A qualidade da pratica é mais importante que a quantidade

A qualidade da pratica é mais importante que a quantidade


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A qualidade da pratica é mais importante que a quantidade - Blog Sobre Budismo

Imagem: iSaroz

O texto a seguir é da Ven. Tenzin Palmo do livro Three Teachings e a tradução é do Guilherme Diniz.

Basicamente, existem duas qualidades essenciais que a prática budista oferece. A primeira, é podermos nos retirar da sociedade por um tempo, seja por poucas horas, alguns dias ou, ainda, por meses e anos. A outra, é que nos tornamos aptos a trazer para a vida cotidiana todas as nossas experiências desse isolamento, seja para o nosso relacionamento com outras pessoas, seja para a nossa própria vida cotidiana. E assim como inspiramos e expiramos, precisamos de ambos, já que são complementares.

A prática espiritual não é como um banco, onde os méritos do praticante são acumulados. A questão principal a que devemos recorrer, sempre, é: houve alguma mudança?

Ven. Jetsunma Tenzin Palmo, do livro, Three Teachings.

Às vezes as pessoas ficam muito impressionadas quando ouvem os méritos proporcionados pelos retiros — tanto aqueles que duram três anos, sete anos, ou mesmo quando eles duram a vida toda —, o que nos faz crer na ideia de que se alguém chegou lá, nós também poderíamos. Mas somos pessoas comuns. Geralmente, nós não podemos levar isso à cabo, o que nos faz crer que não há muita esperança de que a nossa prática possa se tornar muito profunda.

Porém, atualmente, percebo que não importa tanto a quantidade de tempo de meditação, mas a sua qualidade. Qualquer pessoa pode sentar-se por três anos e distrair sua mente, mas ela não terá qualquer ganho com isso. Por outro lado, é possível que uma pessoa medite por três dias e esteja completamente focada na prática, onde ela será capaz de perceber alguma experiência de transformação.

Todas as práticas são insignificantes se elas não transformarem nossas mentes.

Ven. Jetsunma Tenzin Palmo, do livro, Three Teachings.

Então, eu penso que o tempo não tem muita importância. Mesmo a quantidade de mantras recitados ou quantas prostrações são feitas não tem muita importância. A prática espiritual não é como um banco, onde os méritos do praticante são acumulados. A questão principal a que devemos recorrer, sempre, é: houve alguma mudança?

Um grande mestre do séc. XI D.C. costumava dizer que o principal referencial para julgarmos um retiro é se a partir dele as nossas emoções negativas — como o ódio, ganância e delusões da mente — diminuíram ou se mantiveram. Mesmo quando o retiro se prolonga por doze anos, nada será alcançado se mantivermos os mesmos padrões de problemas internos, a mesma raiva e o apego às coisas com as quais já nos apegávamos.

Qualquer prática que realizemos é para auxiliar a transformação das nossas mentes. E isso só pode ser feito genuinamente para ajudarmos outras pessoas.

Ven. Jetsunma Tenzin Palmo, do livro, Three Teachings.

Como já disse, não importa quantos mantras recitemos ou o quanto na prática do tantra progridamos. Isso é muito importante: todas as práticas são insignificantes se elas não transformarem nossas mentes. Se a mente é a mesma de quando iniciamos o retiro, então podemos dizer, seguramente, que não houve qualquer progresso. Às vezes — e isso não é raro! — acontece algo pior: orgulhamo-nos por sermos praticantes. Ficamos satisfeitos com nós mesmos e dizemos: “Fiz aquele retiro. Já sou expert na prática!”. Porém, o que fazemos é adicionar impurezas onde até então não tínhamos!

Por favor me entendam: qualquer prática que realizemos é para auxiliar a transformação das nossas mentes. E isso só pode ser feito genuinamente para ajudarmos outras pessoas. Mas quando isso não ocorre, e nos tornamos simplesmente orgulhosos de como somos bons praticantes do Dharma, como poderíamos ajudar quem quer que seja?

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2 Comments

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  1. 2
    Samyra

    É extremamente gratificante, para mim, ouvir ensinamentos de uma mulher. Como mulher sei das dificuldades e obstáculos (inclusive dentro do budismo) que muitas encontram para desenvolverem-se. A Ven. Tenzin Palmo é uma verdadeira fonte de inspiração. Obrigada pelo texto.

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