Apresentando o budismo por meio da bondade

Apresentando o budismo por meio da bondade


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Lama Pada Samten sentado em posição de meditação - Blog Sobre Budismo

O texto a seguir é do Lama Padma Samten e foi extraído do site CEBB (Centro de Estudos Budistas Bodisatvas)

Depois existe uma outra abordagem, que é simplesmente praticar bondade. A bondade é uma capacidade de ir além da própria identidade e encontrar os outros seres. É uma imediata prática de transcendência ativa. O Dalai Lama diz: “Eu não sou budista, a minha religião é bondade, amor e compaixão.” A instrução seria assim: apenas pratique bondade; se tiver dúvidas e pensar: “Isto é fácil, isto é ingênuo”, chame o “mestre” Charles Bronson — vai ficar claro como este caminho é desafiador.

Podemos acreditar que existem seres terríveis, responsáveis pelos problemas do mundo. Mas há uma liberdade que não conseguimos captar na sua natureza terrível. Apenas dizer que são terríveis não explica tudo. Um psiquiatra poderia dizer: “Trato todas as pessoas, menos os loucos” —, mas seria um absurdo. O psiquiatra é alguém que tem afinidade com os loucos, ou seja, esta é a função dele. Por isso, não negamos que os seres sejam terríveis ou loucos, mas é porque as coisas são dessa forma que o psiquiatra é necessário.

Na verdade não negamos as características dos outros, mas vamos nos comportar de forma diferente. Os chineses estão trucidando os budistas no Tibete, mas o Dalai Lama, embora não diga que eles são bonzinhos, ainda assim é médico deles também. Os chineses têm suas características e estão dentro da roda.

A bondade é uma capacidade de ir além da própria identidade e encontrar os outros seres. É uma imediata prática de transcendência ativa.

Lama Padma Samten

Há algum tempo aconteceu um incidente com monges na Coréia. Pode parecer que isso apenas “suje” o nome do budismo, mas há um aspecto maravilhoso. As pessoas devem abrir os olhos e ver que não basta fazer os votos, é necessário cumpri-los. Não é por usar uma roupa diferente que se abandona o carma e os impulsos não virtuosos dos seres humanos. Não é tão fácil. Seria como dizer que apenas por se dizer budista uma pessoa estaria iluminada.

Isso me lembra aquele ministro religioso que foi reconhecido em um motel com uma senhora que não era propriamente sua esposa. Foi uma coisa terrível, ele era admirado por muitas e muitas pessoas. Aí ele foi para a TV e disse: “Viram? Eu sempre disse a vocês, o diabo é um perigo verdadeiro!”

Daí os monges aparecem na TV revelando dimensões de grande agressão. Na verdade devemos entender que a roda é um perigo… As coisas são assim, isto revela um lado humano. Os monges são seres humanos. A forma monástica é uma forma de viver. Raspar a cabeça não raspa as emoções perturbadores. O importante é rir. Rir das nossas expectativas e idealizações.

Lembro do primeiro mestre tibetano que ouvi, Sua Eminência Jangom Kongtrul Rinpoche III. Perguntaram a ele: “Os tibetanos estão mais próximos da iluminação que os ocidentais?” Quando Tenzin, o tradutor tibetano, traduziu, o mestre não parava de rir. “Será que é mesmo assim, Tenzin?”, Rinpoche perguntou, jocoso. E não parava de rir… Certamente ele sabia algumas boas histórias do Tenzin. Rir é uma coisa bem boa. Rimos de nós mesmos.

Levar as coisas muito a sério é um grave problema. O Buda mesmo disse: “Se alguém fizesse as prostrações para mim pelas minhas 32 marcas, este seria um herege.” Pois um ser liberto não é identificado por características particulares. Então, quando criamos expectativas e depois nos frustramos, estamos apenas criando seres e colocando idealmente qualidades ilimitadas neles.

Mas isto foi apenas um longo parêntese sobre a questão da bondade. Essa bondade pode também ser descrita em dez níveis. Mas não há tempo para este estudo aprofundado agora.

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2 Comments

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  1. 2
    Sergio

    Como saber se a intenção da bondade que se pratica é reconhecida como tal,de forma que não gere expectativa e leve à frustração? Será que há alguma garantia para isso ou resulta em duka também?

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