Armadilhas da nossa prática (1)

Armadilhas da nossa prática (1)


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Tive o prazer de estar presente, como mestra convidada, aos retiros de Alan Wallace no CEBB. Tem sido uma maravilha poder constatar as semelhanças e diferenças entre o nosso Zen e o Dzogchen Tibetano.

Numa das palestras, baseada no texto “A Essência Vajra”, de Dudjom Lingpa, ele falou dos “nyams” (sinais de progresso) na prática tibetana. Imediatamente me lembrei de experiências e estados de espírito que muitos praticantes do Zen vivenciam.

Apesar de serem considerados sinais de progresso, estas experiências e estados também podem representar armadilhas, se não forem resolvidos corretamente. Se são “armadilhas”, por que seriam também “sinais de progresso”? Porque são vivências e estados que podem surgir à medida que a prática vai se aprofundando, permitindo que material (lembranças, associações, atitudes) que estava escondido na mente inconsciente possa aparecer, ser visto e libertado. Isto é bom e necessário.

Mas, se o praticante levar estas experiências excessivamente a sério, elas se tornam armadilhas, podendo até causar ao praticante uma crise que leve ao abandono da prática – em lugar de se manter firme, sob a boa orientação de um professor qualificado, até superar a crise, quando que se dará o florescimento do “sinal de progresso”.

Devido a este perigo de ocorrer uma crise, pessoalmente, ressalto mais o aspecto “armadilha” do que o aspecto “sinal de progresso” desse tema.

Nesta nova série de textos que inicio, vou procurar abordar algumas destas armadilhas. Enquanto estiver aguardando pelo próximo artigo, que tal ir se lembrando de momentos de crise na sua prática para refletir sobre este conceito de “armadilha / sinal de progresso”? (Continua)

Autora: Isshin-sensei é missionária internacional da Sōtō Zen e orientadora da sangha Águas da Compaixão.

Organização: Rodrigo Daien

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