por qualquer coisa, porque percebe a Verdade que nunca muda. A verdade que nunca muda é chamada “Buddha Dharma”. E vos digo que existe o nirvana em todas as mentes. Não há qualquer um que não tenha nenhuma chance de chegar ao nirvana porque estamos todos no nirvana, todos temos a natureza de Buda em nossas mentes. Todo mundo tem igualmente a natureza de Buda. Como você pode sentir isso na sua vida quotidiana, então? Por que você não tenta chegar ao “nirvana” apenas um minuto por dia primeiro? Basta sentir que está tudo mudando à sua volta. Então, você pode tentar aumentar o tempo de permanência em “nirvana” para 3 minutos por dia, 15 minutos por dia, uma hora por dia, confirmando o “Buda Dharma” que você já aprendeu. Acredite na sua natureza de Buda e sinta o “nirvana” no seu interior. Você pode apenas meditar com calma ou você pode recitar “Namu-myoho-renge-kyo” enquanto penetra no “nirvana”. Essa é a prática que você pode fazer a partir de hoje. Vamos praticar para atingirmos o nirvana juntos.

Aprendemos juntos nesta oportunidade sobre os “Três Selos do Dharma”. Da próxima vez, eu gostaria de compartilhar com vocês o quarto elemento das Quatro Nobres Verdades, o “caminho que leva ao nirvana”.

*Transcrição de uma aula do Rev. Imai Shonin, Nichiren Shu Havaí. Agosto de 2007.

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