A tomada de refúgio

A tomada de refúgio


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Toda religião apresenta algum rito de ingresso, algo a partir do qual o compromisso individual com aquela determinada visão de mundo e seu conjunto de regras e permissões se torna oficial no contexto da comunidade de praticantes. Os budistas têm este rito na tomada de refúgio. Ao tomar refúgio o indivíduo passa a ser reconhecido formalmente como um buddhista. Os buddhistas buscam refúgio nas três joias, a saber, Buddha, Dhamma e Sangha. Buddha é o professor que seguimos, dhamma o conjunto dos ensinamentos e sangha a comunidade dos praticantes sinceros. Num sentido mais específico sangha refere-se aos monges, num sentido mais amplo a todos os praticantes.

É muito comum no ocidente as pessoas “seguirem o buddhismo” ou se declararem buddhistas como resultado de leituras e algumas práticas resultantes dessas leituras. Embora esse modo de se aproximar do dhamma seja comum e em grande medida útil, não podemos pensar que é suficiente. Basta que recorramos ao conjunto dos buddhistas para perceber que embora a leitura possa produzir todos os elementos necessários para que nos tornemos praticantes sinceros, existe uma dimensão formal a ser cumprida, representada pela tomada de refúgio. quem apenas lê não está em contato com as três joias em sentido pleno.

Desde os tempos do Buddha, segundo o registro dos suttas vemos pessoas dos mais diversos extratos sociais pedirem refúgio no Buddha, Dhamma e Sangha, seja como laicos, seja como monásticos e isso nos chama atenção para dois fatos: as pessoas iam ao encontro do ensinamento, ao invés de aguardarem que este chegasse a elas; segundo, seguir o Buddhadhamma implica também uma dimensão comunitária, representada por uma das três joias, o Sangha ou comunidade. Esta pode ser a comunidade dos monges e monjas ou a comunidade de todos os praticantes. Não se pode ser budista apenas lendo e praticando em casa sem o contato pleno com as três joias.

Por mais que seja fácil ter acesso a textos e orientações online sobre como praticar, é importante que exista algum contato mais próximo com um professor e uma comunidade. O volume de dúvidas e concepções errôneas que vemos em redes sociais por parte de pessoas que buscam entender melhor ou se aproximar do buddhismo também é mais um elemento a fortalecer a tese de que é preciso o contato direto com o dhamma. Nos próximos textos farei breves apresentações das três joias tendo como fundamento o cânone páli.

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6 Comments

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  1. 3
    ivan

    Ola derley, Eu sou um desses que tem tido Contacto com a filosofia budista atravessamos dos textos que consigo encontrar online. Nao vou a nenhuma sangha porque meus Horários Nao coincidem. Mesmo assim pratico com o afinco que posso ter hoje, e acho triste essa sua afirmacao de que nao posso me considerar parte da comunidade budista porque nao me encontro fisicamente com eles.

    • 4
      Derley Alves

      Olá Ivan!
      Veja bem, a tomada de refugio é uma forma de vincular-se formalmente a alguma das várias escolas budistas. Como você diz praticar a algum tempo deve ter percebido que chega um momento no qual necessitamos de orientação. Se não tem nenhum grupo perto de você, pode buscar um contato inicial pela internet, aqui neste site existem representantes de várias escolas/tradições diferentes, pode ser um bom começo para sua busca. Lembre-se também que a comunidade é uma das três jóias, ou seja, é importante manter contato com professores e amigos que trilham o caminho a mais tempo que nós e podem nos ajudar. A internet não consegue suprir esse aspecto do caminho, embora minimize ou ajude nos primeiros passos. Não se sinta triste, pense em formas de aprofundar seu contato com o Dhamma que já é auspicioso. Grande abraço.

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