Apresentando o budismo por meio do Buda – Lama Padma Samten

Apresentando o budismo por meio do Buda – Lama Padma Samten


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Apresentando o budismo por meio do Buda - Lama Padma Samten - Blog Sobre Budismo

Existem várias maneiras de introduzir o budismo e o Lama Samten nos presenteou com essa explicação clara e objetiva.

O texto a seguir é do Lama Padma Samten e foi extraído do site CEBB (Centro de Estudos Budistas Bodisatvas)

Outra forma de explicar o budismo seria de uma forma positiva. Ao invés de começar com o sofrimento de duka, explicamos o budismo através da forma do Buda. Ou seja, através da palavra Buda. O que é Buda? A natureza completamente liberta dos hábitos, dos condicionamentos grosseiros e sutis. Como sabemos que somos presas de tais comportamentos? Basta olharmos para uma bandeja de doces. Dizemos: “Muita gordura, muito açúcar, isso não faz bem.” Mas, ainda assim, percebemos que os doces seguem nos atraindo, independentemente de nossas convicções e tratados médicos a respeito, ou de sabermos por experiência própria que doces nos deixam enjoados após comermos alguns a mais.

Cada vez que decidimos não mais fazer alguma coisa, dizer não a algo, há uma região, onde surgem os impulsos, que parece não ser afetada pelas decisões… Podemos dizer não ao cigarro, não ao álcool, não ao videogame, mas estas coisas seguem nos atraindo. Podemos dizer não à inveja, ao desejo-apego, ao cansaço, à ganância, à raiva ou ao orgulho. Mas parece que tudo continua funcionando da mesma forma, apesar de nossa decisão.

O que é Buda? A natureza completamente liberta dos hábitos, dos condicionamentos grosseiros e sutis.

Lama Padma Samten

Algumas vezes brinco que Charles Bronson é meu mestre. Faço o teste: “lamas não podem matar”; daí ponho a fita no vídeo, coloco uma estatuazinha do Buda sobre a TV e fico rezando durante o filme, mas aos dez minutos de filme já surge o impulso: “Mata, mata logo, vai!” Por isto ele é um mestre, aponta a violência oculta, mas presente. Aponta a fragilidade latente…

Isso quer dizer que temos emoções perturbadoras. E então descobrimos o sentido de uma palavra muito importante — a palavra carma. Porque, se estudamos a liberação, temos que estudar o processo oposto, o aprisionamento, que chamamos de carma.

Ao observar as grandes poesias e músicas, vemos que são sempre sobre nossos impulsos: “Eu não devia fazer tais coisas, no entanto, elas são mais fortes.” Elas são sempre sobre duka, daí há duas correntes opostas: “Aqueles cinco minutos valeram a pena”, e “não, aquilo nunca mais, o custo é demasiado”. Por que esses poemas, músicas e ficções nos atraem? Por que vivenciamos aquilo? Por que aquela energia percorre nossas veias? Isso acontece porque estamos presos no mesmo tipo de situação mental. Então, quando falamos de Buda, inevitavelmente temos que falar de carma. Estamos inevitavelmente presos no mesmo tipo de situação descrita na música ou no romance.

Quando olhamos nossa experiência, ao reconhecer tudo isso, vemos que nossa vida tem sido sempre composta de muitos ciclos desse tipo. E de novo voltamos àquele mesmo lugar: “Por que fui atropelado?”, “por que ela me deixou?”, “por que sempre faço tudo errado?”. E então começa tudo de novo, e dizemos: “Ah, agora já sei como é”. E as coisas vão assim.

Um mestre já falecido dizia: “Se você culpa seu marido por seus problemas, você tem uma condenação perpétua — os próximos vão ter a mesma cara, os mesmos problemas do primeiro.” Com namoradas é assim também. Podemos simplificar todo este processo com uma palavra — carma. É um processo muito sutil, não é uma lei que nos condena. Se fosse assim, não existiria a palavra Buda. Buda não é o ser, não é uma pessoa. Buda é uma condição de libertação de todos esses impulsos.

O Buda também diz: “Não acreditem no que eu digo, testem por si próprios.” Ou seja, o que eu ensino não precisa ser tomado como uma verdade a ser aceita. Escutem e testem à sua própria maneira.

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10 Comments

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  1. 2
    Nadja V de Souza

    Oi, Leonardo. Obrigada pelo seu texto.
    Senti, porém, que ele termina bruscamente. Parece que há uma continuidade, mas não está escrita…Rs
    Há uma continuidade?
    Abs,
    Nadja

  2. 5
    Gustavo Araujo

    Oi meu nome é Gustavo, e eu não sei quase nada sobre budismo, queria que alguém me recomendasse algum livro para eu poder entender melhor, sou ateu, mas me sinto atraído mais e mais pelo budismo

  3. 8
    José Rodrigo

    Boa noite Leonardo. Lendo o texto entendi a questão da liberação e o aprisionamento, mas será então que podemos criar nosso próprio carma condenando nossas vidas ou a vida dos outros?
    Um abraço,
    José Rodrigo

  4. 9
    Liz

    Opa, achei nesse blog todo o esclarecimento necessário para a minha introdução à essa doutrina; é tudo muito novo na minha cabeça mas sinto que estou no lugar certo, e não naqueles sites onde as informações são muito vagas. Vou estudar cada pedaço desse blog que mais parece um livro pra mim!
    Abç

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